A cura de um Leproso
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Introdução
Introdução
A hanseníase, ou lepra, era comum em Israel, de acordo com Lucas 4:27, há muito tempo. Portanto, é muito provável que Jesus tenha curado muitos leprosos.
Existem apenas dois registros da cura de leprosos: este de Marcos, que veremos hoje, e a ocasião em Lucas 17, onde Jesus curou dez leprosos. Mas, novamente, isso não significa que Ele não tenha curado muito mais.
Lembre-se de que os milagres registrados por Mateus, Marcos, Lucas e João são seletivos. Para todos os efeitos, poderíamos resumir o ministério de cura de Jesus nas palavras de Lucas: “Ele curou todos eles”. Nós temos apenas amostras dadas no Novo Testamento.
João 20:30-31 “Estes, porém, foram registradospara que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome. Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro.”
O objetivo de todos esses milagres, seja curar doenças, acabar com a morte, expulsar demônios, alimentar multidões, andar sobre a água, foi validar o fato de que Jesus é o Filho de Deus e, portanto, Ele não apenas tem poder sobrenatural, mas o que Ele diz é verdade. Afinal, a coisa mais importante para Jesus era a proclamação de Sua mensagem. Veja Marcos 1:38: “Respondeu-lhes Jesus: Vamos a outras partes, às povoações vizinhas, para que eu pregue ali também; pois para isso é que vim.”
Ou como Jesus disse, em outra ocasião: “Eu não vim chamar justos, mas pecadores, ao arrependimento” (Lucas 5:32). Ele veio com o objetivo de fazer com que os pecadores ouvissem uma mensagem que os levaria ao arrependimento e à salvação. Na linguagem do versículo 38, Seu objetivo era pregar o Reino, pregar o evangelho, pregar a salvação. Por isso Ele veio. Todos os milagres realizados foram para validar a mensagem.
Portanto, o testemunho do registro dos milagres de Jesus com relação aos milagres físicos e espirituais é para apontar para a validade de Seus ensinamentos. Agora, lembre-se de que no período de três anos de Seu ministério, Jesus passou pela Judeia, e depois por um ano e meio, pela Galileia. Depois, nos últimos meses antes de Sua crucificação, esteve no sul da Judeia, indo de cidade em cidade, vila a vila, lugar a lugar.
E, através de todas essas experiências, Ele estava ensinando e pregando o evangelho do Reino, que são as boas novas de salvação, perdão, vida eterna, e ao mesmo tempo validando Sua pregação através dos milagres incontáveis que fez.
Os judeus daquela época nunca negaram Seus milagres, nunca negaram Seu poder. Somente os líderes tiveram a ideia de espalhar o boato de que Ele fazia tudo pelo poder de Satanás, e não pelo poder de Deus. Portanto, toda a nação de Israel foi acusada e auto-condenada, pois O rejeitou como seu Messias e Salvador, porque as evidências que tinham eram indiscutíveis.
Agora, nos versículos diante de nós, 40 a 45, temos o registro sobre a cura de um leproso. É uma situação fascinante sempre que um leproso aparece na Bíblia, por causa da natureza da doença, e vou falar um pouco sobre isso.
Mas, vamos ao texto
Vamos começar com a história simples, o relato simples e magnífico, analisando a situação do leproso. Depois, veremos a resposta do Senhor, a resposta do leproso e a situação do Senhor.
1. A SITUAÇÃO DO LEPROSO
A situação do leproso é declarada no verso 40: “E um leproso veio a Jesus”. Isso é tudo o que o texto diz sobre esse homem: ele era um leproso. A suposição é que ele tinha o tipo de lepra que fazia de alguém um pária. A palavra “lepra” significa “escamoso”. É um termo usado para marcar a doença manifestada na pele escamosa. E há muita discussão sobre exatamente o que essa doença era – patológica e clinicamente – nos tempos bíblicos.
Como realmente não existia a ciência da patologia nos tempos antigos, uma vez que eles não sabiam o que causava doenças, não sabiam sobre bacilos, bactérias, coisas assim, vírus, tudo o que podiam fazer era olhar para os sintomas e julgar a condição de uma pessoa. E havia muitos, muitos distúrbios de pele e doenças de pele que poderiam se manifestar como uma descamação, como lepra, psoríase, eczema e outros.
Quando se considerava que uma pessoa tinha esse tipo de lepra, ela era completamente excluída da sociedade.
Os leprosos eram rotulados, então, como impuros. De acordo com Levítico 13, eles tinham que dizer: “Imundo! Imundo! Imundo!” onde quer que fossem, para avisar as pessoas que não se aproximassem deles. Eles tinham que rasgar suas roupas, para que fosse evidente para todos que eles eram leprosos.
Em Levítico, capítulo 13, vemos que havia exames preliminares que deveriam ser feitos pelos sacerdotes no caso de suspeita de lepra. Os sacerdotes eram os protetores do povo, e se você tivesse algum tipo de desordem da pele, sua família, sua comunidade o enviaria ao sacerdote, e Levítico 13 dá uma longa lista de testes prescritivos que precisariam ser feitos para diagnosticar o que essa pessoa teria. De fato, existem mais de cinquenta versos nesse capítulo classificando as várias possibilidades de doenças de pele.
Eles buscavam um diagnóstico preciso para proteger as pessoas desse bactéria contagiosa, que poderia passar de pessoa para pessoa. Havia sinais óbvios de hanseníase, e se uma pessoa os tivesse, seria logo diagnosticada como leprosa, sem a necessidade de passar por outros testes ou exames.
Portanto, havia testes, previstos em Levítico 13, pelos quais os sacerdotes poderiam se guiar para diagnosticar a doença de pele como sendo lepra ou não. Quando você chega aos versículos 44 ao 46, no capítulo 13 de Levítico, lerá que:
Leproso é aquele homem, imundo está; o sacerdote o declarará totalmente por imundo, na sua cabeça tem a praga. Também as vestes do leproso, em quem está a praga, serão rasgadas, e a sua cabeça será descoberta, e cobrirá o lábio superior, e clamará: Imundo, imundo. Todos os dias em que a praga houver nele, será imundo; imundo está, habitará só; a sua habitação será fora do arraial.
Nos tempos bíblicos, Deus às vezes usava a lepra como julgamento. Era um horror visível. “Ordena aos filhos de Israel que tirem do arraial todo leproso.” Para a segurança de Israel, já no tempo de Moisés, os leprosos eram colocados fora do arraial.
Era uma doença desprezível.
Quão severa era a lepra desse homem do texto de Marcos 1?
Em Lucas 5:12, lemos que esse homem estava “coberto de lepra”, o que mostra que a sua lepra era visível, feia, assustadora. Era um morto-vivo. Agora, o fato de ele ter vindo a Jesus foi algo chocante. Ele não poderia fazer isso. Leprosos eram proibidos de se aproximar de alguém.
Josefo escreveu que “os leprosos eram tratados como se fossem mortos, cadáveres”.
Mas, esse leproso veio a Jesus, atravessando a multidão. Em seu desespero, ele violou todos os padrões de exclusão. Ele veio a Jesus, implorando, com forte pedido, mostrando seu desespero. Sua atitude era humilde, respeitosa. Marcos nos diz que ele estava ajoelhado diante de Jesus. Mateus revela que ele estava adorando, pois usa o verbo “proskuneō”, um verbo que sempre se refere à adoração a Deus toda vez que é usado em todo o Novo Testamento.
Ele tinha uma atitude de adoração, uma atitude respeitosa, reverente e humilde. Lucas diz que aquele homem doente “prostrou-se sobre o rosto”, Lucas 5:12. Ele não apenas se ajoelhou, mas se prostrou com o rosto em terra. Ele se curvou em humilde adoração diante de Jesus.
Lucas acrescenta que ele se referiu a Jesus como “Senhor”. Ele acreditava que Jesus era o Filho de Deus? O Messias? O cordeiro de Deus? O verdadeiro rei? O Ungido? Sua linguagem corporal pode indicar que sim. Ele estava disposto a arriscar passar vergonha, a zombaria, enfrentar o desdém. Estava disposto a arriscar ir aonde ele nunca poderia estar.
Isso mostra o quão desesperado ele estava, e o quão confiante ele estava no poder de Jesus, que agora era amplamente conhecido. Ele tinha grande confiança no poder de Jesus para curá-lo, e ele disse, versículo 40: “Se quiseres, podes purificar-me.”
Ele não tinha dúvidas sobre o poder de Jesus. A única coisa que ele não sabia era se Jesus queria fazê-lo.
Há algo muito bom nisso. Ele reconhece a prerrogativa soberana. Ele sabe que não poderia apenas pedir a cura baseando-se no seu sofrimento, esperando que o seu estado de sofrimento pudesse persuadir Deus a fazer por ele algo que Deus não queria fazer.
Ele sabia que não poderia reivindicar nada de Deus. Ele era bem ciente de sua própria miséria espiritual, sua própria pecaminosidade, bem como de sua própria miséria física. Ele sabia bem que era um pecador. Ele teria suportado fisicamente o estigma de seu pecado em sua própria mente, e sabia que não poderia reivindicar nada de Deus.
O relato do leproso fornece-nos um exemplo instrutivo da oração que Deus responde:
1. Foi sincera e desesperada — rogando-lhe.
2. Foi reverente — de joelhos.
3. Foi humilde e submissa — se quiseres.
4. Foi confiante — podes.
5. Reconhecia a necessidade — purifica-me.
6. Foi específica — não “me abençoe”, mas purifica-me.
7. Foi pessoal — purifica-me.
8. Foi breve — cinco palavras no original.
2. A RESPOSTA DO SENHOR
Apenas uma observação aqui: Jesus curou pessoas que não creram Nele, que não Lhe mostraram respeito, que não se curvaram, que não O adoraram, Ele curou pessoas que não O chamavam de “Senhor”. De fato, Ele curou todos os tipos de pessoas, a maioria das pessoas certamente não acreditava Nele. Ele curou os não-crentes, Ele os curava, se eles tivessem fé ou não.
Portanto, a decisão do Senhor de curar ou não curar não tinha nada a ver com a atitude daquele homem. Sua atitude é interessante, mas não é a razão pela qual Jesus o curou.
A única coisa que levou Jesus a curar o homem é indicada no versículo 41: Sua compaixão. Ele foi movido por compaixão. Ele sentiu a dor do homem. Ele sentiu a agonia do isolamento daquele homem, seu sofrimento físico, o isolamento social, o isolamento religioso. A situação do homem provocou a compaixão de Jesus.
Em Marcos, capítulo 6, por exemplo, e em muitas outras passagens, versículo 34, temos: “E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas.”
Jesus teve compaixão daquele leproso e o tocou.
“Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o” verso 41
Seu toque foi um toque de compaixão.
E então, Ele lhe disse: “Quero, sê limpo”. O amor soberano respondeu, e o poder soberano agiu. E aqui vem a palavra favorita de Marcos, versículo 42, “Imediatamente”. O verso diz: “E, tendo ele dito isto, imediatamente a lepra desapareceu, e ficou limpo.” Instantaneamente e completamente. A lepra o deixou e ele foi purificado. Jesus o cura com uma palavra e um toque, instantaneamente, completamente, sem truques, sem processo e sem explicação.
Versos 43 e 44
Jesus o advertiu severamente, no versículo 43, e o despediu. E no verso 44: “E disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguém; porém vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.”
Onde ele teria que ir para fazer isso? Jerusalém, ao templo, aos sacerdotes em serviço, onde eram feitas todas as ofertas e sacrifícios necessários.
Agora, nosso Senhor dá a ele algumas instruções.
“e lhe disse: Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo.”
Jesus não dá a esse homem nenhuma explicação sobre o que se trata aquela ordem. Mas eu vou lhe mostrar a explicação em um momento. Veja o versículo 44: “porém vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.” Esse é o lado positivo da ordem. O negativo é: “Não conte a ninguém”.
Jesus não quer que o homem torne público como e por quem ele foi purificado. As razões ou razão para essa proibição não nos foram reveladas. Talvez uma razão fosse que o Mestre queria ser conhecido como “aquele que traz as boas-novas” mais do que como um “fazedor de milagres”. É, afinal, a palavra, a mensagem, que, aplicada ao coração do homem pelo Espírito Santo, salva.
uma desobediência flagrante. O homem curado não conteve sua alegria e entusiasmo. Diz o texto: Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas cousas e a divulgar a notícia… (1.45). O verbo grego está no tempo presente, evidenciando que o homem estava propalando e divulgando continuamente acerca da sua cura. Certamente ele tinha motivos para abrir a sua boca e falar das maravilhas que Jesus havia feito nele e por ele. Contudo, isso não lhe dava o direito de desobedecer a uma ordem expressa do Senhor que o libertara do cativeiro da morte.
“mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo.”
Jesus queria que o homem desse um testemunho aos sacerdotes. O que ele fez? O versículo 45 diz: “Mas, tendo ele saído, começou a apregoar muitas coisas, e a divulgar o que acontecera…”. Exatamente o que o Senhor lhe disse para não fazer.
Então, se você teve alguma grande ilusão sobre o interesse espiritual desse homem em Cristo, isso meio que parece desmoronar aqui, não é? A desobediência do homem eliminou a oportunidade do testemunho aos sacerdotes, que era o que o Senhor queria que ele fizesse.
Em segundo lugar, a desobediência do homem, espalhando a notícia da cura por toda parte, teve um efeito negativo sobre o trabalho de Jesus ali. Diz o versículo 45: “de sorte que Jesus já não podia entrar publicamente na cidade, mas conservava-se fora em lugares desertos; e de todas as partes iam ter com ele.”
Em qualquer lugar que houvesse uma massa populacional, Ele era sufocado, não conseguia se mover. Ele tinha que escapar disso. Nós O veremos no deserto daqui em diante. Nós O veremos à beira-mar. Às vezes, Ele precisou entrar em um barco e flutuar apenas para se afastar das pessoas o suficiente para falar com elas.
O entusiasmo do povo atingiu um pico de histeria, e era tudo sobre cura. Havia uma expectativa messiânica irrealista. Sua popularidade estava explodindo. De fato, no capítulo 2, versículo 1, quando Ele volta a Cafarnaum, vários dias depois desse episódio com o leproso, e o povo soube que Ele estava em casa e muitos estavam reunidos, não havia mais espaço, nem mesmo perto da porta.
E isso levou à história sobre o homem sendo baixado pelo telhado para ser curado. Ele estava sendo sufocado em todos os lugares. E tudo o que todas aquelas pessoas queriam era a cura. Só isso. Por isso Jesus não queria mais esse tipo de promoção, essa publicidade. Bastava que aquele homem fosse dizer aos sacerdotes, para que eles tivessem que enfrentar a realidade do Seu poder divino.
Conclusão e aplicação
Nesses versículos, lemos como nosso Senhor Jesus Cristo curou um leproso. De todos os milagres de cura feitos por Cristo, provavelmente os mais maravilhosos envolveram leprosos. Todavia, somente dois desses casos foram descritos por completo nos evangelhos. Esse que agora consideramos é um deles.
Procuremos entender, em primeiro lugar, a horrenda natureza da enfermidade que Jesus curou. Existem países em que pouco se sabe a respeito da lepra; contudo, nas terras bíblicas trata-se de uma enfermidade bastante comum. É uma doença totalmente incurável. Não é meramente uma infecção da pele, como alguns, equivocadamente, supõem. Ela ataca o organismo humano inteiro; não somente a pele, mas também o sangue, a carne e os ossos, de maneira tal que o infeliz doente começa a perder as extremidades do corpo, as quais vão apodrecendo. Lembremos ainda que, entre os judeus, o leproso era considerado uma pessoa imunda, sendo cortado do convívio com sua comunidade e privado das ordenanças religiosas. Um leproso via-se forçado a viver numa casa separada. Ninguém podia tocar nele ou prestar-lhe qualquer ajuda. Lembremo-nos desses pormenores e, então, teremos uma ideia das desgraças de um leproso. Recordemo-nos das palavras de Arão quando intercedeu por Miriã: “Ora, não seja ela como um aborto que, saindo do ventre de sua mãe, tenha metade de sua carne já consumida” (Nm 12.12).
Existe, entre nós, algo semelhante que se possa comparar à lepra? Sim, de fato, existe! Há uma terrível enfermidade da alma, que faz parte de nossa própria natureza, que se arraiga em nossos ossos e na medula com uma força mortífera. Essa enfermidade é a praga do pecado. Tal como a lepra, trata-se de uma doença profundamente arraigada, que infecciona cada porção de nossa natureza, coração, vontade, consciência, entendimento, memória e afeições.
Tal como a lepra, o pecado nos torna asquerosos e abomináveis, incapazes do convívio com Deus e despreparados para a glória celestial. Tal como a lepra, o pecado é incurável se o tratamento for feito por qualquer médico terreno; e vai-nos arrastando, lenta mas seguramente, para a segunda morte. E o pior de tudo é que, muito mais do que a lepra, o pecado é uma enfermidade da qual nenhum homem está isento. Aos olhos de Deus, “todos nós somos como o imundo” (Is 64.6).
Temos conhecimento dessas coisas? Já tivemos a oportunidade de descobri-las? Já detectamos nossa própria pecaminosidade, culpa e corrupção? Feliz, realmente, é aquele que já foi instruído a sentir que é um miserável pecador, que não há nele bem nenhum! De fato, bem-aventurado é quem já aprendeu que não passa de um leproso espiritual, uma criatura maligna, iníqua e pecaminosa! Tomar conhecimento de nossa própria enfermidade é o primeiro passo na direção da cura. A miséria e a ruína de muitas almas é que elas nunca percebem seus próprios pecados e a necessidade de purificação.
Em segundo lugar, aprendamos o admirável e imenso poder do Senhor Jesus Cristo. Lemos que o infeliz leproso acercou-se de nosso Senhor, “rogando-lhe, de joelhos: Se quiseres, podes purificar-me”. Ficamos sabendo que Jesus, “profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo!”. Imediatamente, então, a cura foi efetuada. Naquele exato momento, desapareceu aquela praga mortal e o pobre sofredor ficou curado. Bastaram uma palavra e um toque, e ali estava, diante de nosso Senhor, não mais um leproso, mas um homem sadio e forte. Quem pode imaginar a grandeza da transformação nos sentimentos desse leproso, depois de perceber que estava inteiramente curado? O sol da manhã resplandeceu sobre ele, um ser miserável, mais morto do que vivo, cuja estrutura física fora uma massa de pústulas e de corrupção e cuja existência era um fardo. O sol poente o viu repleto de esperança e alegria, livre de dores e apto para viver em sociedade com seus semelhantes. Por certo, essa transformação deve ter sido como da morte para a vida.
Bendigamos a Deus pelo fato de que o Salvador com quem temos de tratar é Todo-Poderoso. É um pensamento animador e repleto de consolo saber que nada é impossível para Cristo. Nenhuma enfermidade do coração encontra-se tão profundamente arraigada que ele não seja capaz de curar. Nenhuma praga da alma é tão virulenta que nosso grande Médico não possa sarar.
