11 O COMUNISMO MARXISTA

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11 O Comunismo Marxista
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Um dicionário comum definiria o marxismo como o conjunto das doutrinas filosóficas, políticas e econômicas de Karl Marx e seus continuadores, que, reagindo às filosofias idealistas e dualistas, pregam o advento do socialismo alcançado através da luta de classes e da ditadura do proletariado, o mesmo que materi-alismo dialético.
Porém, à luz das Escrituras e das ciências que tratam do com­portamento humano, haveremos de notar que o marxismo é bem diferente daquilo que os marxistas ou comunistas dizem ser. Se não, vejamos.
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I. PRIMÓRDIOS DO MARXISMO
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Karl Friedrich Marx, pai intelectual do marxismo, nasceu em Treves, na Alemanha, em 1818, e morreu em 1883. Seus pais eram judeus, convertidos ao Cristianismo. Marx mesmo, quando criança, fora batizado numa igreja protestante na Alemanha. Após se formar em Filosofia, ingressou no jornalismo e na política.
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1.1. Formação Religiosa de Marx
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Quando muito jovem, Marx se confessava cristão. Nessa épo­ca, em sua tese: "O Jovem e a Escolha de Sua Carreira", advertia a juventude a tomar em consideração a vontade de Deus, antes de cada um se decidir sobre a grande obra de sua vida. Escreveu ele: "A própria religião ensina-nos que o Ideal que todos lutam para alcançar, sacrificou-se a si próprio pela humanidade, e quem ou­sará contradizer tal afirmação? Se escolhermos a posição na qual podemos realizar o máximo por ele, então não poderemos nunca ser esmagados pelas responsabilidades, porque elas são apenas sacrifícios feitos em favor de todos".
A certa altura do seu curso ginasial, respondendo à prova: "Sobre a União dos Crentes com Cristo", ele escreveu:
"... o zelo pela virtude é abafado pela voz tentadora do peca­do, e se transforma em escárnio, assim que sentimos o pleno im­pacto da vida. A luta pelo entendimento é posta de lado por uma vulgar concupiscência pelos bens terrenos.
"O anseio pela verdade é amortecido pela força doce e lisonjeadora da mentira. E assim o homem permanece como a única criatura, em toda a natureza, que não cumpre o seu propósito, o único membro do Universo que é indigno do Deus que o fez.
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"Todavia, o gracioso Criador é incapaz de odiar a obra de suas mãos. Deseja erguê-la até onde Ele mesmo está, e, assim sendo, enviou o seu Filho, e agora nos chama através destas palavras: 'Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado; permanecei em mim, e eu permanecerei em vós...' (Jo 15.3,4 (refs2)).
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"E onde Cristo expressa com maior clareza a necessidade de união com Ele do que na bela parábola da vinha e seus ramos, na qual Ele se compara com a vinha e a nós com os ramos?
"Os nossos corações, a razão, a história, a Palavra de Deus, tudo nos faz apelos em altas vozes, convincentemente, dizendo-nos que a união com Ele é absolutamente necessária; que sem Ele serí­amos rejeitados por Deus; que somente Ele é capaz de libertar-nos... "Uma vez que um homem tenha atingido essa virtude, essa união com Cristo esperará calma e tranqüilamente os golpes da desventura. Opor-se-á bravamente às tempestades da paixão e re­sistirá impavidamente aos rugidos dos iníquos; pois quem poderia arrebatá-lo de seu Redentor?"
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Karl Marx, pai do comunismo ateísta e materialista
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1.2. A Radical Mudança
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Aconteceu em 1835. Haviam-se passado apenas dois anos depois de ter escrito tão belo depoimento, quando Karl Marx de­clarou-se um ateu convicto. Oito anos mais tarde, diz: "O homem é que faz a religião; a religião não faz o homem... a religião é o ópio do povo... o povo não poderá sentir-se realmente feliz en­quanto não for privado da felicidade ilusória mediante a supers­tição da religião!"
Por essa época, num de seus poemas, Marx escreveu o seguin­te: "Desejo vingar-me daquele que governa lá em cima".
Mas o que aconteceu na vida de Karl Marx, para que, da noite para o dia, se transformasse num declarado inimigo de Deus e do Cristianismo? No seu livro Era Karl Marx um Satanista?, Richard Wurmbrand não descarta a possibilidade de um envolvimento de Marx com o satanismo, forma de culto muito em voga hoje em dia.
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1.3. Vítima da Falsa Teologia
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Antes de se ligar à Economia e tornar-se um comunista de renome, Marx foi um humanista. Hoje, cerca de um terço do mun­do é marxista. Nesse meio estão muitos pseudo-cristãos, que, sem a experiência genuína e sobrenatural da conversão e sem a orien­tação da Bíblia, caem vítimas das doutrinas infames do marxismo ateu e materialista. É aqui que se enquadram os teólogos da Liber­tação como "tolos úteis", a serviço do marxismo.
Apesar da decisão marxista de destruir a religião e de opor-se a tudo quanto tem relação com Deus, desde o princípio o mar­xismo tem encontrado fiéis aliados nos teólogos modernistas e liberais. Por exemplo, foi lendo um livro do teólogo liberal Bru­no Bauer, que Engels, na época um cristão professo, passou a descrer dos valores eternos registrados na Bíblia, vindo a se aliar a Marx logo depois. E que tipo de pessoa era Bruno Bauer, que contribuiu decisivamente na destruição da fé de Engels e apoiou Marx em seus intentos anticristãos? É possível conhecê-lo um pouco lendo parte de uma carta que ele encaminhou ao seu ami­go Arnould Ruge, também amigo pessoal de Karl Marx e Engels:
"Faço conferências aqui na Universidade ante um grande au­ditório... Não me reconheço a mim mesmo, quando pronuncio minhas blasfêmias do púlpito. Elas são tão grandes, que estas cri­anças, a quem ninguém deveria escandalizar, ficam com os cabe­los em pé. Enquanto profiro as blasfêmias, lembro-me de como trabalho piedosamente em casa, escrevendo uma apologia das Sa­gradas Escrituras e do Apocalipse. De qualquer modo, é um de­mônio muito cruel que se apossa de mim, sempre que subo ao púlpito, e sou forçado a render-me a ele... Meu espírito de blasfê­mia somente será saciado se estiver autorizado a pregar aberta­mente como professor do sistema ateísta".
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II. O QUE PREGA O MARXISMO
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Em síntese, o marxismo prega os seguintes temas:
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2.1. A Guerra de Classes
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Segundo o marxismo, há no Universo inteiro um estado de oposição, de sorte que tudo o que há no mundo é fruto de forças que se opõem. Exemplo: a morte se opõe à vida, o bem ao mal, etc. É este conflito que dá dinamismo à vida. Em tudo há sempre duas forças que se opõem; a força principal chama-se "tese", e a secundária que reage chama-se "antítese". Na luta entre as duas, a tese prevalece e vence a antítese. A isto o marxismo chama "ponto crítico". O ponto crítico transforma a quantidade em qualidade, resultando daí a "síntese".
O marxismo aplica a guerra de classes à humanidade, observando o seguinte raciocínio: A humanidade está dividida em duas forças que se opõem: operários e patrões ou chefes e subordina­dos. O operário é a força chamada "tese"; enquanto os patrões são a força reacionária, a "antítese". Há guerra eterna entre estas duas classes. O resultado final será a tese vencer a antítese, isto é, a classe trabalhista destruir o sistema capitalista.
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2.2. O Conceito de Paz
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Os marxistas sempre falam em paz. Mas o que entendem eles por paz? Para o marxismo a paz só é possível com a destruição do povo capitalista pelo operariado, ou como dizem eles: "A vitória do proletariado sobre a burguesia".
Quando um marxista fala em paz, refere-se à vitória total do comunismo. Deste modo, o que chamamos de "paz" é para o mar­xismo um ato de guerra.
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2.3. Proletariado e Capitalismo
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Na dialética materialista do marxismo, a classe operária é cha­mada proletariado; todos os demais compõem a burguesia ou ca­pitalismo. O que o marxismo chama capitalismo não são somente os ricos, comerciantes e industriais, mas o sistema democrático, todas as religiões, igrejas e organizações religiosas.
Segundo Marx, a religião é uma espécie de travesseiro sobre o qual o crente está a dormir, a fim de não se engajar na luta contra os exploradores, na esperança de ter uma vida num além, que nun­ca chegará. Portanto, é ensino básico do marxismo que o homem, para viver bem e dirigir seus destinos, precisa destruir primeira­mente a religião e a propriedade privada.
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2.4. O Conceito de Propriedade
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O marxismo caracteriza-se pela sistemática oposição à pro­priedade privada, à liberdade econômica, e à livre iniciativa. Marx e Engels declararam em 1848 aquilo que hoje é um diapasão do marxismo: "Os Comunistas podem resumir sua teoria nesta única expressão: 'abolição da propriedade privada'". Para o marxismo, "a propriedade privada é um roubo". Deste modo, o alvo do mar­xismo é que toda propriedade seja administrada pelo Estado (pelo Estado comunista, evidentemente), inclusive no que diz respeito às necessidades individuais. Isto acarreta um totalitarismo absolu­to em que o indivíduo fica absorvido pela coletividade.
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III. O MARXISMO E O PROBLEMA DA LIBERDADE
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Um dos sinais de enfraquecimento da fé e da democracia em nosso país é o entusiasmo simplista de alguns cristãos pelas teses marxistas. Para tanto aventam as mais estranhas interpretações dos textos bíblicos na vã esperança de uma legitimação de atitudes inaceitáveis a um autêntico seguidor de Jesus Cristo.
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3.1. Os Riscos do Comprometimento
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Aos ouvidos de cristãos incautos, soam, com doçura angelical, as seguintes palavras:
"Os cristãos devem optar definitivamente pela revolução, e es­pecialmente no nosso continente, onde a fé cristã é tão importante entre a massa popular. Quando os cristãos se atreverem a dar um testemunho revolucionário integral, a revolução latino-americana será invencível, já que até agora os cristãos permitiram que sua dou­trina fosse instrumentalizada pelos reacionários" (Che Guevara).
"Sugerimos uma aliança entre o Cristianismo e o marxismo. Os objetivos humanos de Cristo e Marx, cada qual com sua pró­pria filosofia, são os mesmos. Não podemos falar sobre o outro mundo, mas neste mundo podemos ter completa concordância, com fraternidade e solidariedade" (Fidel Castro).
Ao receber uma Bíblia, no Chile, Fidel observou: "Aqui le­mos muitos exemplos de conduta tipicamente comunista... Cristo, multiplicando os peixes e os pães para alimentar o povo, é um belo exemplo... Nós não temos a resposta de Cristo. Mas, basea­dos na sua doutrina, tentamos fazer a mesma coisa: dar pães e peixes a todos!"
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Mausoléu de Lenin na praça Vermelha, em Moscou: culto à criatura em lugar do Criador
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3.2. Marxismo versus Igreja
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O marxismo considera a Igreja, na melhor das hipóteses, irrelevante, e, na pior, como instituição econômica e, politicamen­te, opressora. Descreve a concepção cristã do mundo e da vida como algo anquilosado nas esferas de uma hierarquia estática, em uma concepção medieval do mundo que se esforça por impor como válida.
O marxismo é uma filosofia do homem que, conforme diz H. Bass, "pretende oferecer-nos uma resposta ao problema do ho­mem..., sua origem..., seu destino histórico...; uma resposta ao pro­blema da existência e da possibilidade de exercício de uma liber­dade do homem". O marxismo, que pretende ser uma doutrina de salvação, só se satisfaz quando exerce um controle sobre todo o homem, em seu ser e seu operar, num delírio de universalidade dominante.
Bardiaeff, profundo conhecedor do marxismo, em cujas filei­ras formou durante vários anos, escreve: "Pretende o marxismo ser universal, quer impor-se sobre toda a experiência, e não só sobre alguns de seus movimentos". Por isso, o marxismo é uma filosofia do homem, totalitária em sua ambição. Nos poucos paí­ses ainda sob governo marxista ou comunista, o Estado exerce controle sobre tudo. O cidadão é vigiado e a delação é uma tradi­ção, quase um dever. O Estado comunista, assim como "O Grande Irmão", principal personagem do livro 1984, de George Orwell, a todos vê, patrulha e controla.
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3-3- Patrulhamento Ideológico
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A revista Veja, de 25 de junho de 1986, mostrou que durante uma recente estada no Ocidente, Yelena Bonner, mulher do físico e dissidente soviético Andrei Sakharov, declarou que se sentia como um micróbio numa lâmina sob um microscópio, tal a vigilância a que ela e seu marido eram submetidos na cidade de Gorki, a 400 quilômetros de Moscou, para onde foram banidos por suas críticas ao regime comunista.
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Prosseguindo na sua matéria, diz a Veja: "No apartamento de Gorki, o casal vive em completo isolamento dos amigos e impedi­do de ouvir rádio, por causa de interferências provocadas pela po­lícia. Para sintonizar estações ocidentais, Yelena revelou, recente­mente, que eles vão até o cemitério local, onde a recepção é me­lhor. Para ambos, parece haver poucas esperanças de libertação a curto prazo".
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Durante o regime comunista na extinta União Soviética, ao manter Sakharov confinado, os soviéticos exerciam uma prerro­gativa típica das tiranias — a de libertar os adversários a seu crité­rio, como fez o Kremlin, ao autorizar, em 1986, a emigração de Anatoly Sharansky para Israel, mas mantendo sempre um preso notável como símbolo de resistência a pressões externas e uma advertência interna para a força da repressão.
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3.4. Marxismo, o Apogeu do Humanismo
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O marxismo não se dá por satisfeito em formular uma deter­minada crença sobre o homem, mas procura impô-la, fazendo uma sondagem nas profundidades do homem para obrigá-lo a tomar consciência de suas potencialidades inimagináveis; induz o ho­mem à crença de poder ser um deus antes mesmo de atingir a dignidade que o faça humano; quer dirigir, como um fanal seguro, o desenvolvimento, a realização do homem em seu caminho pelo mundo. Tudo isso não é alguma coisa que o marxismo murmura debilmente e oferece como opção; é um urgente "imperativo categórico" que brada dos lábios do seu fundador. O marxismo se pro­põe transformar o homem, o grande sol do Universo, em torno do qual tudo gravita.
Como pode uma filosofia arrogar-se um império sobre o ho­mem? Como pode pretender ter prerrogativas que incidem sobre toda a dimensão humana, cujo santuário não se abria a não ser para a potestade da religião e da fé? A resposta é a seguinte: O marxismo é uma religião, uma religião do homem. Afirmá-lo não é imprudência nossa, mas declaração de Marx: "A religião dos trabalhadores é sem Deus, porque procura restaurar a divindade do homem".
Com razão disse Bochenski: "O conceito de valor absoluto do comunismo é um valor religioso. A dialética é o infinito e a infini­ta plenitude de valores. A atitude diante dela, e em conseqüência, ante o partido, é uma postura sacral..." Ignácio Leep, convertido do marxismo, apresenta a mesma opinião a partir da sua própria experiência: "O marxismo não se contenta em combater as igre­jas. Quer desempenhar, na vida social e na consciência do indiví­duo, o papel que anteriormente se atribuía às religiões".
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IV. OPÇÃO PELA DEMOCRACIA E PELA LIBERDADE
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Dizer aqui que a Igreja é perseguida nos países comunistas, para alguns simpatizantes do marxismo, não passa de sensacionalismo e mentira veiculados pela imprensa ocidental, principalmente a imprensa norte-americana. Note, porém, que não eram jornalis­tas ocidentais que afirmavam haver perseguição por motivos reli­giosos na extinta União Soviética. Há mais de quinze anos o dissi­dente russo Alexander Solgnytzem, no seu famoso livro Arquipé­lago Gulag, descreve a Rússia como uma grande prisão. Anatoly Sharansky, outro dissidente russo, em depoimento no Congresso Americano em 1986, disse existir na época nada menos que qua­trocentos mil prisioneiros na extinta União Soviética, por dissi­dência política ou por perseguição religiosa.
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4.1. A Democracia Garante a Liberdade de Culto
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A garantia democrática da liberdade de culto não pertence à ordem das concessões, mas à dos reconhecimentos. E o reconhe­cimento, pelo Estado, de que o espírito se eleva às regiões do Infi­nito, regiões que se acham muito acima daquela em que vegetam os cobradores de impostos. Como disse Tomas Paine, um dos gran­des propugnadores da liberdade americana, o Estado não tem au­toridade alguma para determinar ou conceder ao homem a liber­dade de adorar a Deus, assim como não poderia conceder a Deus a liberdade de aceitar essa adoração.
Por reconhecermos a dignidade da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, esperamos que o Estado assegure a seus cidadãos o direito de viver livres de toda e qualquer coação, ou acepção, em matéria de religião. Este e qualquer outro direito inerente à dignidade do homem devem ser cuidadosamente res­guardados, porque, uma vez feridos, todas as liberdades sofrem agravo.
Toda interpretação da liberdade religiosa inclui o direito de render culto a Deus conforme a consciência individual, de criar os filhos na crença de seus pais; de mudar de religião, de publicar literatura e fazer obra missionária, de associar-se a outras pessoas, de adquirir e possuir bens de raiz para estes fins.
Para salvaguardar a ordem pública e fomentar o bem-estar do povo, tanto o Estado, ao reconhecer a liberdade religiosa, como o povo, no usufruto deste direito que se lhe reconhece, devem cum­prir com obrigações recíprocas. O Estado deve proteger todos os grupos, tanto as minorias como as maiorias, jamais permitindo qualquer limitação de direitos legais por motivos religiosos. O povo, por sua vez, deve exercer seus direitos sentindo plenamente sua responsabilidade e vivendo numa atitude de respeito aos direitos dos outros. Estas são peculiaridades exclusivas dos Estados de­mocráticos.
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4.2. Por que Preferir a Democracia
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O povo brasileiro, principalmente o cristão, deve precaver-se diante do perigo de se deixar enfeitiçar pelo canto da sereia do comunismo. As soluções dos nossos problemas políticos e sociais não dependem da adoção do modelo político cubano em nosso país. Um modelo político que falhou em Cuba e que também fra­cassou na Nicarágua jamais terá melhor sorte no Brasil. Parte das soluções de nossos problemas sociais depende fundamentalmente do fortalecimento e aperfeiçoamento das instituições democráti­cas em nosso país.
A democracia é preferível ao marxismo comunista, por vários motivos, dentre os quais se destacam os seguintes:
1) O comunismo tem como bandeira a decisão de desarraigar o sentimento divino do coração dos homens, transformando ho­mens como Marx, Lenin, Stalin, Fidel Castro, etc, em deuses.
2) O comunismo se propõe não apenas a abolir a fé e a crença em Deus, mas também persegue a Igreja, enquanto prega o ateís-mo como forma de religião do Estado.
3) A pretexto de distribuir a riqueza em parcelas iguais a to­dos, o que o comunismo tem feito mesmo é distribuir equitativamente a pobreza.
4) O comunismo anula a posse da propriedade privada, en­quanto tolhe o sonho dos que nada têm de algum dia possuírem alguma coisa mais.
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5) A tese do "Novo Homem" (do qual Che Guevara é aponta­do como modelo), propugnado pelo comunismo como resultado da manipulação feita pela dialética marxista e pelas lutas de clas­se, constitui-se num anti-evangelho, uma vez que, de acordo com a mensagem do Evangelho, o único meio através do qual o homem pode ser feito uma nova criatura é através da aceitação do senho­rio de Jesus Cristo sobre sua vida (Jo 3.1-8).
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4.3. Conclusão
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O cristão deve opor-se ao marxismo comunista não do ponto de vista do capitalismo, seja ele de que linha for, mas do ponto de vista do Reino de Deus que, ao contrário do marxismo, prega o amor entre os homens, a compreensão e a solidariedade entre os povos, pontifica a necessidade da conversão do pecado a um esta­do de graça diante de Deus, e enfatiza o senhorio de Cristo e o governo divino sobre o homem e a História.
Como bem disse Rui Barbosa: "O comunismo não é fraternidade, é a invasão do ódio entre as classes. Não é reconcili­ação dos homens, é a sua exterminação mútua. Não arvora a ban­deira do Evangelho; bane Deus das almas e das reivindicações populares. Não dá tréguas à ordem. Não conhece a liberdade cris­tã. Dissolveria a sociedade. Extinguiria a religião. Desumanaria a humanidade. Everteria, subverteria, inverteria a obra do Criador".
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