Um Apelo à Boa Consciência

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Leitura Bíblica

1Pedro 3:15-22

Introdução

Hoje é um dia muito especial para a família do Caio, da Rebecca e do Samuel, eu presumo que alguns parentes e amigos estejam acompanhando pela internet também.
É um dia especial porque o Samuel, através da decisão dos seus pais, será oficialmente iniciado na comunidade da fé, que é a Igreja.
Também é um dia especial porque falaremos sobre o sacramento do batismo e como ele repercute em nossas vidas até os dias atuais. Desde já, convido aos que ainda não se batizaram a buscarem em Deus não só o desejo, mas o entendimento interno do que este ato significa para os filhos de Deus.
Mas é claro que eu não poderia ignorar que viemos não só de diferentes Estados e diferentes culturas, mas também de diferente tradições doutrinárias. Basta olhar para o tema que começamos a apresentar na EBD.
Mas eu quero olhar essa diversidade de maneira positiva, ressaltando que apesar das pequenas diferenças, o que nos une, além dos costumes é a Escritura sagrada. Sendo assim, para que haja harmonia, compreensão e edificação de todos eu gostaria de falar um pouco sobre o sacramento do batismo e como ele pode ser ministrado em nossa denominação, a Reformed Church in America.
Não chegamos neste texto à toa. Com tantas passagens menos complexas sobre o batismo, porque escolher esta? Bem, porque ela consegue amarrar o fundamento do batismo e a prática da vida cristã. Além disso, o texto ainda ressalta o papel de Jesus neste lindo e maravilhoso processo da salvação. Por último, quem sabe, você que ainda não percebeu que Cristo é o único caminho para o Pai, possa ser iluminado pelo Espírito Santo e vir a se batizar também num próximo culto?
Que o Senhor nos ajude.

Ponto 1 - Sobre a vida cristã

O apóstolo Pedro nos deixa 3 Cartas. Conquanto ele se dirija aos judeus e gentios da Ásia menor, elas são consideradas cartas católicas. Mas calma!
Católico é uma palavra de origem grega, que dizer geral, ou universal. Logo, são cartas universais. Não somos católicos. E por mais que pareça óbvio esta informação vai ser imortante daqui a pouco.
A primeira Carta é considerada como sendo um “condensado da fé cristã”, nos exortando em todo o tempo a confiarmos e nos firmarmos na genuína graça de Deus. “Pedro desafia os crentes a perseverar na fé assim como Jesus fez, apesar do sofrimento extremo, e a confiar que Deus cuidará deles durante seu tempo como exilados e peregrinos em uma terra que não é sua”. Em resumo, o apóstolo nos lembra que somos peregrinos nesta terra, que passaremos dificuldades, mas que acima de tudo, Deus é fiel e digno de confiança.
O capítulo 3, onde está o texto que lemos, nos fala sobre o amor no casamento, o amor fraterno, sobre o perserverar na fé mesmo em meio às perseguições, mas faz questão de nos advertir que nós não devemos ser o motivo de sermos perseguidos). Há virtude em ser perseguido em função do Evangelho, mas isso é invalidado se você é uma pessoa que gera o motivo para ser perseguido. Como diz o 1Pedro 3.13 “Ora, quem há de maltratá-los, se vocês forem zelosos na prática do bem?” 1Pedro 3.14 “Mas, mesmo que venham a sofrer por causa da justiça, vocês são bem-aventurados. Não tenham medo das ameaças, nem fiquem angustiados;
HDL - “Nem sempre Deus nos livra do sofrimento, mas sempre nos capacita e nos instrumentaliza quando passamos pelo sofrimento. Não estamos dizendo com isso que o sofrimento é essencialmente bom ou que as circunstâncias que nos atingem, em si mesmas, são boas. O que estamos afirmando é que Deus transforma as circunstâncias doloridas da vida em ferramentas para o nosso bem. Do meio das lágrimas da dor brota a alegria de ver Deus glorificado em nossas experiências”. Tenha fé nisso e assim você poderá testemunhar da sua esperança.
Os cristãos devem consagrar Cristo Jesus em seu coração. Quando o coração é controlado por Jesus Cristo, o crente dedica toda a sua vida a ele. Então, o cristão está livre do medo e pode defender-se daqueles que se opõem a ele.
Leiam comigo: 1Pedro 3.15–16 Não fiquem angustiados, ou não vos alarmeis, mas “pelo contrário, santifiquem a Cristo, como Senhor, no seu coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que vocês têm. Mas façam isso com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam mal de vocês, fiquem envergonhados esses que difamam a boa conduta que vocês têm em Cristo.”
Eu sempre me refiro a este texto em um contexto educacional. Perdi a conta das vezes que abri minhas classes de Teologia Sistemática enfatizando o quanto precisamos conhecer as doutrinas bíblicas para expor aquilo que cremos a quem crê, mas também a quem ainda não crê.
As doutrinas são extratos de conhecimento bíblico, resumos de dezenas de versículso, condensados e reduzidos a algumas afirmações que nos ajudam a entender a Verdade de Deus para nós. Não dependemos das doutrinas para sermos salvos, mas é a própria doutrina que nos ensina isso. Conhecer a nossa fé, “a razão da nossa esperança” não se refere somente ao ato de crer, mas saber naquilo que cremos. De maneira qwue possamos expressar esta fé com mais do que sentimentos.
E neste texto, doutrina e conduta cristã se fundem.
Pedro nos diz para estarmos prontos para expressar racionalmente o porquê de sermos perseguidos sem motivos e continuarmos a esperar. Mas não é somente isso. Simon Kistemaker comenta: “Quando Pedro diz aos leitores para estarem preparados, ele quer dizer não apenas que devem estar dispostos, mas também que devem ter a habilidade de falar de Cristo. Assim, devemos conhecer os ensinamentos da Bíblia e a doutrina cristã de modo que estejamos sempre prontos a dar uma resposta”.
vs.16 - Ler o texto: Mansidão e temor, tendo boa consciência, para que o que disserem de mal contra você seja só uma calúnia. vs.17 - Se você tiver que sofrer, que não seja porque você é irado, irreverente e carnal, mas porque você faz o bem. Somos testemunhas de Cristo, não acusadores.

Ponto 2 - A Doutrina da Redenção

Dito isso chegamos ao segundo e mais importante ponto.
Como é que somos salvos? Se alguém te abordar repentinamente, você consegue responder de maneira racional porque Cristo é o autor e consumador da sua fé? Porque você tem nele a sua esperança?
Bem, se sim, este ponto será só uma lembrança.
Leiamos novamente os vs.18-21. Eu vou ler em uma versão e comentar em outra. 1Pedro 3.18–20 “Pois também Cristo padeceu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir vocês a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais, noutro tempo, foram desobedientes, quando Deus aguardava com paciência nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucas pessoas, apenas oito, foram salvas através da água.”
Vamos falar disto de uma maneira rápida, não técnica e simples porque este texto é super difícil de interpretar. E que só quero que você estranhe o terceiro ponto.
Estamos falando sobre sermos perseguidos sem merecermos. Cristo é o maior exemplo desse tipo de sofrimento. Contudo, a semelhança com o sofrimento humano termina aí, pois o sofrimento de Cristo tem um caráter único: Ele tem o poder para expiar os nossos pecados. Isto quer dizer que a dívida que a dívida que cada um de nós tinha diante de Deus pôde ser paga por Cristo. A única condição era a de que crêssemos que ele é Senhor e o confessássemos com a nossa boca. Romanos 10.9 “Se com a boca você confessar Jesus como Senhor e em seu coração crer que Deus o ressuscitou dentre os mortos, você será salvo.”
Não é a doutrina que nos salva, é Cristo quem nos salva. A doutrina só explica como a salvação acontece.
Por exemplo, a doutrina nos ensina o que a Bíblia quer dizer quando nos diz que Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. João 1.29 “No dia seguinte, vendo que Jesus vinha em sua direção, João (o batista) disse: — Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”
Alguém pecava e para ter seus pecados simbolicamente perdoados precisava levar um cordeiro para ser morto em seu lugar. Era uma analogia: Eu mereço morrer, mas é o cordeiro que eu trouxe que vai morrer em meu lugar para dizer que o pecado (agir contra Deus) mata. Cristo, que é o Cordeiro de Deus, quando faz a expiação dos nossos pecados, o faz de maneira literal e não mais simbólica. Basta que creiamos que ele e só ele é o caminho, a verdade e a vida e que ninguém vai ao pai senão através dele. João 14.6 “Jesus respondeu: — Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.”
Talvez você pense, eu creio de outra forma. Se você estiver correto, nem você nem os cristão tem nada a perder. Os cristãos chegarão onde de tem que chegar, seja pela evolução do espírito, seja porque voltarão a ser poeira das estrelas; o problema é se os cristãos estiverem corretos. Neste caso, será necessário crer no Cristo revelado pelas Escrituras para ser salvo.
O texto nos diz (vs.18) que Cristo morre uma só vez, porque diferente dos cordeiros, o sangue dele é eficaz, mas é vivificado pelo Espírito para nos levar a Deus.
Em resumo, o propósito da injusta morte de Jesus é nos substituir perfeita e definitivamente para que sejamos salvos. 2Coríntios 5.21 “Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” Como nosso representante, quando ele morre, morremos com ele; mas quando ele ressuscita, ah... igualmente ressuscitamos com ele. Romanos 6.8 “Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele.”
Você entende isto? Muitos podem entender, mas toda a diferença depende da resposta que você der agora: Você crê que Cristo é o seu substituto na morte e que tem poder para te ressuscitar para a vida eterna?
Essa fé que é interna, pode ser representada externamente. Você sabe como? Através do batismo.

Ponto 3 - A Doutrina do Batismo

Leiamos o texto de 18-22. O texto de Pedro vai nos dar ótimas conclusões. Mas se vocês concordam comigo, essas conclusões não seriam fáceis de identificar se só tivéssemos este texto. Já estamos encerrando.
Esta é uma passagem muito difícil de interpretar e mesmo os maiores e respeitados teólogos conseguem chegar a um consenso sobre ela. Então, como o nosso foco é o batismo, eu só quero dizer que quem foi salvo no Antigo Testamento o foi através do sacrifício de Cristo. Mas ao mesmo tempo, quero dizer que não é possível que essa pregação de Cristo tenha sido aos espíritos dos mundos dos mortos, porque não há em nenhum outro lugar da Bíblia alguma passagem que incentive tal pensamento. Hebreus 9.27 “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disso, o juízo,” . Morreu, acabou a chance.
E aqui aconteceu o improvável. O Rev. mais famoso desta igreja, HDL e eu estávamos consultando o mesmo comentário. Essa é só para os teólogos de plantão: Ênio Muller, como concorda Kistemaker, nos diz que “A tônica nessa passagem seria que as forças espirituais do mal foram julgadas por Cristo na morte e na ressurreição, e que ele próprio proclamou-lhes a sua vitória, ficando elas submetidas a ele desde então, como soberano celeste, que governa à destra de Deus”. E acabou por aqui este comentário.
O que nos interessa nesta esta manhã vem logo depois: Oito foram salvos por meio da água, que prefigurando o bastismo agora também vos salva.
Kistemaker comenta: “Pedro muda de assunto, introduz o simbolismo e desenvolve o tema do batismo”. O que essa doutrina nos diz?
O ato de lavar a água como parte de um ritual de purificação . O rito de iniciação formal na igreja cristã através da água. Considerado por muitos grupos cristãos como um sacramento (embora alguns grupos prefiram o termo ordenança). Embora existam várias alusões ao batismo no Antigo Testamento, o batismo é principalmente um conceito do Novo Testamento.
Os sacramentos são ordenanças nas quais elementos materiais são usados como sinais visíveis da bênção de Deus. No batismo, a água; na Ceia do Senhor, o pão e o vinho.
Wayne Grudem ainda comenta que: “Como Jesus ordenou que a igreja realizasse o batismo (Mateus 28.19 “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo,” ), é de esperar que haja bênçãos associadas ao batismo, pois toda obediência que os cristãos prestam a Deus lhes traz favor divino. Essa obediência é especificamente o ato público de confessar Jesus como Salvador, ato que por si mesmo traz alegria e bênção ao crente”.
O batismo é um símbolo físico da morte e da ressurreição de Cristo e da nossa participação nelas, ele testemunha a união com Cristo a todos os cristãos presentes.
Por fim, como a água do batismo é um símbolo exterior do batismo espiritual do Espírito Santo, é de esperar que o Espírito aja durante o batismo, dando aos cristãos uma maior consciência dos benefícios do batismo espiritual indicado pelo sinal da água. Em outras palavras, o Batismo é uma representação externa da fé que é interna. É um ato público.
QUem deve ser batizado? E aqui eu peço que tenham um último momento de atenção.
Eu acredito que a maioria de nós entenda como o seguinte: Os exemplos do Novo Testamento encontrados nas narrativas sugerem que o batismo foi ministrado somento aos que fizeram uma profissão de fé. Atos dos Apóstolos 2.41 “Então os que aceitaram a palavra de Pedro foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.”
O ministro pergunta: Quem é o seu único e suficiente salvador? E o batizando responde, hopefully, que é Jesus Cristo. O ministro hopefully diz, sob a tua pública profissão de fé eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. E, como dissemos, aquilo que já era verdadeiro no coração, agora tem uma expressão pública e concreta. Neste sentido, não é o batismo, mas a conversão (arrependimento e fé) que salvam.
Mas há algumas alternativas, sim.
A posição católica: A Igreja Católica Romana ensina que o batismo deve ser ministrado às crianças. A razão disso é que a igreja católica crê que o batismo é necessário para a salvação e que o ato do batismo em si traz regeneração. Portanto, nessa posição, o batismo é um meiopelo qual a igreja confere graça. E, tratando-se de um canal de graça salvífica como esse, deve ser ministrado a todos. Nós recusamos esta posição.
A posição protestante pedobatista - Mais comum em igreja luteranas, episcopais, metodistas, presbiterianas e reformadas como a nossa.
Sim, o batismo pode ser ministroado a todas as crianças que sejam filhos de pais cristãos.
As crianças eram circuncidadas na antiga aliança. A circuncisão, era um sinal externo de ingresso da criança na comunidade da aliança que é a comunidade do povo de Deus. A circuncisão era ministrada a todas as crianças do sexo masculino quando completavam oito dias de vida.
No Novo Testamento, o sinal externo de ingresso na “comunidade da aliança” é o batismo. Portanto, o batismo é o equivalente neotestamentário da circuncisão. Segue-se que o batismo deve ser ministrado a todas as crianças nascidas de pais cristãos. Negar-lhes tal benefício é privá-las de um privilégio e de um benefício que lhes pertence por direito – o sinal de pertencer à comunidade do povo de Deus, a “comunidade da aliança”.
Há também o batismo de famílias, mas como o nosso caldo já está muito grosso, vamos deixar para outro batismo. OK?
Em que o batismo de crianças é diferente do batismo da igreja católica?
O batismo não salva por si próprio.
O batismo não deve ser ministrados a todos
O batismo infantil não é uma necessidade, mas uma opção dos pais.
Não é a igreja que confere graça às crianças.
Em que o batismo de crianças na igreja protestante é similar à apresentação
Os pais se comprometem a criar criança segundo a fé evangélica
A igreja se comprote a ajudar esta criança para que ela receba suporte na edificação da sua fé
Esta criança precisará ser convencida do próprio pecado e se arrepender dele
Esta criança necessitará crer com o coração e confessar com a boca que Jesus Cristo é o Senhor.
Como eu sei que o Rev. Augustus Nicodemus é uma referência para todos aqui, deixe-me acalmá-los com alguma conciliação proposta por ele.
A prática de batizar os filhos dos cristãos vem desde os primórdios do cristianismo. Pais da Igreja, como Irineu (século II), se referem ao batismo infantil. Orígenes (século IV) foi batizado quando criança. Hoje, milhares de cristãos evangélicos no mundo continuam a prática, embora alguns pais permitam que seus filhos sejam batizados apenas porque faz parte da tradição religiosa na qual nasceram. Para outros, o batismo é um ato pelo qual consagram seus filhos ao Senhor, com votos solenes de educá-los nos caminhos de Deus até a idade da razão. Evidentemente nem todos os evangélicos concordam que o batismo infantil seja a única maneira de se fazer isso. Muitos preferem apresentar seus filhos ao Senhor, sem batizá-los, pois, acreditam que o batismo é somente para adultos que creem. Porém, tanto os que batizam seus filhos, quanto os que os apresentam, têm um desejo só, de vê-los crescer nos caminhos do Evangelho, e, quando chegarem à idade própria, publicamente professar sua fé pessoal em Cristo Jesus.
Este casal, Caio e Rebecca desejam apresentar o Samuel à comunidade da aliança, que é A igreja de Cristo, que hoje e neste templo é representada por nós.
Cristo salvará o Samuel, não o batismo, ele fará parte da Igreja, mas isso não se resume à ILPN, nós apoiaremos esta família, mas é o selo do Espírito que fará o Samuel perseverar na doutrina dos apóstolos e assim, reconhecerá que Jesus Cristo é o único Senhor, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do Mundo, Aquele que recebe a todos a quem o pai lhe envia e os ressuscitará no último dia.
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