A opressão como consequência do pecado

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Quando o jugo é quebrado pela graça

Texto base: Isaías 58.6–9“Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante? Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda; então, clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso;”
Introdução: Realizar um sermão temático é algo complicado, podemos acabar fugindo da real motivação do texto, e, compelindo os leitores a se perderem quanto ao propósito principal do autor bíblico. Nesse sermão, espero que seja possível explorar uma temática bíblica, de forma bíblica, e tentando de fato aprender o que o próprio texto sagrado tem a falar sobre o assunto da opressão nas escrituras.
Ilustração:
Imagine uma cidade cercada por muralhas altas e imponentes, representando a comunidade de fé. Dentro dessas muralhas, vemos pessoas engajadas em práticas religiosas, incluindo o jejum, buscando uma experiência mais profunda com Deus. No entanto, essa muralhas não servem como proteção para os que estão dentro pois eles estão corrompidos em suas motivações, e por conta disto, cercam e mantêm do lado de fora outras pessoas.
Percebe? Os que estão dentro, tornam os moradores oprimidos por conta do seu pecado interno, e os que estão de fora, sofrem por conta da exclusão realizada pela mera religiosidade deste grupo ilustrado como a muralha. O pecado oprime tanto o de fora quanto o de dentro, e muitos que estão dentro não percebem que a mera religiosidade não agrada ao Senhor de fato.
Breve panorama
O livro do profeta Isaías é um compêndio de teologia. Muita coisa pode ser extraída deste profeta, e o tema escolhido para hoje é o da opressão como uma consequência do pecado. O livro começa falando sobre a condenação de Judá e Israel (1-5), eles são chamados à obediência (6-12), é pronunciado juizo contra as nações (13-23), o Senhor faz promessas de restauração (24-27), são feitas profecias messiânicas (28-25) e encerrando o primeiro bloco, algumas narrativas históricas mostram a intervenção divina na história (36-39). Já na segunda parte do livro, podemos enxergar consolações sendo feitas para Israel (40-48), um servo que sofreria (49-53) e uma promessa de glória futura (54-66). Em todo o livro temas teológicos são destacados em seus capitulos, mas o que será destacado hoje é a questão entre um chamado à piedade e justiça.
Esse capítulo em questão, é uma crítica à adoração superficial e ritualista do povo. Ele confronta a desconexão da prática religiosa externa com a verdadeira justiça social. Como um povo, que se diz tão piedoso comete atos tão desonestos e injustiça e continua a se achar justo? O motivo é óbvio, o pecado os havia cegado. Eles então são convocados a adorarem de forma autêntica e prática, ultrapassando seus meros rituais, e penetrando nas áreas de responsabilidade social e ética.
Agora sim podemos explorar melhor o texto bíblico.
Isaías 58.6“Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo?”
O Senhor fala que em contraste com a prática hipócrita que eles estavam realizando entre o povo, eles deveriam “soltar as ligaduras da impiedade”. A pergunta que fica é: “Como?” Só que logo em seguida o Senhor responde “desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo?”
A palavra “servidão” usada por Isaías parece duas vezes apenas no verso em questão. A versão ARA (da qual estou utilizando) traduziu “servidão” e “jugo”. E elas dizem respeito aos pecados de opressão. O destaque maior realizado aqui é que, o verdadeiro jejum consistia em abolir as correias da opressão e quebrar todo jugo.
O fato é que, O Senhor havia escolhido uma maneira de amar verdadeiramente o próximo, e essa forma não era apenas prover os recursos necessários para os que estão precisando, mas também, amenizar o sofrimento dos que estavam sobre a servidão. O interessante nisso tudo é que ambos são libertos, pois, o oprimido é liberto da opressão a qual sofria e o opressor é liberto “das ligaduras da impiedade”.
Isaías 58.7 “Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante?”
O profeta faz uma transição entre libertar o povo da opressão e agora também realizar um compartilhamento de recursos. Não é apenas deixar com que o próximo seja livre, mas também, disponibilizar meios para que este viva, pois um “faminto” precisa de pão. Um “desabrigado” precisa de um local para sobreviver. Uma pessoa que esteja “nu” necessita de vestimentas. O cuidado de uns pelos outros é enfatizado pelo Senhor através do profeta, e “não te escondas do teu semelhante” enfatiza o fato de se identificar com o próximo, e de que por isso, temos a responsabilidade social para com eles.
Isaías 58.8 “Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda;”
Nitidamente vemos uma imagem poderosa dessa transformação, ele diz que estes que praticam o “jejum aceitável”, que não é apenas um ato formal, mas algo realmente transformador e motivado por amor ao próximo. A verdadeira prática e responsabilidade para com o próximo resulta em uma luz rompendo como a alva, cura para o opressor, justiça, glória do Senhor e proteção. Isso é fantástico!
É um surgimento de conhecimento genuíno, de uma prática equilibrada com a sabedoria que vem do Senhor e não apenas para impressionar os observadores com o que está sendo feito. Essa é a advertência e a exortação de Isaías. A pessoa que faz isso é curada apressadamente, é isto que está sendo dito quando ele fala “a tua cura brotará sem detença”. Ele está querendo enfatizar a rapidez pela qual Deus repsonde a busca sincera de compaixão e justiça de Israel.
Essa justiça se torna uma característica distintiva da vida da pessoa que obedece ao Senhor de coração. A presença do Senhor está com essa pessoa, e por isso eles deveriam observar da maneira correta a vontade do Senhor.
Isaías 58.9 “então, clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso;”
Nitidamente, o que Isaías está querendo enfatizar é que eles não estavam sendo ouvidos pelo Senhor nas suas súplicas vãs, pois não passava de mero formalismo. Eles não demonstravam compaixão para os mais fracos, por que Deus faria isso com eles também?
Mas ele diz “Então, clamarás, e o Senhor te responderá”, que maravilha! O conhecimento verdadeiro do Senhor produziria a presença real do Senhor entre eles. Eles eram os mais fracos e menos potentes se comparados a Deus, e agora, estariam realizando o mesmo gesto com os necessitados. Por isso, o Senhor dirá “Eis-me aqui”. A condição é óbvia, tudo o que já havia sido perguntado retóricamente. Isso tudo acontecerá “Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameça, o falar injurioso”.
A opressão é consequência do pecado, mas este jugo deve ser quebrado pela graça. Através da graça, tanto o opressor é liberto quanto o oprimido também é livre. Ambos são salvos, e o Senhor é glorificado verdadeiramente.
Aplicações
A justiça do Senhor e a sua glória estão nitidamente paralelas as palavras de Isaías. Aquele que liberta com justiça o seu povo em conformidade com as suas antigas promessas feitas aos patriarcas. O Senhor capacita o seu povo a obedecer à Ele, pois quando isto é feito ele é glorificado. E para isso, precisamos entender algumas coisas.
Israel como nação tinha o dever de cuidar dos necessitados e dos pobres, mas isso não acontecia, e por isso os profetas faziam acusações contra o povo. Embora hoje, a igreja não seja um Estado como Israel, não significa que não devamos agir em meio aos necessitados e oprimidos entre nós. Devemos agir da mesma maneira com a qual o Senhor agiu para conosco, com misericórdia e justiça, e devemos buscar isso como cidadãos também, elegendo pessoas que representem o mais próximo do padrão bíblico.
Devemos entender que apenas os atos sem o amor são vãos. O Senhor se alegra quando o obedecemos, e quando fazemos isso, demonstramos que o amamos, o amor não é dissociado da obediência ou da ação. E por isso, temos que nos empenhar em capacitar a nossa igreja, os membros, os líderes e até mesmo o bairro em que estamos inseridos a cuidar dos que necessitam. Mas, isso não deve ser apenas uma prática meramente religiosa ou ativista, devemos empenhar todas essas coisas submetendo todas elas à palavra de Deus, e buscando promover o Reino de Deus no meio destas pessoas.
Devemos pensar e desenvolver mecanismos que agreguem o verdadeiro conhecimento do Senhor entre as pessoas, e por mais que elas não venham a crer no Senhor, é um dever nosso zelar pela humanidade dessas pessoas no que tange a educação, cuidado da familia, saúde e até mesmo o lazer. O Senhor é glorificado em nossa vida através do nosso cuidado com os outros, eles também são imagem e semelhança do Senhor. E embora eles se encontrem em inimizade com Deus, o Senhor nos ordena a amar até mesmo os nossos inimigos. Amar a eles é Amar ao Senhor, uma vez que isto é obedecer ao seu mandamento.
Conclusão
Deus não é nutrido por interesse em observância cultica, esse é o destaque de Isaias 1.10-20. O povo achava que fazendo isso, levaria o Senhor a fazer as suas vontades. A realidade enfatizada por Isaías, demonstra que se o povo queria jejuar, ou, se privar de algo, que o fizessem por causa dos oprimidos, dos necessitados e dos impotentes e não por conta de sua religiosidade. Deus doa a si mesmo aos que nunca podem ressarci-lo. O que Isaías está enfatizando é que não há nada mais claro da presença de Deus na vida de uma pessoa do que uma reprodução desse mesmo comportamento do Senhor.
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