Devoção e Missão

Alcançando a Cidade  •  Sermon  •  Submitted
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Introdução

Certa vez ouvi alguém falando: "Quem sabe fazer o que faz, mas não sabe por que faz, na verdade não sabe o que faz". Isso é uma grande verdade que fala sobre as nossas motivações. É possível que duas pessoas façam a mesma coisa, mas com motivações completamente diferentes. É possível fazer o bem mas com motivações nefastas. Mas o que motivação tem a ver com o tema desta conferência que é "alcançando a cidade"?
Antes de pensarmos em como alcançar a cidade, eu gostaria de meditar como vocês sobre o por quê e pra que?
Para nossa reflexão eu gostaria de meditar com vocês no evangelho de Marcos 1.35-39
Marcos 1.35–39 NVI
35 De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando. 36 Simão e seus companheiros foram procurá-lo 37 e, ao encontrá-lo, disseram: “Todos estão te procurando!” 38 Jesus respondeu: “Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim”. 39 Então ele percorreu toda a Galiléia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios.
O evangelho de Marcos narra um momento muito particular de Jesus, que fala sobre a vida devocional de Cristo. Sim, Jesus mesmo sendo plenamente Deus e sendo plenamente homem não ignorou uma vida de comunhão com o Pai, uma vida de devoção.
Uma das coisas mais facinantes dessa parte do Evangelho de Jesus segundo Marcos, é que o evangelista dedica os primeiros oito capítulos para aprofundar sobre a identidade de Jesus. SIm, Cristo nessa primeira parte do evangelho é apresentado como o Rei plenamente homem e plenamente Deus. Isso é muito importante para nós diante das ameaças que nos rondam e sempre rondaram a igreja. No passado (ainda hoje de alguma forma) os gnósticos tentavam negar a humanidade de Jesus, por outro lado vemos os liberais nas últimas décadas que continuam até hoje em dia, os liberais tentando negar a divindade de Jesus. Mas, quando lemos o evangelho, vemos que Jesus não era simplesmente um reformador do judaísmo, nem tampouco um pregador moral, não era um simples pregador de uma mensagem de paz e nem mesmo um reformador social. Jesus, o Cristo de Deus era plenamente humano e divino para que a obra redentora fosse cumprida para salvação de nós pecadores. Por isso hoje, eu gostaria de falar com vocês sobre duas coisas que caminham juntas, devoção e missão. Se tirarmos devoção, vitalidade espiritual, da vida do crente três coisas podem acontecer: apatia missional, transfromar o engajamento missional naquilo que a gente quer ou fazer a missão com a motivação errada. Esses três perigos tem a mesma origem e são igualmente ruins, porém os últimos dois são muito parecidos.
Por isso, voltado ao texto, podemos ver neste momento uma demonstração muito importante da humanidade de Jesus, que se preocupa em eliminar qualquer tipo de distração, tanto que os discípulos tiveram certa dificuldade em encontrá-lo.

Jesus mesmo sendo Filho de Deus não ousou viver sem comunhão com o Pai.

O que primeiramente aprendemos aqui, é sobre a importância de se guardar um tempo para se dedicar a Deus. Mesmo Jesus sendo Deus, Ele também foi perfeitamente homem e a humanidade de Jesus é a demonstração prática exata de que tipo de pessoa eu e você devemos ser como filhos de Deus. Você tem dedicado tempo com Deus e para Deus? Porque foi assim que Jesus viveu. O relacionamento de Jesus com o Pai não se limitou a devoção privada, Ele cultuou (observou o dia do Senhor), Ele serviu (ensinou, libertou e curou), mas também cultivou uma vida devocional.
Entenda, uma coisa não exclui a outra, culto público, serviço e devoção. Vida em comunidade e vida devocional privada andam juntas. Infelizmente vivemos tempos onde a fé cristã é relativizada, alguns vivem religiosamente frequentando os cultos e cumprindo suas obrigações com a igreja, mas passam a semana inteira sem ler a bíblia e orar. Da mesma forma existem aqueles que alegam que "a igreja são as pessoas" e que podem viver a realidade da fé cristã de forma autônoma. Jesus sendo plenamente homem e plenamente Deus não viveu em nenhuma dessas duas formas. Viver negligenciando uma área ou outra e dizer que está tudo bem é de certa forma afirmar pretenciosamente que você se relaciona com o Pai de uma forma em que você depende menos Dele do que Jesus. Não existe vida cristã autêntica sem observar esses dois aspectos.
Mas, eu gostaria de me concentrar nesse aspecto em especial, o momento devocional, o momento de oração de Jesus.
Jesus acordou mais cedo e foi para um local deserto, ou secreto, e porque Ele fez isso? Jesus nos ensina na sua atitude sobre a importância de se livrar de toda e qualquer distração durante os nossos momentos regulares de oração e meditação na Palavra de Deus. Você tem orado diariamente? Em que momentos você ora? Quantos minutos dos 1440 que você tem no dia, você dedica a oração a leitura da Palavra de Deus? Talvez você diga que não tem tempo, mas tempo é uma questão de prioridade, temos tempo para aquilo que priorizamos. Se você não faz o que o próprio Jesus fez e nos ensina a fazer, não coloque a culpa no tempo, mas examine o seu coração, reveja as suas prioridades, peça perdão a Deus, se arrependa e comece hoje mesmo a priorizar tempos a sós com o Senhor.
Se eu não silenciar meu telefone, e me isolar um pouco eu não consigo. Hoje em dia não somente as pessoas, mas a agitação da cidade e a quantidade de dispositivos eletrônicos tem essa capacidade de retirar a nossa atenção. É importante dedicar tempo de qualidade com o Senhor, independente da quantidade de tempo, o tempo tem que ser de qualidade. Não podemos ousar viver sem oração, olhemos para Jesus que mesmo sendo Deus não negligenciou essa disciplina espiritual. Abrindo um parêntese, como podemos dizer que dedicamos tempo de qualidade com Deus, eliminamos distrações se por vezes não conseguimos fazer isso nem no culto público (ficar no celular durante toda a pregação).
Certa vez ouvi uma história de um pastor muito influente na Coréia do Sul que estava orando e a sua secretária recebeu um telefonema do presidente da Coréia querendo falar com esse pastor. Ela disse que Ele estava orando e não poderia atender mesmo com a insistência do presidente. Após terminar seu tempo de oração o pastor fala com o presidente que indaga o porquê ele não atendeu, afinal de contas Ele era o presidente da república. Aquele pastor respondeu que ele estava falando com alguém mais importante. Quantos de nós daria tudo, pagaria uma fortuna para ter a oportunidade de falar com alguém que admira e julga importante? Mas se você tem de fato a noção da importância de quem Deus é, você não despresaria uma vida de oração constante e de qualidade. Ainda mais sabendo que entre você e Deus não há intermediários, não há agenda, não conlitos ou barreiras. Você pode falar com Ele de qualquer lugar, a qualquer hora e por quanto tempo quiser. Deus está sempre nos ouvindo e acessível a nós. Mas essa vida de oração não estava desassociada de outra prática importante na vida cristã.
Então, o que vida devocional, busca a Deus tem a ver com alcançar a cidade?
Marcos 1.38–39 NAA
38 Jesus, porém, lhes disse: — Vamos a outros lugares, aos povoados vizinhos, a fim de que eu pregue também ali, pois foi para isso que eu vim. 39 Então ele foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas deles e expulsando os demônios.

Uma vida de comunhão nos leva a proclamar e servir.

Após ser encontrado e terminar seu tempo de oração, Jesus convoca a proclamação. Isto aponta para a visão missionária que toda a igreja deve ter. Missões são motivadas a partir de corações devotos, pessoas que possuem um coração missionário, e que sabendo que existem povoados precisam ouvir o evangelho, ela vai, ora, envia e contribui para que o evangelho chegue até aquele local. Uma igreja onde as pessoas possuem uma comunhão genuína com o Pai não são indiferentes a realidade missionária. Igrejas que são focadas só em si mesmas são igrejas doentes. Toda igreja precisa ir, orar e contribuir com missões. Quando olhamos para a bíblia, vemos que exsitiram duas igrejas importante, a igreja de Antioquia e Jerusalém, e entre essas duas igrejas, a que permaneceu foi a que investiu em missões. Uma igreja que vive somente para si morre (já ouvi pessoas criticando que a igreja investe demais em coisas para fora). Óbvio que a igreja precisa equipar os de dentro, mas todo investimento interno que não resulta em missionários tem algum problema. Pare de tercerizar o seu fortalecimento espiritual para mais atividades da igreja, geralemnte quem faz isso não é fiel nem ao ordinário, mas acha que eventos, cursos e programas vão resolver o seu problema. Sabe porque isso ocorre? Porque as pessoas querem ouvir o que elas precisam fazer somente, enquanto o Evangelho fala sobre o que Cristo fez por nós. O evangelho não é uma mensagem que nos ensina como podemos ser nossos próprios salvadores, mas a mensagem que precisamos de um salvador. Essa necessidade de um salvador nos empurra para missões. Porque a cidade tá cheia de gente que acha que pode ser o próprio salvador, depositando espectativa em sua carreira profissional, dinheiro, relacionamentos, prazeres, aparéncia e sucesso a sua salvação. Achando que a solução virá de algum governo humano, se entristecendo demais ou se alegrando demais com os resultados de uma eleição por exemplo. Quem de fato crê no Rei dos reis não confia demais nem mesmo teme demais qualquer governante deste mundo.
Por isso, a igreja tem que entender que alcançar a cidade é viver em missão. Missões não são somente para aqueles que vão a outros lugares. Charles Spurgeon que foi considerado como o príncipe dos pregadores, alguém que foi usado para um verdadeiro avivamento em Londres no passado tem uma frase muito conhecida onde ele disse:"Todo cristão ou é um missionário, ou é um impostor". Missões e evangelismo não são nomes para departamentos ou ministérios da igreja que alguns fazem parte. Da mesma forma que evangelismo não é evento (eventos pontes), mas parte do DNA do Cristão.
Mas, já perceberam que hoje em dia as pessoas se acomodaram a não compartilhar o evangelho com as pessoas? Como se estivesse tudo bem cada um ficar na sua, e que não "incomodar" alguém que você ama significa não falar de Jesus e pregar o evangelho pra ela? A questão é, quem tem comunhão com o Pai, sabe quem Ele é, o que Ele fez por nós e para onde vão aqueles que não se rendem a Ele, não há como não pregar o evangelho para aquela pessoa. Você está vendo o seu amigo caminhando para a morte e está confortável com isso? Se você se recusa a compartilhar o evangelho para um parente ou amigo para não incomodá-lo, saiba que essa pessoa que você diz amar está indo confortavelmente para o inferno. Faça isso com respeito, sem ser um chato, mas faça. Cristãos apáticos em relação ao evengelismo pode revelar um sintoma muito grave: Crentes carnais.
Quanto mais nos enchemos de Deus, temos mais fome de Deus, e quanto mais nos alimentamos Dele, mais queremos falar sobre Ele e nos engajar na Missão Dele. Servimos aquilo que ganha o nosso coração. Não é a toa que as pessoas levantam bandeiras e causas, fazem isso a partir de uma realidade ou necessidade legítima, e não há nada de errado com isso. Porém, onde fica o evangelho nessa sua escala de causas, de necessidade e urgência?
Saiba o que é evangelismo e o que não é. Não caia em uma grande armadilha atual, apresentar a cristandade, ou parte dela não é evangelizar. Evangelizar é pregar o evangelho de forma clara sequencial e lógica da grande história de redenção que podemos dividir em quatro atos: Criação, queda, redenção e consumação. Os efeitos do evangelho são resultados de conversão, mas ninguém se converte por uma pregação deles (valores cristãos - as pessoas não se tornam cristãs sendo convenciadas sobre valores, ética e moral cristã - você pode apreciar isso tudo e continuar sendo um pagão), mesmo que muitos possam se convencer que eles são bons. Conservadorismo não é o evangelho, da mesma forma que justiça social também não é.
Por fim, o que novamente vemos nesse texto é que Jesus mais uma vez libertou pessoas enquanto pregava. Então, da mesma forma não use o evangelismo como pretexto para ser indiferente as realidades da cidade. A pregação de Jesus nunca foi desassociada da ação, Jesus não tinha uma visão dualista do homem, mas pregava um evangelho que redimia o homem por completo. Foi por causa da expansão do evangelho que surgiram ao redor do mundo escolas e hospitais, muitos cristãos, por exemplo, foram responsáveis pela abolição da escravatura em muitos locais, como Wiliam Wilbforce na Inglaterra, foram cristãos responsáveis pelo tratado internacional de direitos humanos… A pregação nunca é desassociada da prática. Mas a prática sem o evangelho é ativismo.

Conclusão

Não podemos negligenciar a realidade que vivemos em uma batalha espiritual, porque Jesus não negligenciou essa realidade. Uma das piores coisas que pode acontecer a um cristão é achar que não precisa da igreja, de vida devocional e do serviço. O sentimento de auto sufuciência, que já sabe tudo é um sinal de doença espiritual.
Como agimos ativamente a partir dessa realidade? Vida de intimidade com Deus, compromisso comunitário (culto público), oração e leitura bíblica, serviço e evangelismo. Olhando para Cristo e reconhecendo que se nem mesmo Ele que era plenamente homem e plenamente Deus negligenciou essas coisas, nós não podemos ter a pretençao que podemos viver sem elas.
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