Aprendendo a orar com Jesus - Lc 11:5-8
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Introdução
Introdução
Neste fim de semana tivemos a oportunidade meditar sobre os cristãos perseguidos em várias partes do mundo. No DIP - Domingo da Igreja Perseguida - fomos exortados a orar pela igreja perseguida. Apesar de ter várias formas de ajudar o ministério portas abertas e aos cristões perseguidos, uma das formas mas importantes é através da orção.
Mas porquê não oramos constantemente pelas pelos cristãos perseguidos? Nós temos a tendência de somente orar por aquilo que está em nossa meio, visível e quando algo nos afeta - ou quado de fato precisamos de algo. Infelizmente somos muito falhos (eu me incluo nisso) no que se refere a disciplina espiritual da oração.
Não que esteja errado orar a Deus pelas nossas necessidades, mas o ensino de Jesus acerca da oração nos ensina que devemos ir muito além disso.
Diante disso hoje estou iniciando uma série de devocionais nas quartas feiras acerca do que Jesus nos ensinou sobre oração após os discípulos pedirem a Jesus
Lc 11:1 “[…] Senhor, ensina-nos a orar[...]”
Após esse pedido, Jesus en a "oração modelo" e em sequência apresentou a parábola "do amigo importuno" (Lc 11:5-8) , mais para frente apresentou mais duas parábolas: a do juíz iníquo (Lc 18:1-8) e a parábola do fariseu e publicano (Lc 18:9-14).
A oração modelo (v1-4)
A oração modelo (v1-4)
"Senhor, esina-nos a orar" é um dos únicos pedidos dos discípulos registrados nos evangelhos sobre Jesus ensinar algo a eles . Não vemos os discípulos pedindo para Jesus ensinar a curar, pregar, aconselhar nem evangelizar. Mas os discípulos - talvez por verem o exemplo de Jesus em orar constantemente, pedem para que Jesus os ensine a orar.
Talvez os discípulos tenham notado que toda a vida de Jesus e seu ministério estavam relacionados à sua vida de oração.
Se até os discípulos, comissionados por Jesus reconheciam a necessidade de serem instrúidos quanto a oração - quem dirá nós, nos dias de hoje.
O estudo da oração modelo não é o foco desse devocional mas cabe salientar que Jesus oferece aos seus discípulos a estrutura básica da prática da oração.
A oração modelo que Jesus nos ensinou pode ser simplisticamente dividida da seguinte forma:
Ela começa com Deus ("santificado seja o teu nome".. "seja feita a tua vontade")
A agenda de Deus e não a nossa vem em primeiro lugar.
Em seguida vem a "agenda do povo" (o pão nosso, nossas dívidas, tentações, santificação etc).
Será que temos orado assim? Quando oramos pelo reino e sua justiça, oramos por todas as outras coisas necessárias para nós e os outros.
O amigo importuno (v5-8)
O amigo importuno (v5-8)
5 Disse-lhes ainda Jesus: Qual dentre vós, tendo um amigo, e este for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, 6 pois um meu amigo, chegando de viagem, procurou-me, e eu nada tenho que lhe oferecer. 7 E o outro lhe responda lá de dentro, dizendo: Não me importunes; a porta já está fechada, e os meus filhos comigo também já estão deitados. Não posso levantar-me para tos dar; 8 digo-vos que, se não se levantar para dar-lhos por ser seu amigo, todavia, o fará por causa da importunação e lhe dará tudo o de que tiver necessidade.
Essa parábola nos apresenta algumas dificuldades quanto a interpretação. Há algumas posições diferentes sobre algumas questões acerca da parábola. Apesar disso, o ensino principal dessa parábola é bastante claro.
Por exemplo, quem é o amigo importuno? é o que pede?
Alguns enfatizam o ensino da perseverança na oração - se perseveramos na oração Deus irá nos atender - assim como o amigo perseverou ou "importunou". No entanto, nesse caso Deus responde nossos orações com má vontade só porque nós insistimos? E se não for da vontade de Deus responder as nossas orações da forma que pedimos? Seria nossa persistência uma forma de "quebrar a vontade de Deus"?
Há uma outra interpretação possível, que quando colocado dentro do contexto da época e a luz do texto original (grego) nos ajudam a entender de maneira mais completa o sentido da parábola.
Jesus começa essa parábola pergutando aos discípulos - "qual dentre vós", em outros palavras Jesus está perguntando: "vocês conseguem imaginar algo assim"? ou "é possível que isso acontece".
Então Jesus cria uma situação para que os discípulos pensem se isso poderia acontecer. Essa situação está nos versos 5-7.
É importante destacar que no contexto daquela época, a hospitalidade era algo comum e muito importante. Alguém rejeitar um pedido de um amigo, mesmo sendo a meia noite não seria algo comum! E talvez até reprovável ou inaceitável por aquela sociedade. A hospitalidade era uma questão de honra!
Por isso Jesus conclui com o verso 8 Lc11:8 “8 digo-vos que, se não se levantar para dar-lhos por ser seu amigo, todavia, o fará por causa da importunação e lhe dará tudo o de que tiver necessidade.”
Uma das dificuldades aqui se refere a entender a ideia da "importunação". Em algumas traduções a palavra usada é "incômodo". Essa palavra vem do grego anaideim que em alguns contexto se referem a vergonha. Nessa interpretação - o amigo se levantou e deu o pão para evitar a vergonha de ter rejeitado o pedido de ajuda.
A parábola e a resposta de Jesus no verso 8 então indicam a impossibilidade do amigo não ajudar ao outro que pedia pão.
Logo o sentido da parábola não é que nós precisamos "importunar Deus", mas sobre a impossibilidade de Deus não responder nossas orações.
O amigo ajudou ao que lhe pedia pão por causa de sua honra, assim também é como Deus age, pela honra do seu Nome e não por causa de nós. Nós fomos salvos não por quem nós somos mas por causa de quem Deus é.
Isaías 48:9 “9 Por amor do meu nome, retardarei a minha ira e por causa da minha honra me conterei para contigo, para que te não venha a exterminar.”
Salmos 25:11 “11 Por causa do teu nome, Senhor, perdoa a minha iniquidade, que é grande.”
"A honra do nome de Deus é o princípio que define a ação de Deus".
A explicação da parábola (v9-13)
A explicação da parábola (v9-13)
O que essa parábola nos ensina então é que nós não somos um "amigo importuno" nem que Deus é alguém que se recusa a se levantar da cama para abrir a porta e nos socorrer. Deus é o nosso pai e por causa da honra do seu nome ele nos concederá aquilo de que tivermos necessidade.
Lucas, Volumes 1 e 2 Lições Práticas Derivadas de 11.1–13
A lição que essa parábola ensina é tão poderosa e notável, pelo fato de que para Deus nunca é meia-noite; nunca lhe falta nada; ele nunca é “importunado” quando algum filho humilde busca seu aconchego; e ele nunca é pego de surpresa
Nos versos 1-4 Jesus ensina o fundamento da oração, nos versos 5 a 8 ele conta a parábola e nos versos 9 a 13 ele faz uma conclusão.
Lc 11:9-10 “9 Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. 10 Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á.”
Os três verbos aqui - pedir, buscar e bater - não dizem respeito a insitência, mas a segurança e confiança, porque todo o que pede, recebe; todo aquele que busca, encontra; e a todo aquele que bate, a porta será aberta.
Jesus enfatiza essa ideia ao dizer que nenhum Pai, irá recusar pão, peixe ou ovo para o filho.
Lc 11:11-12 “11 Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir [pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir] um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? 12 Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião?”
Jesus então conclui com o v13.
Lc 11:13 “13 Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”
Jesus conclui o ensino fazendo um paralelo com os homens que por natureza são maus e memso assim conseguem dar boas dádivas para os filhos. Se eles podem fazer isso quando mais o nosso Deus que nos dá o Espírito Santo!
As vezes nós nos queixamos por que Deus não nos dá exatamente o que pedimos. Mas será que pedimos o Espírito Santo e a graça que ele comunica, graça essa suficiente para fazer com que nos regozijemos em meios as nossas dores e aflições?
