Deus não é mais uma opção

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Sobre o Livro de Tiago / Tiago 4.4–7

Tg 4.4-7

Introdução:
Irmãos queria convidá-los a refletir sobre algo que certo Teólogo escreveu ao retratar sobre sua conversão, ele diz o seguinte:
Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora! Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu não estava contigo. Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem. Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira. Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz.
Irmãos, quantas vezes nós já libertos por Deus nos comportamos como Agostinho, quando ainda era incrédulo. Mesmo agora com nossos ouvidos abertos ainda agimos como se estivessem fechados. Agora já com olhos libertos, mas ainda agimos como cegos, mesmo já sabendo qual é o melhor cheiro, ainda preferimos o cheiro do pecado. Tantas vezes agimos como se Deus fosse uma opção, e não como o único em nossa vida. Mas Tiago quer deixar claro que Deus não divide seu espaço, já temos os olhos abertos e assim devemos agir, pois: Deus requer uma vida sujeita a ele. Vamos percebendo isso ao longo do texto.
Verso 4
1. A seção dos versos 1-10 está totalmente ligada, mas devido ao tempo, é necessário fazer as divisões para irmos aos poucos compreendendo o que Tiago quer nos transmitir.
2. É notável o modo como ele inicia o quarto verso. É uma espécie de exclamação bem séria.
3. O termo infiéis acabando descrevendo perfeitamente aqueles que cumprem os maus requisitos apresentados nos versos 1-3.
4. Ou seja, pessoas que estavam sendo guiadas pelos próprios prazeres. Eram fiéis a eles.
5. Logo, entendemos não ser possível manter um modo de vida que sempre está gerando contendas, e pensar que isso é marca de alguém devoto a Deus. Porque já sabemos qual raiz que estava nutrindo os sentimentos dessas pessoas. Era uma briga de egos.
6. Isso esclarece ainda o quão grave era suas atitudes.
7. Eles eram adúlteros espiritualmente no lugar de estarem adorando a Deus, na verdade, estavam preterindo-o. E, deste modo, rejeitando a harmonia entre os irmãos.
8. O modo como eles estavam vivendo era num relacionamento sério consigo mesmo, não sem motivo os versos 1 e 3 contém qual palavra? Prazeres.
9. Portanto, por mais que pensemos ser possível ter uma vida dupla, estamos na verdade quebrando nossa ligação com Deus.
10. E, transformando nos mesmos, o nosso ego, a nossa vontade de ser bem-visto, de ter sucesso como o nosso deus.
11. Por isso, na continuação do verso quatro é colocada a ênfase entre amizade com o mundo e inimizade com Deus.
12. Não é possível ter amizade com os dois, no desejo de tornar isso possível, eles não estavam servindo a Deus.
13. É possível ser amigo do mundo, mas a consequência disso é pesada. (inimizade com Deus)
14. Também é possível ser amigo de Deus, mas isso constituirá em hostilidade do mundo.
15. Não pense que você pode conseguir esse feito, muitos já se arriscaram na mesma ilusão, pensando ser possível estar em cima do muro.
16. O grande problema é que já escolheram um lado, e deram o último passo quando chegou a hora.
17. Deus não dá o espaço que é seu para ninguém. O verso quatro nos mostra a seriedade disso, não podemos ter as duas coisas. Necessitamos tomar a decisão por Deus, e não retroceder.
18. Pense: Qual exclusividade é a sua? Se alguém te questionasse sobre isso hoje, qual seria a sua resposta? Deus? O mundo? Os dois não dá!
19. Se você vive uma vida banhada dos próprios prazeres, sua exclusividade foi dada para você mesmo, o que implica em seguir a sabedoria do mundo.
20. Lembre-se sempre: Deus é exclusivista, ele não aceita dividir a sua adoração, como podemos observar com Israel, e vale para cada um de nós. Seguindo...
Verso 5
1. No próximo verso, para fortalecer seu argumento, Tiago repete algo que já fez no capítulo dois.
2. Ele utiliza a Escritura como base para relembrá-los do zelo de Deus.
3. Lembre-se que até esse momento, a Escritura se refere apenas ao Antigo Testamento.
4.As partes do Novo Testamento estavam começando a serem escritas. E, como disse aqui, a carta de Tiago foi o primeiro escrito do Novo Testamento,
5. Logo, a alusão presente no texto é exatamente ao Antigo.
6. No início do verso ele diz, “Ou supondes que em vão afirma a Escritura”.
7. Essa fala expressa importância, não é sem motivo que a Escritura diz isso.
8. Ou não foi à toa em suas palavras. Apesar de terem sido escritas há tanto tempo sua validade permanece a mesma.
9. Certo, mas qual texto exatamente Tiago está citando aqui?
10. Se você tem uma Bíblia Revista Atualizada, é provável que não tenha nenhuma nota cruzada sobre esse versículo.
11. Já, se você tem uma Corrigida ela pode te levar para três notas cruzadas do Antigo Testamento. (Gn 6.5, Nm 11.29, Pv 21.10).
12. O que fica claro para nós é que Tiago não faz uma citação de um versículo específico aqui, como acontece em outros momentos da carta.
13. O que ele faz é referenciar um tema já abordado antes, mas de modo resumido.
14. Acho que até aqui está tranquilo, o que dificulta é agora (kkk)
15. A citação fala que o espírito que habita em nós nos anseia com ciúme.
16. Há duas possibilidades sobre quem é esse espírito.
17. Ou é o nosso espírito que também pode ser referido como nossa alma, ou o Espírito de Deus, Espírito Santo.
18. Aqueles que entendem ser o espírito humano, fazem a ligação com o início do capítulo 4. Já que ali descreve a natureza do nosso espírito afetado pelo pecado, e as notas da versão corrigida seguem esse pensamento.
19. Porém, os quais eu sigo, entendem ser o Espírito de Deus, por conta do verso quatro. Já que o autor quer expressar o zelo de Deus para com o seu povo.
20. ... Um tema comum na sua relação com Israel. Em Êxodo 20.5 diz, falando sobre imagens… “Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”.
21. Ou seja, o assunto da particularidade continua, por isso acho fazer mais sentido entender como o Espírito de Deus. Isso proporciona um bom encaixe entre o fim do verso quatro e o início do cinco. Observe os versos...
22. E o verso cinco traz uma pergunta que acomoda bem o verso de Êxodo, Deus é zeloso e requer fidelidade da nossa parte, como primeiros leitores ainda tinham dúvidas? Já estava nas Escrituras deles isso.
23. Não deveriam ter dúvidas, no Pentateuco esse tema já foi bem abordado e eles deveriam estar afiados nisso, e não repetir o mesmo erro dos seus antepassados.

24. Como disse determinado filósofo: “Um povo que não conhece sua História está fadado a repeti-la.” (Edmund Burke)

25. Mas eles tinham conhecimento da sua história, logo, as coisas deveriam estar caminhando por outro caminho.

26. Irmãos, quantas vezes Deus já nos perdoou, e voltamos a repetir os mesmos erros. Precisamos acordar, abra os olhos e veja a graça de Deus em lhe perdoar, e mostrar o caminho para se libertar disso.
27. O que o próximo verso elucidar muito bem.
Verso 6
1. Ele começa com a palavra antes. Que pode funcionar como um marcador temporal.
2. Deus é zeloso? Sim! Mas, agora, com seu Espírito habitando em nós, ele dá maior graça, pois o caminho para vencer o pecado é já está conosco.
3. Assim o antes funciona, Deus não é como um marido ciumento que nos maltrata, mas antes ele é gracioso e nos ajuda a vencer nossas dificuldades.
4. E para demonstrar esse cuidado de Deus, Tiago utiliza uma outra citação do Antigo Testamento.
5. Ela se encontra em Provérbios 3.34 “Certamente, ele escarnece dos escarnecedores, mas dá graça aos humildes.”
6. Essa citação acompanha de modo integral como está na tradução da Septuaginta. Apesar da variação dos termos, significa a mesma coisa.
7. Quem é a pessoa que Deus concede graça? Ao humilde!
8. Essa é a ideia principal que o verso 6 deixa. Não podemos agir como prepotentes e imaginar que Deus usará de graça conosco. O caminho para essa vitória é a humildade.
9. É necessário agir com submissão, a mesma atitude soberba frutos dos prazeres não tem vez diante de Deus!
10. Apesar de termos nossas inclinações que nos tentam e afetam nossa comunhão diante de Deus. Isso não deve ser uma desculpa para pecar, já que seu Espírito habita em nós e nos concede a graça para vencê-lo. Lembre-se ele dá o que? Maior graça!
11. Apesar das dificuldades, temos uma graça maior que tudo.
12. Por isso, somos indesculpáveis, pois, Deus preparou o caminho para vencermos nossa carne.
13. Lembrando outra vez, a tentação é nossa responsabilidade, devemos combatê-la. Citar Cl 1.21-22
14. Como? através do Espírito de Deus, permitindo a cada dia ser guiado por ele, enquanto os meus prazeres malignos perdem lugar para aqueles que são corretos.
15. Mas, agora o que fazer? Tiago do verso 7 ao 10 nos ajudará nessa caminhada, vamos analisar primeiramente o verso 7, os demais na próxima semana.
Verso 7
1. A conclusão após entenderem a raiz das contendas chega nesse ponto, por isso a palavra portanto aparece no texto.
2. Tiago inicia o verso com um comando “sujeitai-vos”, ele ainda está utilizando o pronome na segunda pessoa indicando que a exortação continua.
3. Mas o que seria sujeitar? Isso significa…
4. Submeter-se às ordens ou diretrizes de alguém - 'obedecer, submeter-se a; obediência; submissão'.
5. A utilização desse comando fica mais claro quando observamos outra vez a passagem citada antes.
6. “Deus resiste aos soberbos”. O que são pessoas soberbas? Alguém orgulhoso, arrogante.
7. Assim, no lugar de pessoas estarem autoconfiantes, o que já foi demonstrado que não dá certo.
8. São agora chamadas a caminhar partindo da graça, essa que é parte constituinte da sua nova vida em Deus.
9. Tenha uma postura humilde à luz do Espírito de Deus que está em você.
10. Deixem de lado sua vontade de serem líderes da sua própria vida, o famoso: EU SOU DONO DO PRÓPRIO NARIZ, e vivam sob a liderança de Deus, mediante sua sabedoria ofertada pela Escritura.
11. Na continuação do verso, também há o comando da resistência ao diabo, mas como seria possível fazer isso?
12. Já que você poderia me dizer: Eu não o vejo, não sei onde está para passar longe.
13. Ele não é como uma pessoa que você não gosta, a qual pode chegar a evitar passar na mesma calçada que ela.
14. Não é por esse caminho, não podemos evitá-lo assim.
15. O caminho é seguir o comando anterior, e deste modo o diabo não terá ocasião para entrar em nossa vida.
16. Esses irmãos estavam permitindo isso acontecer ao serem guiados pela sabedoria do mundo, pelo mau desejo interior. Então, o diabo concedia má sabedoria.
17. Mas se sujeitando a Deus, eles tomam por verdade sua palavra e evitariam envergonhar o nome do Senhor.
Aplicação:
Irmãos, nesses versos entendemos que Deus não é como uma mercadoria que eu escolho, mas sim o único caminho que eu devo desejar, assim:
1. Precisamos observar até que ponto estou permitindo ser influenciado pelo mundo. (Está me melhorando ou piorando?)
2. Devo ser guiado pelo Espírito de Deus, e não por meus prazeres. (Quando chega à noite, qual a voz que você permite entrar na sua mente, e ficar martelando até fincar uma ação nela?) Nosso Deus é zeloso, e ele deve ser sua prioridade.
3. Precisamos constantemente beber da sabedoria da Escritura, para estar pronto a rejeitar a influência maligna. Quando isso não acontece, há uma outra sabedoria que está sendo consumida.
Conclusão: Irmãos nessa noite percebemos que Deus requer exclusividade, não podemos dar espaço para outra coisa que o tire do centro de nossas vidas. O Espírito que habita em nós é o guia para a vontade de Deus, mas, ainda há ações que necessitamos executar como é descrito nos próximos versos. Porém, isso fica para uma próxima oportunidade, com a permissão de Deus. Amém!?
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