A ceia do Senhor (2)

Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 123 views
Notes
Transcript
A ceia do Senhor é instituída Mateus (26.26–30)
· A Páscoa chega ao seu fim.
· Ela foi feita para culminar na ceia do Senhor
· a Páscoa aponta para o sacrifício de Cristo prospectivamente;
· a ceia do Senhor aponta para ele retrospectivamente.23
· Não há mais necessidade de sacrificar cordeiros, pois o cordeiro sem defeito e sem mácula, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, será imolado, como um sacrifício único, perfeito, eficaz e irrepetível.
· Jesus institui o sacramento da ceia como memorial de sua morte, até a sua gloriosa volta. A nova aliança é inaugurada. Um novo pacto passa a vigorar. Alguns pontos devem ser destacados, como vemos a seguir.
Em primeiro lugar, os símbolos do pacto (26.26,27).
· Jesus abençoa e parte o pão, toma o cálice e dá graças.
· Pão e vinho são os símbolos de seu corpo e de seu sangue.
· Com esses dois elementos, Jesus instituiu a ceia do Senhor.
· O sacramento é o símbolo visível de uma graça invisível.
· Por meio do pão e do vinho, contemplamos o corpo e o sangue de Cristo e nos apropriamos pela fé de seus benefícios.
A linguagem da nova aliança aqui é a única referência à nova aliança nos sinóticos (26.28; Mc 14.24; Lc 22.20).
Ela foi adotada também por Paulo como uma referência ao evangelho (1Co 11.25; 2Co 3.6). O derramamento do sangue indica para nós a morte de Jesus na cruz, na qual uma nova aliança será inaugurada.
Sua morte iminente substituirá os sacrifícios da lei antiga como novo modo de aproximação de Deus.
Olhando os demais evangelhos sinóticos, encontramos cinco verdades preciosas sobre a ceia do Senhor, que comentamos a seguir.
Primeiro, a ceia do Senhor é uma ordenança(Lc 22.19). Fazei isto… Até que Jesus volte, a igreja deve comer o pão e beber o cálice em memória de Cristo.
Segundo, a ceia do Senhor é uma comemoração(Lc 22.19). … em memória de mim. O sacramento da ceia é para recordamos quem Jesus foi, o que Jesus fez por nós e o que Jesus representa para nós.
Terceiro, a ceia do Senhor é um agradecimento(26.26,27; Lc 22.19). Mateus destaca que Jesus abençoou o pão e, ao tomar o cálice, deu graças. Lucas registra: E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiuJesus não parte o pão, símbolo de sua dolorosa morte, com lamentos e gemidos, mas com ações de graças.
Quarto, a ceia do Senhor é uma comunhão(26.26; Lc 22.19). … Isto é o meu corpo oferecido por vós… Jesus se refere a uma coletividade. A igreja deve se reunir para celebrar a ceia. É um ato comunitário.
Quinto, a ceia do Senhor é uma garantia(26.28; 22.20). Mateus diz que o sangue é derramado em favor de muitos, e não de todos, para remissão de pecados.
Lucas registra: Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós.
O sangue da nova aliança lembra Êxodo 24.8,em que o aspergir do sangue era um sinal de que o povo estava incluído no relacionamento proposto pela aliança.
Jesus inaugura a nova aliança em seu sangue (Jr 31.31). Somos aceitos não por aquilo que fazemos para Deus, mas por aquilo que ele fez por nós. Pelo sangue, temos livre acesso à presença de Deus.
O significado da ceia do Senhor tem sido motivo de acirrados debates na história da igreja. Não é unânime o entendimento desses símbolos. Há quatro linhas de interpretação, como vemos a seguir.
A transubstanciação. A Igreja Romana crê que o pão e o vinho se transubstanciam na hora da consagração dos elementos e se transformam em corpo, sangue, nervos, ossos e divindade de Cristo.
A consubstanciação. A Igreja Luterana crê que os elementos não mudam de substância, mas Cristo está presente fisicamente nos elementos e sob os elementos.
O memorial. O reformador Zuínglio entendia que os elementos da ceia são apenas símbolos e que ela é apenas um memorial para nos trazer à lembrança o sacrifício de Cristo.
O meio de graça. O calvinismo entende que a ceia é mais do que um memorial; é também um meio de graça, de tal forma que somos edificados pela participação na ceia, pois Jesus está presente espiritualmente, e nos alimentamos espiritualmente dele pela fé.
Em segundo lugar, o significado do pacto (26.28).
O que Jesus quis dizer quando afirmou: Isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados?
A palavra “aliança”, ou “pacto”, é comum na religião judaica.
A base da religião judaica consistia no fato de Deus ter entrado num pacto com Israel.
A aceitação do antigo pacto está registrada em Êxodo 24.3–8. O pacto dependia inteiramente de Israel guardar a lei.
A quebra da lei implicava a quebra do pacto entre Deus e Israel. Era uma relação totalmente dependente da lei e da obediência à lei. Deus era o juiz.
E, posto que ninguém podia guardar a lei, o povo sempre estava em débito.
Mas Jesus introduz e ratifica um novo pacto, uma nova classe de relacionamento entre Deus e o homem.
E esse pacto não depende da lei, mas do sangue que Jesus derramou.
O antigo pacto era ratificado com o sangue de animais, mas o novo pacto é ratificado no sangue de Cristo.
A nova aliança está firmada no sangue de Jesus, derramado em favor de muitos.
Na velha aliança, o homem buscava fazer o melhor para Deus e fracassava.
Na nova aliança, Deus fez tudo pelo homem. Jesus se fez pecado e maldição por nós. Seu corpo foi entregue, seu sangue foi vertido. Ele levou sobre o seu corpo, no madeiro, nossos pecados.
A redenção não é universal. Ele derramou seu sangue para remir a muitos, e não para remir a todos (Is 53.12; 1.21; 20.6; Mc 10.45; Jo 10.11,14,15,27,28; 17.9; At 20.28; Rm 8.32–35; Ef 5.25–27). Se fosse para remir a todos, ninguém poderia se perder.
A morte de Cristo foi vicária, substitutiva.
Ele não morreu para possibilitar a salvação do seu povo; ele morreu para efetivá-la (Ap 5.9).
Em terceiro lugar, a consumação do pacto (26.29,30).
A ceia do Senhor aponta para o passado, e ali vemos a cruz de Cristo e seu sacrifício vicário em nosso favor.
Mas ela também aponta para o futuro, e ali vemos o céu, a festa das bodas do cordeiro, quando ele vai nos receber como Anfitrião para o grande banquete celestial.
A ênfase está na reunião festiva com ele, e não na duração ou dificuldade do tempo de espera.
O Crucificado, agora ressurreto, glorificado e entronizado, será o centro do banquete que Deus vai oferecer (Is 25.6; 65.13; Ap 2.7), e o sem-número de ceias desembocará na ceia das bodas do cordeiro (Ap 19.9).
A ceia do Senhor não é um sacrifício, mas é uma cerimônia eminentemente celebrativa.
Não é um funeral, mas uma festa.
Não é apenas uma lembrança, mas um meio de graça.
Não pode ser interrompida ao longo dos anos; deve ser realizada até que Jesus volte.
Jesus estava com uma canção em seus lábios quando se encaminhou para aquela mais sombria hora, na qual travaria, para a nossa redenção, uma luta de sangrento suor.[1]
[1]Hernandes Dias Lopes, Mateus: Jesus, o Rei dos Reis, 1‍a edição., Comentários Expositivos Hagnos (São Paulo: Hagnos, 2019), 749–754.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.