ABRAÇANDO OS FARDOS DE SER OCUPADO DEMAIS. Pág. 119 – 127
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Diagnóstico #7: Você sofre mais porque não espera sofrer nada.
A ocupação pode ser um grande problema. Vem com sérios perigos espirituais. Há uma razão pela qual este não é o único capítulo do livro. E também é uma das razões pelas quais este é um dos capítulos. Não quero que você pense que o melhor que fazemos por nós mesmos e pelo mundo é rejeitar todo pedido difícil, viver pelo lazer, e nos dar um gigantesco festival de eu.
Não quero que pense que trabalhar muito seja o problema, ou que sacrificar-se pelo próximo seja o problema, ou que o sofrimento seja necessariamente o problema. Se tiver criatividade, ambição e amor, você estará ocupado. Temos de discipular as nações. Temos de trabalhar com as mãos. Temos de amar a Deus com nossa mente. Devemos ter filhos e cuidar bem deles. Não é pecado estar ocupado. Não é errado ser ativo.
O excesso de ocupação, conforme eu a tenho diagnosticado, é tanto um estado da mente e doença de coração quanto um fracasso em gerenciar o tempo. Mas é possível viver os seus dias em um frenesi de trabalho árduo, servir e levar carga dos outros, fazendo-o com o caráter reto e a dependência correta em Deus, de modo a não se sentir numa super ocupação.
O antídoto à ocupação desenfreada da alma não é indolência ou indiferença. O antídoto é REPOUSO, RITMO, MORTE DO ORGULHO, ACEITAÇÃO DE NOSSA PROPRIA FINITUDE, E CONFIANÇA NA PROVIDÊNCIA DE DEUS.
A ocupação nociva não é estar ocupado trabalhando, mas a ocupação que se esforça demais com coisas erradas. É ocupar-se tentando agradar as pessoas, ocupar-se tentando controlar os outros, ocupar-se tentando fazer as coisas para as quais não fomos chamados.
Sendo assim, por favor, não entenda de minhas palavras que trabalhar é ruim e levar as cargas uns dos outros é prejudicial. Isso faz parte da vida. Faz parte de ser cristão.
9.1. SERVIR É SOFRER
9.1.1. Uma das razões pelas quais temos uma luta tão grande com estar ocupados é que não esperamos que seja uma luta. Muitos cristãos no Ocidente conseguem viver facilmente com a presunção tácita de que não devemos sofrer.
9.1.2. Corremos o risco de algum dia ter um câncer. É possível que percamos o emprego por um tempo. Pode até ser que recebamos um daqueles telefonemas aterrorizantes no meio da noite. Essas são perdas horrorosas. Mas no dia a dia, não esperamos sofrer. E quanto menos nós esperamos sofrer. E quanto menos nós esperamos sofrer, mais arrasador será o nosso sofrimento.
9.1.3. Simplesmente não pensamos em nossa ocupação como parte possível de nossa cruz. E daí, se ser mãe de crianças pequenas não é tão fácil assim? E daí, se pastorear uma congregação terá muitos desafios? E daí, se ser amigo, ou apenas ser cristão, exige consumo de muito tempo, carregar pesados fardos, ter um trabalho gloriosamente atarefado e doidamente ineficiente?
9.1.4. Como sou rápido em ter pena de mim mesmo. Como sou veloz em presumir que eu não tenha de carregar fardos pesados. Como me apresso em concluir que Deus jamais iria querer que eu lutasse com problemas de cansaço ou doença por amor ao próximo.
9.1.5. Eu entendo, ao me aproximar do final desse livro, que corro o risco de solapar todos os avisos e as prescrições necessárias que apresentei anteriormente. Confio que você seja suficientemente discernidor para saber que o presente capítulo não nega todos os que vieram antes.
9.1.6. Mas sei, por experiência pessoal, que algumas formas de ocupação vêm do Senhor e dão glória a ele. O amor efetivo raramente investe pouco tempo. As pessoas levam tempo. Os relacionamentos são complexos. Se amarmos o próximo, como não ser ocupado, suportando forte pressão pelo menos uma parte do tempo?
9.2. ANSIEDADE APOSTÓLICA
9.2.1. II Coríntios 11:28 sempre me pareceu uma passagem estranha. Até que me tornei pastor. Aqui temos Paulo relatando as maneiras em que apanhou por amor a Jesus. V. 23-27
Como cereja no bolo, Paulo menciona mais uma provação: V. 28
Esse é o apóstolo Paulo, aquele que contava como alegria GASTAR E SER GASTO por seu povo. (12:15)
Aquele que estava entristecido, porém sempre alegre. (6:10)
Esse é o Paulo que enfrentou toda espécie de oposição imaginável e ainda aprendeu a estar contente. Filipenses 4:11
E não estar ansioso sobre coisa alguma. (4:6). E aqui, ele admite que, com tudo mais que já suportou, ainda sente a pressão e ansiedade diárias por todas as igrejas.
9.2.2. Desde que me tornei pastor, tenho encontrado conforto incomum neste versículo. Não é que tenha realizado o que Paulo fez, ou sofrido o que ele sofreu, mas todo ministro autêntico sentirá este fardo por sua igreja. Paulo se refere à dor dos relacionamentos.
9.2.3. As primeiras comunidades cristãs (como as nossas comunidades cristãs) estavam repletas de brigas internas e calúnias. Tinham de tratar de falsos ensinamentos. Por um lado, eram propensas ao legalismo e, do outro lado, ao caos completo.
9.2.4. Alguns membros da igreja tornavam questões insignificantes exageradamente importantes, enquanto outros estavam dispostos demais a comprometer as coisas essenciais do cristianismo. Paulo amava essas igrejas, e suas lutas eram fardo maior do que os naufrágios ou prisões.
9.2.5. Paulo estava ocupado de todas as maneiras certas. Quando amamos a Deus e servimos ao próximo, também estaremos bastante ocupados. Às vezes, ficaremos irritados. Sentiremos muita pressão. Cansaremos. Estaremos desanimados. Ficaremos exaustos. Diremos como Paulo em 2 Coríntios 11:29
Mas, sejamos encorajados! Deus usa coisas fracas para envergonhar as fortes. I Coríntios 1:27
A sua graça nos basta, pois seu poder se aperfeiçoa na fraqueza. II Coríntios 12:9
Por amor a Cristo, precisamos estar contentes mesmo com fraquezas, insultos, dificuldades, perseguições e calamidades. Sim, às vezes teremos de nos contentar em estar muito ocupados, pois quando estamos fracos é que somos fortes. II Coríntios 12:10
CONCLUSÃO:
Paulo sofria pressões de toda espécie. Você também as sofre. Mas Deus pode lidar com a pressão. Não se surpreenda quando tiver de enfrentar semanas de toda espécie de loucura. E não se surpreenda quando Deus o sustentar em meio a todas elas.
