O desafio da evangelização

Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 66 views
Notes
Transcript
Filipe e o eunuco etíope (8:26–40)
8:26 Durante o grande despertamento espiritual em Samaria, um anjo do Senhor conduziu Filipe a um novo campo de trabalho. Devia deixar o lugar onde muitos estavam sendo abençoados e ministrar a apenas um homem. O anjo podia dirigir Filipe, mas não podia realizar a tarefa de pregar o evangelho, pois esse privilégio foi dado aos homens, e não aos anjos.
Filipe obedeceu sem questionar e viajou do sul de Samaria para Jerusalém, de onde tomou um dos caminhos que levavam a Gaza. É impossível dizer ao certo se as palavras “este se acha no deserto” se referem ao caminho ou a Gaza em si. Não obstante a interpretação, o resultado é o mesmo: Filipe deixou um lugar habitado e espiritualmente fértil e foi a uma região estéril.
8:27–29 Em algum lugar ao longo do caminho, Filipe alcançou uma caravana. O carro principal transportava o tesoureiro de Candace, rainha dos etíopes, e um eunuco de grande autoridade. (A Etiópia correspondia à região sul do Egito e o Sudão.). Ao que parece, esse alto oficial havia se convertido ao judaísmo, pois tinha ido adorar em Jerusalém e estava voltando para casa. Enquanto viajava, vinha lendo o profeta Isaías. No momento exato, o Espírito orientou Filipe a aproximar-se do carro do eunuco e acompanhá-lo.
8:30–31 Filipe começa a conversa com uma pergunta amigável: Compreendes o que vens lendo? O eunuco reconhece prontamente que precisa de alguém para lhe explicar a passagem e convida Filipe a sentar-se junto com ele no carro. Que maravilha observar a ausência total de preconceito racial nessa situação.
8:32–33 Por uma “coincidência”, o eunuco estava lendo Isaías 53, em que o Messias sofredor é descrito de forma incomparável! Por que Filipe se aproximou do carro exatamente nesse momento?
A passagem de Isaías retrata aquele que permaneceu mudo diante de seus inimigos; aquele a quem negaram justiça e um julgamento justo; aquele que não teria geração, isto é, descendentes, pois foi morto na flor da idade sem ter se casado.
8:34–35 O eunuco perguntou se Isaías estava falando de si mesmo ou de algum outro. Filipe entendeu que essa era a sua oportunidade de mostrar como as Escrituras haviam se cumprido perfeitamente na vida e morte de Jesus de Nazaré. Sem dúvida, enquanto estava em Jerusalém, o etíope havia ouvido os comentários negativos sobre um homem chamado Jesus. Agora, o eunuco descobre que Jesus de Nazaré é o Servo sofredor do SENHOR, sobre o qual Isaías escreveu.
8:36 Filipe provavelmente explicou ao eunuco o privilégio do batismo cristão, por meio do qual a pessoa se identifica com Cristo em sua morte, em seu sepultamento e em sua ressurreição. Assim, ao se aproximarem de um lugar onde havia água, o eunuco expressa o desejo de ser batizado.
8:37 O versículo 37 não aparece na maioria dos manuscritos gregos do NT. Seu ensinamento está de acordo com o restante das Escrituras; a fé em Jesus Cristo é, sem dúvida, pré-requisito para o batismo. Ainda assim, o versículo simplesmente não é corroborado pelos principais documentos do NT.38
8:38–39 Depois de mandar parar o carro, o eunuco desce com Filipe à água e é batizado por imersão, como deixam claras as expressões desceram à água e saíram da água.
A simplicidade da cerimônia é impressionante. Num caminho no meio do deserto, um recém-convertido é batizado. Nenhum dos apóstolos estava presente. Apenas os servos que acompanhavam o eunuco na caravana testemunharam o batismo de seu senhor, por meio do qual ele mostrou que havia se tornado um seguidor de Jesus de Nazaré.
Terminado o batismo, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe. Não se tratou apenas de uma orientação para Filipe ir a outro lugar. Foi uma remoção súbita e miraculosa com o propósito de impedir que o eunuco se ocupasse com o instrumento humano de sua conversão em vez de olhar para o Senhor que o havia salvado.
Que repouse sobre mim a beleza do Senhor,
Quando procuro ganhar os perdidos.
Que se esqueçam do instrumento,
E lembrem-se apenas do Salvador.
Kate B. Wilkinson
O eunuco foi seguindo o seu caminho, cheio de júbilo. O júbilo que vem da obediência ao Senhor sobrepuja todas as outras emoções agradáveis.
8:40 Entrementes, Filipe deu continuidade ao seu ministério
William MacDonald, Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento, 2a edição. (São Paulo: Mundo Cristão, 2011), 357–358.ão poderei fazer muita coisa, mas pelo menos morrerei às margens do rio Ganges e os indianos saberão que alguém os amou e se dispôs a levar-lhes as boas novas do evangelho. Nesse momento, dezenas de jovens, tocados pelo poder da Palavra, levantaram-se e atenderam ao chamado de Deus e foram para a Índia como missionários.
Concluindo esta exposição, destacamos que Filipe usou a mesma mensagem tanto no evangelismo de massa em Samaria como no evangelismo pessoal com o eunuco no deserto (8.12,35). Em ambos os casos, vemos semelhante resposta: creram e foram batizados (8.12,36–38) e houve a mesma alegria (8.8,39).
As pessoas eram diferentes em raça, posição social e religião. Os samaritanos formavam uma raça mista composta por cidadãos comuns que reverenciavam Moisés, mas rejeitavam os profetas. Tinham sido iludidos por um mágico. O etíope era um africano, rico e prosélito que lia os profetas rejeitados pelos samaritanos. Apesar das diferenças, Filipe apresentou a ambos a mesma mensagem. Mas a mensagem foi a mesma, assim como o resultado.
Capítulo 10
A conversão mais importante da história
um fato seja mais marcante na história da igreja depois do Pentecostes. Nenhum homem exerceu tanta influência no cristianismo. Lucas ficou tão impressionado com a importância da conversão de Paulo, que a relata três vezes em Atos (9, 22, 26). Matthew Henry observa que a conversão de Paulo foi uma das maravilhas da igreja.282
Atos: A Ação do Espírito Santo na Vida da Igreja A Evangelização Precisa Ser Dirigida pelo Espírito Santo (8.26–40)

A evangelização precisa ser dirigida pelo Espírito Santo (8.26–40)

O Espírito de Deus dirige os passos de Filipe para o deserto. Por lá, viajava um eunuco da Etiópia, que precisava de esclarecimento espiritual. Simon Kistemaker diz que, se compreendermos a palavra eunuco literalmente, veremos o cristianismo removendo barreiras erigidas pelo judaísmo. Um estrangeiro poderia converter-se ao judaísmo, mas o etíope, que era eunuco, não podia participar plenamente da adoração no templo (Dt 23.1). Apesar de ter viajado a Jerusalém para adorar, ainda era considerado um semipro-sélito. Mesmo assim, o Antigo Testamento predisse o dia em que os estrangeiros e os eunucos não seriam mais excluídos da comunhão do povo de Deus (Is 56.3–7). Observamos dessa forma que Filipe inicialmente leva para o seio da igreja os samaritanos, que estavam entre os judeus e os gentios. Agora leva o etíope, que era um meio convertido ao judaísmo, para a assembleia do Senhor.

Cinco verdades devem ser aqui observadas.

Em primeiro lugar, é preciso saber que uma vida vale todo o investimento do mundo (8.26–30). Filipe sai de um avivamento na cidade de Samaria e vai para o deserto por orientação divina. Mário Neves diz acertadamente que, quando o homem se interessa por Deus, logo descobre que Deus também por ele se interessa. Porque o eunuco estava lendo as Escrituras, Deus lhe enviou um intérprete das Escrituras. Deus tira Filipe da multidão e o envia para evangelizar uma única pessoa no deserto. Para Deus uma vida vale todo o investimento. No filme A lista de Schindler, o protagonista declara: “Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro”. Aquele etíope foi missionário em sua pátria, o primeiro africano a ser salvo e enviado como embaixador de Cristo. Você precisa estar disposto a pregar para uma multidão e também para uma única pessoa. Esse eunuco era um alto oficial da rainha de Candace. John Stott diz que “Candace” não era um nome pessoal e, sim, um título dinástico da rainha-mãe que exercia certas funções em nome do rei. Esse oficial era uma espécie de tesoureiro ou ministro das finanças.

Em segundo lugar, é preciso ir lá fora onde os pecadores estão para levá-los a Jesus (8.26–30). Filipe obedeceu prontamente (8.26). Aproxima-te desse carro significa ação fora do santuário, lá fora, onde está o movimento, nas estradas e alamedas da humanidade. Lá fora nos lugares públicos. Trata-se de colocar o evangelho sobre rodas, em prática – ligando-o ao sistema de transportes, dando-lhe velocidade, tecnologia moderna, na imprensa com folhetos policromados, nos rolos e bobinas, vídeos e projetores cinematográficos. Trata-se de colocar o evangelho ao alcance das massas, de modo que pobres e ricos possam ouvi-lo.

Ligue o testemunho a todo veículo. Vá lá fora e testemunhe! Corra! (8.29,30). As missões são obra urgente!

Hudson Taylor começou o seu ministério em 1857 em Ningpo, na China, e levou a Cristo o sr. Nyi. Certo dia, este perguntou a Taylor: “Há quanto tempo vocês conhecem o evangelho na Inglaterra?”. Taylor respondeu: “Há muitos anos”. Com profundo sentimento, Ningpo redarguiu: “Meu pai morreu sem conhecer o evangelho. Por que vocês não vieram antes?”.

Em terceiro lugar, é preciso explicar as Escrituras e levar as pessoas a Cristo (8.30–35). O evangelista é também um mestre. A palavra de Deus precisa ser lida, explicada e aplicada. Hoje vemos muitos pregadores substituindo a exposição das Escrituras pela experiência. Vemos muitos pregadores falando sobre seus feitos poderosos em vez de anunciar o Cristo crucificado. Filipe explica as Escrituras. Apresenta Jesus, não a religião, o rito ou a cultura religiosa.

Em quarto lugar, é preciso receber as pessoas que creem em Cristo pelo batismo (8.36–38). O eunuco perguntou a Filipe: Que me impede? Filipe podia ter respondido com uma longa preleção teológica sobre o que a lei dizia sobre eunucos. Podia ter dito que a liderança “hebraica” da igreja não autorizava o batismo de gentios, muito menos de eunucos. Mas sua resposta foi simplesmente que nada o impedia de ser batizado se ele cresse em Cristo Jesus. Hoje, novas gerações e novas circunstâncias perguntam repetidamente: Que me impede? Qual será a nossa resposta?

Filipe batiza o eunuco. O batismo não é precipitado nem demorado. Não batiza o inconverso nem adia o batismo do salvo. Uma única condição é exigida: crer de todo o coração. Werner de Boor destaca acertadamente que o cristianismo não é um complexo sistema de ideias que é preciso aprender mediante penoso esforço, mas a ligação renovadora da vida com Jesus, que é concedida ao surgir a fé.

John Stott diz que a água era um sinal visível da purificação dos pecados e do batismo com o Espírito Santo. A propósito, as palavras desceram à água não afirmam nada sobre sua extensão ou profundidade. Pode estar implícita uma imersão total, mas nesse caso o batizador e o batizando seriam submersos juntos, pois a afirmação se refere aos dois. Por isso a expressão deve significar, como sugerem as primeiras pinturas, que eles entraram na água até a cintura, e que Filipe então derramou água sobre o etíope. Um argumento que fortalece essa tese é que, na Septuaginta, a expressão desceram à água só aparece mais uma vez na Bíblia, em Juízes 7.5, e, nesse caso, os homens que desceram às águas não foram submersos. Comentando o texto, Justo González acrescenta que, no grego, as formas gramaticais empregadas aqui indicam que eles realmente entraram na água e foi em pé na água que o batismo aconteceu.

A referência mais antiga ao batismo por meio do derramamento de água sobre a cabeça está no Didaquê, documento cristão escrito entre os anos 70 e 120: “Se não tiver água corrente, batiza em outra água; se não puder fazer isso em água fria, faça em água quente. Se você não tiver os dois, derrame água sobre a cabeça três vezes em nome do Pai, do Filho e do Espírito”. Marshall dá o seu conselho: “Não há evidência suficiente para indicar se o batismo foi pela imersão do eunuco ou mediante o derramar de água sobre ele enquanto ficava em pé nas águas rasas; se o Novo Testamento deixa obscuro o modo preciso do batismo, talvez não devamos insistir nalgum tipo específico de praxe”.276

Em quinto lugar, é preciso estar sempre aberto à nova direção do Espírito (8.39,40). A tradição diz que este eunuco voltou à sua terra e evangelizou a Etiópia. Aquele que saíra do deserto cheio de alegria não podia guardá-la para si mesmo. Quanto a Filipe, foi dirigido pelo Espírito para novos horizontes. Filipe podia pensar: Agora serei o evangelista do deserto, da estrada. Ele não engessou o método, mas se abriu para a nova agenda do Espírito. O que Deus quer que eu faça agora? Às vezes, fazemos a mesma coisa na igreja há décadas, quando o vento do Espírito nos conduz a outros campos, outras áreas, outras frentes e novos horizontes. Vinte anos depois, encontramos Filipe vivendo em Cesareia e ainda servindo a Deus como evangelista (21.8ss).

O método da igreja não era apenas levar pessoas ao templo para evangelizá-las, mas ir lá fora e ganhar os pecadores onde eles estivessem. O método missionário é ir além das nossas fronteiras. Temos de ser luz nas nações e investir nosso tempo, nosso dinheiro e nossa vida na obra. O missionário escocês Alexandre Duff, depois de investir longos anos de sua vida na evangelização da Índia, voltou à Escócia, sua pátria, para cuidar de sua saúde e despertar novos obreiros. Numa seleta assembleia de jovens, pregou um sermão com senso de urgência e fez um apelo veemente para que os jovens se levantassem como missionários. Nenhum moço atendeu. Duff ficou tão abatido que teve uma parada cardíaca no púlpito. Correram com ele para uma sala contígua ao templo e lhe massagearam o peito para trazê-lo de volta ao pleno vigor. Ao recobrar suas forças, rogou aos médicos que o levassem de volta ao púlpito. Com voz embargada pela emoção, dirigiu-se aos jovens novamente: Se a rainha da Escócia vos convocasse para ir a qualquer lugar do mundo numa missão diplomática, iríeis com orgulho. O Rei dos reis, aquele que deu sua vida por vós, vos convoca para atenderes seu chamado, e não quereis ir. Pois irei eu, já velho e doente. Não poderei fazer muita coisa, mas pelo menos morrerei às margens do rio Ganges e os indianos saberão que alguém os amou e se dispôs a levar-lhes as boas novas do evangelho. Nesse momento, dezenas de jovens, tocados pelo poder da Palavra, levantaram-se e atenderam ao chamado de Deus e foram para a Índia como missionários.

Concluindo esta exposição, destacamos que Filipe usou a mesma mensagem tanto no evangelismo de massa em Samaria como no evangelismo pessoal com o eunuco no deserto (8.12,35). Em ambos os casos, vemos semelhante resposta: creram e foram batizados (8.12,36–38) e houve a mesma alegria (8.8,39).

As pessoas eram diferentes em raça, posição social e religião. Os samaritanos formavam uma raça mista composta por cidadãos comuns que reverenciavam Moisés, mas rejeitavam os profetas. Tinham sido iludidos por um mágico. O etíope era um africano, rico e prosélito que lia os profetas rejeitados pelos samaritanos. Apesar das diferenças, Filipe apresentou a ambos a mesma mensagem. Mas a mensagem foi a mesma, assim como o resultado

6
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.