Ano Novo
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Introdução
Introdução
Estamos chegando ao fim de 2023, para uns um ano maravilhoso, para outros nem tanto, talvez para alguns de vocês, o pior ano de suas vidas. Um ano de crise para alguns, e conquistas para outros. Outros sofreram angústias, sofreram com instabilidades, outros experimentaram realizações.
Todos nós criamos expectativas de que o próximo ano sempre seja melhor do que o que passou, mas é fato também que as dificuldades nos amadurecem, nos deixa mais forte. Portanto, um ano bom, passa pela forma como lidamos com as situações ruins.
Mas o ser humano tem um grande problema. Gostamos de atribuir culpa a terceiros para tudo de ruim que acontece em nossa vida. Até mesmo nas mesmas alguma de nossas falhas ou defeitos, encontramos uma desculpa (temperamentos - Sanguíneo/impulsivo, Colerico/Ira, Flaumatico/Temor a homens).
Por outro lado, as vezes, as crises que passamos nos fazem olhar só para os aspectos negativos da vida. Por isso é muito importante que você olhe para trás e veja quantos motivos de agradecimento você tem pelo ano de 2023, mas evidenciamos mais os pontos negativos. Nessa noite eu gostaria de junto com vocês a partir da bíblia pensar em algumas resoluções para 2024.
No livro de Rute, vemos uma história de crise, mas também de amor e de provisão divina.
1 Nos dias em que os juízes julgavam, houve fome na terra de Israel. E um homem de Belém de Judá foi morar por algum tempo na terra de Moabe, com a sua mulher e os seus dois filhos. 2 Este homem se chamava Elimeleque, e sua mulher se chamava Noemi. Os filhos se chamavam Malom e Quiliom. Eram efrateus, de Belém de Judá. Foram à terra de Moabe e ficaram ali. 3 Algum tempo depois, Elimeleque, o marido de Noemi, morreu, e ela ficou sozinha com os dois filhos. 4 Estes casaram com mulheres moabitas. O nome de uma delas era Orfa, e o nome da outra era Rute. E ficaram ali quase dez anos. 5 Depois morreram também Malom e Quiliom, os dois filhos de Noemi. E assim ela ficou sozinha, sem os dois filhos e sem o marido.
Olhando para os cinco primeiros versículos vemos a história de uma família que estava em uma situação de crise, e diante dessa crise identificamos alguns problemas na decisão de Elimeleque. Belém era conhecida como a terra do pão, só que naquela época faltava o pão. A crise em Belém era reflexo da infidelidade do povo a Deus, a terra estava sem um rei, estava sem governo e o povo enfrentava uma crise não só econômica, mas também moral e espiritual. Havia guerra civil, o povo estava dividido, o povo estava incrédulo, cruel e a violência e a maldade eram grandes. Tudo isso era resultado de um abandono a Deus. Diante desse cenário, esse pai de família chamado Elimeleque, toma uma decisão, a de sair de Belém, embora essa seja aparentemente uma decisão um pouco óbvia, não era a decisão correta.
Diante da crise, seja ela qual for em que área for, temos três alternativas: Conviver com a crise (empurrar com a barriga), fugir da crise ou enfrentar a crise. Conviver com a crise nos anestesia, nos deixa duros e amargurados, mas fugir da crise nem sempre resolve o problema. Na verdade às vezes pensamos que estamos fugindo da crise enquanto estamos apenas protelando e levando a crise conosco.
Na fuga de Elimeleque podemos identificar um primeiro problema:
Incredulidade
Incredulidade
Belém era a terra de Deus, Moabe era uma terra inimiga, dos descendentes de Ló, frutos de um incesto com a própria irmã. Foram os moabitas que invadiram Israel e escravizado o povo por dezoito anos, as mulheres moabitas também haviam trabalhado contra o povo de Deus no deserto. Então porque Elimeleque vai buscar ajuda em Moabe, mesmo conhecendo todo esse histórico? Ele preferiu acreditar que poderia ser abençoado na terra inimiga e não na terra de Deus. As vezes a incredulidade nos faz acreditar assim, que poderemos ser mais abençoados fora de onde Deus nos colocou e procuramos terra inimiga para fugir da crise. Quando há crise no casamento as pessoas fogem do casamento por qualquer motivo, porque não querem enfrentar a crise e mesmo sabendo que o casamento foi instituído por Deus as pessoas optam pela solução do inimigo. Existem pessoas que tem três, quatro, cinco anos de vida cristã e já passou por mais de dez igrejas, porque não enfrentam crises. Outras diante da crise financeira aceitam atalhos para resolver a crise, optam por meios desonestos para superar a crise. Justificam seu erro com a crise. Quando agimos assim, agimos como Elimeleque, estamos honrando ao nosso inimigo e não a Deus.
Qual foi a consequência dessa incredulidade? Aquela família trocou a escassez de pão por três funerais. Quando saímos do lugar onde Deus nos quer, podemos estar trocando a escassez de pão por três funerais. Ele não cria que Deus poderia o abençoar dentro da crise, mas queria sair da crise.
Por isso eu queria te encorajar a examinarem profundamente suas crenças e dúvidas. Identifique as áreas em suas vidas onde a incredulidade possa estar tomando conta, que esteja te levando a confiar em soluções humanas ao invés da providência divina.
Precisamos desenvolver uma fé ativa, não apenas intelectual. Coloque a sua fé em prática, confiando em Deus nas decisões diárias, grandes ou pequenas, especialmente em momentos de incerteza ou crise. A fé genuína está enraizada em um relacionamento pessoal e contínuo com Deus. Busque diariamente um relacionamento mais profundo com Deus através da oração, estudo da Bíblia e meditação, para fortalecer sua fé.
Quando colhemos os frutos da incredulidade, geralmente expomos outros problemas como a dissimulação.
Dissimulação
Dissimulação
6 Então Noemi voltou da terra de Moabe com as suas noras, porque ainda em Moabe ouviu que o Senhor havia se lembrado do seu povo, dando-lhe alimento. 7 Assim, ela saiu do lugar onde havia morado, e as duas noras estavam com ela. Enquanto caminhavam, voltando para a terra de Judá, 8 Noemi disse às suas noras:
— Vão agora e voltem cada uma para a casa de sua mãe. E que o Senhor seja bondoso com vocês, assim como vocês foram bondosas com os que morreram e comigo. 9 O Senhor faça com que vocês sejam felizes, cada uma na casa de seu novo marido.
E deu um beijo em cada uma delas. Elas, porém, começaram a chorar alto 10 e lhe disseram:
— Não! Nós iremos com a senhora para junto do seu povo.
11 Mas Noemi disse:
— Voltem, minhas filhas! Por que vocês iriam comigo? Vocês acham que eu ainda tenho filhos em meu ventre, para que casem com vocês? 12 Voltem, minhas filhas! Vão embora, porque sou velha demais para ter marido. E ainda que eu dissesse: “Tenho esperança”, ou ainda que casasse esta noite e tivesse filhos, 13 será que vocês iriam esperar até que eles viessem a crescer? Ficariam tanto tempo sem casar? Não, minhas filhas! A minha amargura é maior do que a de vocês, porque o Senhor descarregou a sua mão contra mim.
14 Então, de novo, choraram em alta voz. Orfa, com um beijo, se despediu de sua sogra, porém Rute se apegou a ela.
15 Então Noemi disse:
— Veja! A sua cunhada voltou para o seu povo e para os seus deuses. Vá você também com ela.
Essa é a tentativa de esconder os nossos erros. Noemi decide então voltar para a sua terra, pois já havia sepultado o marido e os filhos levando consigo as suas noras. Ela tomou a decisão certa, mas talvez com a motivação errada. Ela pode ter voltado por medo, por causa do pão, mas não vemos confissão do pecado de ter abandonado a Deus. Ela poderia estar voltando para sua terra, mas talvez não estivesse voltando para o seu Senhor. Outro aspecto negativo é o fato dela não querer levar as suas noras para Belém, onde o único e verdadeiro Deus era adorado. Porque uma israelita temente a Deus desejaria que suas noras voltassem para o local onde os deuses falsos eram adorados? Ela deveria desejar a conversão daquelas mulheres, ela deveria saber que não vivemos somente pela necessidade do pão. A impressão que dá é que Noemi não queria que aquelas mulheres fosse com ela, pois seriam as provas irrefutáveis que ela e seu marido permitiram que seus filhos casassem com mulheres fora da aliança. Em outras palavras, Noemi poderia estar querendo encobrir sua desobediência. Quando encobrimos os nossos pecados estamos mostrando desonestidade e que não agimos de acordo com a Palavra de Deus. Esconder pecado nunca deu certo, um dia a casa cai. O verdadeiro arrependimento implica confissão de pecados com honestidade e quebrantamento.
13 Quem encobre as suas transgressões
jamais prosperará;
mas o que as confessa e abandona
alcançará misericórdia.
A história desta família nos relembra da importância da honestidade diante de Deus e dos outros. Seja transparente sobre seus erros e pecados, em vez de tentar escondê-los.
Confissão e Arrependimento: O arrependimento genuíno envolve tanto a confissão quanto a mudança de comportamento. Confesse seus pecados a Deus e busquecmaneiras concretas de mudar suas ações.
Por último, quando agimos fora da vontade de Deus, fruto da nossa incredulidade e não confessamos nossos pecados, mas escolhemos encobri-los, expomos um outro problema.
Amargura
Amargura
20 Porém ela lhes dizia:
— Não me chamem de Noemi, mas de Mara, porque o Todo-Poderoso me deu muita amargura.
Nesse ponto, Noemi chega a Belém, ela convenceu Orfa que era uma de suas noras, mas não conseguiu se livrar de Rute, e ao chegar lá chegou amargurada. A amargura por falta de confissão é a tentativa humana de culpar a Deus pelos nossos próprios erros. Em algum momento vemos Noemi ensinando sobre a Lei de Moisés para suas noras, vemos ela e seu marido orando a Deus, buscando a vontade de Deus? Mas ela culpa a Deus pela sua amargura, enquanto todas as consequências sofridas pela sua família foram frutos de uma decisão equivocada.
A história dessa família também nos ensina sobre a a necessidade de enfrentar sentimentos negativos com a graça de Deus. Precisamos trazer as nossas amarguras a Deus em oração, pedindo ajuda ao Senhor para nós processarmos todos esses sentimentos de maneira saudável.
Perdão e Reconciliação: Esse é o remédio para a amargura, a importância do perdão como um reflexo do perdão de Cristo por nós. Comece 2024 determinado a perdoar aqueles que os feriram, entendendo que isso é parte essencial do caminho cristão.
Supere a amargura também enxergando suas circunstâncias através da perspectiva de Deus. Confie que Deus pode usar até mesmo as experiências mais dolorosas para o seu crescimento e para Sua glória.
Imagine um jardineiro cuidando de um belo jardim. Em seu jardim, há uma árvore que já foi forte e saudável, mas agora está enfraquecendo. Suas folhas estão murchas e seu tronco está começando a apodrecer. O jardineiro, preocupado, tenta várias soluções: ele a rega mais, depois tenta menos água; ele muda o fertilizante, depois tenta podar alguns galhos. Mas nada parece funcionar.
Desesperado, ele chama um especialista em árvores, que rapidamente identifica o problema: a árvore estava plantada muito perto de uma fonte de água poluída. A árvore, que deveria estar recebendo nutrição e vida, estava, na verdade, sendo envenenada lentamente.
Este jardineiro é como Elimeleque em sua decisão de se mudar para Moabe. Ele viu os problemas - a crise de fome em Belém - e tentou resolver da maneira que achou melhor. No entanto, sem perceber, ele estava se aproximando de uma "fonte poluída" — a terra de Moabe — que, ao contrário de fornecer a solução, exacerbava o problema.
Assim como o jardineiro, muitas vezes em nossas vidas, enfrentamos crises e buscamos soluções rápidas sem considerar plenamente suas implicações espirituais e morais. Recorremos à incredulidade, pensando que sabemos o que é melhor, dissimulamos nossas falhas e, finalmente, nos tornamos amargurados quando as soluções do mundo falham conosco.
Conclusão
Conclusão
A quem temos atribuído nossos fracassos? Temos a tendência de nos valorizarmos nas vitórias e culparmos alguém pelas derrotas. No segundo caso, Deus se torna um dos nossos alvos favoritos, mas não enxergamos o conjunto de decisões sem consulta-lo que tomamos. Fugimos da crise ao invés de pedirmos ajuda a Deus na crise, que é o único que pode nos tirar da crise ou até mesmo nos acompanhar durante a crise até que ela termine. Elimeleque significa “meu Deus é Rei”, porém o Senhor de fato não reinava na vida dele. Ele saiu do local onde a presença de Deus era representada por uma terra inimiga e como consequência após dez anos aquela família colheu três funerais no lugar da escassez de pão. É melhor passar pela crise com Deus do que fugir da crise para terra inimiga. Como você tem enfrentado suas crises, como você vai enfrentar as crises que podem surgir em 2024? Ninguém pode decretar que o próximo ano vai ser da vitória, da derrota, da colheita, da escassez, da multiplicação ou do crescimento, mas você pode decidir descansar na vontade de Deus em meio a qualquer circunstancia, de crise ou de prosperidade.
