A inveja um grave pecado.

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I. O que é inveja?

a) Misto de desgostoso e ódio provocado pela prosperidade ou alegria de outrem. Ex: Temos ciúmes do que é nosso e inveja do que possui. (BOYER)
b) A inveja, em suas manifestações, está sempre acompanhada pelo ódio, que não tolera a prosperidade nem a alegria do próximo. Não é só isto: a inveja odeia quem desfruta de algum bem, e tudo faz para possuir e gozar exclusivamente os bens que outros possuem e desfrutam. (CONDE, 1983)

II. A inveja no AT:

a) O 1º homicídio foi motivado por inveja (Gn 4.3-16). “O primeiro homicídio da história foi causado pela inveja de Caim, que matou seu irmão Abel, por não suportar que ele recebesse os favores de Deus” (CONDE, 1983). “O fato de que Deus aceitou o sacrifício de Abel e rejeitou o de Caim não se baseou no fato de que o sacrifício de Caim era sem sangue. Muitas das ofertas do AT eram sem sangue (como as ofertas de manjares). A diferença estava nos corações daqueles dois ofertantes. Abel ofereceu com fé (Hb 11.4), ao passo que Caim, não. Esta diferença básica é indicada pelas palavras na passagem: Deus “atentou para Abel e para sua oferta. Mas para Caim e sua oferta não atentou”. Somente quando são oferecidos com fé, os sacrifícios e o serviço dos homens agradam a Deus (Is 1.11-17; Ef 6.5-7)” BEP(2011). As consequências do crime de Caim foi ser banido da presença do Senhor (Gn 4.16).
b) Lúcifer foi o progenitor da inveja quando este ostentou a posição e o lugar de Deus (Is 14.12-20). Queria ele ser Deus, exercendo a mesma autoridade e poder, sendo também adorado e reverenciado como tal. “No jardim do Edem a serpente despertou algo semelhante em Eva, levando-a ao desejo de ser como Deus” (Gn 3.1-5) (LB, p. 73).
c) “Outro fato registrado [...], no qual aparece à ação maléfica da inveja, aconteceu nos dias de Isaque, filho de Abraão, quando os filisteus acirrados pela inveja, entulharam os poços de água. Vejamos como a Bíblia registra este fato: “E tinha [Isaque] possessão de ovelhas e possessão de vacas, e muita gente de serviço, de maneira que os filisteus o invejavam. E todos os poços que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de seu pai Abraão, os filisteus entulharam e encheram de terra” (Gn 26.14,15). Como se vê, a prosperidade de Isaque provocou a inveja dos filisteus vizinhos, que em vingança emularam-lhe os poços de água” (CONDE, 1983).
d) Os irmãos de José também o quiseram matar e depois resolveram vende-lo, por causa da inveja que tinham em seu coração (Gn 37.1-36). Por causa do amor que seu pai lhe devotava foi ele odiado pelos seus irmãos (Gn 37.3, 4). Após ter revelado seus sonhos os irmão passaram a invejá-lo (Gn 37.11), neste caso ciúmes resultantes da inveja, quando as pessoas tem zelo pela propriedade ou posição dos outros, especialmente poder obtê-las (Gn 26.14; 30.1; 37.11). O resultado desta inveja levou os irmãos de José a maquinarem um crime de assassinato (Gn 37.18-21), que interrompido resultou na venda de José como escravo para o Egito (Gn 37.21-28) e posteriormente ainda praticaram a mentira para tentar esconder seu pecado, causando dor e tristeza para o pai (Gn 37.29-36).
e) “Uma coisa que os leitores devem saber, relacionada com a inveja e que a Bíblia aponta como perigo grave a que se expõem os invejosos, está contida nestas palavras: “A inveja é a podridão nos ossos” (Pv. 15.30). É um corpo com ossos apodrecidos; é um cadáver. No sentido espiritual, a inveja faz apodrecer a estrutura da vida, torna imprestável o invejosos, mata aqueles que sentem prazer em invejar. No mesmo livro de Provérbios, lemos esta oportuna advertência que devemos guardar: “Não tenha o teu coração inveja dos pecadores” (23.11), “dos homens malignos” (24.1), “dos perversos” (24.19). “Quem pode resistir a inveja?” (27.4). Aqueles que sentem inveja da riqueza do próximo, que invejam a prosperidade moral e intelectual de outrem correm o risco de ficar moralmente inutilizados e mortos para Deus.

III. A inveja no NT.

a) O maior crime da história da humanidade foi promovido por inveja (Mt 27.15-18). Entregaram Jesus a Pilatos por inveja, para que fosse condenado a morte sem ser culpado, afim de que se consumasse o maior e o mais clamoroso crime da história: a morte do Filho de Deus. Inveja, porque Jesus agradava mais do que a eles, os fariseus; porque Cristo falava com autoridade divina. Inveja, porque Jesus não tinha defeito algum que eles pudessem apontar para que o incriminassem. Inveja, porque Jesus é o filho de Deus.
b) A inveja, no entanto, não findou sua missão diabólica com a crucificação do Salvador; ela não se satisfez com o crime mais nefando do universo. Nos dias da igreja primitiva, faziam-se sinais e prodígios entre o povo, pelas mãos dos apóstolos. “Transportavam os enfermos para as ruas e os punham em leitos e em camilhas para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles” (At 5.12-15). A operação de milagres incomodou os homens religiosos que também estavam revestidos de autoridade, os quais se deixaram dominar pela inveja para perseguirem os apóstolos. “E levantando-se o sumo sacerdote, e todos quantos estavam com ele (e eram eles da seita dos saduceus), encheram-se de inveja, e lançaram mão dos apóstolos e os puseram na prisão pública” (At 5.17, 18). Encheram-se de inveja os sacerdotes porque Deus usava homens simples e não a eles, sacerdotes, para curar os enfermos e para atrair as multidões que aceitavam a salvação em Jesus Cristo.
c) Quando Paulo e Barnabé pregaram na sinagoga de Antioquia, os judeus, vendo as multidões que afluíam para ouvi-los, tomaram-se de inveja e contradiziam o que Paulo falava. A inveja terminou por expulsar os apóstolos da cidade (At 13.45-42).
d) Na cidade de Tessalônica, quando Paulo e Silas anunciavam a Cristo, o Messias das profecias, grande multidão creu esse ajuntou aos dois pregadores. Os homens religiosos da cidade, em lugar de se alegrarem com a mensagem de boas novas de Paulo e Silas, desobedientes, “movidos de inveja, tomaram consigo alguns homens perversos, dentre os vadios e, ajuntando o povo, alvoroçaram a cidade, e assaltando a casa de Jason [que os abrigara], procuravam tirá-los para junto do povo” (At 17.5). Com se vê, a inveja convence os invejosos a praticarem toda sorte de crimes, sem se aperceberem que se aproximam do abismo.

IV. A inveja uma obra da carne.

a) O apostolo Paulo, quando escrevia suas cartas, sempre colocava a inveja ou o ciúme como sentimentos carnais (Gl 5.21). Paulo adverte aos romanos para que estes andem honestamente como em pleno dia, evitando a inveja (Rm 13.13), pois esta quando exercida demonstra carnalidade (1Co 3.3). Não é característica de um cristão ser invejoso, pois nele opera o amor de Deus (1Co 13.4)
A Palavra de Deus condena a inveja e repreende os invejosos. O apóstolo Tiago escreveu esta expressiva sentença acerca da inveja: “Mas se tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis disto e nem mintais contra a verdade” (Tg 3.14). O apostolo Pedro também advertiu: “Despojando-vos, portanto, de toda a maldade e dolo, de hipocrisias e invejas, e de toda sorte de maledicências” (1Pe 2.1)
Portanto, a inveja que mente, calunia e mata moral e espiritualmente, deve ser evitada e proscrita da vida de todos quantos desejam servir realmente a Deus.

Bibliografia

2011. Bíblia de Estudo Palavras Chave - Hebraico e Grego. ARC - 4ª. Rio de Janeiro : CPAD, 2011.
BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. Rio de Janeiro : CPAD.
CONDE, Emílio. 1983. Tesouro de Conhecimentos Bíblicos. Rio de Janeiro : CPAD, 1983.
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