A crise de um homem com Deus

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A crise de um homem com Deus

Rugas e verrugas Oliver Cromwell entrou para a história como renomado militar e líder político na Inglaterra, além de ter sido um dos grandes nomes do puritanismo inglês. Conta-se que ele foi categórico quando posava para o pintor que faria a imagem dele para a posteridade. Disse ao artista que não queria toque de artista na sua pintura. Queria um retrato fiel de seu rosto. Nas palavras do próprio herói, ele instruiu que o pintasse “com rugas e verrugas”. Desde Oliver Cromwell a expressão “rugas e verrugas” tem sido usada praticamente no mundo todo, expressando o desejo de se apresentar fielmente a pessoa como ela é; não apenas as delicadezas, mas também os defeitos. “Rugas e verrugas” é o que temos no capítulo final do livro de Jonas. Uma foto sem Photoshop, sem retoques ou maquiagens, daquele que foi o profeta mais bem-sucedido de todos os tempos. Não é uma bela imagem. Afinal, como ficar bem na fotografia quando se está em crise com Deus?
É então agora que percebemos os motivos de Jonas.
Esta vai ser o 7ª e ultima pregação em Jonas e gostava de deixar alguns aspetos que nos ajudarão no futuro sobre Jonas.
Jonah 4:1–11 BEARA
Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado. E orou ao Senhor e disse: Ah! Senhor! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal. Peço-te, pois, ó Senhor, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver. E disse o Senhor: É razoável essa tua ira? Então, Jonas saiu da cidade, e assentou-se ao oriente da mesma, e ali fez uma enramada, e repousou debaixo dela, à sombra, até ver o que aconteceria à cidade. Então, fez o Senhor Deus nascer uma planta,que subiu por cima de Jonas, para que fizesse sombra sobre a sua cabeça, a fim de o livrar do seu desconforto. Jonas, pois, se alegrou em extremo por causa da planta. Mas Deus, no dia seguinte, ao subir da alva, enviou um verme, o qual feriu a planta, e esta se secou. Em nascendo o sol, Deus mandou um vento calmoso oriental; o sol bateu na cabeça de Jonas, de maneira que desfalecia, pelo que pediu para si a morte, dizendo: Melhor me é morrer do que viver! Então, perguntou Deus a Jonas: É razoável essa tua ira por causa da planta? Ele respondeu: É razoável a minha ira até à morte. Tornou o Senhor: Tens compaixão da planta que te não custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu; e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?
Jonas, um homem que não gosta do que Deus gosta (4.1)
“Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado” (4.1). a palavra “ira” usada no hebraico significa “quente”. Assim, Jonas estava arder em ira como fogo. O que desgostou tanto Jonas a ponto de ficar arder em ira como se fosse uma fornalha? O que o deixou neste estado? Duas coisas:
1. A conversão dos ninivitas (3.10a). Inimigo cruel e o nacionalismo de Jonas transformaram-no num profeta preconceituoso e Incensivel. Ele amava tanto a Israel que odiava a todos que podiam se constituir em ameaça para seu povo.
Jonas queria a salvação de Israel e a condenação dos ninivitas. Ele pregou juízo e eles clamaram por misericórdia. Ele anunciou condenação iminente e os assírios, com pressa, se converteram e buscaram perdão. A conversão dos ninivitas foi uma derrota para Jonas.
2. A compaixão de Deus (3.10b). Jonas ficou a arder em ira, pois Deus suspendeu Sua ira. A ira de Jonas é como um fogo que queima. Ele está incendiado de raiva. Seu coração é como uma fogueira de desgosto. Sua alma arde não de zelo por Deus nem de amor pelos perdidos, mas de egoísmo carnal. Jonas está irado com Deus porque Deus é bom. Jonas reclama da bondade de Deus.
Jonas, um homem que ora para reclamar com Deus (4.2)
“E orou ao Senhor e disse: Ah! Senhor! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus clemente, e misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal” (4.2).
Jonas é um profeta que não tem prazer na oração. Ele só orou duas vezes no livro. A primeira foi para buscar o socorro de Deus para si (2.1) e a segunda para reclamar com Deus (4.2).
Nas duas ocasiões, as orações de Jonas estavam focadas em si mesmo. Ele não ora para se deleitar em Deus nem ora a favor dos outros.
Na sua primeira oração, pediu a Deus que o salvasse, mas na sua segunda oração, pediu que Deus o matasse!
Jonas abriu o coração e revelou o motivo da sua fuga para Társis. O que o levou a fugir não foi o medo de morrer em Nínive, mas o medo de que os ninivitas não morressem.
Deus não tem prazer na morte do perverso. Ele se deleita, antes, na misericórdia. Deus tem prazer em suspender o mal e oferecer a salvação.
Jonas, um homem que quer morrer porque os outros querem viver (4.3)
“Peço-te, pois, ó Senhor, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver” (4.3).
Jonas está deprimido porque Deus está a celebrar a salvação dos ninivitas. Jonas se entristece com o que alegra o coração de Deus. Jonas quer morrer porque outros querem viver. Jonas, por ver seus planos pessoais frustrados, quer morrer.
A sua ira o deixa contraditório e irracional. Enquanto o profeta Elias queria morrer, porque o povo não tinha zelo pelo nome de Deus; Jonas quer morrer porque o povo se converte a Deus.
Jonas, um homem que não muda, mas espera que Deus mude (4.4,5)
“E disse o Senhor: É razoável essa tua ira? Então, Jonas saiu da cidade, e assentou-se ao oriente da mesma, e ali fez uma enramada, e repousou debaixo dela, à sombra, até ver o que aconteceria à cidade” (4.4,5).
Depois de condenar Deus por não se irar, Jonas é questionado a respeito da própria ira. Deus pacientemente confronta Jonas acerca da sua ira, mas Jonas guardou o silêncio.
Da primeira vez Jonas esquivou-se e dormia no porão do navio. Agora, Jonas foge, pondo-se à sombra para assistir de camarote o que Deus haveria de fazer.
Deus permanece paciente com Jonas que não usa sequer uma só palavra de censura, de repreensão, ou de castigo em Sua abordagem.
Jonas foge de Nínive na hora que Nínive corre para Deus. Jonas foge e quer morrer porque o sol bate na cabeça, mas quer ver Nínive a ser devastada por fogo e enxofre. Jonas torna-se imutável em sua rebeldia porque Deus é imutável em Sua bondade. Jonas quer fincar o pé em sua ira, e espera que Deus desista da Sua misericórdia.
Jonas não quer mudar, mas espera que Deus mude!
Jonas, um homem que se desgosta quando os outros são abençoados, mas se alegra quando ele é abençoado (4.6–8)
“Então, fez o Senhor Deus nascer uma planta, que subiu por cima de Jonas, para que fizesse sombra sobre a sua cabeça, a fim de o livrar do seu desconforto. Jonas, pois, se alegrou em extremo por causa da planta. Mas Deus, no dia seguinte, ao subir da alva, enviou um verme, o qual feriu a planta, e esta se secou. Em nascendo o sol, Deus mandou um vento calmoso oriental; o sol bateu na cabeça de Jonas, de maneira que desfalecia, pelo que pediu para si a morte, dizendo: Melhor me é morrer do que viver!” (4.6–8).
Deus já tinha livrado Jonas do mar; agora, o livra do sol. A primeira vez que o livro fala na alegria de Jonas é por uma razão pessoal e egoísta.
Jonas ficou tão alegre com a planta quanto estivera irritado contra Deus por causa da salvação dos ninivitas. Ele se alegra quando é abençoado e se irrita quando os outros são abençoados.
Sua vida está centrada nele mesmo e não em Deus. Jonas quebrou os dois principais mandamentos da Lei: Amar a Deus e ao próximo.
É Deus, agora, quem faz nascer uma planta para fazer sombra para Jonas, quem envia um verme para devorar a planta e quem envia o vento quente para atingi-lo.
O vento que vemos no texto aponta a uma espécie de sopro quente, quase que sufocava a terra. No meio deste calor sufocante é que Jonas desfaleceu e queria morrer. Deus, porém, está a trabalhar com e em Jonas, e usa estes recursos pedagógicos para tocar em seu coração.
Se Jonas foi capaz de se importar com uma planta que secou, a qual ele não fez crescer, não deveria Deus ter prazer na salvação de milhares de pessoas que Ele criara à Sua imagem e semelhança?
Jonas, um homem que ama mais as coisas do que as pessoas (4.9,10)
“Então, perguntou Deus a Jonas: É razoável essa tua ira por causa da planta? Ele respondeu: É razoável a minha ira até à morte. Tornou o Senhor: Tens compaixão da planta que te não custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu” (4.9,10).
Duas vezes o texto relata a ira de Jonas (4.1,9) e duas vezes Jonas pede para si a morte (4.3,8). Da primeira vez Jonas ficou irado, pois Deus não destruiu os ninivitas; da segunda vez Jonas ficou irado porque Deus destruiu a planta.
Em outras palavras, Jonas amava mais as coisas do que as pessoas. Havia uma inversão de valores na sua vida. Deus continua a confrontar Jonas. Agora, pergunta-lhe: “É razoável essa tua ira por causa da planta?”
Vemos o profundo contraste entre Jonas e os gentios: Os gentios tratam a Deus com culto. Os marinheiros adoraram a Deus após a sua libertação. Os ninivitas adoraram a Deus antes da sua libertação. O profeta relaciona-se com Deus como se Ele fosse seu criado.
Os gentios têm atitudes amorosas. Deus também tem atitudes amorosas. Salva os marinheiros, salva Jonas e salva Nínive. Jonas manifesta-se com mau humor e rancor.
Isaltino Filho conclui este ponto com este pensamento: Jonas amava mais as coisas do que as pessoas. Esta é a postura do mundo em que vivemos, mundo engolfado em um materialismo pragmático, onde as pessoas lutam, brigam, matam e morrem para ter coisas. Isso, porque as coisas se tornaram o bem maior na nossa escala de valores. Contra isso Jesus nos advertiu: “Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui” (Lc 12.15).
Um cristão não deve colocar as coisas como o valor último. Não coisifica pessoas nem personaliza coisas. Jonas, um homem que conhece o amor universal de Deus pelos povos, mas não se dispõe a proclamar esse amor com alegria (4.11). “E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?” (4.11).
CONCLUSÃO:
O livro de Jonas tem quatro desdobramentos:
capítulo 1, Jonas e a tempestade
capítulo 2, Jonas e o peixe
capítulo 3, Jonas e a cidade
capítulo 4, Jonas e o Senhor
O livro de Jonas tem uma particularidade:
No capítulo 1, Jonas é como o filho pródigo - insistindo em fazer as coisas a seu modo
No capítulo 4, é como o irmão mais velho do filho pródigo – crítico, egoísta, irado e infeliz com o que estava a acontecer
Lucas 15:11-32 Assim, chegados a este ponto e o livro termina. Somos deixados na presença de Deus, face a face com esta comovente revelação da compaixão divina.
O livro de Jonas termina com uma pergunta. Não sabemos se Jonas se arrependeu ou se permaneceu rebelde.
Não sabemos se sua ira cessou de arder ou se ele continuou amargo o restante da sua vida. Jonas não respondeu, porque essa resposta não deveria ser dada apenas por ele.
Jonas não está 2.700 anos distante de nós. Ele está dentro de nós. Jonas mora debaixo da nossa pele. O coração de Jonas bate em nosso próprio peito. O sangue de Jonas corre em nossas próprias veias. Sentimos compaixão por aqueles a quem Deus ama? Temos disposição de levar a Palavra para aqueles por quem Cristo morreu? O nosso coração se quebranta pelas mesmas causas que tocam o coração de Deus?
Warren Wiersbe, neste mesmo sentido, diz que o mais importante não é como Jonas respondeu à pergunta de Deus, mas sim como tu e eu estamos a responder a esta pergunta nos dias atuais.
Concordamos com Deus que as pessoas sem Cristo estão perdidas? Como Deus, temos sentido compaixão pelos perdidos? Nós nos preocupamos com os que vivem e na nossa visinhança, onde há tanto pecado e tão pouco testemunho? Oramos para que o evangelho alcance as pessoas de todas as partes do mundo e estamos a contribuir para isso? Nós nos regozijamos quando os pecadores se arrependem e crêem no Salvador? Não podemos responder por Jonas, mas podemos responder por nós. O amor de Deus é pelo mundo inteiro. E eu já senti este tão grande amor pelo Nuno quando era um miserável pecador.
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