ComUnidade

Exposições em Filipenses  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Paulo exorta os filipenses a utilizarem das dádivas divinas, para assumirem uma nova postura frente aos problemas comunitários. Eles deveriam buscar a unidade e o serviço, ao invés da individualidade e da vanglória; o amor e a humildade, ao invés do egoísmo e do orgulho.

Notes
Transcript

INTRODUÇÃO

Existem diversas comunidades no mundo que não funcionam como uma unidade, e sabemos que isto é disfuncional, prejudicial e pesaroso. Pense na Família, por exemplo:
Todos nós, com muitos detalhas ou não, conhecemos histórias de famílias muito ricas, porém desunidas. Pessoas que são capazes de comprar o carro do ano, à vista, mas não usariam este carro para irem à casa de seus pais, ou de seus irmãos. Famílias que construíram castelos, entretanto cada quarto funciona como um apartamento - cada um no seu mundinho.
Existem diversas pessoas que dariam tudo para viajarem pelo mundo, enquanto há tantas outras que viajam pelo mundo, mas que dariam tudo para pedirem perdão ao filho, ou aos pais… sentarem no sofá, com a família, assisterem a um filme, ou a um jogo, juntos…
Comunidade nem sempre é sinônimo de unidade. E Paulo sabe disto. Ele teve que lidar com problemas de comunhão em todas as suas cartas. Algumas igrejas tinham grandes problemas de relacionamento, como a igreja de Corinto, outras problemas menores como a de Filipos, entretanto, seja um ou outro, ele não deixa de se preocupar, e dar exortações quanto a este tema.

NARRATIVA

Lembre-se que Paulo iniciou uma série de exortações que culmina no centro da carta: 1.27-30, 2.1-4 e 2.5-11. Em 1.27-30 - Paulo já havia exortado à igreja a “lutarem juntos”, como uma comunidade. Agora, ele vai mais à fundo acerca da comunhão e unidade.
Ele exorta os filipenses a utilizarem das dádivas divinas, para assumirem uma nova postura frente aos problemas comunitários. Eles deveriam buscar a unidade e o serviço, ao invés da individualidade e da vanglória; o amor e a humildade, ao invés do egoísmo e do orgulho. E a razão para isto é que problemas de comunhão, muitas vezes significam problemas de entendimento prático do evangelho.
E assim, veremos, três ensinos acerca de uma comunidade unida.

TRÊS ENSINOS SOBRE UMA COMUNIDADE UNIDA

I. EXISTE A PARTIR DAS BÊNÇÃOS ESPIRITUAIS DE DEUS - v.1

Filipenses 2.1 “Portanto, se existe algum encorajamento em Cristo, algum conforto de amor, alguma comunhão do Espírito, se há profundo afeto e sentimento de compaixão,”
Paulo inicia o texto elencando quatro bênçãos espirituais, que os cristãos tem, por serem parte do povo de Deus.
1. Encorajamento em Cristo - O cristão, unido a Cristo, é sempre encorajado seja no sofrimento, seja no serviço custuso ou na caminhada cristã, porque Cristo foi quem morreu por ele, lhe salvou da condenação por causa do pecado e lhe deu nova vida;
Mateus 5.11–12 “— Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vocês. Alegrem-se e exultem, porque é grande a sua recompensa nos céus; pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.”
2. Conforto do Amor - Após o encorajamento vem o conforto do amor de Cristo, um amor perfeito, poderoso e eterno.
2Coríntios 1.3–4 “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! É ele que nos consola em toda a nossa tribulação, para que, pela consolação que nós mesmos recebemos de Deus, possamos consolar os que estiverem em qualquer espécie de tribulação.”
3. Comunhão do Espírito - o texto está falando sobre compartilhar das dádivas do Espírito, e se relacionar com ele.
Aos Efésios Paulo diz que o Espírito nos foi dado como penhor e que devemos nos encher do Espírito.
A melhor forma de experimentar esta comunhão - palavra, oração, adoração e comunhão na igreja;
4. Profundo afeto e comunhão - aqueles que tem comunhão com o Espírito, naturalmente, irão dar fruto do Espírito.
O Espírito desenvolve em nós o caráter de Cristo, e, assim, como Deus, em sua rica misericórida nos salvou, o Espírito gera em nós este sentimento de profundo afeto e compaixão.
Fp 1.8 x Fp 2.2 - Paulo tem este sentimento em relação à igreja, e espera que os membros tenham em relação a um e outro;
Paulo, assim, irá exortar a igreja à unidade com base nestas bênçãos espirituais. A unidade depende do modo como nos relacionamos com Cristo, e seu amor, bem como, o modo como experimentamos o Espírito, e desenvolvemos o fruto do Espírito.

Aplicação

Uma comunidade unida existe a partir das bênçãos espirituais de Deus.
Sem o encorajamento de Cristo, que fala aos nossos corações, e o conforto de seu amor, não nos moveremos em direção ao outro.
Sem a comunhão do Espírito, e o fruto do Espírito, não teremos um coração para o bem do outro.
Se estivermos sofrendo, não teremos apoio. Se o outro estiver sofrendo, não daremos apoio.
O que forma uma comunidade unida, o que faz a igreja ser unida, como um corpo e família é a obra de Cristo, e o que a faz manter-se assim, é o evangelho… é experimentarmos mais de seu amor, de sua graça, de sua compaixão e de sua misericórdia.
Ex.: Pedro x Paulo - Gálatas 2.14 “Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, eu disse a Cefas, na presença de todos: “Se você, que é judeu, vive como gentio e não como judeu, por que quer obrigar os gentios a viverem como judeus?”
Quando estamos longe de Cristo, de suas exortações e de seu amor… quando estamos pouco encantados com a glória de Jesus… quando nossa fé está longe da verdade do evangelho… logo a comunidade dá sinais, porque os relacionamentos começam a serem quebrados, uma vez que os próprios membros estão longe do modelo que é Jesus
O combustível da unidade na igreja é o evangelho! É conhecer a Cristo, se deliciar em seu amor, ser movido pelo Espírito, e, então, dar fruto do Espírito!
Não se forja uma comunidade forte e unida…
Na base do exibicionismo, busca por status e glória pessoal - todos se juntam, para ver quem vai sair na foto, no vídeo…
Na base da autoridade do pastor e glória do pastor;
Na base de gostos pessoais - estética, liturgia e música;
Inúmeras pessoas procuram igrejas para sentirem-se bem consigo mesmas, do jeito em que estão, com um louvor vibrante e uma palavra de bênção, uma palavra profética - mas, vivem perdidas, ocultas no meio da comunidade… sem pastoreio mútuo, sem amor, sem profundos afetos… estão na comunidade, mas não unidos a ela, e, portanto, vivem sozinhas junto de uma multidão de pessoas que querem tudo, menos Cristo, e serem parecidos com Cristo!

II. CULTIVA UNIDADE NO MODO DE PENSAR - v.2

Filipenses 2.2 “então completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor e sendo unidos de alma e mente.”
Paulo, neste momento, dá o ponto principal. Ele espera que a igreja seja unida, e isto lhe trará alegria. Ele mostra isto em forma de quiasmo.
A. Modo de pensar - dispor a mente de certa maneira, seguindo um caminho/rota;
B. O mesmo amor - o amor é o vínculo prático entre um e outro;
B’. Unidos de alma - unidos no mesmo propósito;
A’. Mente - é a mesma palavra, e significa “dispor a mente de certa maneira”.
Portanto, o ponto principal para Paulo é que a igreja deve pensar da mesma forma, por causa do amor, e ali está sua unidade.
E este é uma tema importante na carta aos Filipenses.
2.5 - A igreja deve pensar como Cristo;
3.15 - Deus irá esclarer-nos caso pensemos de um modo diferente de Paulo, acerca de certos assuntos;
3.19 - Aqueles que só se preocupam com coisas terrenas/pensam terão a perdição;
4.2 - Evódique e Síntique devem pensar do mesmo modo no Senhor;
Assim, Paulo quer mostrar que certas atitudes são necessárias para que exista unidade na comunidade. Ela precisa, por amor e mesma disposição, caminhar junta, com o mesmo propósito, entendimento e forma de pensar.

Aplicação

Uma comunidade unida cultiva unidade no modo de pensar.
Mas, isto parece um tanto difícil, não?
Será que temos que pensar igual em todos os assuntos? Música, roupa, horário do culto, arrumação dos bancos, local para fazer um evangelismo, o modo como iremos fazer o evangelismo etc?
Existem coisas das quais devemos, necessariamente, pensar igual. Se você pensar diferente você não tem acesso a esta comunhão, e nem à igreja de Cristo.
Efésios 4.4–6 “Há somente um corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança para a qual vocês foram chamados. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.”
1Timóteo 3.15–16 “Sem dúvida, grande é o mistério da piedade: “Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, visto pelos anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória.””
João 20.30–31 “Na verdade, Jesus fez diante dos seus discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome.
Existem coisas das quais não fazem grande diferença para a igreja, e, por isso, mudam de igreja para igreja, dependendo da sua importância, mas ainda assim são coisas que podem coexistir, para o benefício da unidade.
Ex.: “Roupa descente”, ou adequada para ir a um culto - Igreja Pentecostal Tradicional x Igreja Worship/parede Preta X IPB Tradicional de classe média;
Ex.: Música litúrgica x instrumentos - quais são santos?
Em termos básicos, cultivar unidade no modo pensar envolve mais uma disposição que precisamos ter em relação ao outro, porque somos uma comunidade, do que uma uma cartilha doutrinária da igreja sobre o que pode e o que não pode.
Bruce Barton está correto quando diz que “ter uma só mente” não significa que os crentes têm de concordar em tudo; em vez disso, cada crente deve ter a mesma atitude de Cristo, que Paulo descreve em Filipenses 2.5–11.
Hernandes Dias Lopes, Filipenses: A Alegria Triunfante no Meio das Provas, 1a edição., Comentários Expositivos Hagnos (São Paulo: Hagnos, 2007), 112.
Esta viagem, a viagem cristão, não é uma corrida individual. Não corremos sozinhos, corremos como parte de uma equipe, e, portanto, devemos todos estar alinhados!
Todos estamos correndo, como um atleta, mas não um contra o outro, somos todos da mesma equipe.
Isto envolve, portanto, disposição para ceder. Compreensão quando for voto vencido. Sensibilidade àquilo que tem maior ou menor importância. Precisamos aprender a caminhar juntos, seguir os passos juntos.
Ex.: Brincadeira - andar juntos com os pés amarrados;
Se não tivermos esta disposição para termos unidade no modo de pensar iremos ferir a comunhão!
Querendo você ou não, quando forçamos a barra, todos perdem, porque somos uma equipe, um time, uma família. Todos sofrem, o corpo é ferido. Mas, quando fazemos juntos, todos vencem. E se perdermos juntos, sofreremos muito menos.

III. GERA RELACIONAMENTOS COM BASE NA HUMILDADE - v.3,4

Filipenses 2.3–4 “Não façam nada por interesse pessoal ou vaidade, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo, não tendo em vista somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros.”
Neste momento, Paulo vai mais fundo, e chega ao ponto central acerca desta unidade que precisa existir na comunidade. A atitiude com a qual precisamos ter é de humildade.
1. Quando não há humildade, sobra busca por interesses pessoais - ambições egoístas (1.17). Vamos passar a vivermos pensando apenas em nossos interesses, em nossas vontades, fazer cumprir nossa agenda, nossos sonhos e projetos. Iremos pensar sempre em nós, nunca no outro.
2. Quando não há humildade, sobra vanglória - ansioso por glória (Gl 5.26). Isto significa que só seremos úteis quando o assunto for importante para o nosso nome, só iremos servir se for para sermos aplaudidos e reconhecidos… Seremos pessoas que buscam sempre elogios e glória própria. Iremos amar ter o nosso orgulho inflado, que as pessoas notem o que fizemos ou deixamos de fazer… seremos rápidos em colocar nosso nome à vista de todos.
Estes dois problemas, eram os problemas daqueles que pregavam o evangelho tendo por objetivo piorar a situação de Paulo em prisão. Isto cria grupos rivais dentro das comunidades, cria rivalidades que antes não existiam.
Este problema, é encontrado em muitos líderes espirituais que forjam a comunidade em torno de seu status, de sua imagem, de sua autoridade. Eles não querem servir, querem uma comunidade que sirva seu ministério, que lhes deem palanque, que lhes deem voz, que lhes deem glória pessoal.
Ex.: Não é por isso que muitas igrejas racham com o pastor/líder levando muitos com ele? Não é por isso, também, que muitas igrejas estão recheadas de pessoas submissas a uma liderança espiritual, mas rebeldes em relação à bíblia, sem entendimento do evangelho e cegas para o caminho de Cristo?
3. Quando há humildade, consideraremos os outros superiores a nós. A grande questão é a atitude do coração. Não tem a ver com o outro se colocar como superior a mim, mas em eu me colocar à disposição dele e ao seu serviço, como se ele fosse superior a mim.
Quem tenta se colocar como superior ao outro - é orgulhoso, arrogante e é guiado por ambições egoístas;
Quem coloca o outro acima de si mesmo, é humilde e manso. É servo.
4. Quando há humildade, daremos menos atenção a nós mesmos. A “mente humilde” tem uma disposição para o outro, e não para si mesmo.
Ele pensa menos em si mesmo, porque tem pensamentos corretos sobre si mesmo - ele é um pecador amado por Deus em Cristo, portanto ele está livre para se preocupar com o outro, para servir o outro…
Nenhuma comunhão se mantém sem que haja humildade, porque humildade é fruto do Espírito.
Efésios 4.1–2 “Por isso eu, o prisioneiro no Senhor, peço que vocês vivam de maneira digna da vocação a que foram chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando uns aos outros em amor,”
Colossenses 3.12“Portanto, como eleitos de Deus, santos e amados, revistam-se de profunda compaixão, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência.”

Aplicação

Uma comunidade unida gera relacionamentos com base na humildade.
Liderança espiritual, sem humildade, é personalismo. A pessoa se coloca como rival de Cristo! Não há formação de pessoas que possam ser parecidas com Cristo, mas de pessoas que sejam parecididas com ele/ela.
Crentes, sem humildade, são uma negação existencial! Será que ele esqueceu que é um miserável pecador, que nada tem em suas mãos, e que tudo o que ele tem é Cristo, são os méritos de Cristo? Será que ele se esqueceu que tudo é graça, misericórdia, amor sacrificial e incondicional?
Ser humilde, nada mais é do que ter uma perspectiva correta em relação a nós mesmos para com Deus, o que muda nossa conduta em relação ao próximo.
Mateus 5.3 “— Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.”
Mateus 5.5 “— Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.”
Uma comunidade não suporta a busca por grandeza e glória própria… o estrelismo… a incapacidade de reconhecer o próprio pecado… a incapacidade de receber perdão e perdoar… a dureza do coração, que impede de demonstrar amor… a friea da alma que não se aquece com a possibilidade de se ter relacionamentos restaurados...
Uma comunidade não suporta a cegueira de nosso estado de dependência constante de Deus, por isso ela precisa tanto de oração… por isso precisamos orar uns pelos outros, e investir tempo orando pelo outro, sabendo que há muitos outros que estão orando por nós… isto é humildade!
Uma pessoa humilde será conhecida por sua sensibilidade em ouvir, doçura no falar e capacidade de servir, antes de querer ser servido. No fundo, ela sempre será sábia em relação ao pecado do outro, porque sabe que é pecadora…

CONCLUSÃO

Uma comunidade unida (1) existe a partir de bênçãos espirituais de Deus, (2) cultiva unidade no modo de pensar e (3) gera relacionamentos com base na humildade.
Agora, Paulo não exige nada além do que as implicações do evangelho. Uma igreja unida não pode se dar ao luxo de funcionar diferente deste caminho, e destas ordens, porque o seu Cristo é humilde e manso.
E, por isso, como disse, no início: Problemas de comunhão, muitas vezes significam problemas de entendimento prático do evangelho.
Você pode suportar o outro, quando entende que Cristo suportou sua culpa no Calvário;
Você pode ser paciente com o próximo, quando entende a longaminidade de Cristo em relação aos seus pecados;
Você pode ser misericordioso e cheio de profundos afetos, com pessoas diferentes de você e que erram com você, quando entende que Jesus lhe amou, com amor eterno, com um amor incondicional, a ponto das escirturas dizerem: João 13.1 “… tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.”
Você pode perdoar, e aceitar um pedido de perdão, quando compreende que o pecado que o outro cometeu contra você, não é nada comparado à montanha de pecados, que Deus lhe perdoou com base no sangue de Cristo;
Você pode até abrir mão de certas vontades, ideias e desejos, e de brigar por elas, porque Jesus, sendo Deus, despiu-se de sua glória, e assumiu a forma de servo, para o benefício de seu coração: Marcos 10.45 “Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.”
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