A Volta do Rei

A Missão do Rei  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 76 views
Notes
Transcript

Introdução

Hoje daremos continuidade o que começamos aprender na semana passada, nossa reflexão na segunda metade do que chamamos do sermão escatológico de Jesus.Quando o Rei Jesus fala sobre o fim dos tempos.
Imagine um antigo relógio de areia, onde os grãos escorrem lentamente de uma ampulheta à outra. Cada grão que cai simboliza um momento no tempo, uma geração que passa, um evento que acontece. Agora, imagine que esse relógio de areia represente a história humana. De um lado, temos o início dos tempos, a criação, os patriarcas, os profetas. Do outro, o tempo do fim, o cumprimento final de todas as promessas e profecias.
Porém, no meio dessa "passagem de areia", temos um ponto crítico, um momento decisivo que muda o curso da história: a vinda de Cristo, Sua morte e ressurreição. Esse momento divide a ampulheta da história em dois: tudo que veio antes, e tudo que virá depois. O que estamos esperando não é uma nova ampulheta, mas a conclusão da que já está em andamento.
Marcos 13:24-37 nos fala sobre esse "depois", sobre a expectativa e a esperança que temos enquanto aguardamos a segunda vinda de Cristo. Não estamos à espera de um reinado milenar literal de Cristo na Terra antes do fim (Sob a perspectiva amilenista), mas sim, vemos o reino de Cristo se manifestando em sua Igreja e através de sua Igreja enquanto aguardamos sua vinda final.
Então, à medida que nos aprofundamos neste texto, vamos explorar como podemos viver nesse "meio-tempo", entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, com expectativa, esperança e fidelidade.
Marcos 13.24–37 NAA
24 — Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, 25 as estrelas cairão do firmamento e os poderes dos céus serão abalados. 26 Então verão o Filho do Homem vindo nas nuvens, com grande poder e glória. 27 E então ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu. 28 — Aprendam, pois, a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, vocês sabem que o verão está próximo. 29 Assim, também vocês, quando virem acontecer essas coisas, saibam que está próximo, às portas. 30 Em verdade lhes digo que não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. 31 Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão. 32 — Mas a respeito daquele dia ou da hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai. 33 — Estejam de sobreaviso e vigiem, porque vocês não sabem quando será o tempo. 34 É como um homem que, ausentando-se do país, deixa a sua casa, dá autoridade aos seus servos, a cada um a sua obrigação, e ao porteiro ordena que vigie. 35 Portanto, vigiem, porque vocês não sabem quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã; 36 para que, vindo ele inesperadamente, não encontre vocês dormindo. 37 O que, porém, digo a vocês, digo a todos: vigiem!
Jesus então fala sobre essa segunda metade da história ate a sua volta, inclsuive enfatiza a tribulação do fim dos tempos. Esse tema gera até hoje um grande debate sobre a sequência desses fatos,e os cristãos se dividem em algumas correntes:
Pós-milenismo: O pós-milenismo acredita que o mundo gradualmente se tornará mais cristão e que a igreja estabelecerá um reino terrestre de mil anos, após o qual Cristo retornará. Em contraste, Marcos 13:24-37 não pinta um quadro de um mundo progressivamente cristianizado antes da volta de Cristo. Em vez disso, descreve um cenário de caos e tribulação, seguido pelo retorno triunfante de Cristo.
Pré-milenismo: O pré-milenismo defende que Cristo retornará antes de um reino literal de mil anos. No entanto, a perspectiva amilenista argumentaria que Marcos 13 não separa o retorno de Cristo de seu julgamento final. Eles acontecem quase simultaneamente. Não há um período de mil anos entre eles.
Dispensacionalismo: O dispensacionalismo, uma forma de pré-milenismo, vê um futuro reino terrestre de Israel separado da igreja. Eles veem uma distinção clara entre Israel e a igreja nas promessas de Deus. Neste caso, a grande questão é que a bíblia fala que a igreja será arrebatada na vinda de Cristo, logo o arrebatamento da igreja não pode estar desassociado do fim de todas as coisas. Não há respaldo bíblico para duas vindas nem um arrebatamento secreto (legal para filme e adesivo de carro).
No entanto, a perspectiva amilenista vê a igreja como o verdadeiro Israel, o povo de Deus na nova aliança. Em Marcos 13, não há indicação de um plano dual para a igreja e Israel; em vez disso, o foco está no retorno de Cristo para julgar e redimir. A perspectiva amilenista sugere que não haverá um reino terrestre literal de mil anos após o retorno de Cristo, como algumas outras visões defendem. Em vez disso, o "milênio" é visto simbolicamente, representando a atual era da igreja desde a primeira vinda de Cristo até a segunda. Durante este tempo, Cristo está reinando espiritualmente no coração dos crentes e através de sua igreja.
Nas não é um problema essas diferentes visões, é um ensino secundário, desde que todas concordem em alguns fatos:
A Volta de Cristo: Todos os cristãos ortodoxos creem que Jesus Cristo retornará pessoal e visivelmente. A natureza e o timing deste retorno são debatidos entre as diferentes visões escatológicas, mas o fato de que Ele retornará é uma crença central.
A Ressurreição dos Mortos: No final dos tempos, todos os mortos serão ressuscitados. Os justos serão ressuscitados para a vida eterna e os ímpios para o julgamento.
O Julgamento Final: Haverá um julgamento final onde todos serão julgados por Cristo. Os justos receberão a vida eterna, enquanto os ímpios serão condenados ao castigo eterno.
A Nova Criação: Deus criará novos céus e uma nova terra onde a justiça habitará e onde não haverá mais sofrimento, dor ou morte.
A Vitória Final sobre o Mal: No final dos tempos, Deus triunfará completamente sobre o mal, o pecado e a morte.
A Continuidade da Igreja: A Igreja, como o corpo de Cristo, tem um papel eterno no plano divino e continuará a existir de alguma forma na nova criação.
A Necessidade de Vigilância: Independentemente das diferentes interpretações escatológicas, todos os cristãos são chamados a viver em um estado de preparação e vigilância, aguardando o retorno de Cristo.
Estes são os pontos fundamentais que a maioria dos cristãos ortodoxos concorda quando se trata de escatologia. Naturalmente, quando se entra em detalhes mais específicos (como a natureza do milênio, a sequência de eventos do fim dos tempos, etc.), surgem divergências entre as diferentes tradições e denominações cristãs. No entanto, esses fundamentos permanecem consistentes através dessas diferenças.
E todas essa visões também concordam com três fatos fundamentais exposta por Jesus nesse texto:

Jesus virá novamente para reunir seu povo - Marcos 13:24-27

Jesus emprega vocabulário e imagens do fim dos tempos, ou escatológicos, nesses versículos. O fato de Jerusalém não ser mencionada é um sinal de morte para aqueles que aplicariam esses versículos à sua destruição no ano 70 d.C. Jesus diz: “Naqueles dias”. Que dias? Os dias “depois daquela tribulação” (v. 24). Depois desses dias, sinais cósmicos e apocalípticos ocorrerão (Estão descritos em Apocalípse 6): (1) o sol escurecerá, (2) a lua não dará sua luz e (3) as estrelas cairão do céu e os poderes nos céus serão abalados. A convulsão cósmica final e o julgamento universal sinalizarão que o fim chegou. No céu e na terra, o cosmos será abalado enquanto Deus se prepara para julgar na pessoa do Filho.
Nosso trabalho de amor por nosso Senhor não é em vão. Jesus virá novamente para reunir Seu povo. Que dia de celebração será esse. Nosso Senhor, o Filho do Homem, trará à terra o reino que recebeu do Pai.

Jesus voltará e o tempo está próximo - Marcos 13:28-31

Jesus se esforça para ampliar o que acabou de ensinar com a ilustração de uma figueira. A partir disso Jesus faz uma afirmação teológica: “Da mesma forma, quando vocês virem essas coisas acontecendo, saibam que Ele está próximo – às portas!” Os eventos do capítulo 13, especialmente os versículos 14-25, nos alertam que os assuntos da história mundial estão caminhando para um fim culminante. Esses sinais nos avisam “Ele”, isto é
Jesus, o Filho do Homem, “está próximo”, pronto para atacar o pecado, Satanás, a morte, o inferno e a sepultura. O Anticristo (v. 14) e seus falsos profetas (v. 22) estão prestes a encontrar seu destino (cf. Apocalipse 19:19-21). Então, Jesus lança uma bomba interpretativa no versículo 30: “Asseguro-vos: esta geração certamente não passará até que todas estas coisas aconteçam”. A questão é: quem é “esta geração”? A resposta não é simples, e a forma como você entende e interpreta outras partes de Marcos 13 influenciará a forma como você responderá à pergunta. Quais são as principais opções?
A geração contemporânea dos dias de Jesus que veria a destruição de Jerusalém em 70 d.C.
A geração escatológica que estará viva no final da história, que verá todas essas coisas porque elas ocorrem próximas umas das outras
O povo judeu, com a palavra “geração” sendo entendida como significando “raça” – uma raça específica de pessoas
A geração dos dias de Jesus que veria a vinda do reino
Se Jesus pretendia o número 4, infelizmente Ele estava errado e foi morto no processo de tentar introduzir o reino. É claro que esse cenário é inaceitável. Acredito que o melhor entendimento seja o número 2. “Esta geração” refere-se àqueles que verão todas essas coisas ocorrerem em rápida sucessão pouco antes de Jesus voltar.
A frase “passará” é repetida no v. 31. O templo cairá em ruínas. A história chegará ao fim. Os presentes céu e terra darão lugar a “um novo céu e uma nova terra” (ver Apocalipse 21:1). Mas as palavras de Deus nunca passarão. Nada é tão verdadeiro, estável, permanente e permanente como a palavra de nosso Senhor. Aqui está um alicerce firme sobre o qual podemos permanecer para sempre.

Jesus voltará, mas só Deus sabe quando - Marcos 13:32-37

Jesus está falando claramente de Sua vinda novamente (vv. 26-27). Ele afirma claramente que “ninguém sabe” quando isso acontecerá, “nem os anjos no céu, nem o Filho – exceto o Pai”. É essa frase “nem o Filho” que nos faz pensar. Como cristãos ortodoxos e crentes na Bíblia, afirmamos a divindade plena e inalterada de Deus, o Filho. Como Deus, Ele possui todos os atributos da divindade, incluindo a onisciência. No entanto, aqui Ele afirma claramente que há um corpo de conhecimento do qual Ele é, ouso dizer, ignorante: o dia e a hora da Sua segunda vinda.
A afirmação de Jesus só faz sentido com a encarnação. Ao assumir uma natureza humana e entrar na realidade do tempo-espaço, o Filho de Deus não renunciou à Sua divindade, mas deixou de lado a Sua glória (João 17:5; ver também Filipenses 2:6-11). No mistério e na beleza da encarnação, o Filho soberano e onisciente poderia temporariamente deixar de lado ou suspender o livre exercício de Seus “atributos de Deus” para que Ele pudesse viver uma vida humana autêntica em submissão ao Seu Pai e na dependência do Santo Espírito. Isso também explica por que nosso Senhor poderia sentir fome, sentir sede, cansar-se e ser morto. E aqui reside outra acusação para aqueles apanhados na especulação profética e na fixação de datas sobre a volta de Jesus. NINGUÉM SABE ALÉM DEUS!
Interessante porque ao longo da história alguns falsos mestres ousaram datar a volta de Cristo, no Brasil o caso mais conhecido foi da Valnice Milhomens que disse que Jesus voltaria em 2007. Nos EUA, um homem chamado Harold Camping, que previu que Cristo voltaria e que o mundo acabaria em 21 de maio de 2011. Quando o fim não chegou, Camping revisou sua previsão para 21 de outubro de 2011. Essa o dia também chegou e passou sem a volta de nosso Senhor. Felizmente, Camping reconheceu seu erro e disse que está se aposentando da definição de datas.
Estes ousaram prever algo que Cristo afirmou que ninguém exceto o Pai saberia.
Muitos previram que a segunda vinda literal de nosso Senhor ocorrerá em uma data específica, apenas para ficarem desapontados. Outros, contudo, vão numa direcção completamente diferente, redefinindo o acontecimento e explicando-o para satisfazer uma mentalidade modernista. Os teólogos liberais crêem que Cristo está vindo, mas não de uma foma literal. Eles pensam numa chegada externa às nuvens. Eles assimilaram como parte da revelação divina a visão estimulante que estas gerações recentes nos deram, de que o desenvolvimento é a maneira de Deus realizar a sua vontade. . .
Estas pessoas, quando dizem que Cristo está vindo, querem dizer que,gradativamente, a vontade e os princípios de Deus são realizados pela graça de Deus na vida e nas instituições humanas.
Essas perspectivas não encontram nem um pingo de apoio nos ensinamentos de Jesus. Se eles estão certos, então Jesus estava errado. No entanto, nosso Senhor declara clara, confiante e ousadamente que Ele virá novamente para “reunir os Seus escolhidos desde os quatro ventos, desde a extremidade da terra até a extremidade do céu” (v. 27). Então, “Esteja de sobreaviso! Esteja atento! Pois você não sabe quando chegará a hora” (v. 33).
Podemos não saber quando Jesus retornará. No entanto, sabemos o que deveríamos fazer até que Ele o faça. "Esteja de sobreaviso! Esteja atento!" Por que? “Pois você não sabe quando chegará a hora.” Nosso Senhor afirma três vezes isso. Como um homem em viagem, nosso Senhor saiu de casa, mas apenas por um tempo. Nós, Seus servos, fomos encarregados de uma tarefa: proclamar o evangelho “a todas as nações” (v. 10). Cada um de nós tem o seu trabalho (v. 34). Portanto, seja fiel, esteja pronto e “esteja alerta”.
Viva em Missão:
Engajamento cultural: Não se isole, mas engaje nossa cultura com o evangelho. Viver em missão significa se conectar com as pessoas onde elas estão, sem comprometer nossas convicções (Jesus salvou Levi na coletoria de impostos, a mulher no poço, alguns discípulos pescadores na praia, usou figuras de linguagem comuns a sua cultura, Paulo citou os poetas populares, pregou no Aerópago e usou um altar pagão como ponte para pregar o evangelho aos gregos).
Evangelismo Relacional: Se Jesus está voltando, temos a responsabilidade de compartilhar essa boa notícia. Isso não significa apenas pregar nas esquinas, mas construir relacionamentos autênticos e usar essas conexões para falar sobre a esperança que temos em Cristo. Por vezes criamos relacionamentos por diversas identificações e achamos que isso basta, substituimos nossa família de fé por esses grupos e nunca compartilhamos o evangelho com pessoas que valorizamos mais que nossos irmãos sendo que na eternidade não vamos estar com eles. Seja intencional nos seus relacionamentos com não cristãos (intencionalidade e comunidade).
Desconstrua enganos:
Segurança em Cristo: Entender a sua identidade em Cristo. Nossa salvação não é baseada no que fazemos, mas no que Jesus fez por nós. A volta de Jesus não deve nos levar ao medo, mas à celebração, pois nossa salvação está assegurada nEle.
Questionar a Cultura: Vivemos em uma era de "pós-verdade", onde o que as pessoas sentem é mais importante do que a realidade objetiva. Como igreja, devemos estar equipados para desafiar as ideias culturais com a verdade do evangelho.
Discipulado contínuo: A desconstrução de ideias erradas vem através de um entendimento profundo das Escrituras. Como igreja, precisamos estar sempre aprendendo, sempre crescendo em nosso entendimento.
Esteja Alerta:
Vida de Oração: Uma das maneiras mais poderosas de permanecer alerta é através da oração. Não apenas oração por nós mesmos, mas intercessão pelos outros.
Comunidade Cristã: Não podemos permanecer alertas por conta própria. Nós precisamos uns dos outros. A comunidade nos lembra da verdade, nos apoia em tempos difíceis e nos desafia quando nos desviamos.
Não seja complacente com o pecado: O perigo de se tornar complacente é real, especialmente em uma era de conforto, prazer e conveniência. Lembre-se, o conforto e os prazers neste mundo são mporários, mas o reino de Deus é eterno.

Conclusão

Jesus está voltando, e essa verdade deve moldar cada aspecto de nossas vidas. Não é um chamado ao medo, mas ao fervor, à missão, e à alegria na certeza de nossa salvação em Cristo. Como a igreja, temos a responsabilidade e o privilégio de viver essa verdade em cada momento até Ele retornar.
À medida que refletimos sobre a certeza da segunda vinda de Cristo, somos confrontados com duas realidades inescapáveis. A primeira é a promessa gloriosa de redenção e restauração para aqueles que reconheceram Jesus como Senhor e Salvador. A sua volta não é motivo de temor, mas de uma alegria esperançosa, que marcará o cumprimento da expectativa que alimentamos em nossos corações: a de estarmos para sempre com o nosso Salvador, em um mundo onde a justiça, a paz e a alegria reinarão perfeitamente e eternamente.
Mas existe uma segunda realidade, mais sombria, para aqueles que não receberam Cristo. Para estes, a volta de Jesus não será um momento de celebração, mas um de lamento e desespero. A separação eterna de Deus é a consequência da rejeição de Sua oferta de salvação em Cristo. A eternidade sem Deus é a realidade mais terrível que alguém pode enfrentar.
Por isso, é nosso papel como igreja, enquanto esperamos vigilantes pelo retorno de Jesus, viver em missão, compartilhando a esperança que temos em Cristo. Não é um chamado para o medo, mas para a urgência; não é um chamado para o desespero, mas para a compaixão. Que a expectativa da volta de Cristo nos motive a alcançar aqueles que ainda não O conhecem, para que, quando Ele retornar, todos possamos nos regozijar juntos na presença de nosso Rei.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.