Líderes em missão

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Introdução

Hoje, nos reunimos com alegria e gratidão aqui na Red, para celebrar um momento significativo na vida de desta comunidade: a ordenação de nossos irmãos como presbíteros. Este evento não é apenas um marco em suas vidas pessoais (desses dois irmãos), mas também um testemunho do trabalho contínuo de Deus nesta igreja. Presbíteros são presentes que Deus dá a sua igreja, uma demonstração prática do seu amor e cuidado com seu povo. À medida que Deus abençoa esta igreja com lideranças adicionais, somos lembrados do crescimento espiritual e da saúde que Ele está cultivando entre vocês. A ordenação de hoje é uma confirmação do compromisso deles com o serviço fiel e um lembrete para todos nós sobre o valor de uma dedicação inabalável ao Senhor, independentemente dos resultados visíveis. Como Paulo e Silas demonstraram em suas vidas e ministério, o verdadeiro sucesso na obra de Deus é medido pela fidelidade a Ele. Assim, enquanto celebramos este momento, façamos também uma reflexão sobre nossa própria jornada espiritual e nosso compromisso com a missão que Deus colocou diante de nós.
Atos dos Apóstolos 16.22–34 (Bíblia Sagrada: Nova Versão Transformadora):
22Logo, uma multidão revoltada se juntou contra Paulo e Silas, e os magistrados ordenaram que os dois fossem despidos e açoitados com varas. 23Depois de serem severamente açoitados, foram lançados na prisão. O carcereiro recebeu ordens para não os deixar escapar, 24por isso os colocou no cárcere interno, prendendo-lhes os pés no tronco.
25Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos ouviam. 26De repente, houve um forte terremoto, e até os alicerces da prisão foram sacudidos. No mesmo instante, todas as portas se abriram e as correntes de todos os presos se soltaram. 27Quando o carcereiro acordou, viu as portas da prisão escancaradas. Imaginando que os prisioneiros haviam escapado, puxou a espada para se matar. 28Paulo, porém, gritou: “Não se mate! Estamos todos aqui!”.
29O carcereiro mandou que trouxessem luz e correu até o cárcere, onde se prostrou, tremendo de medo, diante de Paulo e Silas. 30Então ele os levou para fora e perguntou: “Senhores, que devo fazer para ser salvo?”.
31Eles responderam: “Creia no Senhor Jesus, e você e sua família serão salvos”. 32Então pregaram a palavra do Senhor a ele e a toda a sua família. 33Mesmo sendo tarde da noite, o carcereiro cuidou deles e lavou suas feridas. Em seguida, ele e todos os seus foram batizados. 34Depois, levou-os para sua casa e lhes serviu uma refeição, e ele e toda a sua família se alegraram porque creram em Deus.
Paulo e Silas na prisão
Atos 16:22-34 relata um evento significativo na segunda viagem missionária de Paulo, especificamente em Filipos, uma importante cidade da Macedônia. Aqui, Paulo e Silas são presos injustamente após libertarem uma jovem escrava de um espírito de adivinhação, causando a ira de seus proprietários, que lucravam com suas habilidades de adivinhação. Apesar de serem açoitados e colocados em uma cela profunda da prisão, Paulo e Silas oram e cantam hinos a Deus, o que leva a um terremoto milagroso que abre as portas da prisão e solta as correntes de todos os presos.
O ponto crucial da história é a conversão do carcereiro filipense e de sua família. Vendo os prisioneiros ainda presentes apesar das portas abertas e as correntes soltas, o carcereiro, temendo por sua vida, pergunta a Paulo e Silas o que deve fazer para ser salvo. Eles respondem: "Creia no Senhor Jesus e será salvo, você e a sua casa". A narrativa mostra a abertura do coração do carcereiro ao evangelho, levando ao batismo dele e de toda a sua família, e destacando a transformação de suas vidas pelo poder do evangelho.
Esta passagem ilustra vários temas fundamentais relevantes para a igreja hoje:
Fidelidade, perseverança e missão
A primeira lição que podemos tirar é:

1- Fidelidade: O sucesso no ministério é medido pela fidelidade, independente do resultado.

Havia uma jovem escrava que era uma espécie de profetiza, que inclusive anunciava que Paulo e Silas eram servos do Deus Altíssimo e anunciavam o caminho da Salvação. Olha que coisa bela, parece até João Batista anunciando Cristo. Mas, ela não era o que parecia ser, o espírito que habitava naquela jovem não era proveniente do Senhor, mas do inimigo. Então, a liderança fiel deve ser marcada por duas características:
Discernimento - Discernir o que é e o que não é de Deus, mesmo que pareça que seja. Nem tudo o que parece, é.
Coragem - Para ser fiel a aquilo que é certo, mesmo que isso desagrade a alguns ou a muitos. Coragem para ser fiel mesmo que o resultado sob o ponto de vista humano não vai ser bom.
A fidelidade de Paulo e Silas desagradou os senhores daquela jovem e também uma multidão, e como consequência eles não obtiveram o sucesso sob o ponto de vista de uma sociedade de consumo e sucesso. Pelo contrário, foram presos. O ministério as vezes é marcado por traição, perseguição e injustiças, mas devemos estar comprometidos com o Senhor que nos chamou e não preocupado com a aprovação de quem quer que seja. Ser fiel te custará popularidade, mas é a integridade que determina o valor do teu ministério para Deus. Não abram mão disso!
Mas a fidelidade não se aplica apenas aos líderes, na dinâmica comunitária da igreja, cada membro da igreja desempenha um papel vital. No entanto, existe um chamado especial e uma responsabilidade pesada sobre os ombros dos presbíteros. Eles são chamados não apenas para liderar, mas para viver vidas de fidelidade exemplar, mesmo quando isso significa tomar decisões difíceis ou seguir caminhos menos populares.
Para cada um de vocês, como membros da igreja, surge então um chamado igualmente importante: o de apoiar esses presbíteros. Este apoio vai além de simplesmente acatar decisões ou seguir direções; trata-se de um apoio fundamentado na oração, na compreensão e, acima de tudo, no amor .
Quando os presbíteros tomam decisões que parecem contrárias às normas culturais ou que desafiam o status quo, pode ser tentador resistir ou questionar. No entanto, é precisamente nesses momentos que nosso apoio se torna mais crucial. Deve-se lembrar que a fidelidade a Deus nem sempre segue a lógica humana ou as tendências culturais. Assim como Paulo e Silas, nossos líderes são chamados a seguir a Deus acima de tudo, mesmo quando isso os leva para dentro da 'prisão' da incompreensão ou da crítica.
Portanto, encorajo cada um de vocês, membros dessa amada igreja, a se unirem em torno desses líderes com amor, paciência e encorajamento. Que possamos lembrar que, ao apoiá-los, estamos, na verdade, apoiando a obra de Deus em nosso meio. Estamos fortalecendo os pilares dessa comunidade e assegurando que essa igreja continue a ser um farol de verdade e luz em um mundo que desesperadamente precisa do amor redentor de Cristo.

2- Perseverança: Perseverar independente da circunstância.

Paulo e Silas foram fiéis a Deus e foram presos, não foram aclamados nem ficaram ricos, mas pararam na prisão. Diante de uma circunstância adversa temos a tendência de murmurar, mas a Palavra de Deus nos ensina a perseverar na oração e na adoração diante da adversidade. Eles perseveraram não por causa do resultado (não era masoquismo), louvaram e oraram porque tinham a consciência tranquila que estavam ali porque foram fiéis. Estavam tranquilos que estavam ali porque em primeiro lugar agradaram a Deus, mesmo que isso tenha desagradado os homens.
A fidelidade e a perseverança daqueles homens não os livrou da prisão, mas os livrou na prisão e Deus agiu de forma sobrenatural naquele lugar. E a perseverança deles não se limitou a oração e ao louvor, mas também na missão. No momento que as portas se abriram os outros presos fugiram, enquanto o carcereiro dormia (ação de Deus). Deus agiu para que houvesse aquele encontro, Paulo e Silas não fugiram. A pena para aquele carcereiro ‘por ter deixado os presos fugirem’ seria a morte. Então ele quis se antecipar, mas Paulo e Silas interviram porque aquele que talvez fosse a última barreira para a liberdade, antes de tudo poderia ser um alvo da graça de Deus. Pregaram o evangelho (a morte de Jesus pagou a nossa liberdade - a verdadeira liberdade para Paulo e Silas já havia chegado pela morte de outro homem, que de fato era inocente - A morte traria liberdade, mas havia um homem que morreu pelo carcereiro que o libertou de verdade).
Dentro da nossa comunidade de fé, cada um de nós carrega uma responsabilidade preciosa: a de perseverar na própria fé e, simultaneamente, apoiar nossos presbíteros em suas missões divinamente ordenadas. Este compromisso duplo não apenas fortalece individualmente nossa caminhada com Cristo, mas também solidifica os alicerces da nossa igreja, tornando-a uma comunidade resistente e unida.
Perseverar na fé não é uma tarefa fácil; é uma jornada que requer dedicação, oração e, muitas vezes, sacrifício. Cada um de nós enfrentará desafios que testarão nossa fé, desde dúvidas internas até pressões externas. No entanto, é na perseverança que encontramos a verdadeira profundidade da nossa relação com Deus. E enquanto cada um de nós se esforça para se manter firme, somos chamados a olhar além das nossas jornadas individuais e a oferecer suporte aos nossos líderes espirituais, os presbíteros, que guiam nossa igreja segundo a vontade de Deus.
Apoiar nossos presbíteros não significa apenas ouvi-los nos domingos ou concordar passivamente com suas decisões. Significa participar ativamente na vida da igreja, oferecer nossos dons e talentos, carregar juntos os fardos através da oração e, quando necessário, oferecer palavras de encorajamento e gratidão. Essa sinergia entre a membresia e a liderança cria um ambiente onde a fé não apenas sobrevive, mas floresce.
Uma comunidade de fé resistente e unida é aquela onde seus membros e líderes trabalham juntos em harmonia, reconhecendo que todos somos partes de um mesmo corpo – o Corpo de Cristo. Assim como o apóstolo Paulo ensinou, se uma parte sofre, todas as partes sofrem com ela; se uma parte é honrada, todas as partes se alegram com ela (1 Coríntios 12:26). Portanto, que essa igreja seja um lugar onde a perseverança na fé de cada membro e o apoio incondicional aos nossos presbíteros se entrelacem, formando uma teia de força espiritual que não pode ser facilmente rompida.

3- Missão: A dinâmica da salvação.

Conversão - Testemunho - Serviço - Proclamação
Aquele carcereiro valorizou a salvação e não perdeu tempo em testemunhar, servir e proclamar. Ele não esperou o momento certo, ele não se achou incapaz, mas entendeu a urgência da mensagem. O trabalho de Paulo e Silas resultou nessa experiência, e a igreja naquele momento viveu a dinâmica da salvação. É a mesma dinâmica que devemos praticar e treinar pessoas a praticarem.
Em nossa caminhada cristã, não somos ilhas isoladas; somos, de fato, uma comunidade entrelaçada pela fé em Cristo. Essa verdade implica uma responsabilidade compartilhada: viver e promover a dinâmica da salvação. Esta responsabilidade não recai apenas sobre nossos líderes, mas sobre cada um de nós, membros desta congregação.
Viver a dinâmica da salvação começa com o testemunho pessoal. Cada um de nós tem uma história única com Deus, uma história que pode inspirar, encorajar e orientar os outros. Ao compartilhar como Deus operou e continua operando em nossas vidas, damos testemunho da Sua graça, amor e fidelidade. Estas histórias não são apenas para ser mantidas em nossos corações; elas são luzes que devem brilhar diante dos outros, para que vejam nossas boas obras e glorifiquem nosso Pai que está nos céus.
Além do testemunho pessoal, somos chamados ao serviço comunitário. Servir não é uma opção na vida cristã; é uma expressão direta do amor de Cristo por nós. Quando servimos aos outros, refletimos o coração de Deus para o mundo. Ao servir, não apenas atendemos às necessidades, mas também criamos oportunidades para compartilhar a mensagem do evangelho.
Finalmente, o apoio mútuo é essencial para nossa saúde espiritual e crescimento. Nós, como corpo de Cristo, somos chamados a carregar uns aos outros em oração, a consolar aqueles que estão em qualquer tipo de aflição e a encorajar uns aos outros na fé. Esse apoio mútuo constrói uma rede de amor e cuidado que reflete a bondade e a misericórdia de Deus.
Portanto, querida congregação, somos todos convocados a essa grande e gloriosa tarefa. Que cada um de nós abrace nossa responsabilidade compartilhada de viver e promover a dinâmica da salvação. Que possamos ser testemunhas ardentes de Cristo, servidores generosos de nosso próximo e defensores fervorosos uns dos outros. Ao fazer isso, seremos verdadeiramente uma luz para o mundo, uma cidade situada sobre um monte que não pode ser escondida.

Conclusão

Essa experiência de Paulo e Silas mostra para nós um exemplo de amor e fidelidade a Deus.
O ministério é mostrar à igreja o caminho da missão, que muitas vezes é remar na direção contrária (a figura do bombeiro em um prédio em chamas - somos aqueles que são chamados a entrar no prédio em chamas e não os que vão procurar um abrigo seguro - a igreja é o quartel seguro que protege, treina e envia para levar ordem ao caos), é ver ser Deus sendo glorificado quando eu abro mão do meu conforto e até mesmo a minha própria segurança. Ensinar a igreja na prática que somos chamados para uma missão de serviço e não de ser servido. Ser fiel e ver os frutos que Deus preparou e não necessariamente aqueles que queremos ver. As vezes, não veremos os frutos do nosso trabalho, mas não somos movidos pelo aparente sucesso dos números e do resultado imediato, somos movidos pela alegria de fazer exatamente o que Deus nos chamou para fazer. Sejam fiéis, não tenha medo de fazer o que é certo, independente das consequências que isso possa te trazer. Sejam presbíteros com a glória de Deus, sendo exemplos para que toda a igreja viva da mesma forma!
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