Aprendendo a orar com Jesus - Lc 18:1-8

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Introdução

A oração modelo (v1-4)

"Senhor, ensina-nos a orar" é um dos únicos pedidos dos discípulos registrados nos evangelhos sobre Jesus ensinar algo a eles . Não vemos os discípulos pedindo para Jesus ensinar a curar, pregar, aconselhar nem evangelizar. Mas os discípulos - talvez por verem o exemplo de Jesus em orar constantemente, pedem para que Jesus os ensine a orar.
Se até os discípulos, comissionados por Jesus reconheciam a necessidade de serem instrúidos quanto a oração - quem dirá nós, nos dias de hoje.
O estudo da oração modelo não é o foco desse devocional mas cabe salientar que Jesus oferece aos seus discípulos a estrutura básica da prática da oração.
A oração modelo que Jesus nos ensinou pode ser simplisticamente dividida da seguinte forma:
Ela começa com Deus ("santificado seja o teu nome".. "seja feita a tua vontade")
A agenda de Deus e não a nossa vem em primeiro lugar.
Em seguida vem a "agenda do povo" (o pão nosso, nossas dívidas, tentações, santificação etc).
Será que temos orado assim?
Quando oramos pelo reino e sua justiça, oramos por todas as outras coisas necessárias para nós e os outros.

A explicação da parábola (v1)

Jesus apresenta na introdução, seu propósito em relação à parábola: incentivar os discípulos a orar sempre e nunca desanimar. É uma das poucas parábolas em que Jesus declara sua intenção logo no início.
É interessante observar que Jesus coloca a oração na categoria de “dever” e não de “direito”. Nós vivemos em uma era que prefere considerar a oração como expressão do relacionamento íntimo com Deus, caracterizada pelo deleite, pelo prazer, e não pela obrigação.
A intimidade com Deus por meio da Oração e necessária e legítima. No entanto, a parabóla não é sobre o deleite e o prazer da oração mas sobre oração como luta espiritual por justiça, e é nesse sentido que Jesus fala sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer.
Perceba que a parábola termina com uma pergunta “Quando vier o Filho do Homem, achará porventura, fé na terra?” Jesus aborda nessa parábola dois temas centrais da experiência cristã que estão intimamente relacionados:
A oração como luta espiritual
Fé que deve acompanhá-la
A prática da oração é sempre um indicativo de fé, e o exercicio da fé encontra na oração sua linguagem. Contudo, se esmorecemos na oração, a fé, igualmente, fica esvaziada.
Ponto Importante
A oração que Jesus se refere na introdução da parábola não é a oração que fazemos quase que protocolarmente quando agracedemos pelo dia, pela refeição, pelo trabalho etc.
Da mesma forma a fé que Jesus espera encontrar não é a fé confessional (a crença) mas uma fé operante, uma fé que vive e experimenta os sinais do reino e do poder de Deus.
Calvino, ao escrever sobre e oração fez a seguinte declaração:
“Já se demonstrou que o Senhor se manifesta de forma bondosa e espontânea em Cristo, em quem ele oferece toda a felicidade para nossa misérie, toda abundância para nossa necessidade, abrindo os tesouros do ceu para nós, para que possamos nos voltar com toda a fé para seu Filho amado, depender dele em plena expectativa, descansar nele e nos apegarmos a ele em plena esperança” (Oração: o exercício contínuo de fé)
Para Calvino, para usufruir dos tesouros do céu é necessário o exercicio da fé e da oração. É necessário voltarmos para Cristo com fé viva. Calvina ainda afirma:
“Da mesma forma, vemos que nada é colocado diante de nós como objeto de expectativa da parte do Senhor que não sejamos ordenados a lhe pedir em oração, e isso é tao verdadeiro que a oração desenterra os tesouros que o evangelho de nosso Senhor revela aos olhos da fé”

O juiz iníquo (v2-7)

Em suas parábolas, Jesus escolhe os personagens cuidadosamente. Nessa, temos dois:
Um juiz injusto (v2)
Uma viúva (v3)
No primeiro século a mulher viúva era uma das pessoas mais vulneraveis. Nessa época as mulheres viviam sob a tutela de um homem:
Se fosse solteira, do pai;
Se fosse casada, do marido;
Se orfã e/ou viúva, pelo irmão ou filho mais velho se tivesse;
Parece que essa viúva aqui não tinha ninguém, pois ela chega ao juiz sozinha.
Sozinha, ela se encontra diante de um juiz, que não teme a Deus e nem respeita homem nenhum (v2)
E o que ela busca? justiça
Do outro lado temos um juiz corrupto e desumano. Jesus o descreve na parábola como alguém que “não teme a Deus, nem respeita homem algum”. O próprio juiz afirma isso na segunda parte do v4.
Após aparente insistência o juiz decide atender ao pedido da víúva (v4-5). No entanto ele não fez isso porquê passou a temer a Deus passou a temer a Deus ou respeitar as pessoas, mas por causa da coração e insistência da viúva (v5).
A palavra “molestar-me” traduzida ao pé da letra seria “me deixar com um olho roxo”. Ele temia que a viúva, em algum momento pudesse perder a paciência e agredi-lo e talvez seja uma vegonha pública pela situação. A viúva não era violenta, mas a insistência dela e o medo dele fizeram com que ele finalmente julgasse a causa dela.
Na história de Israel nós vemos que o temor a Deus era uma condição para ser um Juiz em israel. Porém esse juiz não temia a Deus e ele não se envergonhava de sua parcialidade, de ser corrupto.
Quando contrastamos com a parábola do amigo importuno, que atendeu e supriu a necessidade para evitar vergonha e a manchar sua honra fica claro que não é o mesmo caso aqui. Por isso que o foco de Jesus aqui é no “dever” e não no “direito” da oração
Se o juiz injusto, que não teme a Deus, nem respeita ninguém, fez o que era certo, quanto mais Deus! Portanto, não devemos esmorecer, nem desanimar. (v6-7)

Conclusão

A oração, segundo o ensino de Jesus em Mt 6, tem como prioridade “buscar o reino de Deus e sua justiça”. Mais importante do que as necessidas básicas (e urgentes) devemos buscar em primeiro lugar seu reino e sua justiça. Uma fé viva e verdadeira busca, sempre, a realização do reino de Deus “assim na terra como nos céus”.
Na primeira parábola, a primeira súplica da oração que Jesus ensinou aos seus discípulos é afirmada (Pai, santificado seja o seu nome). O Deus a quem oramos e suplicamos e ajuda em nossa necessidade é um Pai generoso que nunca irá dizer que não pode nos atender. Na segunda parábola, a segunda e terceira súplicas da oração de Jesus são afirmadas. O desejo de quem conhece a Jesus é que seu governo e sua justiça se realizem na terra como são realizadas no céu.
Algumas lições prática:
Possíveis razões pelas quais nossas orações nem sempre são respondidas imediatamente
Ensinar-nos a paciência e outros virtudes
Aumentar nossa gratidão quando finalmente recebermos a benção
Porque Deus nos reserva uma benção maior
Por razões que permenecem (ou em parte estão) fora da esfera da experiência humnana
Por outras razões conhecidas por Deus, porém não por nós. Deus não nos deve explicações pelos misterios da vida.
O deve de orar sempre e nunca desistir é por causa da aparente demora da manifestação da justiça de Deus. Está é talvez, a maior luta que a oração e fé enfretam: a demora e diante da demora, esmorecemos. Além disso muitas vezes transformamos a oração em uma experiência privada e egoista e não ansiamos pela justiça, não buscamos o reino de Deus, não desejamos ver a vontade de Deus sendo feita aqui na terra, em nossa família, igreja e cidade. Não prevalecemos em oração e damos a luta como perdida.
Porém, Jesus afirma que fara justiça aos escolhidos, mesmo que pareca demorado. O reino de Deus já veio em Jesus, mas ainda aguardamos a sua consumação. Vivemos entre um reino já revelado e o reino que ainda será consumado, e isso deve nos levar a seguir perseverando na oração, sem esmorecer.
A parábola encerra com a pergunta “Quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?”.
Agora vamos imaginar que nossas orações não estão sendo respondidas imediatamente, talvez estejamos buscandos primeiramente não as coisas lá do alto, mas coisas terrenas, e Jesus voltar, será que ele encontrará uma fé perseverante como a da viúva? Ou estaremos esmorecidos?
Sera que Jesus irá encontrar a sua igreja, proclamando o evangelho. Será que ele encontará a sua igreja clamando “Venha o teu reino” ou encontrará a sua igreja como as virgens tolas que não levaram azeite suficiente para manter as lampadas acesas? (confirmar significa das virgens tolas em Mat 25)
Não a toa, o ensino principal dessa parábola assim como na oração modelo e orar pelo seu reino e sua justiça. “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”.
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