Marcos 8:1-21

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Marcos 8:1-21

Os pães, os fariseus e o fermento:

Introdução
OBSERVAÇÕES DO TEXTO
v.1-10: Nosso texto começa com a seguinte afirmação, nos dando um contexto: “Naqueles dias, quando outra vez se reuniu grande multidão...” (v.1). A multidão estava ali novamente. Nós sabemos que Jesus tinha uma forma de ensino, ele havia escolhido os doze e estava com eles sempre perto, os ensinando; as vezes o ensino se limitava a eles. Mas a multidão não fora desprezada pelo Senhor. Como ele mesmo afirma: “Tenho compaixão desta gente...” (v.2a). A multidão estava com Jesus, ouvindo-o e aprendendo há três dias. Não era somente Jesus que estava interessado neles, mas vemos da parte da multidão o interesse no que ele ensinava.
O Senhor se compadece deles por serem como ovelhas que não tem pastor (já vimos isto num outro momento, em Mc 6:34), mas aqui ele também se compadece, especialmente por eles terem fome, pois estavam longe de casa, numa região desértica (v.4b) e em jejum por três dias. Vale aqui o contraste: Jesus no cap. 6 está na região onde há judeus, aqui no cap. 8 ele ainda está na região gentílica. Vale lembrar é possível que estes que o ouviram aqui eram em maior número gentios.
Em Marcos 6:34 o evangelista usa uma expressão veterotestamentária para definir o estado em que os judeus se encontravam ali: “como ovelhas que não tem pastor”, expressão essa que Deus usa em diálogo com o rei Josias quando fala do seu povo perdido, segundo falsos profetas. Texto que aqui no NT compreendemos como profético. Mas neste de Marcos 8 não temos essa expressão, pois acredito que, pela maior parte deles serem gentios, o momento ainda não era chegado, mas a mesma fresta que fora aberta à mulher siro-fenícia, aqui estava para estes. Ele os ensinara por três dias, os olhou com compaixão e os alimentou graciosamente, realizando assim um milagre.
De um lugar inóspito, sem esperança alguma para isto, como eles seriam alimentados no deserto? (v.4) Parece que os discípulos esqueceram da história que marcou o próprio povo, não é? Isso lembra algo que aconteceu há muito tempo. Um milagre que o Senhor fez no deserto, comunicado por seu servo Moisés. Um tipo de Cristo no AT; uma figura que representava e apontava para Jesus, o Cristo. Para Emanuel, Deus conosco.
Em Dt 16:1 os hebreus foram alimentados no Deserto de Sim, com o pão do céu (O Maná). Aqui eles foram alimentados na região desértica de Decápolis, não com pão do céu, mas por uma intervenção do céu. Ali ele alimentara hebreus, aqui ele alimentou gentios. Isso apontava para algo grandioso que aconteceria: A graça de Deus expandindo e alcançando a nós, os gentios.
Esse encontro finda então, com Jesus os despedindo e partindo do local com seus discípulos (v.9-10).
v.11-13: Marcos cita que eles partiram para Dalmanuta no v.10, um nome um pouco estranho, mas há evidência arqueológica descoberta, numa caverna ao sul da planície de Genesaré, onde neste local fora encontrado o nome “Talmanuta”. A tese de Genesaré fica mais forte, pois esta caverna ficava do lado da Galileia.
Jesus então atravessa o mar e chega a outra margem. Ali fariseus o recepcionaram e puseram-se a discutir com ele. Tentaram-no, pedindo um sina do céu. Isto é, eles queriam provas de que Jesus era quem dizia ser.
Mateus acrescenta que junto aos fariseus estavam saduceus. Temos então, segundo Mateus, duas facções religiosas que são opostas, que se uniram contra Jesus. Os filhos das trevas são bem comprometidos, não?
Bom, do lado de lá em Decápolis, ele estava entre os gentios, agora ele está entre o judeus. Do lado de lá ele estava entre os que não haviam recebido um sinal do céu, mas entre estes sim. Quando os fariseus pedem um sinal do céu, eles estão pedindo um sinal, semelhante aos hebreu que se queixavam com Moisés afirmando que estavam com fome e receberam o Maná.
Mas ora, será que eles sinceramente queriam um sinal do céu? O que eles haviam testemunhado, ou mesmo ouvido de muitas fontes, não seria o suficiente? Eles pedem um sinal, mas não são estes que afirmaram que os sinais que Jesus fazia eram em nome do príncipe dos demônios?
As provas de Jesus não os convenciam, e as provas que eles davam como testemunho convenciam o Senhor de que eles eram hipócritas e impios, portanto o pedido era falso. Por isso Jesus “arrancou do íntimo do seu espírito um gemido”. As palavras deles eram de doer o coração.
Assim então o Senhor diz: “… a esta geração não se lhe dará sinal algum”. Segundo Mateus, no texto sinótico (Mt 12:38-42), eles receberão o sinal de Jonas. Onde os ninivitas redimidos julgarão esta geração dura de coração. Jesus os entrega ao destino que eles, pela dureza do coração escolheram.
v.14-21: Jesus então, “torna a embarcar e vai para o outro lado com os discípulos” (v.13). Este outro lado aqui é apontado no v.22 como sendo Betsaida, portanto eles continuam no mesmo lado por assim dizer. Eles não voltam para os gentios.
Mas eles estão a caminho de Betsaida. Até lá eles desenvolvem um diálogo. Jesus inicia os advertindo: “… guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes”. Você pode estar se perguntando, que fermentos são estes? Uma resposta simples é: a crença dos fariseus e dos hedorianos/saduceus (as pessoas associadas a Herodes). A crença dos fariseus era tradicionalista (baseada na tradição oral dos anciãos), a crença dos herodianos era secularista (vide Mc 6:17) e mais, associados aos herodianos estavam os saduceus, com um fermento que os discípulos deveriam ter muito cuidado: o ceticismo. Estes por exemplo não acreditavam na ressurreição e outras coisas mais; segundo Mc 12:18 e At 23:8.
Todas essas crenças, esses “fermentos” rodeavam os discípulos de Jesus. Poderiam influenciá-los. Mesmo que eles estivessem constantemente com o Senhor, eles deveriam cuidar do coração para não serem tomados por tais ideias.
Mas daí, não compreenderam o que Jesus disse sobre o fermento, parece que cabeça deles não estava ali, e mais, por não terem pão suficiente para os treze, começaram a discorrer (discutir) entre si: “É que não temos pão” (v.16). Jesus percebe isto e entra no diálogo com as seguintes palavras: (v.17-21).
Podemos parafrasear as palavras de Jesus da seguinte forma: “Vocês estão preocupados com isto? Discutindo sobre isso? Você acham que é sobre o pão alimenta o corpo? Vocês testemunharam dois milagres, onde pães e peixes foram multiplicados; ouviram o que declarei aos fariseus, herodianos e saduceus e ainda assim não entendem? Vocês tem o coração endurecido?”
Eles estavam diante daqu’Ele que possui as palavras que importam para eles, o único. Mais ninguém importava. Mas ainda assim a cabeça deles está no que era perecível. No pão material e não no que alimenta o coração. Eles estavam diante do próprio Deus e as vezes parece que não se davam conta disso. A cada passo que davam estavam em solo sagrado e não tiravam as sandálias.
TRANSIÇÃO:
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O texto nos apresenta um problema:
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PROBLEMA: SER INFLUENCIADO PELO MUNDO - TEXTO:
O Senhor adverte os discípulos contra o fermente dos fariseus, herodianos e saduceus. Contra o tradicionalismo, secularismo e ceticismo.
Hoje temos muitos desafios também e corremos o risco de sermos influenciados se não vigiarmos: o secularismo ainda está aí. O materialismo (que dialoga com o ceticismo dos saduceus) também está aí. Temos o consumismo, diferente deles aqui. O consumismo traz algumas pessoas à igreja com o intuito de receberem do Senhor, somente isso. E quando dão algo, é para receber o dobro.
Temos que ter muito cuidado com o mundo e suas influências.
Como isso pode acontecer? Até mesmo dentro de templos. Pessoas que se assumem a posição de lideres religiosos, as vezes são levadas a isso por cobiça. Por desejo de poder.
Isso tudo é influência do mundo, que acontece dentro dos templos. No meio do povo de Deus. A teologia da prosperidade é um grande exemplo disso (maldição por não ofertar etc).
TRANSIÇÃO: Precisamos lutar para não sermos influenciados pelo mundo.
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RESOLUÇÃO: ABRIR OS OLHOS - TEXTO:
As perguntas de Jesus no barco, nos ajudam a ter um norte:
“Por que você discute sobre o não ter pão”? Alguém que crê na teologia da prosperidade pensaria: “Talvez eu não tenho pão por não ofertar o suficiente”.
Outra pergunta: “Não vos lembrais de quando parti os cinco pães…? E quando parti os sete pães…?” (v.18b-20). Alguém que é consumista e o seu prazer esta em gastar, gastar, gastar, quando faltar, será que vai lembrar de tudo o que o Senhor lhe deu?
Como resolver isto? Abrindo os olhos! Vendo ao redor. Na Escritura e na sua história particular. O que o Senhor tem feito?
Confronte o seu próprio coração quando a dúvida surgir.
TRANSIÇÃO: Por isso, para fugir do fermento do mundo precisamos abrir os olhos.
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RESPOSTA: FIQUE PERTO DO SENHOR - TEXTO:
Os gentios ouviram o Senhor, ao ponto de fazerem jejum.
Os fariseus, saduceus e herodianos pediram sinais. O Senhor os entregou ao próprio coração.
Como parece a sua caminhada espiritual?
Ah! Eu conheço muito de teologia. Alguém já disse que falar sobre Deus não é falar com Deus. Portanto, conhecer teologia não é necessariamente estar perto do Senhor. Obvio que se você conhece uma má teologia você já está distante do Senhor por mérito. O Deus da teologia da prosperidade não é o mesmo Deus bíblico.
Mas entenda que, alguém pode ser um bom calvinista e ainda assim não ser um discípulo de Jesus. Os discípulos ficam perto. O seu prazer é estar perto d’Ele.
Por isso, a resposta que devemos dar a graça do Senhor sobre nós é: ficar perto d’Ele e cada vez mais nos aproximarmos.
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CONCLUSÃO:
Em...
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