Alcançados Pela Graça

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Alcançados pela Graça: Sou Grato!
2 Coríntios 8:1-12
Agora, irmãos, queremos que vocês tomem conhecimento da graça que Deus concedeu às igrejas da Macedônia. No meio da mais severa tribulação, a grande alegria e a extrema pobreza deles transbordaram em rica generosidade. Pois dou testemunho de que eles deram tudo quanto podiam, e até além do que podiam. Por iniciativa própria eles nos suplicaram insistentemente o privilégio de participar da assistência aos santos. E não somente fizeram o que esperávamos, mas entregaram-se primeiramente a si mesmos ao Senhor e, depois, a nós, pela vontade de Deus. Assim, recomendamos a Tito, visto que ele já havia começado, que completasse esse ato de graça da parte de vocês. Todavia, assim como vocês se destacam em tudo: na fé, na palavra, no conhecimento, na dedicação completa e no amor que vocês têm por nós, destaquem-se também neste privilégio de contribuir. Não lhes estou dando uma ordem, mas quero verificar a sinceridade do amor de vocês, comparando-o com a dedicação dos outros. Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos.
Este é meu conselho: convém que vocês contribuam, já que desde o ano passado vocês foram os primeiros, não somente a contribuir, mas também a propor esse plano. Agora, completem a obra, para que a forte disposição de realizá-la seja igualada pelo zelo em concluí-la, de acordo com os bens que vocês possuem. Pois se a prontidão estiver ali, a oferta é aceitável até onde uma pessoa a possui, não até onde ela não a tem.
2 Coríntios 8:1-12
Objetivo: Demonstrar, através dos conselhos de Paulo, que a contribuição é uma atitude que nasce de corações agradecidos pela graça do Senhor.
Para início de conversa:
Você deve estar se perguntando: O que nos leva a pensar em um tema, como o citado acima, para uma campanha de missões, já tradicional em nossa convenção?
É certo que vivemos dias de ingratidão, de egocentrismo, de sincretismo e individualismo; sem contar outros aspectos bem negativos que marcam a nossa geração. Diante disso, o objetivo desta lição não será apenas criar uma oportunidade para ofertar, mas mostrar como a ingratidão é prejudicial; e, que, uma vez alcançados pela graça de Cristo, passemos a compreender a dádiva de contribuir com gratidão.
Analisando o tema:
A ingratidão é considerada pelos maiores estudiosos do mundo a mais terrível, inatural e maléfica atitude de um ser humano. A pessoa ingrata tem o senso de ter direito e merecimento. Com efeito, acha-se importante, torna-se arrogante, egoísta, vaidosa e necessita ser admirada. Logo, acredita que os outros – mesmo sem motivo – lhe deve obrigação. Por isso, ela não tem consciência do bem, favor ou graça recebida.
A ingratidão é uma das razões pelas quais as pessoas se tornam amarguradas nos relacionamentos pessoais ou profissionais. O fato de não serem reconhecidas nem valorizadas pelos seus empenhos e esforços gera raiva e inconformismo em relação ao outro. Apesar de tudo o que recebem, os ingratos não dizem nem ao menos “obrigado”. São incapazes de reconhecer o empenho e as energias despendidas quando precisam de outras pessoas.1
A ingratidão faz a pessoa olhar apenas para si mesma; além disso, seus sentimentos e ações se voltam para si, pois, seu desejo é ter reconhecimento. Ela acaba se tornando o centro da sua própria vida. O texto que vamos refletir nos ensina alguns princípios valiosos para a vida do cristão, como a gratidão - gerada pela graça de Deus - que afeta à nossa maneira de enxergar e viver a vida.
Alcançados pela graça, sou grato e tenho uma nova consciência. V.1-4
Um dos principais propósitos da terceira viagem missionária de Paulo foi recolher uma "oferta especial" aos cristãos necessitados da Judéia. Paulo já os havia ajudado dessa maneira anteriormente (At 11:27-30), e se alegrou em poder fazê-lo novamente. Além da assistência material aos pobres, Paulo tinha outras bênçãos em mente. Desejava que essa oferta fortalecesse a unidade da Igreja pela partilha de recursos dos gentios com as congregações de judeus do outro lado do mar. 2
Os versículos 1-4 mostram que Paulo traz como exemplo as igrejas da Macedônia; mesmo em meio a sua pobreza desejaram contribuir com os irmãos da Judéia. As três igrejas que Paulo fundou na Macedônia foram as de Filipos, Tessalônica e Bereia (At 16.12–40; 17.1–12). Dessas congregações, Filipos ajudou financeiramente a Paulo várias vezes enquanto ele esteve em Tessalônica e, mais tarde, quando foi prisioneiro domiciliar em Roma (Fp 4.16–18).3
No versículo 1, Paulo fala de algo que Deus derramou sobre essas igrejas; e, aqui está o centro de tudo aquilo que vamos refletir, pois, eles não estavam agindo assim por conta própria; não era uma motivação humana apenas, mas, algo havia acontecido na vida deles, que os levaram, mesmo em meio a tempos difíceis, a não olharem apenas para si mesmos, mas também para o próximo.
Esses irmãos foram impactados pela graça de Deus. O evangelho havia chegado com poder em suas vidas (1Ts 1.5); e, essa graça que Paulo descreve neste texto, diz respeito ao efeito e resultados que foram produzidos na vida desses irmãos em questão: a abundância de alegria e a riqueza de generosidade (v.2). Podemos dizer que isso gera gratidão, porque o que Deus fez por nós e os benefícios que sua Graça produz em nossas vidas, a única resposta que temos mediante a isso é sermos gratos; esses irmãos valorizavam mais aquilo que haviam recebido do que suas próprias necessidades; eles eram gratos a Deus e isso os levaram a agir dessa forma.
Falando sobre necessidade e contribuição, a visão de muitos - pensando em termos do homem natural - quando se está passando por necessidade, é tender a olhar para si mesmo, se preocupar em como resolver sua própria situação e, com isso, o ato de contribuir seja para o reino de Deus ou para auxiliar alguém se torna um desafio enorme. Paulo faz questão de expressar a atitude desses irmãos, pois, estavam em profundas necessidades; por outro lado, os irmãos de Corinto não estavam nas mesmas condições e estavam negligenciando sua contribuição.
Lembre-se, a graça de Deus é a maior dádiva que já recebemos; ela produz vários benefícios em nossa vida e gera em nós um coração agradecido; e essa gratidão nos levará a olhar para a vida assim como os macedônios, que mesmo em crise, sempre contribuíram e foram generosos segundo a medida da sua realidade. Portanto, a consciência que a graça produz na mente do cristão é de olhar para as coisas materiais como recursos que Deus nos dá, tanto para desfrutarmos quanto para podermos ser benção na vida de outros; além disso, sermos engajados, também, com as nossas finanças no Reino.
Para Refletir: O que significa ter uma nova consciência?
2. Alcançados pela graça, sou grato e entrego toda minha vida a Cristo. V. 5-9
Nestes versículos, Paulo continua falando dos macedônios. O interessante é que, só o fato de pedirem para contribuir estando em extrema pobreza já demonstra uma grande atitude de graça. Eles estavam tão agradecidos a Deus pela obra em suas vidas que, o efeito da graça de Deus superabundou tanto que excederam as expectativas de Paulo. “Ele esperava deles um grau ordinário de disposição, semelhante ao que todo cristão deve manifestar; porém, excederam suas expectativas; porquanto, não só puseram seus recursos à disposição, mas se prontificaram a dar-se a si mesmos. Deram-se a si mesmos, primeiramente ao Senhor, depois a nós”. 4
Quando compreendemos a graça de Deus e seus efeitos em nossa vida, com um coração agradecido, nos entregamos ao Senhor e à sua obra. Quando isso acontece, não temos dificuldade de contribuir com o Reino de Deus e com o próximo. É justamente esse exemplo que nos trazem os irmãos macedônios. Segundo o relato de Paulo os irmãos da Macedônia viviam em sérias dificuldades “No meio da mais severa tribulação, a grande alegria e a extrema pobreza deles transbordaram em rica generosidade” (2 Co 8.2); porém isso não os impedia de demonstrar essa atitude tão necessária em todos os tempos, a gratidão, neste caso é expressada através da contribuição.
O texto deixa muito claro que, a igreja de Corinto é agraciada com muitos dons. Os irmãos daquela comunidade se destacavam em sua fé, palavra, conhecimento, dedicação e amor; porém, esta igreja estava sendo negligente com a sua contribuição; e, quando olhamos para o pano de fundo daquilo que esta igreja estava vivendo, conseguimos entender as suas motivações, pois, haviam vários problemas no meio da igreja. A visão de alguns havia se voltado para si, buscando seus próprios interesses, gerando divisões no corpo de Cristo. Em algum momento, eles desviaram o olhar de Cristo, e, quando isso acontece muitos prejuízos espirituais vem como consequência.
Pensando sobre isso, na questão da contribuição, se o nosso olhar é dirigido apenas para nós mesmos, isso sempre nos impedirá de sermos generosos, “pois o que nos torna mais avarentos do que deveríamos é o fato de que somos demasiadamente precavidos; imaginamos e olhamos demais para os prováveis perigos que nos poderão ocorrer; e, por isso, nos tornamos excessivamente cautelosos e cuidadosos, calculando muito petulantemente quanto precisamos para toda a vida e quanto perdemos, quando uma porção mínima é tirada de nós. Mas aquele que depende da bênção do Senhor tem seu espírito livre dessas preocupações tolas, enquanto, ao mesmo tempo, tem suas mãos livres para a prática da benevolência”.5
A graça de Deus tem o poder de alterar os caminhos que traçamos para a vida, pois, ela gera uma gratidão tão grande a esse Deus que nos salvou sem merecermos e essa gratidão nos faz olhar para a vida de outra forma. Enquanto muitos tem se entregado para os vícios, para os prazeres carnais pecaminosos, para as ambições egoístas, nós, que fomos alcançados pela graça, entregamos de uma forma consciente a nossa vida a Deus e à sua obra, e isso nos satisfaz. O dinheiro não se torna mais um ídolo, os prazeres carnais pecaminosos não nos dominam e nossas ambições são transformadas, pois, nãos viveremos para nós mesmos, mas para aquele que nos redimiu e derramou em abundância de sua graça em nossas vidas.
Paulo finaliza essa parte trazendo o grande motivo e exemplo para a generosidade na contribuição. Ele traz a graça e vida de Cristo como parâmetro para eles. Isso o leva, no versículo 9, a fazer a igreja olhar para Jesus. Ele os lembra da graça de Cristo e de como foi a sua ação e propósito aqui na terra, para que, assim, eles pudessem ter uma motivação a mais para contribuir; “Jesus é sempre o exemplo supremo a ser seguido pelo cristão em seu serviço, sofrimento e vida. Como Jesus, os cristãos da Macedônia entregaram-se a Deus e aos outros (2 Co 8:5). Se nos entregarmos a Deus, não teremos dificuldade em consagrar ao Senhor nossos bens materiais e em dedicar a vida aos outros. É impossível amar a Deus e ignorar a necessidade do próximo. Jesus entregou-se por nós (Gl 1:4; 2:20). Acaso não devemos nos entregar a ele? Cristo não morreu por nós para que vivêssemos para nós mesmos, e, sim, para que vivêssemos para ele e para os outros (2 Co 5:15)”.6
Para Refletir: Olhando para exemplos dos macedônios, você pode dizer que entregou toda a sua vida a Cristo?
3- Alcançados pela graça, sou grato e contribuo com o Reino. V.10-11
Quando Paulo mencionou aos coríntios o assunto da coleta, eles responderam favoravelmente e se dispuseram a dar. Estavam entre os primeiros a fazer isso. Mas, depois da resposta inicial, que foi exemplar e digna de louvor, o conflito com um ofensor na igreja (2.5–11; 7.8–9) fez com que o entusiasmo diminuísse. Por causa de suas dificuldades, eles demoraram e outros tomaram a frente (v. 1–2; Rm 15.26–27). Tinham começado e “até expressaram o desejo de fazê-lo”. Portanto, o projeto em Corinto teve de ser reiniciado. Sempre que uma congregação reunida exemplifica amor, harmonia e unidade, sua contribuição a várias causas cresce. Mas a discórdia atrapalha e até mata o desejo de contribuir.7
Nestes versículos vemos que, a intenção de Paulo é trazer à memória da igreja como havia sido sua resposta inicial ao ato de contribuir, para que isso os levasse a reacender a atitude de contribuir. Ele ainda menciona que os irmãos tinham o desejo, mas, era necessário pôr isso em prática; e, ele deixa claro que, contribuir pela graça é um gesto que deve vir de um coração disposto e não pode ser resultado de coerção nem de constrangimento. A lição que aprendemos diante disso é que, todas as vezes que deixamos de olhar para a graça de Deus, muitos problemas começam a se infiltrar no meio da igreja, pois, motivações pessoais, egoístas, carnais começam a tomar conta do nosso coração nos levando a ingratidão e esfriando nossas ações para com o reino de Deus; isso havia acontecido com a igreja de Corinto, e, Paulo vem através da graça de Deus redirecionar a visão, motivação e propósito dessa igreja, a fim de levá-los a entender a dádiva que há na contribuição pela graça segundo suas posses, de um coração agradecido pela obra maravilhosa de Deus em suas vidas.
Para Refletir: O que deve motivar a nossa contribuição?
Conclusão
Segundo o versículo 12, fica evidente que, o ato de contribuir deve partir de uma boa disposição, mas, ao mesmo tempo, vemos que apenas a boa disposição não é suficiente, pois, a igreja de corinto tinha o desejo de contribuir, mas não o havia realizado; por isso, Paulo os direciona a praticar a contribuição.
Mediante esse versículo podemos concluir que, o que é aceitável a Deus não é apenas a contribuição, mas a disposição de um coração agradecido a Deus em contribuir com alegria segundo as suas posses. Deus não quer que passemos fome ou necessidades para alimentar outros. O que Deus espera é que a sua graça atue em nossa vida para que, assim, não continuemos a ser egoístas, avarentos ou idólatras do dinheiro, mas pelo contrário, Ele espera que tenhamos sempre um coração disposto a contribuir, pois, há muito mais alegria em dar do que receber. Que sejamos engajados na contribuição com o Reino, com gratidão.
Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.
E Deus é poderoso para fazer que lhes seja acrescentada toda a graça, para que em todas as coisas, em todo o tempo, tendo tudo o que é necessário, vocês transbordem em toda boa obra”.
2 Coríntios 9:7,8
Bibliografia
1 (https://isiinfinity.com.br/a-dor-da-ingratidao/)
2 Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo : Novo Testamento : volume I / Warren W. Wiersbe ; traduzido por Susana E. Klassen. - Santo André, SP : Geográfica editora, 2006.
3 Simon Kistemaker, 2 Coríntios, trans. Helen Hope Gordon Silva, 2a edição., Comentário do Novo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014), 332.
4 João Calvino, 2 Coríntios, ed. Franklin Ferreira e Wellington Ferreira, trans. Valter Graciano Martins, Primeira Edição., Série Comentários Bíblicos (São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2008), 210.
5 João Calvino, 2 Coríntios, ed. Franklin Ferreira e Wellington Ferreira, trans. Valter Graciano Martins, Primeira Edição., Série Comentários Bíblicos (São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2008), 208.
6 Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo : Novo Testamento : volume I / Warren W. Wiersbe ; traduzido por Susana E. Klassen. - Santo André, SP : Geográfica editora, 2006.
7 Simon Kistemaker, 2 Coríntios, trans. Helen Hope Gordon Silva, 2a edição., Comentário do Novo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014), 349–350.
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