Êxodo 1.15-2.10
Série expositiva no Livro do Êxodo • Sermon • Submitted • Presented
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· 76 viewsO autor divino/humano registra o relato da apresentação da salvação providencial do ente libertador do povo de Deus como cumprimento da ação redentiva do SENHOR.
Notes
Transcript
"São estes os nomes..." (Êx 1.1).
Pr. Paulo U. Rodrigues
Introdução
Após ter introduzido o livro apontando o pleno vigor das promessas pactuais do SENHOR, através das quais comprometeu-se em resgatar seu povo da opressão e aflição (cf. Gn 15.13 - Êx 1.12), Moisés avança em sua narrativa, expondo de maneira analógica e arquetípica, o modus operandi que será empreendido por Deus em sua ação redentiva em favor de seu povo, usando como molde dessa obra, a história que o destacou como instrumento divino de tal.
O relato é evoluído mediante o registro da narrativa em que duas seções complementam-se a fim de gerarem o quadro que proporcionará a visão da obra salvadora relatada no livro. Num primeiro momento (1.15-22) as ações das parteiras hebreias em relação à ordem de faraó são focalizadas, a fim de contextualizar a narrativa seguinte (2.1-10) em que, dado o fato de que o rei do Egito, em seu projeto subversivo contra os planos divinos em prol dos hebreus, oprime a estes, o salvamento providencial de um menino (no caso, o próprio Moisés) é apresentado; este será futuramente evidenciado como o instrumento do SENHOR na libertação dos filhos de Israel do cativeiro egípcio.
Como dito, o presente relato serve como referência para aquilo que será desenvolvido ao longo da narrativa: num contexto de aflição e opressão, o SENHOR, providencialmente, resgata seu filho, Israel (cf. Êx 4.22), livrando-o da escravidão e da morte, reavendo-o, tal como Joquebede reouve Moisés.
Entretanto, compreendendo os pontos centrais do relato, a presente narrativa deveria ser vista pelo povo de Israel como que apontando para algo mais amplo a ser realizado futuramente, como é provado à luz do contexto inter-canônico posterior, no qual o Salvador Prometido, Cristo Jesus, vive uma experiência semelhante, tendo em vista a obra que lhe está proposta: ser o libertador de todos os eleitos de Deus de sua situação de cativeiro do pecado e condenação à morte. O Senhor, perseguido por um monarca — que, à propósito, também promove um infanticídio em massa — é livrado das mãos de seus algozes, a fim de que desempenhe o papel para o qual foi designado, como dito (cf. Mt 2.13-23).
Com isso em mente, o texto de Êxodo 1.15-2.20 registra como ideia central a apresentação do Salvador como molde narrativo-referencial para a redenção do povo de Deus.
Elucidação
Segundo introduzido, duas subseções complementam-se, destacando o modo por meio do qual a salvação dos filhos de Israel da situação de opressão e aflição será executada. Assim, analisaremos a partir desse ponto, as seções estruturadas pelo autor no presente texto.
1. (1.15-22) - Apresentação da tensão contextual: a desobediência civil das parteiras.
Após todo o contexto anterior ter se encarregado de apresentar a situação de aflição à qual os filhos de Israel estavam sendo submetidos, tendo em vista a sanha do faraó em opor-se contra os planos divinos para com seu povo, Moisés avança na exposição dessa tensão. A narrativa é iniciada com a divulgação da ordem do faraó:
O rei do Egito ordenou às parteiras hebreias, das quais uma se chamava Sifrá, e outra, Puá, dizendo: Quando servirdes de parteira às hebreias, examinai: se for filho, matai-o; mas, se for filha, que viva.
O plano faraônico de obstrução do crescimento e multiplicação dos hebreus, consiste agora num controle de natalidade. Peculiarmente, tal projeto tinha por base a noção de que nos homens é que residia a chave para o crescimento numérico do filhos de Israel. Entretanto, à luz do quadro geral de rebelião maligna instrumentalizada por meio do monarca egípcio, os hebreus, haja vista especialmente todo o relato inicial registrado no livro de Gênesis, deveriam identificar nessa ação de faraó uma tentativa obstrutiva no caminho do Redentor Prometido. O ente profetizado aos patriarcas, por exemplo, em Gn 3.15, que viria e esmagaria a cabeça da serpente, é referenciado como um homem, e agora, em se aproximando o momento da libertação do povo, faraó concentra-se em impedir que os filhos dos hebreus vivam.
Como já apontado na análise anterior, por trás das ações de faraó, esconde-se o intento maligno do opositor (i.e. a antiga serpente; Satanás) de impedir que Deus leve à cabo sua obra salvadora. Nada obstante, ligado a esse contexto teológico mais amplo, Moisés adianta o fato de que será mediante o levantar de um homem que a obra libertadora do SENHOR haverá de ser realizada, e na sequência dos versículos 15 a 16, uma nova tensão é estabelecida, ao ser registrada a ação das parteiras em relação a ordem do faraó: "As parteiras, porém, temeram a Deus e não fizeram como lhes ordenada o rei do Egito; antes, deixaram viver os meninos" (v.17).
Tendo em vista os princípios abordados, o autor subscreve e chancela a ação das parteiras, que desobedecem o edito do rei do Egito. O ponto em destaque é a expressão de aprovação de que a atitude daquelas mulheres foi de "temor a Deus". Levando em consideração que as parteiras eram hebreias (cf. v. 15), a intenção do autor consiste em demonstrar que suas ações estavam sendo guiadas pela iniciativa providencial-redentiva de Deus, que as levou a resistirem a ordem do monarca. Elas deixaram viver os meninos hebreus por temerem mais a Deus do que ao faraó, contudo, por trás disso, Moisés revela a mão divina na preservação do ente masculino que promoveria a libertação dos egípcios.
Toda a narrativa posterior se encarrega de ratificar a ação das hebreias diante de Deus. Ao serem questionadas pelo faraó quanto ao porquê de terem deixado vivos os meninos hebreus, elas mentem ao rei:
Então, o rei do Egito chamou as parteiras e lhes disse: Por que fizestes isso e deixastes viver os meninos? Responderam as parteiras a Faraó: É que as mulheres hebreias não são como as egípcias; são vigorosas e, antes que lhes chegue a parteira, já deram à luz os seus filhos.
O sinal de aprovação divina, vem na sequência através de um comentário do próprio autor: "E Deus fez bem às parteiras; e o povo aumentou e se tornou muito forte. E, porque as parteiras temeram a Deus, ele lhes constituiu família" (cf. vs.21-22).
Moisés demonstra ao povo de Israel que a preparação para a ação divina que foi executada em seu favor, fazia parte do plano redentivo do SENHOR, tendo isso sido anunciado há muito tempo aos primeiros patriarcas, e até mesmo ao próprio Adão, levando em consideração Gn 3.15, como já apontado. Um ente masculino fora mencionado como sendo o encarregado de executar a vitória sobre o opositor do SENHOR e inimigo de seu povo; Satanás. A repercussão da ideia de uma ação salvadora mediante a preservação/promoção de um homem, é o ponto conectivo entre a história do êxodo e a obra redentiva de um modo geral. A amplitude da ação preservadora que estende-se à todos os meninos hebreus, prepara o leitor para compreender as ações que se passarão de maneira mais específica com um personagem a ser apresentado: o próprio Moisés, conforme visto no capítulo 2.1-10; segunda seção deste bloco do texto, e nele, a salvação de todo o povo é retratada, aludindo por sua vez à salvação a ser executada ultimamente, como será demonstrado adiante.
Todavia, ao transicionar para essa segunda parte de seu texto, o autor anuncia que, quanto mais específico revela-se a intenção divina na promoção desse ente libertador por meio do qual executará a libertação de seu povo, mais acirrada torna-se a tentativa de obstruir seu caminho; o que é referenciado pelo anúncio do infanticídio decretado pelo faraó, registrado no versículo 22: "Então, ordenou faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem aos hebreus lançareis no Nilo, mas a todas as filhas deixareis viver.
É nesse contexto de forte oposição que a seção seguinte é iniciada, a partir de um recorte histórico que atrai a atenção do leitor/ouvinte para a introdução desse personagem-chave à narrativa.
2. (2.1-10) - Apresentação do ente libertador: a preservação e livramento de Moisés.
O casamento “de um homem da casa de Levi (…) com uma descendente de Levi” (v.1) encabeça a narrativa nesse ponto, a fim de servir de argumento que ratifica a liderança do próprio Moisés diante dos filhos de Israel. Conforme é registrado nos livros seguintes (e.g. Números), cada tribo deveria promover casamento apenas entre seus membros, evitando assim que, por questões de herança, o que pertence a uma tribo acabe sendo transferido para outra (cf. Nm 27.1-11; 30.1-12); princípio que o homem e a mulher do verso 1 (i.e. Anrão e Joquebede (cf. Êx 6.20)) obedecem.
Por outro ângulo, em que pese esse argumento, uma referência clara ao próprio Moisés é então feita: tendo em vista ratificar que sua liderança é legítima, segundo a legitimidade do casamento de seu pai com sua mãe, (ambos da mesma tribo) Moisés já referencia com isso que a narrativa a seguir diz respeito ao que aconteceu consigo, de acordo com o que operou o SENHOR.
Tendo a mulher concebido, um adendo é feito pelo autor, novamente destacando-o: “E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que era formoso...” (v.2). Novamente, à luz do contexto inter-canônico mais amplo, é perceptível que a referência feita quanto a “formosura” do menino não tem em vista apenas afirmar questões físicas; isto é, não é na sua aparência que Moisés deseja fazer com que seus ouvintes/leitores se concentrem, mas no foco que recai sobre ele por meio dessa característica, numa que foi destacado pelo SENHOR para uma obra específica, como interpreta o próprio autor do Livro de Atos registrando a elucidação feita por Estevão em seu discurso diante do Sinédrio:
Por esse tempo, nasceu Moisés, que era formoso aos olhos de Deus. Por três meses, foi ele mantido na casa de seu pai;
Segundo o diácono, Moisés era formoso "aos olhos de Deus", ou seja, possuía alguma especificidade concedida pelo SENHOR a fim de que seus propósitos fossem executados. Ecoando essa mesma perspectiva, o autor da epístola Aos Hebreus, também salienta a formosura de Moisés, colocando essa característica como evidência de que os planos divino fluiriam por instrumentalidade dele:
Pela fé, Moisés, apenas nascido, foi ocultado por seus pais, durante três meses, porque viram que a criança era formosa; também não ficaram amedrontados pelo decreto do rei.
Discorrendo a narrativa, o autor atesta essa compreensão, apontando para o percurso providencial concebido pelo SENHOR para preservá-lo:
Não podendo, porém, escondê-lo por mais tempo, tomou um cesto de junco, calafetou-o com betume e piche e, pondo nele o menino, largou-o no carriçal à beira do rio. A irmã do menino ficou de longe, para observar o que lhe haveria de suceder. Desceu a filha de Faraó para se banhar no rio, e as suas donzelas passeavam pela beira do rio; vendo ela o cesto no carriçal, enviou a sua criada e o tomou. Abrindo-o, viu a criança; e eis que o menino chorava. Teve compaixão dele e disse: Este é menino dos hebreus.
O contexto do infanticídio promovido por faraó retorna ao centro cênico da narrativa. Sob ameaça de ter seu filho morto, a mulher coloca o menino no rio, e o despede, na esperança de que de alguma maneira seja poupado; fato aludido pela menção de que à distância, a própria irmã do bebê o observava (cf v. 4). Nesse ponto, a ótica do controle providencial do SENHOR é implicitamente referenciada: o cesto para justamente no local onde as filhas de faraó vinham banhar-se, e como se não bastasse isso, ao ter encontrado o menino, uma das criadas da filha do rei, lhe sugere chamar uma ama que crie o menino. Tendo acatado a sugestão e ordenado que fosse encontrada tal ama, a própria mãe do menino é chamada para desempenhar essa tarefa:
Então, disse sua irmã à filha de Faraó: Queres que eu vá chamar uma das hebreias que sirva de ama e te crie a criança? Respondeu-lhe a filha de Faraó: Vai. Saiu, pois, a moça e chamou a mãe do menino. Então, lhe disse a filha de Faraó: Leva este menino e cria-mo; pagar-te-ei o teu salário. A mulher tomou o menino e o criou. Sendo o menino já grande, ela o trouxe à filha de Faraó, da qual passou ele a ser filho. Esta lhe chamou Moisés e disse: Porque das águas o tirei.
O menino ter sido criado por sua mãe indica não somente o cuidado divino de que a progenitora reouvesse seu filho, mas salienta que a obra preservadora do SENHOR (como vem sendo destacado) foi exitosa. O instrumento divino que seria usado por Deus na libertação dos filhos de Israel da casa da servidão, foi livre da ação maligna de faraó que tencionava impedir o crescimento dos hebreus, e com isso, a fruição dos propósitos redentivos do SENHOR para com seu povo foi estabelecida.
Transição
Remontando ao que foi introduzido, o presente relato visa não somente estabelecer a ratificação e confirmação da liderança de Moisés sobre o povo de Deus, desde o momento em que o SENHOR o usou para tirar seus filhos do Egito, mas salienta a referência estrutural narrativa que serve de modelo à própria redenção e salvação que o SENHOR promoveu em favor do seu povo.
O Deus de Israel livrou seu filho da opressão e da morte de maneira providencial. Os hebreus foram salvos da aflição tal como Moisés foi salvo de ser lançado no Nilo, e mesmo na casa da aflição, viram o braço estendido do SENHOR que, ferindo seus inimigos, os preservou, trazendo-os da morte para a vida. Entretanto, uma referência mais clara é desenvolvida na história da redenção, tal como atesta o Registro Canônico.
Segundo também apresentado introdutoriamente, um arquétipo narrativo é montado pelo SENHOR, tornando a presente história um molde também para a obra redentiva de acordo com seu estágio progressivo final ou apoteótico.
No Novo Testamento, sob a iminência da chegada do ente libertador prometido pelo SENHOR ao longo de toda a Escritura, os planos malignos do opositor e inimigo do povo de Deus, são registrados a partir de um mesmo modus operandi. O nascimento do Filho de Deus é anunciado, e tal nascimento marca a ação soberana do Pai na salvação do seu povo, tal como anuncia o anjo:
Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles. Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).
Nesse ínterim, o nascimento do Salvador é divulgado, chegando ao conhecimento de Herodes (rf. rei de Israel), que, buscando impedir tal acontecimento, promove um infanticídio:
Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos. Então, se cumpriu o que fora dito por intermédio do profeta Jeremias: Ouviu-se um clamor em Ramá, pranto, [choro] e grande lamento; era Raquel chorando por seus filhos e inconsolável porque não mais existem.
Nada obstante, a despeito da vontade obstrutiva de Herodes, Jesus é livre da ação maligna do monarca, tendo sido posto à salvo:
Tendo eles partido, eis que apareceu um anjo do Senhor a José, em sonho, e disse: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito e permanece lá até que eu te avise; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. Dispondo-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito; e lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: Do Egito chamei o meu Filho.
Um monarca que, buscando impedir o êxito dos planos salvadores do SENHOR para o seu povo, é frustrado mediante a preservação daquele que será o instrumento na concretização desses projetos, é a síntese do texto de Êxodo 1.15-2.10. O povo de Israel — tanto quanto a igreja hoje — deveria contemplar a presente narrativa a partir do locus redentivo maior que a conecta à história do verdadeiro libertador do povo de Deus: Jesus Cristo, que foi preservado da ação maligna dos homens a fim de executar a obra salvadora, promovendo a libertação do povo de Deus da casa da servidão do pecado e da morte.
Em Cristo, Êxodo 1.15-2.10 é cumprido em sua plenitude. Mediante a persistência na fé do povo de Deus que, a contragosto da oposição de adversários (e.g. Satanás, o pecado, o sistema ateu vigente no mundo), teme a Deus aguardando sua salvação (e.g. Zacarias e Isabel (cf. Lc 1.5-7); Simeão (cf. Lc 2.21-34), tal como as parteiras hebreias resistiram a vontade iníqua do faraó, Cristo foi trazido ao mundo e preservado, para que por meio dele seu povo fosse liberto da aflição e opressão.
Frente a essa noção, o presente texto enfatiza as seguintes verdades a serem contempladas pela igreja do SENHOR. Quais sejam:
Aplicação
1. Parte da exposição de nossa fé na salvação do SENHOR, consistirá em nossa postura de temer mais a Deus do que aos homens, pois é de Deus que procede nossa salvação, ao passo que neste mundo, seus faraós, sempre lutarão para impedir que a igreja usufrua de todas as benesses da salvação em Cristo.
Como vimos em parte de acordo com o texto anterior, as intenções do coração dos homens que avessam-se ao Reino de Deus, é lutar contra o SENHOR e contra o seu Ungido (cf. Sl 2.2), que é Cristo. Porém, como não podem fazê-lo de maneira direta, pois toda sua oposição é pífia diante do Rei dos reis e Senhor dos senhores, os faraós desse mundo voltam-se contra a igreja, buscando por sobre os nossos ombros os pesados fardos do pecado, querendo com isso nos oprimir.
Nada obstante, a nossa luta nesse mundo, consiste também em resistir à imposição infernal da vontade do pecado, de Satanás e do sistema anti-cristão que opera no mundo, buscando fazer com que não temamos a Deus e creiamos que do mundo procede nossa salvação ou bem-estar.
As parteiras hebreias viram na ordem de faraó um contra-ponto claro àquilo em que criam.De acordo com o texto, faraó não estava pensando em proteger-se ou ao seu reino de uma ameaça civil, como já observamos, mas anelava impedir que a salvação chegasse a Israel. Aquelas mulheres, diante disso, não curvaram-se ante ao mundo. Não amaram suas próprias vidas ao ponto de amedrontarem-se com o poder do governante humano. Elas não temeram quem pode matar apenas o corpo; mas honraram aquele que de corpo e alma pode fazer perecer no inferno seus inimigos.
Se cremos que o SENHOR, em Jesus, aquele que foi preservado das ações dos homens, nos salvou e libertou do império das trevas, a resultante de tal fé será que temeremos antes a Deus do que aos homens (Atos 5.29). Ou por se tratarem de autoridades, nos curvaremos diante das ameaças que podem nos fazer os faraós desse mundo, que em seus planos, querem nos fazer descrer ou negar que o SENHOR desceu a fim de nos salvar?
Nossa situação como cidadãos desse mundo, certamente deve nos fazer viver de maneira pacífica e ordeira, dando bom testemunho do evangelho, fazendo e vivendo em sociedade de acordo com o que é digno e lícito. Entretanto, sempre haverá um limite: se o que for exigido de nós, mesmo pela lei, nos incitar a negar o que cremos ou a fazer o que sabemos que vai de encontro à Lei de nosso Redentor, que não fraquejemos em resistir aos reis desse mundo, sabendo que temendo a Deus, ele nos fará bem.
2. Cristo é aquele que é maior do que Moisés, pois este foi preservado para tirar o povo de Israel do Egito e levá-los até Canaã, mas Cristo foi preservado e posto a salvo das artimanhas e malignidades dos homens, a fim de nos conduzir à libertação do pecado e da morte, concedendo-nos vida eterna.
A preservação de Moisés fazia parte dos planos divinos, pois, por meio dele, o povo de Israel seria conduzido ao cumprimento da promessa e aliança abraâmica: libertos da opressão e aflição, e guiados até uma terra boa. Todavia, todas as ações operadas pelo SENHOR através de Moisés foram referenciais: Israel saiu do Egito, e iria para a terra de Canaã, e embora tudo isso tenha sido feito com grande poder e sinais portentosos da parte de Deus, ainda não era a ação final na qual a plena redenção aconteceria.
Séculos mais tarde, sob o anúncio da chegada do Salvador, o reino das trevas mobilizou-se para opor-se contra o verdadeiro Varão que libertaria todo o povo de Deus daquela opressão da qual Moisés não pôde livrar Israel: Cristo Jesus.
A divina providência encaminhou Jesus Cristo pelas correntezas da história, até o lugar onde pudesse estar à salvo da corrupção e degeneração que agrupam os homens sob o exército de opositores contra o Reino de Deus, e tendo chamado de lá o seu Filho, mostrou-o preservado ao mundo, como sendo Aquele em quem se compraz (cf. Mt 2.22-23; 3.17), por Ele o Salvador de seu povo.
No Êxodo, Moisés foi o agente condutor da benção salvadora de Deus a Israel; hoje, Cristo é o agente divino que lidera não somente os crentes do passado, mas também os do presente e futuro, à salvação e libertação do pecado e da morte, levando-os à Canaã Celestial.
Conclusão
A história bíblica do Êxodo é uma maquete do que faria o SENHOR no futuro, em Cristo: O ente libertador, que preservado e livre das mãos de seus inimigos, foi erguido e proclamado como Salvador do povo de Deus.
