Marcos 10:17-31
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Marcos 10:17-31
Marcos 10:17-31
O Perigo das Riquezas:
O Perigo das Riquezas:
Introdução
OBSERVAÇÕES DO TEXTO
Pondo-se Jesus a caminho; em outras palavras: retirando-se dali, não necessariamente da região, mas da casa. De todo modo, Jesus se retira dali com seus discípulos. O que acontece?
Resposta: “correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe”. Esse fato acontece enquanto o Senhor ia no caminho. Esse evento acontece ainda no versículo 1. Quando este personagem nos é apresentado, o que percebemos é: ele está emocionalmente tomado por esta pergunta. As duas ações dele: correr ao encontro do Senhor e ajoelhar-se aos seus pés não é por acaso. Dos três evangelhos sinóticos, somente Marcos nos apresenta estas duas ações.
Sua dúvida quanto a sua pergunta não muda o fato de quem está diante deste homem: Jesus, o Cristo. Tanto que ele adjetiva o Senhor como sendo “Bom Mestre,”. Alguém pode interpretar que ele estaria sendo irônico (como já vi em desejos bíblicos infantis), mas é errado interpretar assim. Se você lê somente Mateus e Lucas, será levado a suspeitar isto, mas Marcos nos apresenta este homem como alguém que está abalado emocionalmente.
Pois bem, a pergunta que parecia o deixar aflito era: “que farei para herdar a vida eterna”? Talvez para você seja simples de resolver este problema. Mas perceba como esse diálogo se desenvolve.
Respondeu-lhe Jesus: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus”. Este versículo nas mãos de um TJ é um prato cheio para sustentar a falsa tese de que Jesus não é Deus. Mas como a pergunta do personagem não é sobre a divindade de Cristo, já entendemos que esta argumentação contrária cai por terra.
Na minha opinião o desenrolar da conversa mostra sobre o que Jesus intentava. Segundo comentaristas: “Cristo quer que o inquiridor perceba que não deve agir levianamente — isto é, sem saber com quem está falando — ao atribuir a mim aquilo que pertence somente a Deus. Jesus declara que o uso impensado da palavra ‘bom’ ao se dirigir àquele que pensa ser um mestre humano é uma indicação de sua [do jovem] visão superficial de bondade”.
Em outras palavras: Jesus ajuda este homem a perceber que ele não entende sobre o que de fato é ser bom. Perceba como isto é reforçado quando Jesus continua falando no versículo 19, sobre a lei moral. O homem responde que tem observado tudo isso desde a juventude. E no evangelho segundo Mateus 19:20, depois de afirmar isto ele pergunta: “O que ainda me falta”? Ele procura se convencer de algo, mas parece que não ter a resposta para este questionamento o levou ao desespero.
“E Jesus, fitando-o, o amou”. Ele achou graça aos olhos do Senhor. O vocábulo aqui no original, que é expressado com o verbo amar, significa algo que vai além da afeição. O Senhor o amou. E não é como alguns interpretam: O Senhor o amou e por isso então o ensinou o que fazer para ser salvo. Salvação por obras?
Não mesmo! Quando Senhor completa sua resposta e entrega à este homem, ele o ajuda a perceber onde está o problema dele. É como se o Senhor colocasse um espelho diante dele para que ele pudesse ver o que há de errado, e que ele ainda não percebe. Somente o Senhor poderia fazer isto.
O Senhor mostra para este homem que ele ainda estava preso à terra e seus frutos, mesmo que “buscasse a vida eterna”.
Jesus responde a este: “Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres”. Faça isso! Mas a resposta completa coloca diante dele o que ele tanto almeja: a vida eterna. O tesouro no céu. Ele não estava preocupado com a eternidade, mas sim com o tesouro. E o Senhor mostrou para ele que era necessário ele substituir o que estava no seu coração: o amor pelos frutos terrenos, pela herança eterna. Jesus coloca como ponto final para a resolução do problema a proposição: “então, vem e segue-me”. Para deixar bem claro para ele o que significava “vender tudo o que tens e dar aos pobres”.
A reação dele foi contrariar-se, ele tomou um choque de realidade. Talvez, ele tenha percebido onde de fato estava seu coração e voltou os olhos para os seus bens. Ou, depois de ficar triste pode ter largado tudo e seguido o Senhor.
Imaginem essa despedida, como o clima deve ter ficado quando este encontro se encerra. Talvez um silêncio sepulcral. Aquele silêncio que o prende em reflexões que você não consegue trocar olhares com seu amigo.
Do versículo 23 ao 31 o Senhor volta seu olhar para os seus discípulos, e exclama: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!” (v.23).
Os discípulos estranharam estas palavras (v.24a). Precisamos explicar essa reação. Pois, talvez você pense: “Ora, o homem que encontrou o Senhor e era apegado as riquezas, ter uma reação adversa as palavras de Jesus, ok. Mas os discípulos?! Como assim?!” Perceba que, a reação deles nos leva a questionar os pressupostos deles. O fundamento da crença dos discípulos, que expressava o da sociedade à epoca.
Bom, naqueles dias era comum os judeus terem ideias erradas sobre prosperidade (riquezas, saúde etc.), por isso o fato deles não compreenderem o que se passou aqui não deve nos surpreender. Israel havia recebido do Senhor a promessa de que se obedecesse receberia abundantemente do melhor desta terra (materialmente e espiritualmente), como está escrito em Dt 28:1-14 e não é o único texto. Riquezas e honras provinham do Senhor, certo?
Todavia, muitos concluíram erroneamente de que a prosperidade individual era um sinal do favor de Deus e de virtude, e que a adversidade era um sinal do descontentamento do Senhor. Você lembra dos amigos de Jó e suas acusações? E não era diferente com os contemporâneos de Jesus, eles eram influenciados por essa compreensão. Por isso os discípulos ficaram perplexos com a afirmação de Jesus. Se este era um sinal de que eram eleitos, uma afirmação que desmontava essa ideia os chocaria.
Jesus continua no versículo 24, reforçando “o quão difícil é, para os que confiam nas riquezas” entrar no reino de Deus. Perceba que Jesus em nenhum momento fala que os que possuem riquezas não entraram no reino de Deus, ou mesmo que o reino de Deus é dos economicamente pobres, mas ele insiste naqueles que “confiam nas suas riquezas”. Em outras palavras: suas obras. Pois para eles as riquezas eram resultados de boas obras e um sinal do favor do Senhor que confirmava isto.
No versículo 25 o Senhor afirma que “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus”. Lembrando que este rico é, aquele que tem a crença que fora exposta aqui: acreditava na salvação por obras.
A pergunta que os discípulos fazem entre si esclarece muita coisa. Eles dizem entre si: “Então, quem pode ser salvo”? É perceptível aqui a ideia que se tinha quanto a salvação por obras. Por ser uma pessoa virtuosa e merecer tal recompensa.
Jesus, desde o versículo 23b vem expondo a ideia comum entre eles e ao fazer isto vai desconstruindo. Quando chega no versículo 27 então, o Senhor olha nos olhos deles e afirma: “Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível”.
As obras dos homens podem até promover algo bom, e produzir bons recursos, mas não a redenção em si. Somente Deus pode fazê-lo, e isto não acontece por meio da virtude dos homens, mas segundo a vontade do Senhor, que é gracioso.
Então Pedro, no versículo 28 retoma o que Jesus propôs para o homem rico que o encontrou, ao dizer-lhe: “Nós tudo deixamos e te seguimos”. Jesus, no versículo 29, retoma a palavra sobre a recompensa que comunicou no v.21, que diz respeito aos que deixam tudo e o seguem.
Perceba que o que Jesus coloca aqui está em paralelo com a benção descrita em Dt 28:1-14. Texto que era mal compreendido pelos “crentes” na época (os discípulos demonstraram isso). O sinal da benção do Senhor estava sobre estes — como eles acreditavam — se tudo citado por Jesus no versículo 29, estivesse bem.
O que Jesus coloca em cheque aqui não é o fato de ter casa, família (irmãos e pais), ou mesmo propriedades (campos). O que ele coloca é: você não pode amar qualquer uma destas coisas mais do que eu. Se todas estas esferas estão sob minha autoridade, porque você amaria alguma destas mais do que a mim?
Jesus comunica a recompensa: “você terá cem vezes mais, tudo isto”, com o detalhe de “perseguições” no presente momento; e “no mundo por vir, a vida eterna”. A recompensa começa agora, em meio a tribulações (que fique claro, é o oposto do que pensavam na época), tudo isto direcionando-os para a vida eterna no mundo por vir.
No versículo 31 então, temos um texto com um tom escatológico, tanto quanto o versículo 30b. E que acredito eu, seja um texto de advertência para aqueles que deixaram tudo e seguiram o Mestre. Não é sobre quem deixou primeiro e receberá a recompensa primeiro, mas, por amá-Lo acima de todas as coisas.
TRANSIÇÃO: .
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Feitas estas considerações, convido os irmãos a observarem três princípios espirituais extraídos do texto, que não devemos esquecer. Estes servem para nossa instrução, em meio a nossa peregrinação nesta terra:
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1. CRIAÇÃO
O SENHOR NOS CRIOU PARA AMÁ-LO E CONFIAR SOMENTE N’ELE:
Em determinado momento, que se encontra em Mt 22:34-40, Jesus é questionado por um interprete, sobre qual é o grande mandamento da Lei. Jesus responde no versículo 37: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”. Reverberando o que está escrito em Dt 6:5. Pelas mesmas palavras (ipsi litteris).
Quando o Senhor afirma que devemos amar a Deus de todo coração, alma e entendimento, Ele quer dizer que de todas as formas e em todos os lugares devemos amar o Senhor.
O amor ao Senhor é expressado quando ouvimos suas palavras, e o servimos em obediência. Isto, aplicado à todas as esferas de nossa vida. Nenhuma pode estar descoberta da manifestação do amor ao Senhor. Se há alguma esfera em nossa vida: quer seja família, trabalho ou igreja; onde eu prefiro governar do que confiar às mãos do Senhor (seguindo o que sua palavra prescreve), eu não o amo.
Se olharmos para o Gênesis perceberemos isso: Adão amava o Senhor, ele fora criado por pura graça e expressava seu amor em obediência. Mas daí então, quando escolheu seguir segundo suas ideias: pecou.
TRANSIÇÃO: Mas existe uma barreira que muitas vezes nos impede de expressar nosso amor pelo Senhor:
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2. QUEDA
A AUTOCONFIANÇA EXPRESSA A FALTA DE AMOR PELO SENHOR:
Este jovem fazia tudo, guardava toda a lei. Mas vivia emocionalmente confuso. No seu coração ele não sentia paz. A atitude dele demonstrou que ele, a priori, desejava resolver isto.
Mas o que Jesus propõe para ele, não era o esperado por ele. O Senhor fala que ele deve entregar tudo aquele onde ele depositou sua segurança. Tudo que ele usa para confiar que a vida eterna está segura para ele. E tudo isso para ele, envolve a ideia de que ele precisou ser virtuoso para isso.
Os bens que possuía representavam o que o seu coração não sentia. Mas ainda assim ele, a priori, não quis desfazer-se deles, pois representavam ao que ele havia alcançado. Levando-o a alimentar a autoconfiança, a segurança em si mesmo, de que o que ele possuía, era o selo de que estava salvo.
O oposto a autoconfiança, neste contexto bíblico, é: render-se e confiar somente no Senhor. Entregar tudo o que possuí ao Eterno.
E entregar na prática, o levará a observar o que a Escritura instrui sobre todas as esferas da vida. Ex.: sua família; seu trabalho; sua peregrinação espiritual.
TRANSIÇÃO: Mas o Senhor é misericordioso para conosco e nos socorre, tal qual este homem.
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3. REDENÇÃO
O SENHOR QUEBRA NOSSA AUTOCONFIANÇA E NOS RENDE DIANTE DELE
Olhe para o encontro que este homem teve com Jesus. Como ele chegou e como ele saiu?
O que aconteceu com ele depois? Não sabemos. Todas as respostas que você obtiver são especulativas.
Olhe para o que o Senhor responde aos discípulos no versículo 27: Para os homens é impossível. Contudo, não para Deus, porque para Deus tudo é possível.
Para o Senhor tudo é possível. Não significa que será como eu espero. Mas certamente, será bom. Muito bom. A recompensa para aqueles que rendem sua vida ao Senhor e confiam tudo a ele é eterna.
Como disse Amy Carmichael:
“Mas Deus é o Deus das ondas e das vagas, e quando elas vêm sobre nós elas ainda lhe pertencem; e de novo e novamente nós provamos que a coisa esmagadora não esmaga. Uma vez mais, por sua intervenção a libertação chega. Fomos abatidos, mas não destruídos”.
TRANSIÇÃO:
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CONCLUSÃO:
Tem algo dando errado em alguma esfera da sua vida? Talvez em casa, com a família? Quem sabe no trabalho? Na escola? Ou até na igreja?
Você já correu aos pés d'Ele e perguntou: Senhor, o que devo fazer? Porque talvez, você até tenha como resolver isso. Mas a resposta do Senhor foi contra as suas expectativas.
O que você fará?
