REGENERAÇÃO -

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INTRODUÇÃO

Uma vez que encontramos a palavra “portanto” no primeiro versículo de 1Pedro 2, gostaria de gastar algum tempo para rever o que a precede. Pedro disse: “Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente, pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível” (1Pe 1.22–23).
Coram Deo era um dos gritos de guerra da Reforma protestante do século 16. A expressão de duas palavras significa literalmente “perante a face de Deus”. A ideia é que, mesmo que a face de Deus seja invisível, vivemos cada segundo da nossa vida perante a sua face. Não podemos vê-lo, mas ele pode nos ver. Precisamos cultivar um tipo de consciência de Deus em que percebemos que tudo o que fazemos é feito perante a face de Deus.
Pedro vem nos chamando para termos consciência de estarmos vivendo a nossa vida perante a face de Deus. Coram Deo inclui não só a noção de viver perante a face de Deus, mas também de viver sob a soberania de Deus e para a glória de Deus – perante sua face, sob sua autoridade e para a sua glória. Isso capta a essência da vida cristã.
Estamos vivendo em tempos estranhos no que diz respeito ao modo como a igreja funciona. Nós nos emaranhamos num desejo ardente de encontrar um modo para nos relacionar com uma cultura que foi imunizada contra o cristianismo. Tentamos encontrar novos métodos para alcançar os perdidos. A motivação é justa, pois devemos ter compaixão dos perdidos. O perigo surge quando perguntamos aos perdidos como eles querem ir para o reino de Deus, como eles querem adorar a Deus e como querem ouvir a Palavra de Deus, para então inventar um método que satisfaça seus gostos e suas preferências. Isso é fatal.
NÃO PRECISAMOS DE ESTRATÉGIAS DE MARKETING OU FÓRMULAS MÁGICAS TIPO TRÊS PASSOS PARA A SANTIFICAÇÃO.
Meus irmãos o caminho para o coração passa pela mente, de modo que um cristianismo irracional na verdade nunca produz a purificação da alma. A purificação da alma ocorre por meio da obediência à verdade da Palavra de Deus por meio do Espírito de Deus. Não há substitutos ou atalhos para isso. Não há santificação em três passos simples.
Porém tem outra coisa que chama a minha atenção no texto o amor fraternal:
Amar nosso próximo significa tratá-lo com cuidado, gentileza e paciência, como fez o bom samaritano. Esse amor tem muito pouco a ver com sentimentos calorosos e afeto.
“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35).
MEUS AMADOS IRMÃOS O QUE ESTAMOS TRANSMITINDO PARA O MUNDO?
As pessoas que não fazem parte da igreja deveriam olhar para os cristãos e perceber que não caluniamos, não criticamos e que protegemos uns aos outros com amor fervoroso, com o amor que vem de um coração puro.
MEUS IRMÃOS PRECISAMOS TER CUIDADO COM FOFOCAS, AQUI TEM UM GRANDE PERIGO É QUE CHAMAMOS NO ACONSELHAMENTO BÍBLICO O PECADO POR TRÁS DO PECADO.
Primeiramente, desejo falar convosco acerca da regeneração. O texto encontra-se em Tito 3:3–7:
Nesta passagem vemos o que éramos anteriormente, antes de nossa conversão. O versículo três descreve a vida que então levávamos. O versículo quatro fala-nos sobre a maravilhosa maneira pela qual Deus, nosso Salvador, interveio. Ele se revelou a nós na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, em quem temos sido justificados e tornados herdeiros de conformidade com a expectativa da vida eterna. O versículo cinco nos fala sobre a operação que se realiza em cada alma convertida. Totalmente à parte de qualquer esforço humano, Deus nos salvou por meio da lavagem de regeneração e renovação do Espírito Santo.
Há duas implicações nas palavras de Paulo, aqui, que exigem observação. A primeira é que aqueles que ora foram iluminados pelo Senhor devem manter-se humildes ante a lembrança de sua própria ignorância anterior, e, portanto, que não se exaltem arrogantemente acima dos demais, nem os tratem com mais severidade e austeridade do que gostariam que fossem tratados quando ainda viviam em condição semelhante.
A segunda é que, o que sucedeu a eles próprios deveria impulsioná-los a pensar que aqueles que hoje estão fora da Igreja poderão, amanhã, ser enxertados nela, e com seus erros corrigidos poderão vir a participar dos dons divinos que atualmente não possuem.
Além do mais, à luz da descrição que Paulo faz aqui da natureza humana antes que a mesma seja transformada pelo Espírito de Cristo, é possível vermos quão miseráveis somos quando separados de Cristo.
Em primeiro lugar, ele qualifica os incrédulos de insensatos, pois toda a sabedoria humana é vaidade enquanto o homem não conhece a Deus;
em segundo lugar, ele os qualifica de desobedientes, porquanto só a fé pode obedecer verdadeiramente a Deus, e a incredulidade é sempre obstinada e rebelde, ainda que aqui seja possível traduzir ἀπειθεῖς por ‘incrédulos’, como a descrever o gênero de insensatez.
Em terceiro lugar, ele diz que os incrédulos são desgarrados, porquanto Cristo é o único Caminho e Luz do mundo [Jo 8.12; 14.6]. De modo que todos aqueles que estão longe de Deus terão que perambular sem rumo em toda a extensão de sua vida.
Até aqui, o apóstolo esteve descrevendo a natureza da incredulidade; agora, porém, ele acrescenta os resultados que emanam dela, ou seja, servindo a diversas concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, sendo odiosos e odiando uns aos outros. É verdade que cada indivíduo não experimenta em igual medida todos esses vícios; visto, porém, que todos se encontram escravizados aos desejos perversos, embora sejam diferentes nas diferentes pessoas, Paulo cobre de uma forma geral todos os frutos que a incredulidade pode produzir em diferentes pessoas. Esta matéria está explicada no final de Romanos 1.
Visto que Paulo distingue dos incrédulos os filhos de Deus, através dessas marcas, se porventura quisermos ser considerados crentes, temos que ter o coração expurgado de toda e qualquer inveja e isento de toda e qualquer malícia, e temos que amar e ser amados.
É inconcebível que sejamos dominados pelos desejos que ele aqui descreve como ‘diversos’, porque, em minha visão, os desejos que agitam o homem carnal são como ondas impetuosas que se chocam umas contra as outras, arremessando o homem de um lado para outro, de modo tal que ele muda e vacila a todo instante. Todos quantos se entregam aos desejos carnais experimentam tal desassossego, porque não existe estabilidade senão no temor de Deus.
4. Mas quando se manifestou a benevolência de Deus nosso Salvador, e seu amor para com o homem,
Esta construção, ou a cláusula principal consiste em que Deus nos salvou por sua misericórdia, ou ela está incompleta. Nesse caso, será melhor entender que os homens foram transformados para melhor, e se tornaram homens novos como resultado da misericórdia divina sobre eles; como se dissesse:
E assim pode-se dizer que a benevolência divina manifestou-se quando Deus revelou uma garantia dela, e deu uma real demonstração de que não havia falsamente prometido a salvação aos homens. “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito” [Jo 3.16]; ou, como Paulo diz em outro lugar: “Mas Deus prova seu amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” [Rm 5.8].
Há, porém, uma razão distinta para tal fato nesta passagem, onde Paulo fala, não da manifestação de Cristo, em sua vinda a este mundo como homem, mas de sua manifestação no evangelho, quando ele se oferece e se revela de uma forma especial, aos eleitos.
Paulo, ainda cego pela incredulidade, se esforçava ainda por erradicar essa graça, fazendo uso de todos os meios que lhe eram disponíveis. O que ele tinha em mente, pois, é que a graça divina manifestou-se a ele e aos demais quando foram iluminados no conhecimento do evangelho.
V5 Não pelas obras. Devemos lembrar que Paulo, aqui, está se dirigindo a crentes, e está descrevendo a forma pela qual temos entrada no reino de Deus. Ele declara que não foi com base em suas obras que os eleitos haviam merecido participar da salvação, ou que seriam reconciliados com Deus através da fé, mas que obtiveram esta bênção única e exclusivamente pela misericórdia de Deus.
Paulo quer dizer que, enquanto não formos regenerados por Deus, nada podemos fazer senão pecar. Essa afirmação de caráter negativo depende de sua afirmação anterior, ou seja, que aqueles que ainda não foram transformados em Cristo são insensatos e desobedientes, transviados por diversas paixões, e que boa obra poderia proceder de tal massa de corrupção?
Ele nos salvou. O apóstolo fala da fé, e ensina que já recebemos a salvação. No entanto, ainda que estejamos emaranhados no pecado e carreguemos um corpo de morte, todavia temos certeza de nossa salvação, contanto que estejamos, pela fé, enxertados em Cristo. É o teor de João 5.24: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna; não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.”
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