Cultivando uma vida constante de oração - Tg 5.13-18

Cristianismo prático  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 21 views
Notes
Transcript
Handout

Introdução

Vivemos em um tempo que estar off-line ou fora das redes sociais e da internet, é estar por fora do que acontece no mundo.
Podemos estar atrasados no que diz respeito as inovações tecnológicas que tanto facilitam nossa vida, bem como nos deixam informados em tempo real.
Mas o maior problema não é estar desconectado da internet e das redes sociais mais badaladas, mas estar desconectado de Cristo por falta de ter uma vida constante de oração.
Não porque ao orar recebemos as "daily news" dos céus, mas porque estar conectado a Cristo, nos permite falar com Deus e rogar por sua vontade em nossa vida, isto é o que caracteriza a vida de um discípulo de Jesus.
É por isso, que mais um vez Tiago nos traz a questão da oração como um imperativo, uma ordem expressa para que oremos em todas as estações da vida.

1. A exortação à oração;

1.1 - temporadas de oração - Tg 5.13

Esta exortação de Tiago corrobora com ensino de Cristo e Paulo no que diz respeito a oração.
Jesus disse:
Luke 18:1 NVI
1 Então Jesus contou aos seus discípulos uma parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar.
1 Thessalonians 5:17–18 NVI
17 Orem continuamente. 18 Dêem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus.
Ephesians 6:18 NVI
18 Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos.
Quando devemos orar?

1.2 - Em momentos de sofrimento; 13a

Nova Versão Internacional 5.13 A Oração da Fé

13 Entre vocês há alguém que está sofrendo? Que ele ore.

O cristão não vive sempre no ápice de uma montanha de fé.
Apesar de Paulo instruir o crente a alegrar-se sempre (Fp 4.4; 1Ts 5.16), é um simples fato da vida que, de tempos em tempos, o crente sofre.
Esse sofrimento pode ser físico, mental, pessoal, financeiro e espiritual, entre muitos outros.
Agora, como por vezes nos vemos distantes dessa ordem de Tiago.
Num mundo marcado pela ideia da autossuficiência, quantas vezes somos tentados a resolver do nosso jeito, a recorrer aos nossos recursos materiais, e não recorrer primeiramente ao Senhor.
As aflições não servem para estimular nossa resiliência, nossa robustez em resolver problemas, mas ressaltar nossa vulnerabilidade e dependência da graça e favor de Deus.
Tiago nos exorta a buscar forças em Deus por meio da oração.
Conforme as palavras de Pedro.
1 Peter 5:7 NVI
7 Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.
Paulo nos exorta a orar sem cessar. Que nossa dor nos ensine a orar.
Que o sofrimento nos ajude a dobrar nossos joelhos e clamar a Deus por socorro, temos uma garantia, que se orarmos por meio de Cristo, nosso único mediador, seremos ouvidos.
Há garantia do fim imediato do sofrimento? Não!
Mas há garantia da presença constante do Espírito de Deus como nosso consolador, há garantia da intercessão de Cristo a nós diante do Pai.
Uma coisa é certa, o melhor da oração não é tanto o seu resultado, mas sim o seu efeito em nossas vidas.
Quando oramos somos colocados face a face com a presença de nosso Deus e pai, mediante Jesus Cristo, e nisso somos fortalecidos, revigorados e convencidos de que não estamos sozinhos.
A oração é o elo vital que nos mantém em contato com “o autor e consumador da nossa fé” (Hb 12.2).

1.3 - Em momentos de alegria e triunfo; 13b

Nova Versão Internacional 5.13 A Oração da Fé

Há alguém que se sente feliz? Que ele cante louvores.

Períodos de tristeza são seguidos de períodos de alegria.
Psalm 30:5 NVI
5 Pois a sua ira só dura um instante, mas o seu favor dura a vida toda; o choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria.
Quando o favor de Deus vem sobre nós, enchemo-nos de ânimo e felicidade.
Essa é a hora de cantar de alegria.
Os autores do livro de Salmos nos instruem em como fazê-lo.
Eles colocam a alegria e a felicidade em seu devido lugar e dão a Deus a glória, a honra e o louvor que lhe pertencem.
Psalm 98:4–6 NVI
4 Aclamem o Senhor todos os habitantes da terra! Louvem-no com cânticos de alegria e ao som de música! 5 Ofereçam música ao Senhor com a harpa, com a harpa e ao som de canções, 6 com cornetas e ao som da trombeta; exultem diante do Senhor, o Rei!
Irmãos, em todas as estações da vida, vivemos como diziam os reformadores, CORAM DEO, ou seja vivemos diante de Deus.
E uma das formas práticas de demonstrar que vivemos diante de Deus, é termos uma vida constante de oração.

2. Motivação para a oração;

2.1 - A oração é um canal da operação do poder de Deus; 14-15a

Nova Versão Internacional 5.13 A Oração da Fé

Entre vocês há alguém que está doente? Que ele mande chamar os presbíteros da igreja, para que estes orem sobre ele e o unjam com óleo, em nome do Senhor. 15 A oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará.

Ao que sofre, ore, ao que está alegre, cante, mas ao doente, convoque a comunidade por meio dos presbíteros.
Alguém pode objetar, não seria melhor chamar um médico?
Veja como Tiago ressalta a importância e a centralidade da comunidade envolvida na oração intercessória.
Tiago ressalta o discipulado cristão aqui, onde ao compartilhar nossas enfermidades, nos unimos em prol daquele que está doente e fraco.
A igreja serve a Deus e aos outros, quando se une em intercessão ao doente, e Deus derrama graça.
A oração é o canal da operação poderosa de Deus para sarar o enfermo.
Deus nos deu a oração como um meio de graça, ou seja, como uma forma de Deus nos dar algumas graças que ele só nos daria por meio da oração.
Agora, o que sara o enfermo, o óleo, ou a oração?
A primeira resposta que devemos dar é que nem o óleo nem a oração, mas aquele a quem oramos, Jesus.
O que Tiago está enfatizando neste trecho é a oração como meio de acessar a graça de Deus em prol do enfermo.
Mas e o óleo, qual sua função e relevância para nossos dias?
É importante esta pergunta, pois vemos por ai muito misticismo em torno desse versículo, óleo ungido vindo direto de Israel, óleo sendo vendido, usado como que contendo um poder curador.
Existem algumas possibilidades interpretativas a respeito deste texto.
A primeira delas e muito comum no meio pentecostal é que há um poder místico no óleo e que quando ele for usado, libera uma cura especial.
Por isso que em algumas igrejas você pode perceber no púlpito um vidro de óleo para uso durante a oração.
Por que podemos descartar essa opção, por causa do final fo verso 14 e início versículo 15.
Nova Versão Internacional 5.13 A Oração da Fé

em nome do Senhor. 15 A oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará.

Uma segunda possibilidade de interpretação para este versículo, é de que este óleo era usado para fins medicinais.
Mas fica estranho crermos nessa possibilidade, pois se o óleo tinha fins medicinais, melhor que se chamasse um médico e não um presbítero.
Presbíteros não prescrevem remédios, apenas prescrevem a dieta do evangelho para nossa vida em santidade.
Uma terceira possibilidade, e ai parece ser mais bíblica, é o uso do óleo como consagração daquele irmão enfermo como o destacando dentre os demais e o apresentando diante de Deus para uma atenção especial pedindo a Deus que o cure.
Isso corrobora muito com a ideia do AT onde reis, profetas e líderes eram consagrados e separados por Deus para um devido fim.
Mas eu não acho que essa seja ainda a melhor interpretação.
Eu creio de acordo com o contexto, que este óleo usado aqui tem um função de trazer alívio, refrigério, principalmente usado em doentes para limpar as ferimentos.
Como no caso conhecido do bom samaritano ao encontrar o homem ferido.
Luke 10:34 NVI
34 Aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele.
O que isto nos ensina, que não devemos apenas orar, mas perguntar de que maneira prática podemos aliviar as necessidades daquele que sofre com enfermidade.
As vezes a pessoa está acamada, e podemos limpar sua casa, está precisando que se faça comida e deixa pronta, está precisando que lave suas roupas.
Na verdade, devemos aprender que a Bíblia não foi nos dada para que espiritualizemos tudo, mas a sermos práticos e úteis no cuidado daqueles que sofrem e em vivermos a vontade de Deus.
Algo chave também neste versículo precisa ser observado.
Se Deus curar a pessoa, não é por causa do óleo, do presbítero, das palavras usadas como um mantra poderoso na oração.
Mas por causa do nome poderoso do Senhor.
James 5:14 NVI
14 Entre vocês há alguém que está doente? Que ele mande chamar os presbíteros da igreja, para que estes orem sobre ele e o unjam com óleo, em nome do Senhor.
Por isso o versículo 15 está ai.
Nova Versão Internacional 5.13 A Oração da Fé

15 A oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará.

Agora, o que é pedir em nome do Senhor?
Seria uma fórmula mágica, que agora podemos deliberadamente pedir tudo que quisermos?
Sabemos que não, pois Tiago já nos disse que muitas vezes pedimos e não recebemos porque pedimos para nosso deleite pecaminoso.
John 14:13–14 NVI
13 E eu farei o que vocês pedirem em meu nome, para que o Pai seja glorificado no Filho. 14 O que vocês pedirem em meu nome, eu farei.
Nossa oração deve ser orientada pela vontade e glória do Senhor.
Sendo da vontade do Senhor e para manifestação de sua glória, ele curará o doente, ele levantará o enfermo.
O maravilhoso desse ensino, é que o Deus todo poderoso convida pecadores como nós, a nos unir em oração, a buscarmos a face de Deus em prol de outra pessoa.
A fim de que todos nós sejamos abençoados com o fato de em oração, estarmos frente a frente com o Pai o conhecendo mais, o buscando mais, sendo nele fortalecidos.

2.2 - A oração é uma ferramenta de restaurar o pecador; 15b-16a

Nova Versão Internacional 5.13 A Oração da Fé

E se houver cometido pecados, ele será perdoado.

Veja a construção deste versículo, "e se", vai ao encontro do ensino da escritura de que a doença no mundo é fruto do pecado dos nossos primeiros pais Adão e Eva.
Com o pecado adentrando no mundo, a enfermidade, morte e todos os males vieram à reboque.
Mas também vai ao encontro da escritura de mostrar que a enfermidade nem sempre é resultado direto de pecados diretos e específicos.
Isso nos livra daquela sina evangélica antibíblica de quando vemos alguém enfermo, já começarmos com especulações de tentar saber que pecado ele cometeu.
Ou como algumas igrejas por ai, aplicam a enfermidade e falta de contribuição financeira, a falta de fé, a deslealdade ao líder, a visão ministerial, isso tudo é antibíblico.
Tomemos como exemplo a vida de Jó. Coberto de feridas dolorosas, Jó sabia que sua aflição não havia sobrevindo por causa de pecado.
Deus o afligiu como forma de testar sua fé.
Mesmo quando os amigos insistiram para que ele confessasse seu pecado, Jó reafirmou sua inocência e integridade (Jó 6.28–30).
Mesmo assim, a pessoa enferma deve examinar sua vida espiritual e ver “se há algum caminho mau” (Sl 139.24).
Os males físicos muitas vezes estão relacionados a uma consciência cheia de culpa.
Deus com freqüência usa períodos de enfermidade na vida da pessoa para levá-la a examinar a si mesma e pedir a graça perdoadora de Deus.
Uma vez que ela reconhece seu pecado, revelado a ela por meio do Espírito de Deus, deve confessá-lo. Deus está pronto a perdoar o pecado que confessamos.
Nova Versão Internacional 5.13 A Oração da Fé

16 Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados.

Se a enfermidade pode ser fruto do pecado, se não for confessado o pecado, levará a pessoa a definhar.
Psalm 32:1–5 NVI
1 Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados! 2 Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa e em quem não há hipocrisia! 3 Enquanto eu mantinha escondidos os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer. 4 Pois dia e noite a tua mão pesava sobre mim; minhas forças foram-se esgotando como em tempo de seca. 5 Então reconheci diante de ti o meu pecado e não encobri as minhas culpas. Eu disse: Confessarei as minhas transgressões ao Senhor , e tu perdoaste a culpa do meu pecado.
Os homens não tem capacidade de carregar seus próprios pecados sem sofrer o dano que ele causa.
Nossos pecados devem ser lançados sobre Cristo por meio da confissão de arrependimento, pois só ele tem poder de levar o pecado e retirar seu veneno mortal por meio de sua obra perfeita e completa.
Mais uma vez Tiago vai nos mostrar a importância da comunidade na restauração de enfermos e pecadores confessos.
Quando somos procurados por alguém a fim de confessar seus pecados devemos acolher a confissão e relembrar a está pessoa o evangelho.
Se a pessoa pecou contra você, por causa de Cristo, você deve perdoá-la, se ela não pecou contra você, mas está confessando a você.
Você deve lembra-la do evangelho, que anuncia libertação e perdão dos pecados a pecadores culpados e arrependidos.
Calvino diz:
Epístolas Gerais Capítulo 5

os homens são aliviados de seus males quando se vêem livres da culpa de suas iniquidades. Reconheçamos, pois, que o único remédio próprio para nossas doenças e outras calamidades, quando nos examinamos detidamente, é sermos solícitos em sermos reconciliados com Deus e em obter o perdão de nossos pecados.

Anuncie Jesus, sua obra, sua graça oferecida a pecadores terríveis, compartilhe como você foi perdoado também.
A confissão de pecados e o orar uns pelos outros são ingredientes vitais do ministério de cura na comunidade cristã.

3. Um exemplo de alguém que orou com fé;

3.1 - A oração de um justo é eficaz; 16b

Nova Versão Internacional 5.13 A Oração da Fé

A oração de um justo é poderosa e eficaz.

Quem é o justo?
Temos a tendência de olhar para os gigantes espirituais, para os heróis da fé e para os homens e mulheres de Deus.
Acreditamos que essas são as pessoas que, pela oração, podem mover montanhas, mas Tiago não menciona nomes, exceto o de Elias, e ainda assim com a ressalva de que “era homem semelhante a nós” (v. 17).
Ou então, olhamos para o justo como aquela pessoa que faz as coisas corretamente, que tem uma boa pratica religiosa, que praticas boas obras.
Mas não é disto que Tiago está falando.
Ele quer dizer que qualquer crente cujos pecados foram perdoados por Jesus Cristo, qualquer pessoa que depositou sua esperança em Jesus, e que ora pela fé é justo.
Romans 5:1–2 NVI
1 Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, 2 por meio de quem obtivemos acesso pela fé a esta graça na qual agora estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
Se temos Cristo como Senhor e Salvador, é de nós que Tiago está falando, podemos orar e Deus pode derramar graça por meio de nossas orações.
Não pense que Deus usa somente grandes pessoas, afinal, não existem grandes pessoas de fé, o que existe é um grande Deus que usa pessoas simples por meio da fé em sua graça.

3.2 - Elias era um homem comum, que foi instrumento de Deus; 17-18

Nova Versão Internacional 5.13 A Oração da Fé

17 Elias era humano como nós. Ele orou fervorosamente para que não chovesse, e não choveu sobre a terra durante três anos e meio. 18 Orou outra vez, e os céus enviaram chuva, e a terra produziu os seus frutos.

Conclusão

O que concluimos?
Que devemos cultivar uma vida constante de oração.
Que crentes em Jesus demonstram sua fé confiando em Deus por meio da oração.
Eles recorrem antes de tudo ao Senhor, pois veem na oração uma maneira de nutrir sua fé e conhecimento de Cristo gastando tempo em oração.
A oração fortalece a vida em comunidade e cria entre nós um ambiente de confiança a confissão mútua e a restauração mútua.
A oração com fé em Jesus, anuncia entre nós a centralidade do evangelho que deve ser sempre comunicado entre nós na administração da graça de Deus feita mutuamente entre os irmãos.
Uma comunidade de fé genuína deve ser marcada pela vida de oração, principalmente pelo lugar onde a oração nos leva.
Hebrews 4:14–16 NVI
14 Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, 15 pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. 16 Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade.
A oração nos coloca na presença de Cristo, e diante de nosso Amado Salvador, tudo se desfaz, e somos satisfeitos em sua graça.
Em Jesus temos acesso ao trono de Deus Pai, e nele somos fortalecidos e recebemos de sua bondade e misericórdia para nossas necessidades.
Eis diante de nós um convite, uma convocação para cultivarmos uma vida constante de oração.
Jesus nos chama a sua presença para que oremos sem cessar, a fim de que o conheçamos cada vez mais.
SDG
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.