Cântico dos cânticos

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I. INTRODUÇÃO

Cântico 1.4 BHS
4 מָשְׁכֵ֖נִי אַחֲרֶ֣יךָ נָּר֑וּצָה הֱבִיאַ֨נִי הַמֶּ֜לֶךְ חֲדָרָ֗יו נָגִ֤ילָה וְנִשְׂמְחָה֙ בָּ֔ךְ נַזְכִּ֤ירָה דֹדֶ֨יךָ֙ מִיַּ֔יִן מֵישָׁרִ֖ים אֲהֵבֽוּךָ׃ ס
Nestas próximas duas semanas vamos estudar nosso primeiro livro da Bíblia deste ano - Cânticos dos Cânticos ou Cantares de Salomão. Será uma benção para nossas vidas aprendermos um pouco com um dos livros mais fascinantes do AT e sua linguagem poética, romântica e cheia de revelações da maior expressão que existe - o Amor de Cristo pela sua Igreja e vice-versa.
Este livro, em especial, facilmente poderia estar nas mãos do eunuco etíope e sua fala seria a mesma.
Atos 8:31
Atos dos Apóstolos 8.31 NA28
31 ὁ δὲ εἶπεν· πῶς γὰρ ἂν δυναίμην ἐὰν μή τις ὁδηγήσει με; παρεκάλεσέν τε τὸν Φίλιππον ἀναβάντα καθίσαι σὺν αὐτῷ.
Que a mesma graça que estava sobre Filipe esteja sobre a nossa vida para podermos explicar a Escritura durante este estudo.
Houve uma época, na história da Igreja, em que muitos escreveram sobre o Cântico dos Cânticos. Calcula-se que, até o fim da Idade Média, havia cerca de 800 comentários sobre o mais poético livro de Salomão. Porém, com passar dos séculos e a chegada do Iluminismo, diminuiu drasticamente seu estudo e um dos principais motivos, foi a racionalização de tudo.
O centro do homem é o seu coração e é com ele e a partir dele que o homem relaciona-se com Deus. No entanto, com o fim da Idade das Trevas “transferiu-se” esse centro para a mente. O que importava não era mais o que o coração sentia, mas o que a mente era capaz de compreender, mensurar, comprovar e, por fim, aceitar.
Cântico dos Cânticos tem um vasto conteúdo histórico que comprova sua canonicidade. Quando mergulhamos nessa magnifica história de amor pura e plena, entre o rei Salomão e a jovem Sulamita (Pacificada) entendemos que este livro é para o coração, dirigido aos regenerados pelo Espírito de Deus. A ênfase não é o pecador, mas os assuntos da vida cristã, não há instrução de como ser salvo, não fala de fé ou de milagres, de prodígios, nem do sobrenatural, mais sim de Amor, um amor que resplandece em todo o livro.
Deve-se saber também que nas Sagradas Escrituras há cânticos de vitória, cânticos de exortação e de contestação, cânticos de exultação, cânticos de auxílio, cânticos de união com Deus. Cântico de vitória foi o que cantou Moisés, atravessando o Mar Vermelho, dizendo:
Êxodo. 15:1
Êxodo 15.1 BHS
1 אָ֣ז יָשִֽׁיר־מֹשֶׁה֩ וּבְנֵ֨י יִשְׂרָאֵ֜ל אֶת־הַשִּׁירָ֤ה הַזֹּאת֙ לַֽיהוָ֔ה וַיֹּאמְר֖וּ לֵאמֹ֑ר אָשִׁ֤ירָה לַֽיהוָה֙ כִּֽי־גָאֹ֣ה גָּאָ֔ה ס֥וּס וְרֹכְבֹ֖ו רָמָ֥ה בַיָּֽם׃
O Cântico dos Cânticos, porém, diverge destes, é um cântico de união com Deus, cantado nas núpcias
do esposo com a esposa Devemos observar também que nas Sagradas Escrituras, Deus às vezes é chamado de Senhor, às vezes é chamado de Pai, às vezes é chamado de Esposo. Quando quer ser temido, faz-se chamar de Senhor; quando quer ser honrado, faz-se chamar de Pai; quando quer ser amado, faz-se chamar de Esposo.
Nosso relacionamento com Deus e com Cristo é representado alegoricamente por este casal apaixonado. A interpretação e a aplicação do Cântico de Salomão faz deste livro um dos mais devocionais da Bíblia, que ensina sobre a intimidade do nosso relacionamento com o Cristo vivo e ressurreto.

A. O Livro

Em latim é chamado somente de Cânticos. O título hebraico é uma expressão Cântico dos Cânticos, com significado superlativo “o mais excelente cântico”. Na Bíblia hebraica, Cânticos dos Cânticos faz parte de uma coletânea lida nos dias festivos do calendário judaico. Os outros livros dessa coletânea são Rute, Ester, Eclesiastes e Lamentações.
O primeiro versículo indica que Salomão escreveu o Livro de Cantares de Salomão e estes cânticos foram selecionados entre os 1.005 que ele teria escrito:
1Reis 4:32
1Reis 4.32 BHS
12 וַיְדַבֵּ֕ר שְׁלֹ֥שֶׁת אֲלָפִ֖ים מָשָׁ֑ל וַיְהִ֥י שִׁירֹ֖ו חֲמִשָּׁ֥ה וָאָֽלֶף׃
Isso aconteceu provavelmente durante a primeira fase de seu reinado. Com isso o período de sua composição estimado é de 965a.C.

B. Canonicidade

O fato do livro de Cantares ter sido incluído no Cânon veterotestamentário foi fundamental para que ele fosse não apenas preservado, mas aceito como inspirado. Todavia, não significa que foi uma inclusão unânime e fácil. Houveram inúmeras barreiras que precisaram ser transpostas até o famoso Conselho de Jâmnia ou Yavne, onde todos e quaisquer questionamentos em relação a permanência de Cantaresentre a literatura canônica foi ratificada.
Cantares está incluído na terceira parte da Bíblia hebraica, denominado de Escritos (heb. Ketûbim), que no início do período cristão foi cunhado de “hagiógrafos” (escritos sagrados). Nos dias de Jesus já havia a tríplice divisão do Cânon hebraico:
a) Pentateuco (livros de Moisés),
b) Profetas (incluindo os que denominamos históricos)
c) Salmos[6] e/ou Escritos.
Dentro dos Escritos há uma subdivisão denominada de “Megilloth” ou “Rolos” que eram lidos durante as cinco grandes festas religiosas dos judeus, de maneira que, Cântico dos Cânticos era lido durante a Festa da Páscoa no oitavo dia, a maior e mais significativa festa do calendário judaico.
As palavras do rabino Akiba (cerca de 100d.C.) deixa bem claro a posição oficial dos judeus em relação ao livro de Cantares:
“O mundo inteiro não é digno do dia em que Cântico dos Cânticos foi dado a Israel; todos os Escritos são santos, e Cântico dos Cânticos é o santo dos santos”. (Lasor, 1999, p. 558)
OS ESCRITOS E/OU HAGIÓGRAFOS (Terceira Parte do Cânon Hebraico)
Livros Poéticos
Salmos “Livro dos Louvores”
Provérbios
Rolos (Era lido nas Festas)
Cantares e/ou Cântico dos Cânticos (8º dia da Festa da Páscoa)
Rute (Pentecostes e/ou Festa das Colheitas)
Lamentações [de Jeremias] (Proclamação da Destruição de Jerusalém)
Eclesiastes (Festa dos Tabernáculos)
Ester (Festa do Purim)
História
Daniel
Esdras/Neemias
Crônicas (1 e 2)

C. Peculiaridades do livro

a) Um velho rabino descreveu Cantares como “uma fechadura cuja chave foi perdida”.
b) Não há referência a Deus ou aos seus nomes ou feitos.
c) Nenhuma referência a culto, pecado, etc
d) É composto por 8 capítulos e 117 versículos.
e) Nos 8 capítulos existem referências a quinze espécies diferentes de animais e vinte e uma espécies de plantas.

D. Formas de interpretações conhecidas

Poucos livros do Antigo Testamento experimentaram uma variedade tão ampla de interpretações quanto o Cântico dos Cânticos. A ausência de temas especificamente religiosos combinou-se com as letras mais sugestivas em tom mais sensual e a imprecisão de qualquer enredo para a obra fornecer aos estudiosos um terreno quase ilimitado para especulação.
Compreensivelmente, esses problemas levaram ao tratamento alegórico do livro por estudiosos judeus e cristãos. Esse método específico que se estendeu durante o século XIX, agora está perdendo seguidores. No entanto, apesar da multiplicidade de sugestões alternativas, nenhum outro esquema interpretativo obteve consenso entre os exegetas do Antigo Testamento.

1. A Visão Alegórica

A noção de que o Cântico dos Cânticos deve ser entendido em seu sentido normal e puro tem resistido firmemente ao longo da maior parte da história. Os defensores da visão alegórica têm sido inflexíveis de que deve haver alguma mensagem “espiritual” no livro que exceda o suposto tema terreno da sexualidade humana.

2. Visão alegórica judaica

Traços da interpretação alegórica do Cântico dos Cânticos são encontrados já na Mishná judaica , Esta abordagem também foi seguida no Targum, o Midrash Rabbah, e pelos comentaristas judeus medievais Saadia, Rashi e Ibn Ezra. O Targum, sobre Cantares, interpretou o livro como expressando o amor gracioso de Deus para com Seu povo manifestado em períodos da história hebraica desde o Êxodo até a Vinda do Messias (esses períodos históricos foram supostamente discerníveis no Cântico dos Cânticos).

3. Visão Alegórica Cristã (Modelo Primário)

Os comentaristas cristãos aplicaram um método alegórico semelhante em sua interpretação de Cantares, vendo o noivo como Jesus Cristo e a noiva como Sua igreja.
Esta tem sido a visão cristã dominante na maior parte da história da igreja, embora tenha perdido apoio no último século. Exatamente quando essa visão foi adotada pela primeira vez pelos cristãos não é conhecido o período. Tudo o que se pode dizer é que a evidência disso existe já em Hipólito (cerca de 200d.C.), embora apenas fragmentos de seu comentário tenham sobrevivido.
Jerônimo (331-420d.C.), que produziu a Vulgata Latina, elogiou Orígenes e abraçou a maioria de seus pontos-de-vista. Como resultado, ele foi fundamental na introdução da interpretação alegórica nas igrejas ocidentais. Muitos outros, ao longo da história da igreja, abordaram o livro alegoricamente, incluindo John Wesley, Matthew Henry, E. W. Hengstenberg, C. F. Keil e H. A. Ironside.

4. A Visão Dramática

Nos últimos duzentos anos, alguns intérpretes consideraram o Cântico dos Cânticos um drama. Alguns veem dois personagens principais no drama e outros veem três personagens principais.

5. A Hipótese do Pastor e Seus Três Personagens

No início do século XIX, Ewald, um estudioso crítico alemão, popularizou a visão de que a chave para entender Cantares era reconhecer três personagens principais no livro: Salomão, uma donzela Sulamita e um pastor comum.
Ewald disse que a donzela sulamita estava apaixonada por seu companheiro pastor, e a tensão no livro decorre da tentativa de Salomão de tomá-la para si. Ewald “sugeriu que o rei havia levado a donzela à força para seu harém, mas que, quando ela resistiu aos seus avanços, ele permitiu que ela voltasse para o local de seu amante rústico”.
Jacobi sugeriu que o propósito da canção era celebrar a fidelidade do amor verdadeiro e que a donzela Sulamita é a heroína do livro por permanecer fiel ao seu humilde marido pastor.

6. A Visão Literal

Um dos princípios básicos da hermenêutica é que, para qualquer passagem, o significado claro e normal deve ser escolhido, a menos que haja evidência clara do contrário. Que o Cântico dos Cânticos deve ser entendido literalmente do relacionamento romântico e sexual entre dois amantes tem sido tradicionalmente a visão menos popular. No entanto, mais atenção tem sido dada a esta opção nos últimos duzentos anos.
Chegou a hora de entrarmos no texto

II. Comentário

A. Capítulo 1

São oito capítulos cheios de revelações e precisaríamos de muitos dias para estudarmos os 117 versículos deste livro. Então, de forma sucinta, vamos fazer um resumo dos dois capítulos iniciais e, na semana que vem, dos demais.
O capítulo 1 já inicia de forma muito forte, mostrando a maneira como a Noiva anela pelo Noivo. Sua expectativa é muito grande de estar com Ele, porém ela nota que sua aparência e estado não a qualifica para estar com Ele:
Cântico 1.6 BHS
6 אַל־תִּרְא֨וּנִי֙ שֶׁאֲנִ֣י שְׁחַרְחֹ֔רֶת שֶׁשֱּׁזָפַ֖תְנִי הַשָּׁ֑מֶשׁ בְּנֵ֧י אִמִּ֣י נִֽחֲרוּ־בִ֗י שָׂמֻ֨נִי֙ נֹטֵרָ֣ה אֶת־הַכְּרָמִ֔ים כַּרְמִ֥י שֶׁלִּ֖י לֹ֥א נָטָֽרְתִּי׃
Porém, ela não sabe que Ele a amou primeiro:
Efésios 2.4–5 NA28
4 ὁ δὲ θεὸς πλούσιος ὢν ἐν ἐλέει, διὰ τὴν πολλὴν ἀγάπην αὐτοῦ ἣν ἠγάπησεν ἡμᾶς, 5 καὶ ὄντας ἡμᾶς νεκροὺς τοῖς παραπτώμασιν συνεζωοποίησεν τῷ Χριστῷ, — χάριτί ἐστε σεσῳσμένοι
Devido às suas visitações serem ocasionais e breves, são preciosos os momentos de deleite. Esses momentos são lembrados com prazer nos intervalos, e a repetição deles é muito desejada. Não há qualquer satisfação real sem Sua presença, e ai dela, porque Ele não está todo o tempo com ela: “Ele vem e vai.”
Durante todo este capítulo fica evidente esse tempo de descoberta feita pela noiva sobre seu futuro esposo e o grande desejo de que chegue logo às bodas e às núpcias.

B. Capítulo 2

Esse capítulo retrata poderosamente a relação de amor entre Salomão e a sua amada durante seu namoro. Usando exemplos da natureza, a Sulamita descreve sua comunhão íntima com Salomão (verso 3). Este retrato da intimidade humana revela a nossa necessidade de termos semelhante intimidade com Cristo:
“Não uma parada momentânea em Sua presença, mas um contato pessoal com Cristo, sentando-nos em Sua companhia – tal é a nossa necessidade.”:
Cântico 2.3 BHS
3 כְּתַפּ֨וּחַ֙ בַּעֲצֵ֣י הַיַּ֔עַר כֵּ֥ן דֹּודִ֖י בֵּ֣ין הַבָּנִ֑ים בְּצִלֹּו֙ חִמַּ֣דְתִּי וְיָשַׁ֔בְתִּי וּפִרְיֹ֖ו מָתֹ֥וק לְחִכִּֽי׃

1. O perigo das raposas e raposinhas

Cântico 2.15 BHS
15 אֶֽחֱזוּ־לָ֨נוּ֙ שֽׁוּעָלִ֔ים שֽׁוּעָלִ֥ים קְטַנִּ֖ים מְחַבְּלִ֣ים כְּרָמִ֑ים וּכְרָמֵ֖ינוּ סְמָדַֽר׃
Encontramos neste belíssimo texto poético quatro elementos interessantes, nos quais vale a pena refletir:
1) as vinhas
2) as raposas
3) as raposinhas
4) alguém responsável pelas vinhas = “apanhai-nos”

a) VINHAS

1) é do conhecimento de todos que vinha aqui traz o simbolismo de rebanho, congregação, Igreja.
Quando o escritor sacro falou que as vinhas estavam em flor queria dar-nos a ideia da beleza e da vivacidade que a Igreja do Senhor alcança de tempos em tempos. Certo é, que passamos períodos de escassez espiritual e material, mas não podemos deixar de reconhecer que, vez por outra, a benção de Deus nos alcança de maneira poderosa. É justamente nestes momentos que devemos ficar atentos e sermos extremamente cuidadosos para que forças externas (raposas e raposinhas) não causem sérios danos à obra de Deus.

b) RAPOSAS

2) símbolo daquilo que destrói a vinha de Deus = o pecado.
Uma das coisas mais terríveis que observo nos dias de hoje são pessoas brincando com o pecado, como se ele não fosse assim tão nocivo e danoso quanto parece. Pior que muitos que brincam são pastores, obreiros, responsáveis por cuidar da vinha do Senhor. Ao invés de vigiar a vinha afim de evitar a entrada das “raposas”, simplesmente ignoram o perigo, e porque não dizer, às vezes até conduzem essas raposasaté a entrada da vinha e permitem que elas entrem e causem estragos.
Essas raposas são as concessões ao pecado na casa de Deus, o adultério desenfreado, os divórcios totalmente contra a Palavra de Deus, a corrupção, a fornicação que se espalhou como uma praga no meio da nossa juventude, etc. Tudo o que causa dano a obra de Deus é raposa destruidora.

c) RAPOSINHAS

3) pequenos pecados que parecem passar totalmente despercebidos – nós costumamos condenar veementemente as “grandes raposas”, mas esquecemos de olhar que, às vezes, as pequenas causam tanto dano, senão pior do que as grandes.

d) AQUELE QUE CUIDA DA VINHA

4) o apóstolo Paulo corroborando o profeta Jeremias disse que Deus mesmo foi quem deu à Igreja pastores segundo o seu coração, para que as apascentem com sabedoria, a fim de um dia apresentá-la como virgem “imaculada” a um marido, a saber, a Cristo (Jeremias 3.15; Efésios 4.11; 1Pedro 5.2-12; 2Coríntios 11.2).

C. CAPÍTULO TRÊS – O CORAÇÃO DO LIVRO

Muitos estudiosos vêem este capítulo como sendo um sonho da noiva, em duas partes a busca pelo
noivo durante a noite quando desperta e não o vê próximo a ela e o cortejo nupcial também como
sendo um sonho.
Cânticos 3:1
Também muitos comentaristas traçam um paralelo entre este capítulo 3 e o capítulo 20 do
evangelho escrito por João, contando o trecho da ressureição de Cristo, quando Maria Madalena
chega ao Túmulo e, não encontrando o corpo do Senhor, pergunta:
João 20.13b NA28
13 καὶ λέγουσιν αὐτῇ ἐκεῖνοι· γύναι, τί κλαίεις; λέγει αὐτοῖς ὅτι ἦραν τὸν κύριόν μου, καὶ οὐκ οἶδα ποῦ ἔθηκαν αὐτόν.

1. O cortejo nupcial

Todo o procedimento é planejado para impressionar a jovem com a glória do rei Salomão. As falas
parecem ter sido feitas pelas filhas de Jerusalém que acompanhavam a Sulamita. Talvez o versículo
seis seja uma pergunta retórica feita pelas amigas para impressionar a moça.
Cântico 3.6 BHS
6 מִ֣י זֹ֗את עֹלָה֙ מִן־הַמִּדְבָּ֔ר כְּתִֽימֲרֹ֖ות עָשָׁ֑ן מְקֻטֶּ֤רֶת מֹור֙ וּלְבֹונָ֔ה מִכֹּ֖ל אַבְקַ֥ת רֹוכֵֽל׃
Alguns comentários judaicos vêem semelhança neste capítulo com o tempo em que Israel atravessa
o deserto em direção a Canaã; Moisés então recebe a planta do tabernáculo, figura desta Casa móvel
em que o rei Salomão está chegando, toda feita com madeira do Líbano:
Cântico 3.9–10 BHS
9 אַפִּרְיֹ֗ון עָ֤שָׂה לֹו֙ הַמֶּ֣לֶךְ שְׁלֹמֹ֔ה מֵעֲצֵ֖י הַלְּבָנֹֽון׃ 10 עַמּוּדָיו֙ עָ֣שָׂה כֶ֔סֶף רְפִידָתֹ֣ו זָהָ֔ב מֶרְכָּבֹ֖ו אַרְגָּמָ֑ן תֹּוכֹו֙ רָצ֣וּף אַהֲבָ֔ה מִבְּנֹ֖ות יְרוּשָׁלִָֽם׃

D. CAPÍTULO QUATRO

Do versículo um ao versículo quinze o Noivo despeja uma enorme quantidade de elogios, e estes verdadeiros e sinceros aos olhos Dele, e como ele enxerga sua Noiva.

1. Sete características da beleza são especificadas:

a) Olhos como de pomba

A pomba era a ave contada como “limpa” para sacrifício. Em Levítico 14,
se encontra a Lei da purificação da lepra (pecado), eram trazidas ao sacerdote duas aves, um fio carmesim e um pedaço de madeira de cedro e hissopo, uma ave era abatida dentro de um vaso de barro em água corrente, o outro pássaro vivo será mergulhado no sangue dentro do vaso, e depois será solto. Salomão está comparando a Noiva com a ave viva e livre.

b) Cabelos como de cabras das montanhas

Quando o rebanho de cabras descia dos montes de Gileade, todas da mesma cor negra, de longe se tinha a impressão de uma longa trança de mulher. O Noivo está dizendo que os cabelos da noiva se parecem com as cabras do local onde Jacó e Labão fizeram uma aliança:
Gênesis 31.44 BHS
44 וְעַתָּ֗ה לְכָ֛ה נִכְרְתָ֥ה בְרִ֖ית אֲנִ֣י וָאָ֑תָּה וְהָיָ֥ה לְעֵ֖ד בֵּינִ֥י וּבֵינֶֽךָ׃

c) Dentes brancos como ovelhas lavadas

Fala de simetria, completude e limpeza, boa
mastigação do alimento (Palavra). Veja a diferença comparando com a dentição do ímpio:
Salmo 57:4
Salmo 57.4 BHS
5 נַפְשִׁ֤י׀ בְּתֹ֥וךְ לְבָאִם֮ אֶשְׁכְּבָ֪ה לֹ֫הֲטִ֥ים בְּֽנֵי־אָדָ֗ם שִׁ֭נֵּיהֶם חֲנִ֣ית וְחִצִּ֑ים וּ֝לְשֹׁונָ֗ם חֶ֣רֶב חַדָּֽה׃
Provérbios 30:14
Provérbios 30.14 BHS
14 דֹּ֤ור׀ חֲרָבֹ֣ות שִׁנָּיו֮ וּֽמַאֲכָלֹ֪ות מְֽתַלְּעֹ֫תָ֥יו לֶאֱכֹ֣ל עֲנִיִּ֣ים מֵאֶ֑רֶץ וְ֝אֶבְיֹונִ֗ים מֵאָדָֽם׃ פ

d) A tua boca (Lábios)

São brilhantes como escarlate (Vermelho vivo) bem diferente de um lábio esbranquiçado de um leproso (tipo de pecado), que deveriam, portanto, ser “cobertos”, como “impuros” (Levítico 13:45). Escarlate – O sangue de Jesus Cristo (Isaías 6:5-9) purifica a lepra e desbota os lábios (Isaías 57:19; Oséias 14:2; Hebreus 13:15). O fio escarlate de Raabe era um tipo disso (Josué 2:18).

e) A tua face

Comparada como uma romã, também de cor rubra por dentro, quando cortada
mostra sementes claras tingidas de Vermelho pelo suco da fruta, Sua modéstia não está na parte
externa, mas dentro, na qual Jesus Cristo (O noivo) pode enxergar.

f) Pescoço como torre de Davi.

A imagem que alude a uma torre militar onde os escudos eram
pendurados de forma visível a todos (ver também 7:4; 8:10) simboliza não só a beleza e a força da
mulher (Igreja), mas também sua pureza, provavelmente fala das jóias usadas pela esposa, as
quais acentuam a beleza do seu pescoço,

g) O Busto ( Seios )

Este elogio é repetido no capítulo 7:3, para o noivo o busto da noiva representa
a jovialidade da Igreja no auge de sua faze de nutrir uns aos outros. Entre os lírios – vestes da noiva

2. És toda Formosa

Cristo mesmo cobre as imperfeições da nossa vida e das nossas obras, com a Sua perfeição e
santidade; Ele, tanto quanto o Pai, nos vê, agora, completamente santos; somos vestidos do próprio
Senhor Jesus Cristo (Ef 5.25-27; Gl 3.27)
Em resposta a tantos elogios, a Noiva convida o noivo,
Cântico 4.16 BHS
16 ע֤וּרִי צָפֹון֙ וּבֹ֣ואִי תֵימָ֔ן הָפִ֥יחִי גַנִּ֖י יִזְּל֣וּ בְשָׂמָ֑יו יָבֹ֤א דֹודִי֙ לְגַנֹּ֔ו וְיֹאכַ֖ל פְּרִ֥י מְגָדָֽיו׃

E. CAPÍTULO 5

1. O Noivo sempre vem, quando pedimos de todo coração

Cântico 5.1 BHS
1 בָּ֣אתִי לְגַנִּי֮ אֲחֹתִ֣י כַלָּה֒ אָרִ֤יתִי מֹורִי֙ עִם־בְּשָׂמִ֔י אָכַ֤לְתִּי יַעְרִי֙ עִם־דִּבְשִׁ֔י שָׁתִ֥יתִי יֵינִ֖י עִם־חֲלָבִ֑י אִכְל֣וּ רֵעִ֔ים שְׁת֥וּ וְשִׁכְר֖וּ דֹּודִֽים׃ ס
Porém a noiva nem sempre está disposta a manter esta comunhão constante, não é que a noiva
não quer abrir, porém vai fazer isso de forma vagarosa e com relutância, dando desculpas o tempo
todo. Me lembro uma vez que o nosso pastor Joel deu um exemplo sobre ter vontade comer algo,
porém já ter escovado os dentes, a Sulamita diz já estou deitada, já lavei os pés. Esta atitude mostra
um espírito insensível . Ela estava pensando em seu conforto e não nos desejos do Noivo ou em
seu relacionamento com Ele.
Ela, ao perceber que Ele se foi, começa uma busca desesperada por Ele, em sua busca ela indaga às
filhas de Jerusalém:
Cânticos 5:8
Esse apelo urgente leva essas jovens a perguntarem o que há de tão especial a respeito do seu
amado. Sua pergunta dá oportunidade à noiva de descrever a aparência notável do esposo.

F. CAPÍTULO 6

A sensação de estar longe do noivo e a possibilidade de não velo novamente, desaparecem
completamente, e a ansiedade é substituída pela certeza,
Ct 6:3
Cântico 6.3 BHS
3 אֲנִ֤י לְדֹודִי֙ וְדֹודִ֣י לִ֔י הָרֹעֶ֖ה בַּשֹּׁושַׁנִּֽים׃ ס
Hebreus 8:10
Hebreus 8.10 NA28
10 ὅτι αὕτη ἡ διαθήκη , ἣν διαθήσομαι τῷ οἴκῳ Ἰσραὴλ μετὰ τὰς ἡμέρας ἐκείνας, λέγει κύριος· διδοὺς νόμους μου εἰς τὴν διάνοιαν αὐτῶν καὶ ἐπὶ καρδίας αὐτῶν ἐπιγράψω αὐτούς, καὶ ἔσομαι αὐτοῖς εἰς θεόν, καὶ αὐτοὶ ἔσονταί μοι εἰς λαόν·
Apocalipse 21:2
Apocalipse 21.2 NA28
2 καὶ τὴν πόλιν τὴν ἁγίαν Ἰερουσαλὴμ καινὴν εἶδον καταβαίνουσαν ἐκ τοῦ οὐρανοῦ ἀπὸ τοῦ θεοῦ ἡτοιμασμένην ὡς νύμφην κεκοσμημένην τῷ ἀνδρὶ αὐτῆς.

G. CAPÍTULO 7

Este é o capítulo onde o Noivo usa de figura de linguagem de seus dias para exaltar a sua amada, e a resposta da noiva após saber tudo o que Ela representa para o noivo, que diz:
Cântico 7.12 BHS
13 נַשְׁכִּ֨ימָה֙ לַכְּרָמִ֔ים נִרְאֶ֞ה אִם פָּֽרְחָ֤ה הַגֶּ֨פֶן֙ פִּתַּ֣ח הַסְּמָדַ֔ר הֵנֵ֖צוּ הָרִמֹּונִ֑ים שָׁ֛ם אֶתֵּ֥ן אֶת־דֹּדַ֖י לָֽךְ׃
“As aldeias” implicam distância de Jerusalém. Após morte de Estevão, os discípulos foram dispersos através da Judéia e Samaria, pregando a palavra (Atos 8:4-25). Jesus Cristo estava com eles, confirmando a palavra com milagres. Eles reuniram os frutos antigos, dos quais Jesus Cristo plantou a semente (Jo 4:39-42), assim como novos frutos.

H. CAPÍTULO 8

Em especial o verso 6 e 7 – Nestes versículos temos o clímax do livro, está, sem dúvida, a dita mais profunda sobre o amor. O aspecto sensual do amor cai inteiramente em segundo plano, toda a natureza é irresistivelmente apreendida e indissoluvelmente ligada ao amado. Tal amor vem do Senhor, que o coloca no coração do homem, e não pode ser extinguido. Nem pode ser comprado.
Nem mesmo Salomão, com toda a sua riqueza, podia comprar o amor da jovem Sulamita. Pelo contrário, ela lho deu espontaneamente, e seu amor era esmagadoramente grande. Tal amor absoluto é semelhante ao ideal espiritual entre Deus e o Seu povo. Somos advertidos a não servir a dois senhores (Mt. 6:24) e a amarmos o Senhor nosso Deus de todo o nosso coração, alma, mente e forças (Mc. 12:30).
Cântico 8.14 BHS
14 בְּרַ֣ח׀ דֹּודִ֗י וּֽדְמֵה־לְךָ֤ לִצְבִי֙ אֹ֚ו לְעֹ֣פֶר הָֽאַיָּלִ֔ים עַ֖ל הָרֵ֥י בְשָׂמִֽים׃
Com essas palavras termina o Hino. Talvez devamos pensar que uma conclusão mais apropriada seja reunir os dois amantes em alegre reunião. Mas devemos nos lembrar que o Hino não é uma novela moderna ou um poema de amor; é a Palavra de Deus ensinando-nos a beleza e a pureza do genuíno amor humano, um dos dons do Criador às suas criaturas. Este amor, o Espírito Santo achou por bem descrever em termos de desejo mútuo de companhia, da parte daqueles que são devotados um ao outro.

III. CONCLUSÃO

Durante estas duas semanas estudando o livro de Cânticos dos Cânticos, com toda certeza estaremos desfrutando da mais íntima comunhão como nosso Noivo, preparando-nos para sempre agradá-lo, com nossos unguentos e perfumes de nardo, louvores que saem do coração, a verdadeira adoração profunda de nossa alma, aguardando o definitivo convite:
Cântico 2.10 BHS
10 עָנָ֥ה דֹודִ֖י וְאָ֣מַר לִ֑י ק֥וּמִי לָ֛ךְ רַעְיָתִ֥י יָפָתִ֖י וּלְכִי־לָֽךְ׃
Este relacionamento pode realmente ser usado para descrever o amor entre Cristo e a Sua Igreja, embora o amor humano, mesmo em sua forma mais pura, não possa nunca ser mais que uma sombra desse relacionamento espiritual. As pessoas que verdadeiramente se amam sempre hão de ansiar pela companhia um do outro. Mas muito maior é o anseio da Igreja de estar com Cristo, seu Esposo celestial. A Igreja é a Noiva de Cristo, e por meio do Espírito Santo que habita no meio dela, ela dá expressão ao seu grande anseio de estar com Ele nestas palavras:
"Ora, vem, Senhor Jesus"
Em Cristo
Pr. Marco Krebs
Columbus, Oh
Fevereiro de 2023
BIBLIOGRAFIA
Bíblia de Estudo Pentecostal, 1ªEdição, CPAD, 1995
PRICE, Ross E, Comentário Bíblico Beacon, CPAD, 4ª Impressão 2012.
Uma Trilogia da Igreja em Cantares de Salomão | Ailton José Alves Editora Bereia
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