A Santa Ceia

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1. O que é a santa ceia?

- “A ceia do Senhor, é uma ordenança que deve ser observada repetidamente ao longo de toda nossa vida cristã como sinal de continuidade na comunhão com Cristo” (WG).
Foi instituída por Jesus na noite em que foi traído (v. Mt 26.26-29; cf. 1Co 11.23). Jesus disse: “Fazei isto em memória de mim” (cf. Lc 22.19; 1Co 11.24).

2. No Antigo Testamento.

Comer na presença de Deus é algo visto também no AT como no texto de Êx 24.9,11, após Moisés, Arão, Nadabe, Abiú e mais setenta autoridades de Israel terem subido a montanha e se encontraram com Deus, comeram e beberam em sua presença.
Era norma também comerem o dizimo do ceral, do vinho novo, do azeite e a primeira cria dos seus rebanhos na presença do Senhor (Dt 14.23,26). A ordem era para comer e se alegrar na presença do Senhor com toda família.
Essas refeições eram uma restauração parcial da comunhão com Deus que Adão e Eva desfrutavam antes da queda, muito embora ela fosse deteriorada pelo pecado. As comidas sacrificiais no AT apontavam continuamente para o fato de que os pecados não haviam sido pagos ainda, porque os sacrifícios eram repetidos ano após ano e porque eles olhavam para o Messias que estava por vir para lhes retirar os pecados (v. Hb 10.1-4). A ceia contudo nos lembra do pagamento completo que Jesus já fez por nossos pecados, de forma que podemos agora comer na presença do Senhor com grande regozijo.

3. O significado da ceia do Senhor.

a) A morte de Cristo. Quando participamos da ceia do Senhor, simbolizamos a morte de Cristo, porque nossas ações descrevem um quadro de sua morte por nós. Quando o pão é partido, simboliza o partir do corpo de Cristo; e quando o cálice é derramado, simboliza o sangue de Cristo vertido por nós. Essa é a razão pela qual a participação na ceia do Senhor é também uma espécie de proclamação (v. 1Co 11.26).
b) Nossa participação nos benefícios da morte de Cristo. Jesus ordenou aos discípulos: "Tomem e comam; isto é o meu corpo" (Mt 26.26). Quando individualmente tomamos o cálice, cada um de nós está, por meio dessa ação, proclamando: "Estou me apropriando dos benefícios da morte de Cristo". Quando fazemos isso, estamos fornecendo um símbolo do fato de que participamos ou partilhamos dos benefícios obtidos pela morte de Cristo por nós.
c) Nutrição espiritual. Do mesmo modo que a comida comum nutre o corpo, assim o pão e o vinho da ceia do Senhor nos trazem nutrição, fortificação espiritual. Mas eles também ilustram o fato de que há alimento e uma refeição espiritual que Cristo dá à nossa alma - de fato, a cerimônia que Jesus instituiu é, em sua verdadeira natureza, designada para nos ensinar isso. Jesus disse: "Se vocês não comerem a carne do Filho do homem e não beberem o seu sangue, não terão vida em si mesmos. Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Da mesma forma como o Pai que vive me enviou e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que se alimenta de mim viverá por minha causa" (Jo 6.53-57).
Certamente Jesus não está falando de comer literalmente sua carne e seu sangue. Mas, se não está falando de comer e beber literalmente, então ele deve ter em mente uma participação espiritual nos benefícios da redenção que adquiriu para nós. Essa nutrição espiritual, tão necessária para a alma, é tanto simbolizada como experimentada em nossa participação na ceia do Senhor.
d) A unidade dos crentes. Quando os cristãos participam juntos da ceia do Senhor, também dão um sinal claro de sua unidade um com o outro. De fato, Paulo diz: "Como há somente um pão, nós, que somos muitos, somos um só corpo, pois todos participamos de um único pão" (lCo 1 0.17).
Quando colocamos essas quatro coisas juntas, começamos a perceber alguns dos significados mais ricos da ceia do Senhor. Quando participo, venho à presença de Cristo, lembro que ele morreu por mim, participo dos benefícios de sua morte, recebo nutrição espiritual e me sinto unido com todos os outros crentes que participam dessa ceia. Que grande motivo de ação de graças e alegria deve ser achado nessa ceia do Senhor!
Mas além dessas verdades visivelmente ilustradas pela ceia do Senhor, o fato de que Cristo instituiu essa cerimônia para nós significa que por meio dela ele está também nos prometendo ou afirmando certas coisas. Quando participamos da ceia do Senhor, devemos nos lembrar repetidamente de duas afirmações que Cristo está nos fazendo.
e) Cristo afirma seu amor por mim. O fato de que sou capaz de participar da ceia do Senhor na verdade, Jesus me convida a vir- é um lembrete vívido e um sinal visível e seguro de que Jesus me ama individual e pessoalmente. Quando venho participar da ceia do Senhor, encontro desse modo uma certeza renovada do amor pessoal de Cristo por mim.
f) Cristo afirma que todas as bênçãos da salvação estão reservadas para mim. Quando aceito o convite de Cristo para participar da ceia do Senhor, o fato de que sou convidado à sua presença me assegura de que ele tem bênçãos abundantes para mim. Nessa ceia, estou realmente comendo e bebendo um antepasto do grande banquete do Rei. Venho a essa mesa como membro de sua família eterna. Quando o Senhor me dá boas-vindas a essa mesa, ele me assegura que me receberá com todas as demais bênçãos da terra e do céu, e especialmente para a grande ceia das bodas do Cordeiro, na qual um lugar foi reservado para mim.
g) Eu afirmo a minha fé em Cristo. Finalmente, enquanto como o pão e bebo o cálice, com essas ações estou proclamando: "Preciso de ti e confio em ti, Senhor Jesus, para perdoar os meus pecados e dar vida e saúde para a minha alma, porque somente pelo teu corpo partido e pelo teu sangue vertido eu posso ser salvo". De fato, quando participo do partir do pão e o como e quando participo do verter do sangue e o bebo, proclamo repetidamente que os meus pecados foram parte da causa dos sofrimentos e morte de Jesus. Desse modo a tristeza, a alegria, a ação de graças e o profundo amor por Cristo são ricamente misturados na beleza da ceia do Senhor.
h) É também um ato de esperança.Paulo disse que, na ceia, anunciamos a morte do Senhor, até que ele venha (q.v. 1Co 11.26). Em cada ceia encontramos também a mensagem de que o dia se aproxima! Jesus virá e então haveremos de participar da grande ceia nos céus (q.v. Mt 26.29).

4. Como Cristo está presente na ceia do Senhor?

a) Posição católica romana: transubstanciação. Na eucaristia o pão e o vinho realmente se tornam o corpo e o sangue de Cristo. Essa posição está errada, por desconsiderar o ato simbólico da ceia, pois Jesus por diversas vezes falou de modo simbólico, por exemplo: “Eu sou a videira verdadeira” (Jo 15.1), ou “Eu sou a porta, quem entrar por mim será salvo” (Jo 10.9), ou “Eu sou o pão que desceu do céu” (Jo 6.41), então similarmente Jesus quando disse “isto é o meu corpo” e “isto é o meu sangue”, falou de modo simbólico. O pão representa o seu corpo e o cálice representa a nova aliança no seu sangue.
Outra falha da igreja católica está em afirmar que a ceia é um ato que proporciona, de modo automático, perdão pelos pecados para aqueles que dela participam. É bem verdade que na ceia comemoramos a morte de Jesus, que nos trouxe perdão dos pecados (q.v. Mt 26.26). Porém está escrito que os que tomarem parte dela devem fazê-lo dignamente (q.v. 1Co 11.27,28), isto é, devem tomar parte dela já com os seus pecados perdoados. Caso contrário, o ato poderá até trazer para o participante julgamento e condenação (q.v. 1Co 11.29-32).
b) Presença simbólica e espiritual de Cristo. O pão e o vinho simbolizam o corpo e o sangue de Cristo (q.v. Mt 26.26) e dão um sinal visível do fato de que o próprio Cristo está verdadeiramente presente (Mt 18.10).
O partir do pão simboliza Jesus, o qual nos foi dado (q.v. Lc 22.19) na sua morte, quando foi partido por nós. O vinho, “o sangue da uva” (q.v. Dt 32.14), simboliza o sangue de Jesus quando, na sua morte na cruz, foi derramado para remissão dos nossos pecados (q.v. Mt 26.28).

5. Quem deve participar da ceia do Senhor?

a) Somente os que creem em Cristo e são batizados em águas devem participar dela, porque ela é um sinal de que a pessoa é Cristã e continua firme na fé cristã. Paulo adverte que quem come e bebe indignamente enfrenta consequências sérias (q.v. 1Co 11.29,30). O batismo e consequente ao crer por isso Jesus disse aquele que “crer e for batizado” consecutivamente serão salvos, isto porque o batismo e correlacionado ao crer e não distintamente como hoje querem fazer, pois quem crer verdadeiramente perguntará imediatamente como o Eunuco: “Eis aqui água o que me impede de ser batizado?”, Filipe então responde: “É lícito, se creres” (At 8.36-37). Pois para pertencer a igreja é necessário ser batizado, pois o batismo é a porta visível deste organismo.
b) Deve-se fazer o “auto exame”(1Co 11.27-29), para cada um ver se tem condições de participar da ceia do Senhor, pois “quem come e bebe sem dicernir o corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação”. Paulo repreendeu os coríntos por seu egoísmo e conduta irrefletida quando eles se reuniam para comer a santa ceia (q.v. 1Co 11.20,21). O problema não era uma falha em entender o que significava o pão e o cálice, mas o egoísmo, a conduta irrefletida que uma pessoa tinha para com o outro diante da mesa do Senhor. Eles não estavam entendendo ou “discernindo” a verdadeira natureza da igreja como corpo (q.v. 1Co 10.17). Portanto, a frase “não discernir o corpo”, significa “o não entendimento da unidade e interdependência das pessoas na igreja, que o corpo de Cristo”. Significa negligenciar nossos irmãos e irmãs quando vamos a ceia do Senhor, diante da qual devemos refletir o caráter dele.
Comer e beber “indignamente” envolve “não discernir o corpo”, isto é, aqueles que não refletem sobre todos os relacionamentos dentro do corpo de Cristo:
Estamos agindo de um modo pelo qual retratamos vividamente não a unidade de um pão e de um corpo, mas desunião?
Estamos nos conduzindo de forma a proclamar não o sacrifício da auto entrega ao Senhor, mas a inimizade e o egoísmo?
Em um sentido mais amplo, então, “examine-se cada um a si mesmo” significa que devemos perguntar se os nossos relacionamentos no corpo de Cristo estão de fato refletindo o caráter do Senhor com quem nos encontramos na ceia e a quem representamos.
Em Mt 5.23,24 Jesus nos diz que onde quer que venhamos adorar devemos estar certos de que nossos relacionamentos com os outros estão corretos e, se não estão, devemos agir rapidamente para corrigi-los e, então, vir para adorar a Deus.
6. Outras perguntas
a) Quem deve administrar a ceia do Senhor? Para guardar-se do abuso da ceia do Senhor, um líder responsável deve assumir o encargo de administrá-la, como o Pastor ou Diácono da igreja.
b) Com que frequência a ceia do Senhor deve ser celebrada? Não há nada dizendo sobre isso, no entanto deve ser feito periodicamente para edificação da igreja (q.v. 1Co 14.26).

Bibliografia

BERGSTÉM, E. (2011). Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD.
GRUDEM, W. (2011). Manual de Doutrinas Cristãs. Em W. GRUDEM, Sexta Parte: A Doutrina da Igreja: O batismo (pp. 415-426). São Paulo: Vida.
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