(Rm 7:1-6) A Nova Relação do Crente com a Lei de Deus
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INTRODUÇÃO:
A controvérsia do cerne foi uma polêmica ocorrida dentro da Igreja da Escócia no início do século 18, que girou em torno da obra de Edward Fisher “O cerne da teologia moderna”. A raiz da polêmica era a dificuldade de estabelecer uma relação entre obras e graça, lei e evangelho, isso não apenas na teologia, mas na vida.
-Tendo provado que o crente morreu para o pecado (capítulo 6), Paulo agora explica a forma pela qual ele se torna morto para a lei (capítulo 7). No texto em apreço, Paulo trata do propósito da lei de Deus. Qual é o lugar da lei na vida do cristão? Ela é a causa do pecado? É a causa da morte? Absolutamente não!
Romanos 7.12 “Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom.”
Salmo 119.165 “Grande paz têm os que amam a tua lei; para eles não há tropeço.”
Salmo 19.7 “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices.”
-Paulo está explicando que não possível adquirir salvação através da lei. Quem se relaciona com a lei desta forma ainda está sob o Pacto de Obras.
-Assim, há três formas de se relacionar com a Lei de Deus: Legalismo, Antinomianismo (libertinagem), Verdadeiro Cristianismo (Fé).
-Em síntese, o legalista teme a lei e está debaixo de sua servidão; o libertino detesta a lei e a lança fora; o cristão respeita a lei, à qual ama e obedece.
v.1 >>
-Kistemaker: “A palavra seguinte – “irmãos” – não deve passar sem observação. Como usada aqui, é um termo afetivo do discurso. Paulo havia usado essa palavra anteriormente só em 1.13. Um exame cuidadoso de todos os casos de sua ocorrência nessa epístola revela que, sempre que o apóstolo emprega este termo ao dirigir-se a seus leitores, está profundamente comovido. Ele está escrevendo sobre um tema que o afeta emocionalmente. Ele, por assim dizer, abraça aqueles a quem se dirige com seus braços de amor.”
-”Paulo tinha ouvido que alguns dos membros da igreja romana nutriam dúvidas acerca da doutrina da salvação tão somente pela graça. Portanto, por meio desse termo de afeto, ele está, por assim dizer, cortejando-os para que voltem, rogando-lhes, com ternura, que se desvencilhem de suas dúvidas.”
-Domínio. A Lei tem domínio sobre a vida do homem durante toda a sua vida.
v. 2,3 >>
Casamento. Aqui Paulo ilustra a afirmação anterior com o casamento. Paulo compara a lei com um marido e os crentes com uma esposa. Esse casamento é turbulento e conflituoso. A culpa não é do marido. Ele é perfeito. É santo, justo e bom. É espiritual. O problema é que essa esposa nunca consegue agradá-lo, pois é imperfeita, carnal, rendida ao pecado e sempre frustra as expectativas do marido. A lei é como um marido perfeccionista; esse marido condena a esposa por sua menor falha.
v. 4 >>
-Na metáfora do casamento, o marido morre e a esposa casa-se novamente. No caso em apreço, contudo, não é o marido quem morre (a lei), mas a esposa (o crente). O crente morre ao identificar-se com Cristo na sua morte.
-A morte de Cristo nos liberta não apenas da escravidão do pecado, mas da condenação da Lei, consequentemente.
-Desde que Cristo ressuscitou dentre os mortos, não morre mais (6.9). Portanto, essa nova relação matrimonial não será desfeita pela morte, como aconteceu com a antiga relação.
v. 5,6 >>
-Na velha ordem estávamos casados com a lei, éramos controlados pela carne e produzíamos fruto para a morte, enquanto como membros da nova ordem estamos casados com o Cristo ressurreto, fomos libertados da lei e produzimos fruto para Deus.
APLICAÇÕES
Não seja Legalista. O legalismo é mais do que tentar ser salvo pelas obras. O legalismo se manifesta também e sutilmente no nosso jeito de se relacionar com Deus e com as pessoas. O legalista se relaciona com Deus como se Deus fosse obrigado a lhe recomensar. O legalista acha que merece ser presenteado por Deus já que, na cabeça ele, ele tem feito tudo certo. O legalista, portanto, exige Deus suas dádivas, seus presentes. Além disso, o legalista tbm tem um jeito de se relacionar com o próximo, sempre se vendo como superior. O legalista busca sempre rebaixar, humilhar o próximo para se autoafirmar. O legalista tem a necessidade de se comparar com o outro pra poder se sentir superior. Então o legalista enfatiza sempre os defeito do próximo e nunca suas qualdiades. O legalista tem dificuldade em ver as qualidades do seu próximo, e ele está sempre julgando pra poder se sentir melhor. O legalista enfatiza mais as maldições do que as bênçãos. O legalista sempre julga mais do que salva. Enfatiza o juízo em detrimento da misericórdia.
Não seja libertino. Por outro lado, há aqueles que desprezam a lei. Que não guardam a lei com a desculpa de que já estão salvos, ou de que Deus é muito misericordioso e não vai me julgar se eu fizer isso, ou falar aquilo. O libertino, antinomiano, é aquela pessoa muito “tolerante” que tolera todo tipo de pecado, e chama isso de amor. O antinomiano, na suposta tentativa de não ser legalista, se torna imoral. Se um dia a igreja foi marcada por legalismo, por enfatizar por demais os juízos e a lei de Deus, hoje a igreja está sendo marcada pela licenciosidade. As igrejas evangélicas estão abarrotadas de pessoas que não mudaram sua vida. Que não abandonaram antigos pecados, com a desculpa de Deus que nos recebe do jeito que nós somos. Se o legalista é uma pessoa ranzinza, julgadora e hipocrita, o antinomiano, licensioso, é um pessoa supostamente muito legal, mas que na verdade tem preguiça de viver para o Senhor, não tem prazer na sua lei, e vive no pecado, além de deixar que o seu próximo se destrua, nunca o repreendendo, nunca reprovando o pecado. Vivendo do jeito que seu coração e o diabo quer.
Ame a lei do Senhor conforme o Evangelho. Tenha prazer na lei de Deus. Não apenas guarde a lei externamente, os fariseus também fizeram isso. Mas ame a lei. Tenha prazer em cumpri-la e em recomendá-la. Viva para a glóra de Deus em obediência sincera. Isso só pode ser feito depois de você até o Evangelho, e ser liberto por ele. Depois de confiar em Cristo e na sua obra perfeita de Salvação. O Evangelho é a única coisa que me faz ir até a lei de Deus de maneira correta, nem como um meio salvação, como os legalistas, nem como um terror para minha alma, como os libertinos. Mas como um caminho bom, suave, prazeroso, pelo qual eu percorro até a vinda do Senhor, até eu me encontrar com Ele. Aqui você precisa entender bem a diferença entre a lei e o evangelho. O Evangelho não anula a Lei, nem a Lei despreza o Evangelho. Ambos sempre estão juntos, e são inseparáveis. Porque só aquele que foi verdadeiramente transofrmado pelo Evangelho, é que guarda a lei de maneira que agrada a Deus. Por isso aqui uma lista da diferença entre a Lei e o Evangelho que deve ajduar a você:
A lei procede necessariamente da própria natureza de Deus; o evangelho, do dom gratuito de Seu amor, graça e misericórdia, ou de Sua boa vontade para com os homens. A lei é conhecida em parte pela luz da natureza, mas o evangelho é conhecido apenas pela Revelação divina. A lei considera-nos criaturas capazes de prestar obediência perfeita; o evangelho nos considera pecadores que não têm forças para cumprir a obediência perfeita. A lei mostra-nos o que devemos ser, mas não como nos tornarmos santos, enquanto o evangelho nos mostra que podemos ser santificados através da comunhão com Cristo e pela santificação do Seu Espírito. A lei diz: “Faça e você viverá”. O evangelho diz: “Viva, pois tudo já está feito; creia e será salvo”. A lei promete vida eterna para a perfeita obediência do homem; o evangelho promete vida eterna pela perfeita obediência de Cristo. A lei condena mas não pode justificar um pecador; o evangelho justifica, mas não pode condenar um pecador que crê em Jesus Cristo para a salvação. A lei, pelo Espírito, convence do pecado e da injustiça; o evangelho apresenta a justiça perfeita de Cristo para justificar um pecador diante de Deus. A lei irrita a depravação do pecador e endurece o seu coração; o evangelho derrete o coração pecaminoso e subjuga a depravação. A lei, quando obedecida, provoca vanglória; o evangelho desencoraja todo orgulho por causa da lei da fé (Romanos 3:27).
