Teontologia

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Introdução

Daniel 11.32 (BHS OT)
וְעַ֛ם יֹדְעֵ֥י אֱלֹהָ֖יו יַחֲזִ֥קוּ וְעָשֽׂוּ׃
“Mas o povo (LXX : δῆμος “região”), aqueles que conhecem o seu Deus serão forte (LXX : κατισχύσουσι “superpoderosos) e agirão/farão [coisas, proezas].”
ARC
Comentários : “… é muito difícil encontrar uma igreja que fale dos atributos de Deus, aki perto de casa é só benção, vitória, cura, campanha pra libertação, prosperidades isso e aquilo. Mas pregar o arrependimento que é bom nada eu visito igrejas e pra mim é mesmo que nada. Não me conforta o que é pregado.”
“Eu estou em busca de realmente me converter ao verdadeiro evangelho de Cristo, estou buscando congregar nessa igreja, por ser uma denominação de palavra e sei que terei ajuda e irei ouvir a mais pura palavra de Deus, que me confronta, que me fará enxergar o quão podre sou e preciso de Jesus a cada dia, eu preciso ser transformada de verdade. Preciso ser nascida de verdade. Eu sou de berço cristão, porém reconheço que não nasci de novo, pois se não, eu não estaria nessa condição.”

INTRODUÇÃO

Agradecimento
Plano

A. Definições

1. Θεολογία

Sinopse: Conceito: O termo Θεολογία (Teologia) a partir do conceito escolástico medieval e das rupturas surgidas por meio das principais controvérsias cristãs, tornou-se termo elástico e inclusivo para reconhecer o expoente pragmático de um sistema teológico, combinando o nome do indivíduo ao vocábulo Θεολογία (Teologia). Assim temos: Teologia Agostiniana, Teologia Arminiana, Teologia Wesleiana, Teologia Paulina, Teologia Joanma, e muitas outras.
Transliteração e Tradução : O Termo Teologia, tal qual conhecemos na língua portuguesa, não se encontra nas escrituras. Procede originalmente de dois substantivos gregos, o genitivo θεοu (theou = Deus) e do acusativo λόγια (logia), que significa “tratado, fala” (1Pe 4 .11). Em Lucas 4.32, λόγοσ - logos é traduzido como Palavra, Ensino (Jo 4.41). Assim, θεολογία (Teologia) é o Ensino, Discurso, Tratado ou Ciência sobre Deuse dos assuntos relacionados com a Divindade.

2. Sistemática

Teologia sistemática pode ser definida como a coleção, cientificamente arrumada, comparada, exibida e defendida de todos os fatos de toda e qualquer fonte referentes a Deus e às Suas obras

B. Problema

Como faço para conhecer corretamente Deus ?
Estudando a Bíblia, procurando compreender Deus e procurando ser corrigido enquanto a leio.
< Teologia
< Sistemática

C. Delimitação

1. Teontologia

Teontologia é a matéria da teologia sistemática que aborda questões relacionadas ao ser de Deus e suas obras. A palavra teontologia vem do grego e é formada por três vocábulos: theos, “Deus”, ontos, “ser”, e logos, “palavra” ou “lógica”. Daí o significado de teontologia diz respeito ao “estudo do ser de Deus”. Portanto, a teontologia é a teologia propriamente dita, ou seja, é a Doutrina de Deus.

D. Importância:

Sem conhecer Deus corretamente o crente

1. se perde (sai do manancial)

Oséias 4.6 NAA
O meu povo está sendo destruído, pois lhe falta o conhecimento. Pelo fato de vocês, sacerdotes, rejeitarem o conhecimento, também eu os rejeitarei, para que não sejam mais sacerdotes diante de mim; visto que se esqueceram da lei do seu Deus, também eu me esquecerei dos seus filhos.”

2. se corrompe (não tem visão a respeito de Deus)

Provérbios 29.18 NAA
Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é feliz.

3. não tem convicção do pecado

1Coríntios 15.34 NAA
Voltem à sobriedade, como convém, e não pequem. Porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus. Digo isto para vergonha de vocês.

4. é levado pratica o sincretismo.

Jz 2.10s; 17.6
Juízes 2.10s NAA
Toda aquela geração também morreu e foi reunida aos seus pais. E, depois dela, se levantou uma nova geração, que não conhecia o Senhor, nem as obras que ele havia feito por Israel.
Juízes 17.6 NAA
Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais certo.

5. não honra a Deus

Jo 4.22
João 4.22 NAA
Vocês adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus.
por terem sidos misturados, o conhecimento dos samaritanos foi diluído. Adorar a um deus fabricado no domingo.
não consegue honrar a Deus pelo o que Ele é e fez/faz/fará.
Ex 15.2-3, 6-7, 11-13, 16-18
Êxodo 15.2–3 NAA
O Senhor é a minha força e o meu cântico; ele se tornou a minha salvação. Este é o meu Deus; portanto, eu o louvarei; ele é o Deus de meu pai; por isso, o exaltarei. O Senhor é homem de guerra; Senhor é o seu nome.
Êxodo 15.6–7 NAA
A tua mão direita, ó Senhor, é gloriosa em poder; a tua mão direita, ó Senhor, despedaça o inimigo. Na grandeza da tua excelência, derrubas os que se levantam contra ti; envias o teu furor, que os consome como palha.
Êxodo 15.11–13 NAA
Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas? Estendeste a mão direita, e a terra os engoliu. Com a tua bondade guiaste o povo que salvaste; com a tua força o levaste à habitação da tua santidade.
Êxodo 15.16–18 NAA
Sobre eles cai espanto e pavor; pela grandeza do teu braço, emudecem como pedra; até que passe o teu povo, ó Senhor, até que passe o povo que adquiriste. Tu o introduzirás e o plantarás no monte da tua herança, no lugar que preparaste, ó Senhor, para a tua habitação, no santuário, ó Senhor, que as tuas mãos estabeleceram. O Senhor reinará por todo o sempre.
1Co 14.15

6. comete idolatria

2Rs 17.16
2Reis 17.16 NAA
Desprezaram todos os mandamentos do Senhor, seu Deus, e fizeram para si imagens de fundição, dois bezerros; fizeram um poste da deusa Aserá, e adoraram todo o exército do céu, e serviram Baal.

II. Teontologia: a doutrina de deus

A. Definições de Deus

A) definição filosófica de Platão: Deus é o começo, o meio e o fim de todas as coisas. Ele é a mente ou razão suprema; a causa eficiente de todas as coisas; eterno, imutável, onisciente, onipotente; tudo permeia e tudo controla; é justo, santo, sábio e bom; o absolutamente perfeito, o começo de toda a verdade, a fonte de toda a lei e justiça, a origem de toda a ordem e beleza e, especialmente, a causa de todo o bem.
B) Definição cristã do breve catecismo: Deus é um espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade.
C) Definição combinada: Deus é um espírito infinito e perfeito em quem todas as coisas têm sua origem, sustentação e fim (Jo 4.24; Ne 9.6; Ap 1.8; Is 48.12; Ap 1.17 .

1. Expressões da natureza essencial de Deus

As expressões "Deus é espírito" (João 4.24 “Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.”
e "Deus é luz " (1João 1.5 “A mensagem que dele ouvimos e que anunciamos a vocês é esta: Deus é luz, e não há nele treva nenhuma.”

2. Expressão da personalidade de Deus (1Tm 6.16)

Enquanto a expressão "Deus é amor" (1João 4.7 “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus, e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.”

B. Existem diversas definições de teologia [sistemática]

Chafer: Uma ciência que segue um esquema ou uma ordem humana de desenvolvimento doutrinário e que tem o propósito de incorporar no seu sistema a verdade a respeito de Deus e o Seu Universo a partir de toda e qualquer fonte. Ela é temática porque segue uma forma de tese humanamente idealizada, e apresenta e verifica a verdade como verdade. (Lewis Sperry Chafer)
Alexander: A ciência de Deus... um resumo da verdade religiosa cientificamente arranjada, ou uma coleção filosófica de todo o conhecimento religioso. (W. Lindsay Alexander)
Hodge: A teologia sistemática tem por objetivo sistematizar os fatos da Bíblia, e averiguar os princípios ou verdades gerais que tais fatos envolvem. (Charles Hodge)
Strong: A ciência de Deus e dos relacionamentos de Deus com o Universo. (A. H. Strong)
Thomas: A ciência é a expressão técnica das leis da natureza; a teologia é a expressão técnica da revelação de Deus. Faz parte da teologia examinar todos os fatos espirituais da revelação, calcular o seu valor e arranjá‐los em um corpo de ensinamentos. A doutrina, assim, corresponde às generalizações da ciência. (W. H. Griffith Thomas)
Shedd: Uma ciência que se preocupa com o infinito e o finito, com Deus e o Universo. O material, portanto, que abrange é mais vasto do que qualquer outra ciência. Também é a mais necessária de todas as ciências. (W. G. T. Shedd)
Definições inadequadas: Para definir teologia foram empregados alguns termos enganadores e injustificados. Já se declarou que ela é "a ciência da religião"; mas o termo religião de maneira nenhuma é um sinônimo da Pessoa de Deus e de toda a Sua obra.
Tratamento Científico: Da mesma forma já se disse que ela é "o tratamento científico daquelas verdades que se encontram na Bíblia; mas esta ciência, embora extraia a porção maior do seu material das Escrituras, extrai também o seu material de toda e qualquer outra fonte. A teologia sitemática também tem sido definida como o arranjo ordeiro da doutrina cristã; mas como o cristianismo representa apenas uma simples fração de todo o campo da verdade relativa à Pessoa de Deus e o Seu universo, esta definição não é adequada.

C. Outras teologias

1. Natural:

Estuda fatos que se referem a Deus e Seu universo que se encontra revelado na natureza.

2. Exegética:

Estuda o Texto Sagrado e assuntos relacionados, através do estudo das línguas originais, da arqueologia bíblica, da hermenêutica bíblica e da teologia bíblica.

3. Bíblica:

Investiga a verdade de Deus e o Seu universo no seu desenvolvimento divinamente ordenado e no seu ambiente histórico conforme apresentados nos diversos livros da Bíblia. A teologia bíblica é a exposição do conteúdo doutrinário e ético da Bíblia, conforme originalmente revelada. A teologia bíblica extrai o seu material exclusivamente da Bíblia.

4. Histórica:

Considera o desenvolvimento histórico da doutrina, mas também investiga as variações sectárias e heréticas da verdade. Ela abrange história bíblica, história da igreja, história das missões, história da doutrina e história dos credos e confissões.

5. Dogmática:

É a sistematização e defesa das doutrinas expressas nos símbolos da igreja. Assim temos "Dogmática Cristã", por H. Martensen, com uma exposição e defesa da doutrina luterana; "Teologia Dogmática", por W. G. T. Shedd, como uma exposição da Confissão de Westminster e de outros símbolos presbiterianos; e "Teologia Sistemática", por Louis Berkhof, como uma exposição da teologia reformada.

6. Prática:

Trata da aplicação da verdade aos corações dos homens. Ela busca aplicar à vida prática os ensinamentos das outras teologias, para edificação, educação, e aprimoramento do serviço dos homens. Ela abrange os cursos de homilética, administração da igreja, liturgia, educação cristã e missões.

III. ESSÊNCIA OU NATUREZA DE DEUS

A. Argumento

Quando falamos em essência de Deus, queremos significar tudo o que é essencial ao Seu Ser como Deus, isto é, substância e atributos.

1. Substância de Deus:

De maneira geral há duas substâncias: matéria e espírito.
· Deus é uma substância simples: A substância de Deus é puro espírito, sem mistura com a material (João 4.24 “Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.”

2. Atributos de Deus:

· Os atributos são as qualidades ou propriedades dessa substância.
Atributos é a manifestação do Ser de Deus.

B. Classificação Dos Atributos

Naturais e Morais: Também chamados de "intransitivos e transitivos", "incomunicáveis e comunicáveis", "absolutos e relativos", "negativos e positivos" ou "imanentes e emanentes".

IV. Atributos Naturais:

A. Vida:

Deus tem vida; Ele ouve, vê, sente e age, portanto, é um Ser vivo (Jo 10.10; Sl 94.9,10; 2Cr 16.9; At 14.15; 1Ts 1.9). Quando a Bíblia fala do olho, do ouvido, da mão de Deus etc., fala metaforicamente. A isto se dá o nome de antropomorfismo. Deus é vida (Jo 5.26; 14.26) e o princípio de vida (At 17.25,28).

B. Espiritualidade:

Deus, sendo Espírito, é incorpóreo, invisível, sem substância material, sem partes ou paixões físicas e, portanto, é livre de todas as limitações temporais (Jo 4.24; Dt 4.15‐19,23; Hb 12.9; Is 40.25; Lc 24.39; Cl 1.15; 1Tm 1.17; 2 Co 3.17).

C. Personalidade:

Existência dotada de autoconsciência e autodeterminação (Ex.3:14; Is 46:11).
· Volição ou vontade = querer (Is 46.10; Ap 4.11).
· Razão ou intelecto = pensar (Is 14.24; Sl 92.5; Is 55.8).
· Emoção ou sensibilidade = sentir (Gn 6.6, 1 Rs 11.9, Dt 6.15; Pv 6.16; Tg 4.5)

D. Tri‐Unidade:

1. Unidade de Ser:

Há, no Ser divino, apenas uma essência indivisível. Deus é um em sua natureza constitucional. A palavra hebraica que significa um no sentido absoluto é yacheed (Gn 22.2), isto é, uma unidade numérica simples. Essa palavra não é empregada para expressar a unidade da divindade.
A Unidade da Divindade:
É ensinada nas palavras de Jesus: Eu e o Pai somos um (Jo 10.30). Jesus está falando da unidade da essência e não de unidade de propósito (Jo 17.11,21‐23, 1Jo 5.7).

2. Trindade de Personalidade:

Há três Pessoas no Ser divino: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A palavra hebraica que significa um no sentido de único é echad que se refere a uma unidade composta. Esta palavra é empregada para expressar a unidade da divindade. Esta palavra é usada em Dt 6.4; Gn 2.24 e Zc 14.9 (Veja também Dt 4.35,32.39; 1Cr 29.1; Is 43.10,44.6,45.5; 1Rs 8.60; Mc 10.9,12.29; 1Co 8.5,6; 1Tm 2.5; Tg 2.19; Jo 17.3; Gl 3.20; Ef 4.6).

3. אֱלֹהִ֔ים

Elohim
Este nome está no plural e não concorda com o verbo no singular quando designativo de Deus (Gn 1.26,3.22,11.6-7,20.13,48.15; Is 6.8).
Gênesis 1.26 (BHS OT)
וַיֹּ֣אמֶר אֱלֹהִ֔ים נַֽעֲשֶׂ֥ה אָדָ֛ם בְּצַלְמֵ֖נוּ כִּדְמוּתֵ֑נוּ

4. Há distinção de Pessoas na Divindade:

Algumas passagens mostram uma das Pessoas divinas se referindo à outra (Gn 19.24; Os 1.7; Zc 3.1,2; 2Tm 1.18; Sl 110.1; Hb 1.9).

E. Autoexistência:

Jerônimo disse: Deus é a origem de Si mesmo e a causa de Sua própria substância. Jerônimo estava errado, pois Deus não tem causa de existência, pois não criou a Si mesmo e não foi causado por outra coisa ou por Si mesmo; Ele nunca teve início. Ele é o Eterno EU SOU (Êx 3.14), portanto Deus é absolutamente independente de tudo fora de Si mesmo para a continuidade e perpetuidade de Seu Ser. Deus é a razão de sua própria existência (Jo 5.26; At 17.24‐28; 1Tm 6.15-16).

F. Infinidade ou Perfeição:

É o atributo pelo qual Deus é isento de toda e qualquer limitação em seu Ser e em seus atributos (Jó 11.7‐10; Mt 5.48). A infinidade de Deus se contrasta com o mundo finito em sua relação tempo‐espaço.

G. Eternidade:

A infinidade de Deus em relação ao Tempo é denominada eternidade. Deus é Eterno (Sl 90.2; 102.12,24‐27; Sl 93.2; Ap 1.8; Dt 33.27; Hb 1.12). A eternidade de Deus não significa apenas duração prolongada, para frente e para traz, mas sim que Deus transcende a todas as limitações temporais (2Pe 3.8) existentes em sucessões de Tempo. Deus preenche o Tempo.
O Tempo e suas divisões:
Nossa vida se divide em passado, presente e futuro, mas não há essa divisão na vida de Deus. Ele é o Eterno EU SOU. Deus é elevado acima de todos os limites temporais e de toda a sucessão de momentos, e tem a totalidade de sua existência num único presente indivisível (Is 57.15).

H. Imensidão

A infinidade de Deus em relação ao espaço é denominada imensidão ou imensidade. Deus é imenso (Grande ou Majestoso; Jó 36.5,26; Jó 37.22-23; Jr 22.18; Sl 145.3). Imensidão é a perfeição de Deus pela qual Ele transcende (ultrapassa) todas as limitações espaciais e, contudo está presente em todos os pontos do espaço com todo o seu Ser PESSOAL (não é panteísmo).
A imensidão de Deus:
É intensiva e não extensiva, isto é, não significa extensão ilimitada no espaço, como no panteísmo. A imensidão de Deus é transcendente no espaço (intramundano ou imanente = dentro do mundo ‐ Sl 139.7‐12; Jr 23.23,24) e fora do espaço (supramundano = acima do mundo; extramundano = além do mundo; emanente = fora do mundo ‐ 1 Rs 8.27; Is 57.15).

I. Onipresença:

É quase sinônimo de imensidão: A imensidade denota a transcendência no espaço enquanto que a onipresença denota a imanência no espaço. Deus é imanente em todas as Suas criaturas e em toda a criação.
A imanência:
A imanência não deve ser confundida com o panteísmo (tudo é Deus) ou com o deísmo que ensina que Deus está presente no mundo apenas com seu poder (per portentiam) e não com a essência e natureza de seu Ser (per essentiam et naturam) e que age sobre o mundo à distância.
A COMPLETA PRESENÇA DE DEUS
Deus ocupa o espaço repletamente porque preenche todo o espaço e não está ausente em nenhuma parte dele, mas tampouco está mais presente numa parte que noutra (Sl 139.11-12).
Salmo 139.11–12 NAA
Se eu digo: “As trevas, com certeza, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite”, até as próprias trevas não te serão escuras, e a noite é tão clara como o dia. Para ti, as trevas e a luz são a mesma coisa.
Analise:
Deus ocupa o espaço variavelmente porque Ele não habita na terra do mesmo modo que habita no céu, nem nos animais como habita nos homens, nem nos ímpios como habita nos piedosos, nem na igreja como habita em Cristo (Is 66.1; At 17.27,28; Compare Ef 1.23 com Cl 2.9).

J. Imutabilidade:

É o atributo pelo qual não encontramos nenhuma mudança em Deus, em sua natureza, em seus atributos e em seu conselho.
v A "base" para a imutabilidade de Deus:
É sua simplicidade, eternidade, autoexistência e perfeição. Simplicidade porque sendo Deus uma substância simples, indivisível, sem mistura, não está sujeito a variação (Tg 1.17).
Eternidade porque Deus não está sujeito às variações e circunstâncias do Tempo, por isso Ele não muda (Sl 102.26,27; Hb 1.12 e 13.8).

K. Autoexistência:

porque uma vez que Deus não é causado, mas existe em Si mesmo, então Ele tem que existir da forma como existe, portanto sempre o mesmo (Êx 3.14).

L. Perfeição:

porque toda mudança tem que ser para melhor ou pior e sendo Deus absolutamente perfeito jamais poderá ser mais sábio, mais santo, mais justo, mais misericordioso, e nem menos. Por isso Deus é imutável como uma rocha (Dt 32.4).
a) Imutabilidade não significa imobilidade: Nosso Deus é um Deus de ação (Is 43.13).
b) Imutabilidade implica em não arrependimento: Alguns versículos falam de Deus como se Ele se arrependesse (Êx 32.14, 2 Sm 24.16, Jr 18.8; Jl 2.13). Trata‐se de antropomorfismo (Nm 23.19; Rm 11.29; 1Sm 15.29; Sl 110.4).
c) Imutabilidade de Deus em Sua natureza: Deus é perfeito em sua natureza por isso não muda nem para melhor nem para pior (Ml 3.6).
d) Imutabilidade de Deus em Seus atributos: Deus é imutável em suas promessas (1Rs 8.56; 2Co 1.20); em sua misericórdia (Sl 103.17; Is 54.10); em sua justiça (Ez 8.18); em seu amor (Gn 18.25,26).
e) Imutabilidade de Deus em Seu conselho: Deus planejou os fatos conforme a sua vontade e decretou que este plano seja concretizado. Nada poderá se opor à sua vontade. O próprio Deus jamais mudará de opinião, mas fará conforme seu plano predeterminado (Is 46.9,10; Sl 33.11; Hb 6.17).

M. Onisciência:

Atributo pelo qual Deus, de maneira inteiramente única, conhece‐se a Si próprio e a todas as coisas possíveis e reais num só ato eterno e simples.

1. CARACTERÍSTICAS DO CONHECIMENTO DE DEUS

a) É arquétipo:

Deus conhece o universo como ele existe em Sua própria ideia anterior à sua existência como realidade finita no tempo e no espaço; e este conhecimento não é obtido de fora, como o nosso (Rm 11.33-34).

b) É inato e imediato

Não resulta de observação ou de processo de raciocínio (Jó 37.16).

c) É simultâneo

Não é sucessivo, pois Deus conhece as coisas de uma vez em sua totalidade, e não de forma fragmentada uma após outra (Is 40.28).

d) É completo

Deus não conhece apenas parcialmente, mas plenamente consciente (Salmo 147.5 “Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir.”

2. Conhecimento necessário

Conhecimento que Deus tem de Si mesmo e de todas as coisas possíveis, um conhecimento que repousa na consciência de sua onipotência. É chamado necessárioporque não é determinado por uma ação da vontade divina.
(Por exemplo:
O conhecimento do mal é um conhecimento necessário porque não é da vontade de Deus que o mal lhe seja conhecido (Hc 1.13
Habacuque 1.13 NAA
Tu és tão puro de olhos, que não podes suportar o mal nem tolerar a opressão. Por que, então, toleras os traidores e te calas quando os perversos devoram aqueles que são mais justos do que eles?
Deus não pode - nem quer - ver o mal, mas o conhece, não por experiência, que envolve uma ação de Sua vontade, mas sim por simples inteligência, por ser ato do intelecto divino (veja 2Co 5.21 onde o termo grego ginosko é usado – conhecer, ter experiência com).

3. Conhecimento livre

É aquele que Deus tem de todas as coisas reais, isto é, das coisas que existiram no passado, que existem no presente e existirão no futuro. É também chamado visionis, isto é, conhecimento de vista.

4. Presciência:

Significa conhecimento prévio; conhecimento de antemão.
Com este tema vem a interrogação: Como Deus pode conhecer previamente as ações livres dos homens? Deus decretou todas as coisas, e as decretou com suas causas e condições na exata ordem em que ocorrem, portanto, sua presciência de coisas contingentes (1Sm 23.12; 2Rs 13.19; Jr 38.17‐20; Ez 3.6 e Mt 11.21). Apoia‐Se Em Seu Decreto.

a) Deus e o Mal

Deus não originou o mal mas o conheceu nas ações livres do homem (conhecimento necessário), o decretou e preconheceu os homens. Portanto a ordem é: conhecimento necessário, decreto, presciência. A presciência de Deus é muito mais do que saber o que vai acontecer no futuro, e seu uso no NT é empregado como na Septuaginta que inclui Sua escolha efetiva (Nm 16.5; Jz 9.6; Am 3.2). Veja Rm 8.29; 1Pe 1.2; Gl 4.9.

b) O Conhecimento de Deus

Observe também outra interrogação que se segue: Como se processou o conhecimento necessário de Deus nas livres ações dos homens antes mesmo que Ele as decretasse? A liberdade humana não é uma coisa inteiramente indeterminada, livre no ar, que pende numa ou noutra direção, mas é determinada por nossas próprias considerações intelectuais e caráter (lubentia rationalis = autodeterminação racional). Liberdade não é arbitrariedade e em toda ação racional há um porquê, uma razão que decide a ação.

c) A Liberdade do Homem

Portanto o homem verdadeiramente livre não é o homem incerto e imprevisível, mas o homem seguro! A liberdade tem suas leis ‐ leis espirituais ‐ e a Mente Onisciente as sabe quais são (Jo 2.24-25). Em resumo, a presciência é um conhecimento livre (scientia libera) e, logicamente procede do decreto, "...segundo o decreto da sua vontade" (Ef 1.11).

N. Sabedoria

1. Definição da sabedoria de Deus

A sabedoria de Deus é a sua inteligência como manifestada na adaptação de meios e fins. Deus sempre busca os melhores fins e os melhores meios possíveis para a consecução dos seus propósitos. H.B. Smith define a sabedoria de Deus como o seu atributo através do qual Ele produz os melhores resultados possíveis com os melhores meios possíveis.
Uma definição ainda melhor há de incluir a glorificação de Deus: Sabedoria é a perfeição de Deus pela qual Ele aplica o seu conhecimento à consecução dos seus fins de um modo que o glorifica o máximo (Rm 11.33‐36; Ef 1.11-12; Cl 1.16). Encontramos a sabedoria de Deus na criação (Sl 19.1‐7; Sl 104), na redenção (1Co 2.7 ; Ef 3.10).

2. Personificação da Sabedoria:

A sabedoria é personificada na Pessoa do Senhor Jesus (Pv 8 e 1Co 1.30; Jó 9.4; veja também Jó 12.13,16).
1Coríntios 1.30 NAA
Mas vocês são dele, em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção,

O. Onipotência:

1. Definição de Poder

É o atributo pelo qual encontramos em Deus o poder ilimitado para fazer qualquer coisa que Ele queira. A onipotência de Deus não significa o exercício para fazer aquilo que é incoerente com a natureza das coisas, como, por exemplo, fazer que um fato do passado não tenha acontecido, ou traçar entre dois pontos uma linha mais curta do que uma reta.
v Hodge e Shedd definem o poder absoluto de Deus como a eficiência divina, exercida sem a intervenção de causas secundárias, e o poder ordenado como a eficiência de Deus, exercida pela ordenada operação de causas secundárias.

2. Tipos de Poder

Deus possui todo o poder que é coerente com Sua perfeição infinita, todo o poder para fazer tudo aquilo que é digno dEle.
O poder de Deus é distinguido de duas maneiras:
1. Potentia Dei absoluta = Poder absoluto de Deus;
2. Potentia Dei ordinata = Poder ordenado de Deus.

a. O Poder absoluto e o poder ordenado de Deus

Chanock define o poder absoluto como aquele pelo qual Deus é capaz de fazer o que Ele não fará, mas que tem possibilidade de ser feito. Por exemplo de destruir a humanidade por um delúvio, mas como Ele fez uma aliança e colocou o arco-íris, não fará isso.
e o poder ordenado como o poder pelo qual Deus faz o que decretou fazer, isto é, o que Ele ordenou ou marcou para ser posto em exercício; os quais não são poderes distintos, mas um e o mesmo poder.
O seu poder ordenado é parte do seu poder absoluto, pois se Ele não tivesse poder para fazer tudo que pudesse desejar, não teria poder para fazer tudo o que Ele deseja.
Podemos, portanto, definir o poder ordenado de Deus como a perfeição pela qual Ele, mediante o simples exercício de Sua vontade, pode realizar tudo quanto está presente em Sua vontade ou conselho. É óbvio, porém, que Deus pode realizar coisas que a Sua vontade não desejou realizar (Gn 18.14; Jr 32.27; Zc 8.6; Mt 3.9; Mt 26.53).

4. Coisas Impossíveis (aquilo que Deus não faz)

Entretanto há muitas coisas que Deus não pode realizar. Ele não pode mentir, pecar, mudar ou negar‐se a Si mesmo (Nm 23.19; 1Sm 15.29; 2Tm 2.13; Hb 6.18; Tg 1.13,17; Hb 1.13; Tt 1.3), isto porque não há poder absoluto em Deus, divorciado de Sua perfeição, e em virtude do qual Ele pudesse fazer todo tipo de coisas contraditórias entre Si (Jó 11.7). Deus faz somente aquilo que quer fazer (Sl 115.3; Sl 135.6).

5. O nome Dele é El‐Shaddai:

A onipotência de Deus se expressa no nome hebraico El‐Shaddai traduzido por Todo Poderoso(Gn 17.1; Êx 6.3; Jó 37.23 etc).

6. Poder sobre todas as coisas:

A onipotência de Deus abrange todas as coisas (1Cr 29.12),
a natureza (Sl 107.25‐29; Na 1.5,6; Sl 33.6‐9; Is 40.26; Mt 8.27; Jr 32.17; Rm 1.20),
a experiência humana (Sl 91.1; Dn 4.19‐37; Êx 7.1‐5; Tg 4.12‐15; Pv 21.1; Jó 9.12; Mt 19.26; Lc 1.37),
as regiões celestiais (Dn 4.35; Hb 1.13,14; Jó 1.12; Jó 2.6).

7. Na criação, na providência e na redenção

Deus manifestou o seu poder na criação (Rm 4.17; Is 44.24),
nas obras da providência (1Cr 29.11,12)
e na redenção (Rm 1.16; 1Co 1.24).
Romanos 1.16 NA28
Οὐ γὰρ ἐπαισχύνομαι τὸ εὐαγγέλιον, δύναμις γὰρ θεοῦ ἐστιν εἰς σωτηρίαν παντὶ τῷ πιστεύοντι, Ἰουδαίῳ τε πρῶτον καὶ Ἕλληνι.
“Pois não estou envergonhado do Evangélho, pois é poder de Deus em direção aos que confiam [em Jesus], primeiro aos judeus e também aos gentios.”

P. Soberania

Atributo pelo qual Deus possui completa autoridade sobre todas as coisas criadas, determinando‐lhe o fim que desejar (Gn 14.19; Ne 9.6; Êx 18.11; Dt 10.14,17; 1Cr 29.11; 2 Cr 20.6; Jr 27.5; At 17.24‐26; Jd 4; Sl 22.28, 47.2-8, 50.10‐12, 95.3‐5, 135.5, 145.11‐13; Ap 19.6).
1. Vontades de Deus
2. Autodeterminação
A perfeição de Deus pela qual Ele, num ato sumamente simples, dirige‐se a Si mesmo como o Sumo Bem (deleita‐se em Si mesmo como tal) e às suas criaturas por amor do seu nome (Is 48.9,11,14; Ez 20.9,14,22,44; Ez 36.21‐23).

1. Classificação da Vontade De Deus

A vontade de Deus recebe variadas classificações, pois a ela são aplicadas diferentes palavras
1. Hebraicas (chaphets, tsebhu, ratson);
2. Gregas (boule, thelema).

a) Preceptiva

Na qual Deus estabeleceu preceitos morais para reger a vida de suas criaturas racionais. Esta vontade pode ser desobedecida com frequência (At 13.22; 1 Jo 2.17; Dt 8.20).

b) Decretória

Pela qual Deus projeta ou decreta tudo o que virá a acontecer, quer pretenda realizá‐lo causativamente, quer permita que venha a ocorrer por meio da livre ação de suas criaturas (At 2.23; Is 46.9‐11). A vontade decretória é sempre obedecida. A vontade decretória e a vontade preceptiva relacionam‐se ao propósito em realizar algo.

c) Eudokia:

Na qual Deus deleita‐se com prazer em realizar um fato e com desejo de ver alguma coisa feita. Esta vontade, embora não se relacione com o propósito de fazer algo, mas sim com o prazer de fazer algo, contudo corresponde àquilo que será realizado com certeza, tal como acontece com a vontade decretória (Sl 115.3; Is 44.28; Is 55.11). A vontade de eudokia não se refere somente ao bem, e nela não está sempre presente o elemento de deleite (Mt 11.26).

d) Vontade de Eurestia:

Na qual Deus deleita‐se com prazer ao vê‐la cumprida por suas criaturas. Esta vontade abrange aquilo que a Deus apraz que suas criaturas façam, mas que pode ser desobedecida, tal como acontece com a vontade preceptiva (Is 65.12). A vontade de eudokia e a vontade de eurestiarelacionam‐se ao prazer em realizar algo.

e) Vontade de Beneplacitum:

Também chamada Vontade Secreta. Abrange todo o conselho secreto e oculto de Deus. Quando esta vontade nos é revelada, ela torna‐se na Vontade do Signum ou Vontade Revelada. A distinção entre a vontade de beneplacitum e a vontade de signum encontra‐se em Dt 29.29. A vontade secreta é mencionada em Sl 115.3; Dn 4.17,25,32,35; Rm 9.18,19; Rm 11.33,34; Ef 1.5,9,11, enquanto que a vontade revelada é mencionada em Mt 7.21; Mt 12.50; Jo 4.34; Jo 7.17; Rm 12.2).
Vontade Fixa:
Esta vontade está muito perto de nós (Dt 30.14; Rm 10.8). A vontade secreta de Deus pertence a todas as coisas que Ele quer efetuar ou permitir, tal como acontece na vontade decretória, sendo portanto, absolutamente fixa e irrevogável.

4. Liberdade:

A perfeição de Deus no exercício de sua vontade. Deus age necessária e livremente. Assim como há conhecimento necessário e conhecimento livre, há também uma voluntas necessaria = vontade necessária e uma voluntas libera= vontade livre.

a) Coisas de Deus

Na vontade necessária Deus não está sob nenhuma compulsão, mas age de acordo com a lei do seu Ser, pois Ele necessariamente quer a si próprio e quer a sua natureza santa. Deus necessariamente se ama a Si próprio e suas perfeições.

b) Criaturas

As suas criaturas são objetos de sua vontade livre, pois Deus determina voluntariamente o que e quem Ele criará; e os tempos, lugares e circunstâncias de suas vidas.

c) Destino

Ele traça as veredas de todas as Suas criaturas, determina o seu destino e as utiliza para seus propósitos (Jó 11.10; Jó 23.13,14; Jó 33.13; Pv 16.4; Pv 21.1; Is 10.15; Is 29.16; Is 45.9; Mt 20.15; Ap 4.11; Rm 9.15‐22; 1Co 12.11).

V. Atributos Morais:

A. Santidade:

É a perfeição de Deus, em virtude da qual Ele eternamente quer manter e mantém a Sua excelência moral, aborrece o pecado, e exige pureza moral em suas criaturas. Ser Santo vem do hebraico qadash que significa cortar ou separar. Neste sentido também o Novo Testamento utiliza as palavras gregas hagiazo e hagios.

1. Aspectos da Santidade de Deus

A Santidade de Deus possui dois diferentes aspectos, podendo ser positiva ou negativa (Hb 1.9; Am 5.15; Rm 12.9).

a) Positivo:

Expressa excelência moral de Deus na qual Ele é absolutamente perfeito, puro e íntegro em sua natureza e seu caráter (1Jo 1.5; Is 57.15; 1Pe 1.15,16; Hc 1.13). A santidade positiva é amor ao bem.

b) Negativo:

Significa que Deus é inteiramente separado de tudo quanto é mal e de tudo quanto o aborrece (Lv 11.43‐45; Dt 23.14; Jó 34.10; Pv 15.9,26; Is 59.1,2; Lc 20.26; Hc 1.13; Pv 6.16‐19; Dt 25.16; Sl 5.4‐6). A santidade negativa é ódio ao mal.

2. Maneiras da Manifestação da Santidade

Além de possuir dois aspectos a santidade de Deus possui também duas maneiras diferentes de manifestar‐se:

a) Justiça absoluta (Retidão):

Também chamada justiça absoluta, é a retidão da natureza divina, em virtude da qual Ele é infinitamente Reto em Si mesmo - santidade legislativa (Sl 145.17; Jr 12.1; Jo 17.25; Sl 116.5; Ed 9.15).
Salmo 145.17 NAA
Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, bondoso em todas as suas obras.
A retidão é a fonte da Santidade de Deus,

b) Justiça relativa

Também chamada justiça relativa, é a execução da retidão ou a expressão da justiça absoluta (santidade judicial). Strong a chama de santidade transitiva.
a justiça é a demonstração de Sua santidade.

B. CONHECENDO A JUSTIÇA [Relativa] DE DEUS

1. A justiça retributiva

se divide em: Punitiva; Corretiva.

a) Punitiva

A justiça punitiva:
É aquela pela qual Deus pune os pecadores pela transgressão de suas leis. Esta justiça de Deus exige a execução das penalidades impostas por suas leis (Sl 3.5,11.4‐7; Dt 32.4; Dn 9.12,14; Êx 9.23‐27,34.7).

b) Corretiva

É aquela pela qual Deus "pune" seus filhos para corrigí‐los (Hb 12.6,7).
Aqueles que não são seus filhos, Deus pune como um Juiz Severo (Rm 11.22; Hb 10.31), mas aos seus filhos, Deus "pune" (corrige) como um Pai Amoroso (Jr 10.24,30.11,46.28; Sl 89.30‐33; 1Cr 21.13).

2. A Justiça Remunerativa:

é aquela pela qual Deus recompensa, com suas bênçãos, aos homens pela obediência de suas leis (Hb 6.10; 2 Tm 4.8; 1 Co 4.5,3.11‐15; Rm 2.6‐10; 2 Jo 8).

a) Ira

Esta deve ser considerada como um aspecto negativo da santidade de Deus, pois em Sua ira Deus aborrece o pecado e odeia tudo quanto contraria Sua santidade (Dt 32.39‐41; Rm 11.22; Sl 95.11; Dt 1.34‐37; Sl 95.11). Podemos, então, dizer que a ira é a manifestação da santidade negativa de Deus (Rm 1.18; 2 Ts 1.5‐10; Rm 5.9 etc). A ira é também designada como severidade (Rm 11.22).

b) Bondade

É uma concepção genérica incluindo diversas variedades que se distinguem de acordo com os seus objetos. Bondade é perfeição absoluta e felicidade perfeita em Si mesmo (Mc 10.18; Lc 18.18,19; Sl 33.5; Sl 119.68; Sl 107.8; Na 1.7). A bondade implica na disposição de transmitir felicidade.
(1) Benevolência:
É a bondade de Deus para com Suas criaturas em geral. É a perfeição de Deus que o leva a tratar benévola e generosamente todas as Suas criaturas (Sl 145.9,15,16; Sl 36.6,104.21; Mt 5.45,6.26; Lc 6.35; At 14.17).
Definição:
Thiessen define benevolência como a afeição que Deus sente e manifesta para com suas criaturas sensíveis e racionais. Ela resulta do fato de que a criatura é obra sua; Ele não pode odiar qualquer coisa que tenha feito (Jó 14.15) mas apenas àquilo que foi acrescentado à sua obra, que é o pecado (Ec 7.29).
(2) Beneficência:
Enquanto a benevolência é a bondade de Deus considerada em sua intenção ou disposição, a beneficência é a bondade em ação, quando seus atributos são conferidos.
(3) Complacência:
É a aprovação às boas ações ou disposições. É aquilo em Deus que aprova todas as suas próprias perfeições como também aquilo que se conforma com Ele (Sl 35.27; Sl 51.6; Is 42.1; Mt 3.17; Hb 13.16).
(4) Longanimidade ou Paciência:
Ø O hebraico emprega a palavra erek'aph que significa: Grande de rosto e também lento para a ira.
Ø O grego emprega makrothymia que significa ira longe.
Portanto longanimidade é o aspecto da bondade de Deus em virtude do qual Ele tolera os pecadores, a despeito de sua prolongada desobediência.
Esclarecendo:
A longanimidade revela‐se no adiamento do merecido julgamento (Êx 34.6; Sl 86.15; Rm 2.4; Rm 9.22; 1Pe 3.20; 2 Pe 3.15).
(5) Misericórdia:
Também expressada pelos sinônimos compaixão, compassividade, piedade, benignidade, clemência e generosidade.
No hebraico usa‐se as palavras: Chesed e rachan;
No Grego eleos.
Que significa a bondade de Deus demonstrada para com os que se acham na miséria ou na desgraça, independentemente dos seus méritos(Dt 5.10; Sl 57.10; Sl 86.5; 1Cr 16.34; 2Cr 7.6; Sl 116.5; Sl 136; Ed 3.11; Sl 145.9; Ez 18.23,32; Êx 33.11; Lc 6.35; Sl 143.12; Jó 6.14).
Deus suspende o sofrimento merecido,
A misericórdia tem pena do ser humano em sua infelicidade.
A Infelicidade e Sofrimento: Deriva‐se de um justo desagrado divino, portanto exercer misericórdia é o ato divino de livrar o pecador do sofrimentopelo qual ele justamente e merecidamente deveria passar, como consequência do desagrado divino.
a misericórdia considera a criatura como infeliz,
Todo pecador merece ir para o inferno; assim Deus exerce Sua misericórdia livrando o pecador da condenação.
(6) A Paciência:
A difere da misericórdia apenas na consideração formal do objeto, pois a paciência considera a criatura como criminosa.
a paciência tolera o pecado que gerou a infelicidade.
(7) Graça
É a bondade de Deus exercida em prol da pessoa indigna. Portanto graça é o ato divino de conceder ao pecador toda a bondade de Deus a qual ele não mereceria receber (Êx 33.19).
na graça Deus concede bênçãos não merecidas.
Nenhum pecador merece ir para o paraíso; assim Deus exerce a Sua graça doando ao pecador o privilégio de ir gratuitamente.
Essa diferença entre misericórdia e graça é notada em relação aos anjos que não caíram. Deus nunca exerceu misericórdia para com eles, posto que jamais tiveram necessidade dela, pois não pecaram, nem ficaram debaixo dos efeitos da maldição. Todavia eles são objetos da livre e soberana graça de Deus pela qual foram eleitos (1Tm 5.21) e preservados eternamente de pecado e colocados em posição de honra (Dn 7.10; 1Pe 3.22).

c) Amor

É a perfeição da natureza divina pela qual Ele é continuamente impelido a se comunicar. É, entretanto, não apenas um impulso emocional, mas uma afeição racional e voluntária, sendo fundamentada na verdade e santidade e no exercício da livre escolha.
A Trindade e o Amor : Este amor encontra seus objetos primários nas diversas Pessoas da Trindade. Assim, o Universo e o homem são desnecessários para o exercício do amor de Deus. Amor é, portanto, a perfeição de Deus pela qual Ele é movido eternamente à Sua própria comunicação. Ele ama a Si mesmo, suas virtudes, sua obra e seus dons.

d) Verdade

É a consonância daquilo que é asseverado (afirmado, garantido) com o que pensa a Pessoa que fez a asseveração. Neste sentido a verdade é um atributo exclusivamente divino, pois com frequência os homens erram nos testemunhos que prestam, simplesmente por estarem equivocados a respeito dos fatos, ou então por pura incapacidade fracassam em promessas que fizeram com honestas intenções.
Inerrável: Mas a onisciência de Deus impede que Ele chegue a cometer qualquer equívoco, e a sua onipotência e imutabilidade asseguram o cumprimento de suas intenções (Dt 32.4; Sl 119.142; Jo 8.26; Rm 3.4; Tt 1.2; Nm 23.19; Hb 6.18; Ap 3.7; Jo 17.3; 1Jo 5.20; Jr 10.10; Jo 3.33; 1Ts 1.9; Ap 6.10; Sl 31.5; Jr 5.3; Is 25.1). Ao exercê‐la para com a criatura, a verdade de Deus é conhecida como sua veracidade e fidelidade.
(1) Veracidade
Consiste nas declarações que Deus faz a respeito das coisas, conforme elas são, e se relaciona com o que Ele revelou sobre Si mesmo. A veracidade fundamenta‐se na onisciência de Deus.
(2) Fidelidade
Consiste no exato cumprimento de suas promessas ou ameaças. A fidelidade fundamenta‐se na sua onipotência e imutabilidade (Dt 7.9; Sl 36.5; 1Co 1.9; Hb 10.23; Dt 4.24; 2Tm 2.13; Sl 89.8; Lm 3.23; Sl 119.138; Sl 119.75; Sl 89.32,33; 1Ts 5.24; 1Pe 4.19; Hb 10.23).

CONCLUSÃO

Muitas vezes tem se negado a importância do estudo da doutrina cristã ou da teologia, alegando-se que o que importa é a vida com Deus, a experiência ou a fé. Esta é uma posição equivocada do cristianismo.

A. Algumas possíveis razões para a negação da importância da teologia

§ Uma ênfase exagerada na doutrina em contraposição ao cuidado com o caráter cristão, evangelização e serviço social, que por vezes tem-se verificado na história da Igreja.
§ O dogmatismo sobre vários aspectos da religião, resultando daí atritos, rejeição, confusão doutrinária e desinteresse pela doutrina e por questões especulativas, preferindo-se os aspectos práticos da vida cristã.
§ A falta de conhecimento do que seja Teologia ou doutrina, seus objetivos e efeitos na vida do crente.
Falha Humana

B. É da natureza da mente humana querer raciocinar e entender aquilo que se crê ou se faz.

Se a Teologia é a sistematização dos princípios, das doutrinas, das verdades básicas da religião que professamos, é indispensável que tenhamos um estudo técnico e teórico daquilo que aceitamos e reputamos como sendo de absoluto valor para a existência.
Diversos Aspectos:

C. Não podemos separar os aspectos práticos dos teóricos da vida cristã

§ Os aspectos práticos da vida cristã.
§ Os aspectos teóricos.
A vida humana requer esse lastro teórico em que repousa nossa atitude e ação. Enfim, "o estudo da doutrina é uma expressão de amor ao Senhor através de nossas mentes" (Mt 22.37).
Desfrute:
Por isso, desfrute de conhecer mais de Deus em uma forma também sistematizada, isso não anula nem supre a necessidade da oração, jejum e culto ao Senhor, mas, com certeza, torna o nosso relacionamento mais próximo com Ele e expande nosso conhecimento de sua natureza.
Jo 17.3
Os 6.3

BIBLIOGRAFIA

HORTON, Stanley. Introdução à Teo. Sistemática. CPAD.
BERGSTÉN, Eurico. Teologia Sistemática. CPAD.
Norman Geisler, Teologia Sistemática, Ed. CPAD
Antonio Gilberto, Teologia Sistemática Pentecostal, Ed. CPAD
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