O Convite Divino à Conversão: Respondendo ao Chamado de Deus
Exposição de Joel • Sermon • Submitted • Presented
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Transcript
Introdução
· Joel não menciona nenhum rei ou evento histórico específico em seu livro.
· O período de seu ministério não pode ser determinado com precisão, mas acredita-se que tenha ocorrido após o retorno dos exilados a Jerusalém e a reconstrução do templo, entre 510 e 400 a.C.
· Durante esse tempo, não havia um rei em Judá, e os líderes espirituais proeminentes eram os sacerdotes.
· A mensagem de Joel provavelmente foi entregue durante os primeiros dias do reinado do jovem rei Joás, que ascendeu ao trono de Judá aos sete anos e permaneceu sob a tutela do sumo sacerdote Joiada durante sua menoridade.
As circunstâncias do livro de Joel dizem respeito a uma praga de gafanhotos que acometeu Judá, uma praga ímpar na história do país (1.2). A economia básica foi prejudicada (1.11, 12). Até mesmo as ofertas sacrificiais foram descontinuadas no templo, por causa da grande devastação agrícola (1.13). Joel acreditava que essa praga era um julgamento de Deus sobre Judá, pois eles não se arrependiam (2.12, 13). Tratava-se de um julgamento apenas temporário, mas que serviu como advertência ou prenúncio de um julgamento maior que Deus traria sobre as pessoas impenitentes na forma do escatológico "dia do Senhor".
Propósito
Então, Joel fala e escreveu em virtude de recentes calamidades naturais, e da iminência de uma invasão militar estrangeira. Seu propósito era tríplice:
(1) juntar o povo diante do Senhor numa grande assembleia solene (1.14; 2.15,16);
(2) exortar o povo a arrepender-se e a voltar-se humildemente ao Senhor Deus com jejuns, choro, pesar e clamor por sua misericórdia (2.12-17); (a mensagem está baseada nesse ponto)
(3) registrar a palavra profética ao seu povo por ocasião de seu sincero arrependimento (2.18—3.21).
A ESSÊNCIA DO RETORNO A DEUS (2.12)
Deus não apenas convoca seu povo a voltar-se para Ele, mas também delineia o que essa volta implica. Ele não apenas identifica a enfermidade do povo, mas oferece o remédio para a cura. Então, como deve ser essa volta?
Primeiramente, trata-se de uma reconciliação pessoal com Deus (2.12):
"[...] diz o Senhor: Convertam-se a mim..." (2.12). Aqui está a maravilha da graça: aquele que foi ofendido busca restaurar o ofensor; é o ofendido que convida o transgressor a abandonar sua desobediência. Joel não fala em seu próprio nome, mas em nome de Deus. Ao apresentar Deus como o falante, o discurso se torna ainda mais sério e urgente.
A expressão "convertam-se" evoca a ideia de um relacionamento pactuado. O povo de Deus é comparado ao filho pródigo que precisa retornar à casa do Pai celestial. Não basta apenas ter consciência do pecado; é necessário empreender o caminho de volta para Deus. A tristeza pelo pecado é apenas o início do arrependimento, que deve ser seguido por uma volta sincera e urgente para Deus.
O caminho de volta se abre quando rejeitamos o pecado e nos voltamos para o Senhor. Não há restauração espiritual sem retorno a Deus. Não se trata apenas de recuperar práticas rituais no templo, mas de restabelecer uma relação íntima com Deus. Muitas vezes, como o povo de Judá, colocamos tanta confiança nos rituais religiosos que os transformamos em ídolos. Substituímos o relacionamento pessoal com Deus por práticas cerimoniais. Da mesma forma, hoje em dia, corremos o risco de substituir o Deus da obra pela obsessão com a obra de Deus. No entanto, o Senhor valoriza mais quem somos do que o que fazemos. A vida com Deus é prioridade sobre o trabalho para Deus. Ele valoriza mais o relacionamento com Ele do que as atividades religiosas sem uma comunhão íntima.
É lamentável perceber que Deus não tem sido o centro das atenções e aspirações de Seu povo. Cada indivíduo segue seus próprios interesses, como nos dias do profeta Ageu, negligenciando o Senhor. Essa é a razão pela qual esse retorno é tão crucial.
Em segundo lugar, trata-se de uma volta profunda (2.12) "[...] de todo o vosso coração" (2.12).
O povo de Judá estava endurecido e indiferente à voz de Deus. Como ébrios, zombavam das advertências divinas, entregando-se aos prazeres sem se importar com as exortações do Senhor. O juízo se aproximava, mas eles continuavam em sua insensatez. Antes que a ira divina se derramasse sobre eles, Deus os convocava novamente ao arrependimento. No entanto, esse arrependimento deve ser profundo, genuíno, sincero e total. Deus não aceita corações divididos. Ele não se contenta com uma espiritualidade superficial e teatral. Ele enxerga o interior e exige autenticidade.
Muitos fazem promessas a Deus em momentos de emoção intensa, como após um evento religioso, retiro espiritual ou uma mensagem inspiradora. Comprometem-se a orar mais fervorosamente, a se dedicar mais à leitura da Palavra, a testemunhar com mais entusiasmo. Alguns até derramam lágrimas no altar, prometendo uma vida nova com Ele, mas esse fervor muitas vezes desaparece tão rapidamente quanto veio.
Atualmente, parece que muitos seguem uma fé superficial. Prometem o que não pretendem cumprir. Honram a Deus apenas com palavras, enquanto suas vidas negam essa honra, sem um verdadeiro arrependimento.
Há aqueles que só se aproximam de Deus por conveniência, buscando-O apenas quando enfrentam dificuldades. Sua motivação não é amor ou arrependimento, mas evitar o sofrimento. Para eles, Deus é descartável. No entanto, Deus não tolera essa espiritualidade utilitarista. Ele não aceita corações divididos. Devemos pertencer totalmente a Ele para sermos aceitos.
Em terceiro lugar, trata-se de um retorno com diligência (2.12). "[...] e isso com jejuns..." (2.12). Deus declara que não aceita um arrependimento superficial. Antes da restauração, é necessário que o povo reconheça profundamente sua culpa e se arrependa diante de Deus. Por isso, devem se apresentar a Ele em jejum. Quem jejua demonstra urgência; está dizendo que voltar para Deus é mais importante e urgente do que satisfazer as necessidades do corpo. Deus é mais importante do que o próprio sustento: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4.4).
O jejum é um meio de transformação pessoal, não de Deus, mas de nós mesmos. Ele nos conduz ao quebrantamento, à humildade e a valorizar mais o alimento espiritual do que o material. Jejuamos para a glória de Deus. Jejum é fome de Deus.
Não se trata de uma greve de fome, regime para perder peso ou ascetismo. Seu foco sempre deve ser espiritual. Nosso jejum deve ser para Deus e provocar mudanças em nossas relações com os outros. Se não jejuamos para Deus e se não impacta nossas interações com as pessoas ao nosso redor, então falhamos.
O jejum é uma experiência pessoale íntima, mas às vezes se torna público e coletivo. Joel convoca todo o povo a jejuar durante esse processo de retorno a Deus. O rei Josafá convocou a nação para jejuar em tempos de crise, e o Senhor os livrou. A rainha Ester convocou todos os judeus a jejuar, e Deus reverteu uma sentença de morte. A cidade de Nínive se voltou para o Senhor com jejum como sinal de arrependimento.
Em quarto lugar, trata-se de um retorno com quebrantamento (2.12)."[...] com choro e lamento" (2.12). O profeta havia convocado os ébrios, os lavradores e os sacerdotes a lamentarem diante do Senhor pela calamidade trazida pelos gafanhotos. Agora, convoca todo o povo a chorar pelos seus pecados. A restauração espiritual começa com lágrimas de profundo arrependimento. Muitas vezes, nossos olhos estão secos demais. Desperdiçamos nossas lágrimas por motivos fúteis ou negamos nossas emoções, tornando-nos insensíveis. Se não choramos diante de Deus diante da nossa condição e da da nossa comunidade, é sinal de endurecimento espiritual.
Você já chorou diante de Deus buscando a restauração? Seu coração anseia pelo Senhor? Este é o momento de chorar, não em desespero, mas em arrependimento.
Por fim, trata-se de um retorno com sinceridade (2.13). "Rasguem o coração e não as vestes..." (2.13). Deus não se impressiona com demonstrações exteriores. Ele busca sinceridade no íntimo. O ato de rasgar as vestes era uma reação cultural diante de uma crise, mas Deus deseja um coração rasgado, não uma demonstração exterior. Não adianta teatralizar diante de Deus. Ele vê além das aparências e valoriza a autenticidade. Devemos nos apresentar a Ele com corações verdadeiramente quebrantados e arrependidos. Para Deus, o essencial não é frequentar a igreja ou realizar cultos animados, mas ter um coração transformado e sincero.
Então, que possamos nos voltar para Deus com todo o nosso ser, buscando um relacionamento pessoal e profundo, com diligência, quebrantamento e sinceridade. Que possamos nos arrepender verdadeiramente e ser restaurados por Sua graça.
A PREMÊNCIA/URGÊNCIA DE RETORNAR A DEUS (JOEL 2:12)
1. “Ainda assim, AGORA MESMO...” (2.12). Esta frase, “Ainda assim, AGORA MESMO, ressoa com urgência. Apesar dos repetidos desvios do povo, apesar de fecharem a porta da oportunidade tantas vezes em seus próprios rostos, mesmo assim, Deus ainda os espera com a promessa da salvação.
Amigos, ainda que o julgamento se aproxime, ainda não é tarde para se arrepender. Apesar da devastação trazida pela invasão de gafanhotos, da seca que secou a terra, dos incêndios que consumiram os campos, da fome que assolou homens e animais, da economia em colapso e da ameaça do exército assírio, há uma brecha aberta para o arrependimento diante de Deus. O mesmo Deus que troveja diante de Seu exército destruidor oferece esperança de livramento.
Há um apelo urgente à nação para se arrepender antes que o golpe fatal seja desferido. Este é o momento crucial, antes que o juízo final caia sobre eles. Na misericórdia de Deus, sempre há uma oportunidade antes do golpe final. O momento é agora, não amanhã; hoje, não depois.
2. A crise não deve nos afastar de Deus, mas nos conduzir a Ele. O resfriamento espiritual da igreja e o endurecimento dos corações não devem nos desanimar, mas nos motivar a buscar a restauração espiritual. Grandes avivamentos surgiram em meio às crises, quando os recursos humanos se esgotaram, as portas do céu se abriram. Quando a igreja se encontra como um vale de ossos secos, o Espírito de Deus sopra vida sobre ela, erguendo-a como um exército.
3. O tempo para retornar a Deus é agora. Não há nada mais urgente do que este encontro com o Senhor. Deus nos espera agora. O tempo de Deus é este momento. É uma questão de vida ou morte: arrepender-se e viver ou ignorar e perecer. Não devemos agir como Faraó, que adiou a oração por alívio até o último minuto quando o Egito foi afligido pelas rãs (Êxodo 8:8-10).
4. Este chamado ao arrependimento é imediato e urgente.Quando Deus fala, devemos ouvir; quando Ele chama, devemos responder prontamente. O profeta Isaías nos adverte: "Busquem o Senhor enquanto podem ser encontrados; clamem por Ele enquanto está perto" (Isaías 55:6). Joel ordena: "Toquem a trombeta em Sião..." (Joel 2:15). A trombeta era tocada em tempos de emergência, e devemos prestar atenção ao fato de que é tocada em Sião, não no mundo. O juízo começa pela casa de Deus (1 Pedro 4:17). Primeiro, a igreja deve se voltar para o Senhor, e então o avivamento se espalha para o mundo. Quando a igreja se reconcilia com Deus, a cura vem do céu para a terra (2 Crônicas 7:14).
CONCLUSÃO: O livro de Joel é um apelo urgente ao arrependimento sincero e à conversão. Esta é a única maneira de escaparmos do Dia do Senhor, que será um dia de lamentação e escuridão para aqueles que não estão preparados.
