Daniel 5
Olhando de fora, esse era um glorioso evento, cheio de pompa e circunstância, ao qual mil de seus nobres foram convidados para beber vinho com o rei (Dn 5.1). Historiadores gregos, como Heródoto, registram vários desses pródigos banquetes da parte dos babilônios, e esse foi um dos melhores. Todos estavam vestidos com suas mais finas roupas e as mesas estavam ornamentadas com talheres de prata. No entanto, por concentrar nossa atenção nesta festa elaborada como o único evento que vale a pena mencionar em seu relato, o narrador salienta sutilmente o vazio do resto da vida de Belsazar. Diferentemente de seu ilustre predecessor, o rei Nabucodonosor, que destruiu e pilhou cidades (Dn 1.2), fez grandes estátuas (Dn 3) e construiu as maravilhas da Babilônia (4.30), a única coisa que Belsazar podia fazer era um banquete. O anterior formou um império, enquanto o último planejava festas. Até mesmo as peças centrais do banquete de Belsazar – os cálices de ouro que foram trazidos do templo de Jerusalém – foram trazidas por Nabucodonosor e não por Belsazar (1.2). A única contribuição de Belsazar foi profanar aqueles sagrados e preciosos cálices da casa do Senhor, usando-os em um banquete no qual louvava seus próprios deuses – deuses feitos de ouro, prata, bronze, ferro, madeira e pedra (5.3–4).
Daniel enumera quatro razões em seu confronto. Em primeiro lugar, ele confrontou Belsazar porque ele deixou de reconhecer que Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre o reino dos homens (Dn 5.18–21). Foi Deus quem deu o reino, grandeza e poder a Nabucodonozor (v. 18). A grandeza da Babilônia não era conquista de seus reis, mas dádiva de Deus. Nabucodonozor demorou muitos anos para entender isso. Mas seu filho, ainda não está reconhecendo. E, por isso, é confrontado.
Em segundo lugar, porque Belsazar deixou de se humilhar diante de Deus, a despeito de exemplo tão forte dentro da sua própria casa (Dn 5.22). Quanto mais luz temos, mais responsáveis somos. Ele viu o que aconteceu com o rei Nabucodonozor, indo comer capim com os bois, porque endureceu sua cerviz. A despeito de tantos exemplos, esse rei ainda mantém seu orgulho, sua soberba e sua incredulidade. O rei está tão cego que ainda não consegue enxergar sua ruína. Faz promessas aos sábios da Babilônia (v. 7) e a Daniel (v. 16) que não pode cumprir. Ele ainda pensava que podia honrar aqueles que lhe prestassem favores, sem saber que naquela noite morreria e seu império estaria nas mãos de outro rei. Belsazar foi condenado por seu orgulho. Aquele que não adora a Deus acaba adorando a si mesmo ou a outros deuses.
Em terceiro lugar, porque Belsazar fez um mau uso do conhecimento que recebera (Dn 5.22). O conhecimento das coisas de Deus nos torna responsáveis. O rei pereceu não por falta de luz, mas por cegueira deliberada. Ele morreu não por ignorância, mas por rebeldia.
Em quarto lugar, porque Belsazar afrontou a Deus em cujas mãos estava sua vida (Dn 5.23). Ele profanou os vasos do templo. Deu louvores aos deuses de ouro e pedra e não exaltou a Deus, em cujas mãos estava sua vida. A idolatria é uma afronta a Deus, é levantar-se contra o Senhor.
