1Coríntios 6.12-20
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· 46 viewsO autor corrige a perspectiva da igreja de Deus, a fim que perceba que o corpo foi criado para Deus, e portanto, incompatível com a imoralidade e impureza que mancham e profanam aquilo que foi tornado habitação do Espírito Santo, devendo portanto, ser usado para a glória de Cristo.
Notes
Transcript
"[....] Aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos" (1Co 1.2).
Pr. Paulo U. Rodrigues
Introdução
Tratando ainda de um tópico necessário, antes de iniciar as respostas aos questionamentos da igreja de corinto (cf. 7.1 "Quanto ao que me escrevestes..."), Paulo adentra a discussão quanto a imoralidade, porém agora não mais em termos da disciplina bíblica que deveria ser executada, como exibido no capítulo 5, o que serviu como conclamação à responsabilidade coletiva de purificação da igreja (cf. 5.1-13), mas passa a tratar de uma argumentação que era defendida entre os membros daquela igreja com relação à práticas imorais.
Tendo em vista a cultura devassa e pagã que imperava na cidade Corinto, que louvava determinadas práticas como sendo normais e até "lícitas" (cf. v.12b) ao ser humano, o choque entre a ética cristã e a cosmovisão mundana é sentido pelos irmãos daquela igreja, ao ouvirem e atestarem mediante o ensino cristão, que a imoralidade (de qualquer natureza) deve ser rejeitada, pois é pecado, isto é, uma ação estranha aos que fazem parte do Corpo de Cristo, tendo em vista principalmente que o pecado é uma ofensa contra o próprio Deus Triuno.
A incompatibilidade entre ações imorais e um membro do Corpo de Cristo, é retratada por Paulo mediante a esquematização de uma tríade argumentativa: nos versículos 12 à 14, Paulo rebate o argumento corintiano quanto a "licitude de tudo", apontando que o corpo fora criado "para o SENHOR" (v.13), e portanto, é nEle que sua existência ganha razão de ser, do que se conclui que o desejo sexual não legitima a prática da imoralidade, e com isso, o "lícito" não é aproveitável (i.e. "não convém"). Em seguida, a partir dos versículos 15 à 17, a tese gira em torno do princípio inexorável da união do corpo; aquilo com o qual o corpo do homem se une, cria um vínculo com ele (seja a prostituição ou Cristo), ressaltado o fato de que, como cristãos, já estamos unidos ao Senhor. Tal incompatibilidade é intensificada pelo uso de uma pergunta retórica: "será que eu tomaria os membros de Cristo (o corpo do cristão) e os faria membros de uma prostituta?" (v.15). Por fim, a exortação é feita nos versículos de 18 à 20, com base no pertencimento exclusivo do corpo do crente à Cristo, que é visto pelo Espírito Santo como seu santuário (v.19): algo que não deve ser profanado ou usurpado pelo que quer que seja.
Observando essas considerações, a ideia central do texto de 1Coríntios 6.12-20 consiste de uma exortação contra a imoralidade.
Elucidação
Passemos então a observar os pontos abordados por Paulo, em sua exortação.
1. Resposta ao argumento corintiano: "O corpo é para Deus" (vs.12-14).
O autor inicia o parágrafo citando o que provavelmente ouviu dos da casa de Cloe, e que por usa vez, era dito por membros da igreja de Corinto: "todas as coisas me são lícitas". O fundamento dessa perspectiva não fica claro à luz do próprio texto, mas certamente era um adágio que expressava a mentalidade cultural da cidade e do mundo greco-romano, no que concerne à relações sexuais fora do ambiente do casamento.
Como dito, o conflito entre cosmovisões é deflagrado a partir do momento em que os cristãos naquela cidade, viam-se assediados pelas tentações e proposta culturais que os impeliam não somente ao delito espiritual, mas também ao relaxamento da moralidade mediante concepções errôneas quanto ao uso do corpo. Todavia, se era tão evidente o modo de pensar distorcido dos pagãos, ao ponto de fazer crentes em Cristo argumentarem que a imoralidade seria lícita, o apóstolo tece uma argumentação igualmente lógica, porém amparada nos valores do Reino, que contradiz essa noção: "Os alimentos são para o estômago, e o estômago, para os alimentos, mas Deus destruirá tanto estes como aquele" (v.13).
O fundamento da lógica paulina nesse ponto, consiste em demonstrar uma relação de pertencimento entre elementos que foram criados apropriadamente pelo próprio Deus, um para o outro. Em sua sabedoria, o Criador fez os alimentos para serem digeridos pelo estômago, e o estômago, com todas as propriedades e capacidades para tal. Porém, ambos possuem um fim determinado, isto é, "Deus destruirá tanto um como o outro".
Uma relação adequeada e funcional foi perfeitamente estabelecida por Deus. A demais disso, em vindo o pecado ao mundo, tendo sido devidamente julgado e condenado pelo Criador, a morte põe fim a ambos, pela deterioração do alimento, e pela falência do estômago. Se é assim com aquilo que o próprio Criador criou para ser adequado e relativo entre si, muito mais será com o que se configura inadequado ou disruptivo em termos do propósito criacional, conforme o autor aponta na sequência do texto:
"Porém o corpo não é para a impureza (i.e. imoralidade), mas, para o Senhor, e o Senhor, para o corpo. Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará a nós pelo seu poder" (v.13b-14).
Em contraste com o estômago e os alimentos que foram pensados para pertencerem uma ao outro de acordo com a vontade criadora de Deus, a imoralidade ou impureza sexual não faz parte de qualquer relação entre o corpo (i.e. o homem) e o Senhor, mas a conexão natural, sobretudo quando agraciada com a restauração proporcionada pela redenção, declara que o objetivo do corpo é servir ao Senhor, e o Senhor ser servido pelo corpo.
Esse último ponto é reforçado pelo anexo que Paulo faz da doutrina da ressurreição à sua tese, o que torna a relação entre o homem e Deus superior a relação do alimento com o estômago, tendo em vista que aqueles serão destruído, o homem, porém, será trazido de volta à vida pelo poder do próprio Deus.
A imoralidade é então, em primeiro lugar, vista como uma anomalia, ou excesso à relação exclusiva que o homem (criado com o objetivo de servir a Deus) tem com o Senhor. Estando fora dessa relação de dependência e adequação(do homem para com o Senhor), a impureza não pode ser concebida como sendo lícita; afirmar isso seria supor que há um lugar reservado na existência humana para tal prática, o que à luz da argumentação anterior, prova-se ser uma falsa premissa. Somado a isso, como registrado no versículo 12, a licitude da imoralidade também cai em xeque por submeter o homem à escravidão, devendo o crente "não se deixar dominar por nenhuma delas" (i.e. coisas, no caso, impureza).
Essa inadequação entre imoralidade e corpo, é acentuada a partir do argumento seguinte, iniciado a partir do versículo 15.
2. A união do corpo: imoralidade vs Cristo (vs.15-17).
A premissa do apóstolo parte do pressuposto de que aquilo com o qual o homem se une em seu corpo, isto é, usando-o como instrumento dessa união, cria um vínculo com ele. O corpo não pode ser usado numa relação com qualquer coisa, sem que seja unido a essa coisa (ou ser) intrinsecamente. Por exemplo, no versículo 16, Paulo pergunta: "não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só corpo com ela?".
A base dessa tese consiste na demonstração da união do crente com o próprio Cristo, tendo em vista fazer parte do corpo deste (cf. v. 15: "não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?". Paulo inicia essa segunda parte de seu argumento observando que, ao ter sido salvo pela obra redentora do Deus Triuno, executada no Filho, o crente passa a estar numa relação íntima com o SENHOR, alicerçada no anexo de seu corpo ao próprio Cristo. Essa relação antecede qualquer outra, e portanto, toma precedência e primazia sobre todo tipo de vínculo que o homem possa estabelecer.
Além disso, visto já estar numa relação prévia com o Senhor, e levando em consideração a santidade de Cristo, uma relação imoral proporia um vínculo absurdo entre o pecado (e.g. prostituição) e o próprio Jesus Cristo, o que seria uma grande impossibilidade, diante da qual é feito outro questionamento cuja resposta é evidente: "eu, porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz?" (v.15b).
A implicação da união inevitável estabelecida por meio do corpo, é retirada da narrativa da criação (rf. Gênesis 2.24), em que é dito que o homem, ao se unir através do matrimônio (cuja a relação sexual e vínculo físico é parte fundamental) à sua mulher, é visto como uma só carne com ela. Paulo cita o texto, a fim de relembrar os coríntios de que o casamento é análogo ao relacionamento entre o Cristo e sua igreja, o que consequentemente abrange o crente individualmente. Noutras palavras, tal como um homem é unido à sua mulher ao se casar com ela, o que é representado pelo vínculo físico que estabelece com a mesma, de igual forma, o corpo está unido a Cristo mediante o laço muito mais poderoso e profundo da redenção.
O homem é uma só carne com sua mulher, e o crente, "um só espírito com ele (Cristo)"(v.17). Um terceiro item nessa relação está de pronto excluído, sobretudo, como já dito, se esse terceiro item for antitético a Cristo, como é o caso do pecado. A imoralidade propõe uma união impossível entre Cristo e o pecado, num triângulo relacional defeituoso, em que o corpo do cristão serviria de vínculo na relação entre ele e a impureza, e ele e o Senhor Jesus.
Partindo dessas considerações, o apóstolo traça uma exortação imperativa, a partir do versículo 18.
3. Exortação contra imoralidade: o corpo como templo do Espírito (vs.18-20).
Um imperativo é publicado a fim de tornar evidente o que deve ser feito em relação ao padrão corrupto da cultura com a qual os crentes deparavam-se: fujam! Ao contrário de verem licitude nas práticas imorais endossadas pelos pagãos, os cristãos deveriam distanciar-se de tamanho pecado. Por estarem unidos a Cristo, o corpo dos crentes deveria receber um tratamento diferente daquele que os descrentes desprendem para com os seus. A ideia agora gira em torno dos pecados cometidos fora do corpo e contra o corpo.
À parte da imoralidade sexual e seus correlatos, grande parcela de pecados consiste em ofensas a Deus fora do corpo, e embora sejam tão passiveis de condenação quanto, não ferem ou agridem algo tão caro para o SENHOR quanto seu templo (o que não quer dizer que sejam menos graves), como o próprio autor salienta: "Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo?" (v.19). No caso da impureza, além da odiosidade da mesma, tal pecado pode ser comparado à depredação do patrimônio do SENHOR, como Paulo observa: "aquele que pratica a imoralidade peca contra ao próprio corpo" (v.18).
Essa figuração da habitação do Espírito por meio da evocação da imagem do templo, já foi usada por Paulo anteriormente. Em 1Coríntios 3.16-17, o apóstolo usou o templo como representação da igreja, isto é, Deus habita no meio de seu povo, e naquela ocasião a exortação do autor era de que não se deveria destruir o santuário do Espírito por meio da desunião ou divisão alimentada pela vaidade e confiança na sabedoria humana.
Agora, no capítulo 6, os coríntios são advertidos de que podem incorrer no mesmo grave erro, ao negligenciarem a compreensão de que tanto o ajuntamento dos crentes quanto o cristão individualmente, são a morada do Espírito. A imoralidade e devassidão sexual promovida pela sociedade corintiana, não deveria ser acatada como normal, e sim, como um tentativa de profanação do lugar sagrado habitado pelo Espírito de Deus. Essa alta ideia quanto ao corpo do cristão, é incentivo mais do que suficiente para fazê-lo lutar fortemente contras as paixões da carne e tentações mundanas, que tentam levá-lo à corrupção e deterioração daquilo que, de maneira tão preciosa, foi conquistado para Deus por meio da salvação, como o apóstolo faz questão de afirmar: "fostes comprados por preço" (v.20a).
Além disso, a argumentação inicial (i.e. "todas as coisas me são lícitas") exibe um comprometimento com a satisfação pessoal acima de qualquer coisa. Contudo, a obra redentiva consiste, primordialmente, na declaração feita por Cristo de que tudo pertence a si, ao Pai e ao Espírito, o que inclui nosso corpo, como ele salienta na continuação do versículo 19b: "[...] não sois de vós mesmos". O fim último do corpo não é ser satisfeito com base nos desejos que temos, mas, tendo em vista que foi feito para Deus (cf. v.14 "O corpo é para o Senhor"). É para satisfação da vontade Deus que devemos usá-lo, o que é dito na conclusão da fala do apóstolo no versículo 20: "Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo".
Transição
O princípio ético enfatizado pelo autor divino/humano no texto de 1Coríntios 6.12-20, consiste na declaração máxima do senhorio de Cristo sobre o corpo do crente, e a união deste com ele. Tal fundamento proporciona uma ordem que ecoa através dos tempos, superando as tendências mais nefastas e devassas das culturas que lutam por aprisionar os servos de Deus sob as algemas do pecado.
Todavia, faz-se necessário observar que a tentação de curvar-se ao espírito mundano da época, não é uma dificuldade com a qual lidamos fora de nós; há inclinação suficiente em nosso coração à impureza sexual e imoralidade.
Cada uma das subseções do presente texto, se encarrega de transparecer princípios a serem analisados e apreendidos por aqueles que são a morada do Espírito, os quais podem ser elencados na seguinte sequência de aplicações:
Aplicações
1. Nosso corpo não foi criado para a impureza, e sim, para o Senhor. Usá-lo de maneira impura é ir contra o critério estabelecido pelo Criador para seu uso.
De coisas simples da vida, como alimentos e o estômago, Paulo retira o princípio do funcionamento adequado segundo a Lei da Criação estabelecida por Deus, mesmo sabendo que essas coisas encontram seu fim.
Como já visto, o crente encontra-se numa situação muito superior, pois temos por certo que nem mesmo a morte porá fim à nossa existência, sabendo que seremos trazidos de volta à vida pelo SENHOR, quando por ocasião de seu retorno. Mas, o que isso tem que ver com a imoralidade ou impureza sexual? Tendo nosso corpo sido criado com a finalidade de servir ao Deus Triuno, qualquer uso que ameace se interpor nessa relação, como que desvirtuando o intento principal de sua idealização criacional, configura-se num grave pecado, com o qual o homem volta-se contra o Senhor, como era o caso da cultura pagã e rebelde da cidade de Corinto.
O que era propagado em Corinto, tal como é hoje no Brasil e em várias partes do mundo (para não dizer no mundo todo) era a licitude do desvio; o inadequado e devasso uso do corpo em submissão ao pecado.
"O corpo é para o Senhor, e o Senhor, para o corpo" (v.13). A diretriz que deve nos guiar em nossa vida, deve ser a de preservar nossos corpos como instrumentos de serviço a Deus, em todas as áreas da nossa vida, o que naturalmente inclui a questão sexual. Não podemos nos deixar seduzir pelo flerte cultural que nos impulsiona a achar normal a devassidão e prostituição, como vemos ser feito em filmes, séries, internet e demais meios usados pela cultura pagã de nosso tempo, para normatizar a impureza.
Ressuscitaremos a para a vida através do poder de Deus, e a fé que temos nisso deve ser expressa por nossa obediência em servir ao SENHOR em e com nossos corpos, em santidade e pureza. No mundo, tudo pode ser lícito (i.e. "possível"), mas certamente, nem tudo convém (i.e. "proveitoso") como forma de servimos ao SENHOR no corpo.
2. Precisamos estar atentos para o princípio da união do corpo, a fim de que não sirvamos de ponte entre aquilo que jamais será unido: Cristo e o pecado.
Gênesis 2.24 não é apenas numa constatação, isto é, quando Adão uniu-se a Eva no matrimônio e na união física de seus corpos, Deus não estava simplesmente reconhecendo seu casamento, mas estabelecendo que aquele seria o meio por meio do qual um homem e uma mulher seriam vistos como um só, o que serviria ao longo dos tempos de lembrete para a união do crente com o próprio Senhor Jesus, e nEle, com o Deus Triuno.
Nossa época rebaixa o corpo como sendo mero instrumento de satisfação, e promove a devassidão e impureza sexual como algo a ser praticado e visto como normal (ou lícito). Entretanto, o mundo ignora o fato de que, por meio da união física, laços são criados no momento em que um homem deita-se como uma mulher que não é a sua, ou vice-versa.
Aos jovens, por exemplo, é dito que o conceito de castidade e virgindade é algo antiquado e retrogrado, que não há mal em ter relações sexuais. O que não é dito é que, por meio do contato físico, um vínculo - no qual não há qualquer pretensão de compromisso - é estabelecido e imediatamente rompido. Essa relação indevida está fora do que Deus determinou para o homem como união representativa de sua relação com seu povo, e portanto, longe de ser normal ou aceitável aos olhos de Deus.
Como cristãos, ao nos unirmos indevidamente à outra pessoa, propomos um vínculo absurdo: visto estarmos unidos a Cristo espiritualmente, sendo um só espírito com ele (v. 17), quando nossos corpos são entregues à imoralidade, fazemos com que o corpo do próprio Cristo seja exposto ao pecado. Naturalmente, isso não expõe Cristo ao pecado, mas profana o que lhe pertence ao mesmo, o que é algo terrível só de imaginar.
Essa advertência não pode ser direcionada somente aos jovens ou aos solteiros, mas a imoralidade da qual o texto fala, é qualquer coisa feita no corpo que atenta contra o uso correto do mesmo (ver aplicação anterior) segundo o que é biblicamente lícito, o que abrange todos na igreja de Cristo. Embora Paulo use a prostituição como exemplo desse princípio, não é necessário que o pecado possua uma agente material (e.g. uma prostituta) para que com ele seja estabelecido uma união reprovável; basta que profanemos nosso corpo, agindo como mundanos que buscam sua satisfação pessoal, entregando-nos à impureza. Masturbação, pornografia, a alimentação de desejos pecaminosos no coração, todos esses pecados não demandam a presença física de outra pessoa, mas são formas terríveis de entregarmos ao pecado o que pertence ao SENHOR: nossos corpos, o templo do Espírito, e isso é uma grave violação do patrimônio do Criador adquirido por Cristo.
O que nos leva ao terceiro ponto.
3. Devemos elevar o conceito que temos quanto aos nossos corpos, baseando-nos na verdade bíblica de que o Espírito Santo habita em nós.
Após toda a argumentação apostólica, a ordem canônica sintetiza todos os princípios apresentados numa única razão: "não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo?" (v.9). A elevação da visão quanto ao corpo para mais do que mero instrumento de satisfação - como propunham os coríntios - fortalece o imperativo quanto à fuga da imoralidade.
A habitação do Espírito separa o crente para ser especial no SENHOR, estando à parte e distante da imundície mundana que o degrada, como já adiantado. Ligado a isso, para que o Espírito fosse introduzido na vida do crente e no meio do povo de Deus, um altíssimo preço foi pago: o derramamento do sangue de Cristo.
A corrente cultural mundana empreende o esforço contrário, fazendo com que nos vejamos como apenas um amontoado de vontades e desejos quase animalescos, que devem ser atendidos a fim de que sejamos "felizes". Diante das dificuldades das tentações propostas pelo espírito devasso de nossa época, a luz do Evangelho revela quem somos: templos de Deus. O cuidadoso trabalho do Espírito é se fazer habitar num local apropriado para a presença do SENHOR. Tal como o tabernáculo era adornado majestosamente para ser o ambiente no qual Deus vinha se comunicar com seu povo, de maneira muito mais completa e poderosa, cada cristão foi transformado num tabernáculo, e tendo em vista a grandeza da nova aliança inaugurada pelo sacrifício e ressurreição do Senhor Jesus, uma obra de limpeza e santificação muito mais completa está em andamento.
O fim último desse empreendimento habitacional do Espírito Santo é que possamos "glorificar a Deus no vosso corpo" (v.20), e tal expressão, retoma o argumento anterior dos versículos 13 e 14, de que nosso corpo serve a Deus. A benção de sermos habitamos pelo Espírito, também encoraja o serviço de que o usemos para que brilhe a santidade divina em nossas vidas, na purificação e uso adequado do corpo, algo precioso para nós, e de igual forma, valioso para Cristo Jesus, do quem fazemos parte como seus membros.
Conclusão
1Coríntios 6.12-20 traça a teologia bíblica do uso corpo para a glória de Deus, ordenando que urgentemente fujamos da imoralidade que depredaria o santuário do Altíssimo em seu Espírito, o qual adquiriu por tão alto preço, a fim de nos fazer portadores de sua glória.
