(Rm 8:7) O Pecado Interior como Inimizade contra Deus
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Romanos 8.7–8 “Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.”
I. Pecado Interior como Inimizade contra Deus
O significado de “inimizade” não é o mesmo que “inimigo”. Um inimigo pode ser reconciliado, tal como fomos com Deus através do sangue de Cristo. Paulo diz isso em Romanos 5:10-11:
Pois se, quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte de seu Filho, quanto mais, tendo sido reconciliados, seremos salvos pela sua vida! Não só é assim, mas também nos regozijamos em Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio de quem agora recebemos a reconciliação.
A inimizade, por outro lado, não pode ser reconciliada; deve ser destruída. Paulo deixa isso claro em Efésios 2:14-15:
Pois ele mesmo é a nossa paz, que fez dos dois um e destruiu a barreira, o muro divisório da inimizade, abolindo em sua carne a lei com seus mandamentos e regulamentos. Seu propósito era criar em si mesmo um novo homem dentre os dois, estabelecendo assim a paz….
Portanto, a própria natureza do pecado é a inimizade, mesmo no menor grau dela. Há momentos em que a sua força parece diminuir por um instante, mas não nos deixemos enganar, ainda é pura inimizade contra Deus. Owen diz:
Como toda gota de veneno é veneno e infectará, e toda faísca de fogo é fogo e queimará, o mesmo acontece com todas as coisas da lei do pecado, a última, a menor delas – é inimizade, envenenará, queimará… A ação mais leve, a operação mais fraca e imperceptível dela, é a atuação e operação da inimizade. A mortificação diminui a sua força, mas não muda a sua natureza. A graça muda a natureza do homem, mas nada pode mudar a natureza do pecado.
Apesar de Deus ser amor, infinita e eternamente, e de ser excelente e desejável acima de todas as coisas, carregamos essa inimizade contra ele todos os dias de nossas vidas. Não pode ser curada, apenas destruída – e algum dia o próprio Deus fará isso. Temos certeza disso com base na obra de Cristo na cruz e em todos os benefícios que fluem para nós através dela.
É aqui, então, que o pecado interior obtém seu poder; é pura inimizade “até à última gota” e não admitirá paz, trégua ou rendição até ao amargo fim. Assim, é tolice que homens e mulheres pensem que terão algum descanso da sua luxúria, senão através da sua morte. Não existe um programa de autoajuda para o pecado interior; nunca poderá ser reformado.
a. Inimizade contra Deus e contra tudo que vem dele
Mas não é simplesmente que o pecado seja “inimizade”, por sua natureza, mas que seja inimizade contra Deus.
É verdade que o pecado interior se opõe à nossa própria alma , mas ele se opõe principalmente ao próprio Deus.
Se se pratica deveres que não visão comunhão real com Deus, mas apenas moralidade, apenas civilidade ou religiosidade vazia, como é na maior parte dos homens e dos cultos superticiosos que se oferecem a Deus, a oposição do pecado que vai se levantar contra essas pessoas é muita fraca. Essas religiões e moralismos travam lutas apenas externas, elas não tem luta interior., porque Deus não está nele, e a lei do pecado não se opõe a nenhum dever, mas a Deus no dever.
O pecado interior exerce inimizade ainda maior quanto mais nos aproximamos de Deus ou quanto mais conscientemente almejamos sua santidade.
b. A Universalidade do Pecado Interior
O pecado infectou e tomou como reféns todas as partes da alma. Se não fosse esse o caso, talvez pudesse ser mais facilmente controlado. Mas, na verdade, o homem é totalmente depravado e o pecado poluiu todo o seu ser. Portanto, Cristo deve vencer o pecado em todos os pontos, se quiser realmente nos possuir. Owen diz isso,
…quando Cristo vem com seu poder espiritual sobre a alma, para conquistá-la para ele, ele não tem um lugar tranquilo para pousar. Ele não pode pisar em nenhum terreno, se não for lutar e conquistar. Nem a mente, nem as emoções, nem a vontade, mas tudo está garantido contra ele. E quando a graça fizer sua entrada, ainda assim o pecado habitará em todos os seus litorais.
A alma inteira é lançada no pecado. A mente tem que lidar com suas trevas e confusão, enquanto as emoções lutam contra o ódio por Deus, a preguiça e a sensualidade. A vontade, por sua vez, luta constantemente contra a teimosia, a recusa em fazer a vontade de Deus e a perversidade. É por isso que o nosso conhecimento está corrompido, a nossa obediência é fraca e o nosso amor está manchado pelo medo e pela rejeição. Precisamos desesperadamente de um Salvador; caso contrário, estaremos completa e totalmente perdidos.
II. Manifestações da Inimizade: DESPREZO
OWEN: “Você tem algum dever espiritual a cumprir e planeja alcançar qualquer comunhão com Deus? Olhe para si mesmo, observe seus afetos; eles estarão vagantes e errantes, e isso por causa da aversão ao que você tem em mente… Você vai ter uma presença externa, de corpo, na adoração a Deus, mas mantendo o coração bastante afastado.”
a. DESPREZO nas Emoções
A inimizade do pecado interior contra Deus mostra-se constantemente em nossas emoções, especialmente nos momentos em que procuramos nos aproximar de Deus. Talvez estas emoções diminuam um pouco nos momentos em que o Espírito de Deus está poderosamente sobre nós, mas na maior parte, mesmo quando amamos a Deus, queremos obedecê-lo e voltamo-nos para ele em comunhão, vemos esta aversão nas nossas almas. Infelizmente, muitas vezes cedemos a estes “sentimentos” e assim nos distraímos do nosso dever de nos aproximarmos de Deus.
b. DEZPREZO na Mente
Aqui somos ordenados por Deus a ir até ele com palavras para defender nossa causa diante dele e lidar com ele a respeito do que está em sua mente.
Jó 23.4 “Exporia ante ele a minha causa, encheria a minha boca de argumentos.”
Isaías 43.26 “Desperta-me a memória; entremos juntos em juízo; apresenta as tuas razões, para que possas justificar-te.”
Oséias 14.2 “Tende convosco palavras de arrependimento e convertei-vos ao Senhor; dizei-lhe: Perdoa toda iniquidade, aceita o que é bom e, em vez de novilhos, os sacrifícios dos nossos lábios.”
Quando nos aproximamos de Deus em oração, nossas mentes devem ser equipadas com pensamentos que o próprio Deus tem sobre nós e nossa condição (bem como suas promessas e memórias de seu relacionamento conosco no passado). Devemos estar prontos para lidar com Deus pessoalmente quando nos aproximamos dele, de acordo com as verdades sobre as quais meditamos e com as quais Deus nos dirigiu mais recentemente.
Muitos cristãos permanecem crianças na fé porque nunca aprenderam a “lidar” com Deus desta forma, mas essa ignorância não é a raiz do problema. É o pecado interior que está no cerne da questão. Ele nos impede de fazer isso. Precisamos lutar contra esse desprezo.
OWEN: “Aqui foi o início da apostasia de muitos crentes. Encontrando em suas mentes e afetos esse desprezo por se aproximar constantemente deveres espirituais privados, não sabendo como vencer e prevalecer contra essas dificuldades pelo Espírito que os capacita, eles foram primeiro submetidos a negligência deles, parcialmente depois totalmente, até que, tendo perdido toda a consciência deles, eles tiveram uma porta aberta para todo pecado, e assim para apostasia total.”
A causa desta apostasia é o poder e o engano do pecado interior. Quando cedemos aos impulsos do pecado, damos mais força a ele. Se não estamos tentando mortificar o pecado, estamos na verdade permitindo que ele nos conquiste. Não há meio-termo, pois o pecado sempre vive em nós para nos sujeitar. “Deixá-lo em paz é deixá-lo crescer.”
III. CINCO MANEIRAS DE PREVENIR OS EFEITOS DA LEI DO PECADO
a. Mantenha a alma “totalmente” pura
Permitir o pecado numa área é dar-lhe a oportunidade de infectar todas as áreas. Deve haver harmonia em nossa obediência. O resultado da santidade universal é o enfraquecimento geral do poder do pecado interior e, portanto, o seu deprezo (isto é, ódio e repulsa) nas afeições e na mente.
OWEN: “Um respeito universal a todos os mandamentos de Deus é o único preservativo da vergonha; e em nada temos mais motivos para nos envergonhar do que os vergonhosos abortos de nossos corações no cumprimento do dever”
b. Trabalhe para prevenir o início do desprezo
Somos ensinados pelo apóstolo Pedro a manter-nos alertas em oração (1 Pedro 4:7), ou seja, garantir que nada de dentro ou de fora nos impeça de realmente orar. E, assim como “vigiamos em oração”, devemos vigiar também em todos os outros deveres. Devemos vigiar para evitar a tentação e devemos vigiar contra o desprezo do pecado. Quando ele levanta a sua cabeça feia, quando vemos a sua atitude repugnante para com Deus e a santidade, especialmente quando procuramos fazer o bem (como Paulo o chama), devemos despertar todas as graças que conhecemos para impedi-lo.
OWEN: “Se não for impedido nas primeiras tentativas, o pecado prevalecerá. O que quero dizer é: Qualquer que seja o bem, temos que fazer, e vendo que o mal está ali, devemos impedir sua negociação com a alma, sua insinuação de veneno na mente e nas afeições, por meio de uma atitude vigorosa, santa, uma agitação violenta das graças que devem agir nesse dever que a gente pretende fazer” [orar, ler a bíblia, ir a igreja, jejuar, visitar, conversar e ajudar um irmãos etc]
c. Não deixe que o desprezo prevaleça e consiga conquistar
Se virmos a aversão começando a agir em nós e se esforçando para nos afastar de nossos legítimos deveres para com Deus, evitemos então que ela garanta a vitória. E façamos isso com diligência, para que o inimigo interno não ganhe vantagem.
Hebreus 6.11–12 “Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança; para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas.”
Existem muitas coisas que constantemente tentam nos desviar, clamando pela nossa atenção. Alguns de nós, diz Owen, somos desviados por preocupações comerciais, outros pelo poder das tentações. Alguns simplesmente se sentem derrotados o tempo todo, desanimados pela sua própria escuridão. Mas qualquer que seja a fonte das nossas distrações, nenhuma é tão perigosa, diz Owen, como o cansaço causado pela aversão ao pecado. É aqui que a alma diz para si mesma: “Estou cansado da luta. Deixe o pecado seguir seu caminho.” Isso, é claro, leva a um coração duro e à ruína no final. Novamente, o escritor aos Hebreus compreendeu este problema.
Hebreus 12.3 “Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.”
Romanos 6.12 “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões;”
Não ceda, então, a isso, mas resista ao conflito; espera em Deus e prevalecerás. Isaías 40.31 “mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.”
OWEN: “Mas aquilo que agora é tão difícil aumentará em dificuldade se cedermos a isso; mas se permanecermos em nossa posição, prevaleceremos. A boca do Senhor falou isso.”
d. Mantenha a Humildade
Por causa dessa nossa tendência em desprezar as coisas de Deus, em fugir de nossos deveres, precisamos ter uma visão da nossa fragilidade, ser humildes com vergonha dessa condição caída.
É muito humilhante quando consideramos o quanto ele nos amou, até onde ele foi para garantir a nossa salvação, até que ponto ele continua a lutar conosco todos os dias, e então ver quão miseráveis são as nossas almas e quão pouco elas se importam com ele. Por que, depois de ele ter nos mostrado tão preciosa bondade, deveríamos tratá-lo tão traiçoeiramente como o fazemos?
OWEN: “Que iniqüidade encontramos nele? Ele foi um deserto para nós ou uma terra de trevas? Já perdemos alguma coisa ao nos aproximarmos dele? Não! Não reside nele todo o descanso e paz que obtivemos? Ele não é a fonte de todas as nossas misericórdias, de todas as coisas desejáveis? Ele não nos deu as boas-vindas em nossa vinda? Não recebemos dele mais do que o coração pode conceber ou a língua expressar? O que aflige, então, nossos corações tolos e miseráveis, para abrigar tal antipatia secreta e amaldiçoada por ele e seus caminhos? Fiquemos envergonhados e surpresos com a consideração disso, e andemos com um sentimento humilhante disso todos os nossos dias.”
e. Trabalhe para perceber a beleza das coisas espirituais
A alma não vai manter alegremente seus deveres e luta por santidade se não encontrar beleza naquilo que adora, ou seja, a Deus. É por isso que os homens, que perderam todo o sentido da beleza da verdadeira adoração espiritual, muitas vezes inventam “formas de adoração aparentemente pomposas e deslumbrantes, em imagens, pinturas, quadros” que eles chamam de “As belezas da santidade”.
Trabalhe a alma para se familiarizar com a beleza espiritual da obediência, da comunhão com Deus e de todos os deveres de ir até a ele, para que possa se encher de deleite nesses deveres. Salmo 119.72 “Para mim vale mais a lei que procede de tua boca do que milhares de ouro ou de prata.”
