A ÉTICA DO MATRIMONIO, O DIVÓRCIO E O RECASAMENTO

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Parece falta de compaixão dizer que o divórcio e o novo casamento não são permitidos na escritura. Outros vão dizer que isto parece incorreto. Isso se dá, pois parece que isso é dizer as pessoas que vivem em um casamento miseravel ou que permanecem sozinhas “As coisas de Deus são assim mesmo, então aprenda de uma vez a lidar com a sua infelicidade”. Muito longe disso, devemos reconhecer a dificuldade das pessoas que estão nessas situações. Podemos pensar em pessoas que tem o conjuge que costuma adulterar rotineiramente, em mulheres que possuem maridos alcoólatras. Sabemos como é dificil a situação de mães solteiras que precisam garantir o sustento de sua casa. Para estes problemas, o divórcio e o novo casamento podem parecer benéficos, mas isso é uma ilusão.
O MATRIMÔNIO COMO INSTITUIÇÃO
Ao se deparar com o texto bíblico de Mateus 19, vemos que a instituição do casamento é de origem divina. Os fariseus se acostumaram a falar do divórcio e a desobedecer a ordenança divina do matrimônio. Eles se recusavam a aceitar a exposição feita por Jesus de Gênesis 1.27; 2.24, preferiam muito mais enfatizar a possibilidade do divórcio, conforme Mateus 19.7.
O contraste feito por Jesus remete às origens, ao Éden, e não ao texto de Deuteronômio 24.
"Não é bom que o homem esteja só" (Gênesis 2:18): A declaração inicial enfatiza a necessidade de companheirismo. Deus identifica a solidão como algo que não está de acordo com Sua intenção para o homem. A instituição do matrimônio é uma resposta divina à solidão do homem.
"Far-lhe-ei uma auxiliadora idônea" (Gênesis 2:18): Deus não cria a mulher como uma serva, mas como uma parceira adequada. O termo "auxiliadora" sugere um papel de apoio e cooperação, enquanto "idônea" implica adequação e complementaridade.
"Por isso, deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher" (Gênesis 2:24): Aqui, a ênfase está na separação de laços familiares anteriores para formar uma nova unidade. O casamento é apresentado como uma união exclusiva e indivisível.
“Serão os dois uma só carne" (Gênesis 2:24): Essa expressão destaca a profunda união e integridade que o matrimônio traz. O casamento é mais do que uma parceria; é uma fusão de duas vidas em uma nova entidade.
O Fariseus interpelam Jesus, e lhe dizem “Moisés não mandou dar carta de divórcio e repudiar?”, o contexto é claro, eles estão falando do texto de Deuteronômio 24.1 “Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se ele lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa;”, mas, o que eles não aceitam é que Jesus explica cristalinamente que Moisés não instituiu o divórcio, muito menos mandou. Deus, sabendo da dureza do coração do homem e da crueldade que acontecia diante das mulheres para buscarem repudiar elas e contrairem novas núpicias, regulamentou a situação.
Isto é consenso. O divórcio não foi um projeto divino, mas foi algo regularizado por Deus para que o pecado dos homens fosse refreado. As mulheres não deveriam ser mortas para que os homens pudessem casar-se novamente, se eles queriam se lamear em seus pecados, que o fizessem preservando a vida das mulheres no contexto de Deuteronômio 24. Outro fato interessante, é que em Deuteronômio 22.13-30 o contexto do repúdio é bem estreito.
A EXCEÇÃO NEO-TESTAMENTÁRIA
Mateus 19.8–9“Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio. Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério [e o que casar com a repudiada comete adultério].”
Como visto, a instituição feita por Deus foi a do casamento. A instituição do divórcio foi feita pelo homem, ele é seu criador e isto fica claro no ensino de Jesus. Agora, Jesus rebate a fala dos fariseus quanto ao divórcio, demonstrando ainda mais a questão do pecado do homem, e não dando liberalidade aos seus prazeres e ao desejo desenfreado de pecar.
“Por causa da dureza do vosso coração” Nitidamente Jesus aponta que o divórcio foi regulamentado por conta do pecado dos homens.
“Eu porém vos digo” Aqui está o maior contraste possível sobre o ensino do divórcio, Jesus agora é quem fala, não é mais a Toráh ou o Talmulde, é o próprio Deus explicando sua perspectiva do assunto.
“Quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas” A cláusula de exceção neo-testamentária para O DIVÓRCIO, é a fornicação. O termo utilizado por Cristo é πορνεία (porneía: significa “licenciosidade” ou “fornicação” raro no grego clássico). Neste ponto, fornicação se tratava de um contrato de casamento entre os noivos, e se um dos noivos se envolvesse em algum tipo de relação sexual ilícita, o contrato poderia ser dissolvido uma vez que ambos ainda não estavam unidos no matrimônio. Outros, entendem que é qualquer tipo de relação sexual fora do contexto do casamento. Sobre isso, há fortes índicios exegéticos de que o contexto judaico da época favoreça a primeira posição.
“E casar com outra comete adultério” Embora exista muitos defensores afirmando que quem se casar com a repudiada é que comete adultério, não parece ser esse o ensino neo-testamentário. "μὴ ἐπὶ πορνείᾳ" (exceto por causa de fornicação, imoralidade sexual) Jesus especifica que não há exceção para o divórcio entre os casados.
Se detendo um pouco mais no ponto “d” deste assunto, embora na tradução dinâmica como a ARA exista os colchetes em que diz "[e o que casar com a repudiada comete adultério]” (Vs. 9) isto não exclui sua fidelidade ao ensino de Jesus. De fato, quem casa com a mulher repudiada que foi encontrada em imoralidade comete adultério. Mas a enfase de Jesus está principalmente no homem (ou na mulher) que está repudiando seu conjuge! Isto é o que Jesus parece ensinar desde o começo: Mateus 19.6–8 “De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”
As palavras de Jesus em Mateus 19.9, conforme entendidas por todos os comentaristas cristãos até o século XVI (com a única exceção, Ambrosiastro, no século IV), declarava que recasamento depois de divórcio implica adultério para todos os envolvidos... Essa posição, menos popular e praticamente mais complexa, entende que a frase “exceto em caso de relações sexuais ilícitas” (a chamada “cláusula de exceção”) modifica apenas a frase “Se um homem se divorciar de sua mulher” (o que em linguagem técnica se chama de prótase [oração condicional]) e não a frase seguinte, “e casar com outra comete adultério” (que os eruditos chamam de apódose [oração principal])”... A gramática e a estatística do Evangelho de Mateus exigem que a cláusula de exceção se refira apenas à frase que a precede... O sentido das palavras de Jesus em Mateus 19.9 seria, portanto: “O marido não pode repudiar (divorciar-se de) sua mulher a não ser que ela seja culpada de comportamento sexual ilícito.” E mais: “Quem se casar depois de repudiar sua esposa comete adultério”. (PINTO, Carlos Osvaldo. O Divórcio. Revista Enfoque. Atibaia: SBPV. nov. 2000.)
Concordo com o Professor Carlos Osvaldo, uma vez que outros textos deixam essa questão ainda mais clara, vejamos:
Lucas 16.18Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério.”
Romanos 7.1–3“Porventura, ignorais, irmãos (pois falo aos que conhecem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem toda a sua vida? Ora, a mulher casada está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal. De sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias.
Marcos 10.1–12“Levantando-se Jesus, foi dali para o território da Judeia, além do Jordão. E outra vez as multidões se reuniram junto a ele, e, de novo, ele as ensinava, segundo o seu costume. E, aproximando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito ao marido repudiar sua mulher? Ele lhes respondeu: Que vos ordenou Moisés? Tornaram eles: Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar. Mas Jesus lhes disse: Por causa da dureza do vosso coração, ele vos deixou escrito esse mandamento; porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe [e unir-se-á a sua mulher], e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem. Em casa, voltaram os discípulos a interrogá-lo sobre este assunto. E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério.”
Mateus 5.27–32“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno. Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio. Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.”
[Neste caso, Jesus deixa claro que o adultério parte do coração. Sendo assim, qualquer homem (ou mulher) que tenha pensamentos imorais com outra pessoa, ou veja pornografia e assim por diante, “poderia” (se esse fosse o caso) ser condenado como adúltero e o conjuge poderia se casar novamente. Isto não parece fazer sentido e nem ser o ensino de Jesus]
O texto de 1Coríntios 7 eu deixei por último por talvez conter mais conteúdo, de maneira breve tratarei de algumas pequenas questões.
Paulo faz diversas recomendações sobre o ensino do casamento, abandono (divórcio) e novo casamento. Ele começa dizendo que se fosse possível não casar, dado o contexto perigoso em que se situavam, o povo de Corinto deveria permanecer só. Mas se eles tivessem o desejo ardente de possuir um relacionamento, deveriam de fato se casar. Note, Paulo está se direcionando aos solteiros e aos viúvos: 1Coríntios 7.8–9E aos solteiros e viúvos digo que lhes seria bom se permanecessem no estado em que também eu vivo. Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado.”
Aos casados, o ensinamento Paulino é o mesmo de Cristo. Ele mesmo faz questão de enfatizar isso. 1Coríntios 7.10–11Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido (se, porém, ela vier a separar-se, que não se case ou que se reconcilie com seu marido); e que o marido não se aparte de sua mulher.”
Talvez esteja bem claro o ensino de Paulo. Mas ainda assim, possa ser que alguém incorra no seguinte argumento: 1Coríntios 7.27–28Estás casado? Não procures separar-te. Estás livre de mulher? Não procures casamento. Mas, se te casares, com isto não pecas; e também, se a virgem se casar, por isso não peca. Ainda assim, tais pessoas sofrerão angústia na carne, e eu quisera poupar-vos.”
Estes versos parecem atestar que se alguém estiver livre de mulher (ou de marido) pode se casar e não peca, correto? Claramente não. Paulo constrói seu argumento desde o começo como vimos, ele falou dos solteiros, dos viúvos, dos casados e agora está falando novamente das virgens e dos solteiros ou viúvos que estão querendo se casar (embora ele não recomende) em tempos de grande tribulação. Veja o final “tais pessoas sofrerão angústia na carne, e eu quisera poupar-vos”. Quem? Os que se casaram com as virgens ou com os solteiros e viúvos.
Para finaliar o argumento, Paulo não deixa dúvidas de que o divórcio e novo casamento não são permitidos em seu ensino e nem no ensino do Senhor. Ele conclui: 1Coríntios 7.39–40A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor. Todavia, será mais feliz se permanecer viúva, segundo a minha opinião; e penso que também eu tenho o Espírito de Deus.”
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