Saúdem uns aos outros

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Romans 16:3–6 NVI
3 Saúdem Priscila e Áqüila, meus colaboradores em Cristo Jesus. 4 Arriscaram a vida por mim. Sou grato a eles; não apenas eu, mas todas as igrejas dos gentios. 5 Saúdem também a igreja que se reúne na casa deles. Saúdem meu amado irmão Epêneto, que foi o primeiro convertido a Cristo na província da Ásia. 6 Saúdem Maria, que trabalhou arduamente por vocês.
Romans 16:16 NVI
16 Saúdem uns aos outros com beijo santo. Todas as igrejas de Cristo enviam-lhes saudações.

Introdução

As cartas escritas por Paulo e os registros feitos por Lucas no livro de Atos não deixaram indícios de que ele fosse casado. Provavelmente ele era solteiro. Solteiro sim, mas jamais solitário!
De forma geral, em suas 13 cartas, há menções a muitas pessoas, mas a carta aos Romanos é, de longe, a que tem o maior número de citações nominais de amigos e companheiros de ministério. No capítulo 16 ele cita 26 pessoas pelo nome.
O “uns ao outros” de hoje não é muito popular. São poucas as pregações sobre ele. De certa forma, ele não é levado muito a sério e, algumas vezes, é deixado de lado enquanto tratamos de outros considerados mais importantes. No entanto, no texto que lemos, somos diretamente encorajados a nos saudarmos uns aos outros.

Sobre a forma

As saudações são cumprimentos e fazem parte de toda cultura. Ao redor do mundo as pessoas têm diversas formas de se saudarem e muitas delas são inusitadas e até chocantes para culturas diferentes.
No oriente são comuns as saudações que envolvem a inclinação da cabeça e do corpo como sinal respeito e consideração.
No oriente médio um dos cumprimentos comuns é o beijo, dado com os lábios, nas duas faces e na Na União Soviética era comum um selinho nos lábios, mesmo entre pessoas do mesmo sexo e em algumas culturas do norte da Europa era comum no passado as pessoas roçarem o nariz no nariz do outro.
Já em grande parte do ocidente, sobretudo nos EUA, a forma mais comum é o aperto de mão.
Aqui no Nordeste um cumprimento comum é dar dois beijos encostando rosto no rosto e estalando o beijo com os lábios. No Sudeste é um beijo só e certamente em algum lugar do país são três beijos.
A forma como as saudações são feitas é um costume de cada cultura, portanto, em relação a isso ninguém precisa ficar preocupado. Não havendo algum constrangimento pessoal incontornável, o melhor cumprimento é aquele do lugar em que estamos. Por isso, se você estiver planejando passar férias na Rússia, é bom ir se preparando!
No entanto, em relação ao motivo e à natureza das nossas saudações há questões importante sobre as quais desejo falar hoje.

Quanto ao motivo

Saudar ou cumprimentar alguém é perceber essa pessoa. Tanto isso é verdade que se entramos e saímos de um lugar sem sermos cumprimentados um certo sentimento de desvalorização bate à nossa porta e pede para entrar. É como se tivéssemos sido confundidos com um jarro de flores ou com uma cadeira.
Portanto quando Paulo afirma que devemos nos saudar uns aos outros ele está dizendo que devemos reconhecer que as pessoas à nossa volta são dignas de serem notadas. Todos os seres humanos são dignos desse reconhecimento simplesmente porque foram criados à imagem e semelhança de Deus. Portanto, cumprimentar (ou saudar), além de ser uma demonstração de educação é o reconhecimento da dignidade humana.
A maioria de nós sabe disso intuitivamente, tanto que para magoar alguém alguns simplesmente deixamos de cumprimentar (o conhecido gelo). Em ambientes virtuais é o silencio da falta de interação; nos ambientes presenciais, fazemos de conta que ela é um jarro.
Mas, a prática desse mandamento nos oferece a possibilidade de reconhecer: (1) que as pessoas são amadas por Deus; (2) que Ele colocou nelas a sua marca, a sua imagem; (3) que somos parte da mesma família de Deus. Por isso, somos instados pela palavra a nos cumprimentarmos (saudarmos) mutuamente.
Se nossos cumprimentos forem apenas um ato de civilidade é exatamente isso que eles serão: formais, protocolares e cerimoniais... Esse tipo de cumprimento faz parte da vida, mas lhe falta a capacidade de comunicar graça reconhecendo no outro a imagem de Deus.

Quanto à natureza

O texto bíblico, por outro lado, nos chama ao cumprimento (ou saudação) em outro nível. Saudai-vos com ósculo santo, diz uma das nossas traduções mais conhecidas.
Pode ser que um leitor desavisado pense que o impressionante neste texto é que as Escrituras orientem a nos cumprimentarmos com beijos, mas o beijo era (e ainda é) um cumprimento trivial. O que deveria saltar aos olhos é o tipo, ou natureza desse beijo: um beijo santo.
Ora, cumprimentar é aproximar-se de alguém para além do desconhecimento do outro. Portanto, podemos concluir que nossa aproximação das pessoas dever ser revestida de santidade. Beijando, abraçando, apertando a mão ou dizendo “oi”, devemos nos aproximar das pessoas com o propósito de comunicar graça, amor, perdão, respeito, consideração e compaixão da parte de Deus.
Infelizmente algumas vezes nossos cumprimentos são distantes e vazios... como aqueles beijos em que os rostos não se encontram o estalado dos lábios e forçado para compensar a distância. Perguntamos como o outro está, mas apenas porque esse é o script, a fala esperada.
Não é toda vez que cumprimentamos alguém que podemos parar e ouvir, mas precisamos ter cuidado para que nossos cumprimentos não se tornem apenas formalidades. Porque a cultura do “oi-oi” “tudo bem? – tudo bem!” é um veneno para os relacionamentos.
Quando você pergunta ao irmão “como foi sua semana” deve estar realmente disposto a ouvir a resposta dele. Dê tempo para que ele responda e ouça com atenção. Quando você abraça o irmão deve ser pela alegria verdadeira em seu coração pela oportunidade de revê-lo.
Não é verdade que às vezes ficamos inquietos quando o irmão sai do script e começa a responder nosso protocolar “Tudo bem?” e começa a falar sobre as lutas e dificuldade da semana? Por outro lado, você já pensou em não responder “tudo bem” para quem lhe pergunta se vai tudo bem? Já pensou em compartilhar o real da sua semana? E porque não fez?
Saudar uns aos outros é um chamado para nos tornarmos uma igreja relacional, que está disposta a não se esconder por detrás do “oi-oi, tudo bem? – tudo bem!”. Uma igreja assim almeja ser santa em suas motivações, prática em suas ações e perseverante em suas orações. Mas essa é outra pregação.
Lowell Bailey, no livro “25 segredos para derrotar a crise da comunhão”, sugere que nossas saudações deveriam ter quatro características?

Pessoais

Para ser fiel à sua natureza e cumprir o seu propósito, é bom que as saudações sejam individuais e se possível pessoais. Saudações coletivas são boas introduções quando se chega a um lugar e têm seu lugar, mas a poucas vezes aquecem o suficiente o coração de quem as houve.
3 John 15 NVI
15 A paz seja com você. Os amigos daqui lhe enviam saudações. Saúde os amigos daí, um por um.

Imparciais

Com isso Bailey sugere que devemos saudar a todos, não apenas aqueles que somos mais próximos. A orientação é não usar o cumprimento como uma forma para fazer acepção de pessoas, isto é, falar com uns e com outros não.
Philippians 4:21 NVI
21 Saúdem a todos os santos em Cristo Jesus. Os irmãos que estão comigo enviam saudações.
Romans 16:15 NVI
15 Saúdem Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã, e também Olimpas e todos os santos que estão com eles.

Validadoras

Usei essa expressão para dizer numa só palavra que nossas saudações, além de comunicar aceitação, devem ser oportunidades para reconhecer e apreciar o trabalho e a vida de quem saudamos.
Romans 16:12 NVI
12 Saúdem Trifena e Trifosa, mulheres que trabalham arduamente no Senhor. Saúdem a amada Pérside, outra que trabalhou arduamente no Senhor.
3 John 1 NVI
1 O presbítero ao amado Gaio, a quem amo na verdade.

Coerentes

O reconhecimento da dignidade das pessoas devemos a todos. Mas as saudações da família da fé são um privilégio de quem dela faz parte.
Por exemplo, não posso considerar irmão em Cristo aquele que é inimigo da cruz e rejeita o amor de Deus demonstrado com a vinda de Cristo em forma humana, na morte do Senhor em nosso lugar e em sua ressurreição pelo poder do Espírito Santo. Devo amá-lo, ser respeitoso e tratá-lo como alguém digno e orar por ele, mas não posso considerá-lo como parte da família de Deus.
João, conhecido como o discípulo amor explicou assim ao orientar os irmãos sobre como tratar os falsos mestres:
2 John 9–11 NVI
9 Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas vai além dele, não tem Deus; quem permanece no ensino tem o Pai e também o Filho. 10 Se alguém chegar a vocês e não trouxer esse ensino, não o recebam em casa nem o saúdem. 11 Pois quem o saúda torna-se participante das suas obras malignas.

Conclusão

Saudarmo-nos uns ao outros é uma expressão externa de um realidade espiritual simples e revolucionária: fomos ligados uns aos outros pelo Espírito de Deus, feitos membros uns dos outros e parte da família de Deus. Estamos conectados a Cristo e uns aos outros. Não podemos ignorar isso.
Não podemos ignorar a presença uns dos outros e sempre que houver o oportunidade devemos comunicar o valor que as pessoas tem e reconhecer o bem que elas fazem.
Houve um homem que negou a Jesus a gentileza de uma saudação.
Luke 7:45 NVI
45 Você não me saudou com um beijo, mas esta mulher, desde que entrei aqui, não parou de beijar os meus pés.
Simão havia convidado Jesus para sua casa, para homenagear o Senhor, mas deixou de fazer a parte mais importante: acolher Jesus com um beijo de boas-vindas. Simão preparou um banquete para Jesus, gastou seu dinheiro nisso, mas entrou para história por negar a Jesus o acolhimento do amor.
Que estejamos atentos ao que de fato importa. Porque não é preciso ser uma igreja grande para perder o acolhimento como expressão de amor. Vamos lembra que somos convidados a nos saudarmos uns aos outros com ternas e apropriadas expressões de amor santo, sejam apertos de mãos, sorrisos, beijos ou abraços, dizendo a todos que é assim o amor de Deus: pessoal, imparcial e acolhedor.
Quero finalizar nossa reflexão hoje, enquanto nos preparamos para celebra a ceia do Senhor, propondo um exercício prático:
Pense em algo que marcou sua semana.
Escolha uma pessoa que não seja da sua família.
Apresentem-se um ao outro com algumas informações básicas que talvez ela não conheça sobre você.
Compartilhem algo que marcou sua semana.
Orem um pelo outro.
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