Deus proverá
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Transcript
No último domingo, o pastor Aldair nos trouxe uma mensagem baseada em Josué 24, intitulada "Entre Dois Senhores". Aprendemos que, na realidade criada por Deus, neste universo que vivemos, ou servimos a Ele, ou servimos a qualquer outro deus.
Esse "deus" pode ser de ouro, como o Bezerro do Êxodo que estudaremos em algumas semanas. Pode ser de cobre, como as moedas cunhadas no Brasil. Pode ser de pele e osso, como os famosos e pessoas em geral. A questão central é que firmar uma aliança com Deus significa romper com os ídolos deste mundo.
Não há uma terceira via; ou seguimos o caminho dos justos, que pressupõe uma vida de dedicação a Deus, leitura da Sua Palavra, meditação e contemplação de Suas obras, ou seguimos o caminho dos ímpios, da inimizade contra Deus, que conduz à perdição.
Esse ponto ficou claro no sermão do pastor Aldair. Se você não assistiu, ele está disponível no YouTube.
Mas estamos aqui esta noite, acredito e espero que Deus tenha tocado no coração de cada um para decidir seguir o caminho dos justos, o caminho de Deus.
Essa decisão, talvez, tenha sido tomada na semana passada, ou talvez 1 ano, 5, 10, 20, 50 anos.
Ocorre que, independentemente de quando Deus plantou essa semente do arrependimento e da fé em nosso coração, o caminho das pedras é o mesmo.
Uma vida de amor à sua Palavra, abandono das práticas pecaminosas, uma vida em busca da santificação.
Entretanto, nessa jornada estamos sujeitos às tempestades.
Dificuldades mesmo, lutas, provações, tentações.
Algumas são mais tranquilas, outras mais severas, torrenciais, verdadeiros cataclismas.
A vida com Deus aqui na Terra não é uma viagem à Disneylândia, nem um sábado à tarde em Ubatuba com sol e água de coco.
Ou seja, uma vez no caminho de Deus, não ficamos imunes às dores e aos sofrimentos.
“Mas pastor, eu ouvi uma vez alguem falar que a graça de Deus resolve tudo para mim, que Jesus sofreu para que eu não precisasse sofrer mais.”
Ledo engano. O próprio Senhor Jesus nos diz que no mundo teríamos aflições, teríamos dificuldades.
A vida aqui é, muitas vezes, frustrante e dolorida.
A realidade é que o Filho de Deus desce ao mundo é crucificado e morto.
E em certas situações, algumas tempestades são mais fortes, as dores são maiores e o sofrimento é tamanho, a ponto de muitas vezes nos fazer questionar se Deus realmente está conosco, se somos, de fato, filhos de Deus.
Será que estou no caminho certo? Será que tudo o que abdico e luto diariamente para levar uma vida íntegra e reta realmente vale a pena?
Ora, o meu vizinho vive no pecado, mas está lá, prosperando, com trabalho estável, filhos e saúde, enquanto eu estou aqui, juntando os cacos.
Será que Deus me abandonou? Será que cometi algum pecado irreparável? Será que não há NADA nem NINGUÉM que possa me livrar da condenação?
São perguntas que podem passar pela cabeça de qualquer pessoa que está padecendo.
Certa vez, um certo homem, íntegro e reto também fez algumas dessas perguntas em meio à dor:
Por que não morri ao nascer? Por que não expirei ao sair do ventre de minha mãe? Por que houve um colo que me acolhesse, leite materno para me sustentar?
É sobre ele que leremos esta noite.
Esse homem é Jó e sua história é contada em um livro da seção de Sabedoria do Antigo Testamento.
Nessa seção estão inclusos outros 4: salmos, provérbios, eclesiastes e cantares.
O livro de Jó é um livro que nos toca.
Ele nos toca porque ele aborda a questão: Porque há sofrimento nesse mundo?
Porque vivemos num universo criado e governado por um Ser Perfeito e ainda assim, há dores, imperfeições e sofrimento? Onde está Deus em tudo isso?
Talvez essa seja a pergunta mais profunda que conseguimos extrair desse livro.
O cenário do livro, se quisermos identificar Jó como uma personagem histórica, é a Antiguidade, o período dos patriarcas, aquele período em que estudamos há alguns meses, na época em que viveram Abraão, Isaque e Jacó.
Por conta da natureza poética do livro, muitos estudiosos acreditam que Jó nunca pretendeu ser um relato histórico de uma pessoa real.
Acreditam se tratar de uma parábola ou fábula ou qualquer coisa do tipo.
Mas a tradição sempre pregou que o livro de Jó comunica a história de uma pessoa real, que teve um encontro real com Deus.
Uma das razões pelas quais as pessoas acreditam nisso é por conta da estrutura do livro, que parece uma peça de teatro, uma tragédia.
Logo de início, nos é apresentada a personagem central dessa história “Havia um homem na terra de Uz cujo nome era Jó. Este homem era íntegro e reto, temia a Deus e se desviava do mal”.
Jó andava no caminho do Senhor.
Deus havia colocado em Jó a semente para que ele decidisse seguir o Senhor, trilhar o caminho dos justos
E Jó seguia fervorosamente. Um servo exemplar.
Levantava até de madrugada para oferecer sacrifícios a Deus pelos seus filhos, caso eles tivessem cometido algum pecado. Ele respeitava e adorava o Senhor, desviando-se do pecado e das ofensas a Deus.
E Deus o abençoava, ele era o maior de todos do Oriente.
Abraão era próspero, mas Jó era mais, a descrição dos bens de Jó ofusca até mesmo os bens do patriarca.
Não que obedecer a Deus necessariamente traga bens materiais.
Definitivamente não.
Mas é relatado que Jó tinha muitas riquezas.
Bois, ovelhas, terras, filhos, tudo em abundancia.
Então, uma cena se inicia, a história narra um encontro no céu.
Deus estava com seus anjos e como numa prestação de contas, aparece Satanás.
Deus pergunta: Tá vendo meu servo Jó? Não há ninguém como ele na terra. Homem íntegro e reto.
Satanás responde: Também, ele tem tudo.. experimenta tirar as coisas dele pra ver se ele não blasfema.
Deus diz: Você pode fazer o que quiser com tudo o que ele tem; só não estenda a mão contra ele.
E assim foi feito. Os bois e jumentos foram levados por saqueadores, caiu fogo do céu e queimou as ovelhas, caldeus levaram os camelos, os filhos estavam reunidos na casa do irmão mais velho, bateu um vento, o telhado caiu, todos morreram.
Só coisa ruim. Bens, terras, filhos, tudo e todos se foram de uma só vez.
Não sabemos o que passou na mente de Jó, mas sabemos as palavras proferidas da sua boca.
“Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei. O SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR.”
A boca fala o que o coração está cheio.
Irmãos, esse homem orava, intercedia, andava nos caminhos de Deus e, de repente, sem mais nem menos, tudo desmorona e ele permanece íntegro e reto.
Temos que ter em mente que Jó não leu o seu livro, não sabia desse diálogo entre Deus e Satanás.
Então, Satanás retorna ao céu e Deus novamente diz: Tá vendo meu servo Jó? Não há ninguém como ele na terra. Homem íntegro e reto. Ele ainda conserva a sua integridade.
E mais uma vez, Satanás responde: Ora, isso é porque não fez nada com ele, esses seres humanos egoístas só sentem quando tocam na sua pele.
Deus responde: Vá, faça o que quiser, só não tire sua vida.
E novamente foi feito. Esse homem passa a ter tumores malignos em todas as partes de seu corpo, ulceras expostas, desde a planta do pé até o topo da sua cabeça.
A dor e agonia era tanta que ele utilizava cacos de telhas pra se coçar.
E em tudo isso Jó não blasfemou contra Deus.
A história prossegue, e Jó passa a se questionar do porque isso está acontecendo.
Ele não tá falando que é injusto, só quer entender o porque.
Nós não somos assim também? O não de Deus vêm, e até aparentamos aceitar numa boa, mas ficamos nos questionando: porque? Não faz sentido..
Jó é uma pessoa como a gente. Tem dúvidas, questionamentos, temores..
Lá pelas tantas, aparecem 3 amigos de Jó, eles acusam Jó de pecar, de que o motivo pelos quais estava passando por aquilo é porque havia cometido pecado e tinha ofendido a Deus.
Justiça retributiva. Mal por mal, bem por bem. Assim colocam Deus e os Seus planos numa regra matemática e lógica, onde isso só pode significar aquilo.
Colocam Deus dentro de uma caixinha de regras.
Entretanto, Jó não concorda, sabe que não é bem por ai.. mas questiona e questiona. Porque Senhor?
E após 38 capítulos, no ato final, Deus se apresenta a Jó num redemoinho.
Mas ao invés de responder as perguntas, Ele questiona Jó: quem é você pra questionar meus atos? Onde você estava quando quando eu lancei os fundamentos da terra? Alguma vez na vida você deu ordens à madrugada ou mostrou ao amanhecer o seu lugar, para que agarrasse a terra pelas extremidades e dela sacudisse os perversos? Você alguma vez entrou nos depósitos da neve ou viu os reservatórios do granizo? Em suma, quem é você Jó pra questionar meus atos?
Vamos ler a última resposta de Jó no último capítulo. Abram por gentileza em Jó 42, a partir do 1 verso.
1“Então Jó respondeu ao Senhor e disse: 2 “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. 3 Tu perguntaste: ‘Quem é este que, sem conhecimento, encobre os meus planos?’ Na verdade, falei do que eu não entendia, coisas que são maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. 4 Disseste: ‘Escute, porque eu vou falar; farei perguntas, e você me responderá.’ 5 Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. 6 Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.”
Aqui cabe refletirmos.
Por quão menos não murmuramos? Reclamamos das nossas vidas, da nossa má sorte, do nosso desamparo?
Quantas vezes não xingamos Deus e o mundo porque as coisas não são como gostaríamos.
Note, não estou nem falando de coisas tomadas…
Murmuramos por não ter dinheiro para comprar tal tenis, por fazer tal viagem, por ir em tal lugar, e assim por diante.
Será que Deus olha com orgulho pra maneira que conduzimos nossa vida?
Ou será que
