Bondade

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Introdução

Hoje, continuamos nossa série sobre o Fruto do Espírito, focando na bondade, conforme descrito em Gálatas 5:22. Na semana passada falamos sobre beniginidade, onde aprendemos que essa virtude aponta para a disposição em desejar o bem, sobre a intencionalidade bondosa em relação ao próximo. Hoje falaremos sobre a bondade, que embora pareçam sinônimo, não são, mas possuem uma relação, são desassociáveis. Hoje, meu desejo é que juntos possamos refletir profundamente sobre a relação entre benignidade e bondade.
Na semana passada destacamos que benignidade e bondade são termos que podem ser facilmente confundidos, mas têm significados distintos e complementares. A palavra usada no Novo Testamento por Jesus e por Paulo traduzida por benignidade, em grego, refere-se a uma disposição interna de desejar o bem aos outros. Já a bondade, é essa disposição colocada em ação. É a prática concreta de buscar o bem-estar dos outros.
Hoje, vamos focar na bondade, entendendo que ela envolve ação prática. Para ilustrar essa verdade, vamos analisar a parábola do Bom Samaritano, encontrada em Lucas 10:25-37. Nesta parábola, Jesus responde a um perito na Lei que pergunta: "Mestre, que farei para herdar a vida eterna?" Jesus o leva a citar a Lei: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo". Quando o perito na Lei pergunta "E quem é o meu próximo?", Jesus conta a parábola.
Essa parábola é poderosa porque nos desafia a reconsiderar nossas prioridades e nossa disposição em ajudar os outros. Jesus usa os personagens do sacerdote e do levita, figuras religiosas respeitadas, para mostrar que a religiosidade sem compaixão é vazia. Eles tinham justificativas baseadas na Lei para não ajudar o homem espancado, mas suas ações mostraram uma falta de verdadeira bondade.
Ilustração:
Imagine que você está dirigindo em uma estrada deserta, tarde da noite. De repente, você vê um carro parado no acostamento, com o pisca-alerta ligado. Ao se aproximar, percebe que há uma pessoa ao lado do carro, claramente em apuros. Seu primeiro instinto pode ser de parar e ajudar, mas então você começa a racionalizar. "Está tarde, pode ser perigoso. Alguém mais vai parar e ajudar. Tenho compromissos importantes amanhã cedo."
Agora, imagine que ao passar pelo carro, você vê que a pessoa ao lado do veículo é alguém que você conhece e ama profundamente – um familiar próximo ou um amigo íntimo. Sua perspectiva muda instantaneamente. Sem hesitar, você para o carro, sai e corre para ajudar. De repente, a segurança e os compromissos não parecem tão importantes quanto a necessidade urgente de socorrer alguém que você ama.
Essa ilustração nos mostra como nossas prioridades podem mudar drasticamente quando vemos a necessidade do outro através de uma lente de compaixão e conexão pessoal. Jesus, na parábola do Bom Samaritano, nos desafia a ver cada pessoa necessitada como alguém digno de nosso tempo, talentos e recursos – não por causa de quem são, mas por causa de quem somos chamados a ser em Cristo.
Por outro lado, o samaritano, um indivíduo desprezado pelos judeus, é o exemplo de bondade em ação. Ele vê o homem ferido e se move de compaixão. Ele dedica seu tempo, utiliza seus talentos para cuidar das feridas do homem e emprega seus recursos financeiros para garantir seu bem-estar contínuo.
Neste sermão, vamos explorar como podemos praticar essa bondade em nossas vidas, seguindo não simplesmente o exemplo do Bom Samaritano e, mas o exemplo do próprio Cristo, que é a personificação suprema de bondade.

Inércia - A Falta de Ação dos Líderes Religiosos:

Vamos focar inicialmente nos líderes religiosos, o sacerdote e o levita. Ambos eram figuras de alta posição na sociedade judaica, encarregados de realizar os rituais e manter a pureza cerimonial. Eles tinham conhecimento profundo da Lei, mas quando se depararam com o homem espancado à beira da estrada, escolheram passar de largo.
Por que isso aconteceu? O texto sugere que eles estavam preocupados com a pureza cerimonial. Em Levítico 21, encontramos leis que proibiam os sacerdotes de tocarem em cadáveres, pois isso os tornaria impuros. Talvez o sacerdote e o levita temessem que o homem estivesse morto ou morresse em suas mãos, tornando-os impuros e incapazes de cumprir suas funções religiosas.
Mas aqui está a questão: a Lei que eles seguiam foi dada por Deus para ensinar o povo a amar a Deus e ao próximo. Jesus destaca que a essência da Lei é o amor. Portanto, quando o sacerdote e o levita colocaram a pureza cerimonial acima da necessidade urgente de socorrer um ser humano, eles distorceram a intenção da Lei. Eles falharam em entender que a verdadeira pureza diante de Deus é marcada pelo amor e pela compaixão.
Esse comportamento é um alerta para nós. Às vezes, podemos estar tão focados em nossas obrigações religiosas, nossos ministérios, que nos esquecemos das necessidades ao nosso redor. Podemos nos tornar como o sacerdote e o levita, priorizando rituais e práticas religiosas acima da misericórdia e da compaixão. Jesus nos chama a reconsiderar nossas prioridades. O que vale mais: nossos rituais religiosos ou a prática do amor ao próximo?

Testemunho - O Exemplo do Bom Samaritano:

Em contraste com o sacerdote e o levita, Jesus apresenta o bom samaritano. Para entendermos a profundidade dessa escolha, precisamos lembrar que os samaritanos eram desprezados pelos judeus. Eram considerados impuros, hereges, uma mistura de raças e religiões. E, no entanto, é o samaritano que se torna o herói da história.
O samaritano, ao ver o homem ferido, não hesita. Ele se move de compaixão, uma palavra que no grego original sugere um sentimento profundo nas entranhas, uma resposta emocional intensa (uma ação externa que surge de uma emoção interna - Não simplesmente fez porque tinha que fazer, mas desejou fazer). Ele não apenas sente compaixão; ele age. Ele interrompe sua jornada, dedica seu tempo, usa seus recursos e coloca seu próprio conforto em risco para ajudar o homem necessitado.
Primeiro, ele se aproxima do homem ferido, um ato que já é significativo, considerando o risco de contaminação e a possibilidade de ser atacado pelos mesmos salteadores. Ele trata das feridas com óleo e vinho, recursos valiosos que ele carregava. Em seguida, coloca o homem em seu próprio animal, levando-o a uma hospedaria, onde continua a cuidar dele. Ele paga duas diárias, uma quantia significativa, e se compromete a cobrir quaisquer despesas adicionais.
O que o samaritano fez vai além do dever mínimo. Ele mostrou uma bondade radical, um comprometimento profundo com o bem-estar de alguém que, culturalmente, ele teria todas as razões para evitar. Jesus nos mostra que a verdadeira bondade não conhece barreiras de raciais, ideológicas, religiosas ou relacionada a status social. A bondade cristã transcende todas essas divisões.
O exemplo do bom samaritano nos desafia a refletir sobre nossa própria vida. Será que estamos dispostos a nos sacrificar pelo bem-estar dos outros? Estamos prontos para interromper nossas agendas, usar nossos recursos e talentos para ajudar quem precisa? A bondade que Jesus nos chama a praticar é ativa, sacrificial e indiscriminada.

Generosidade - Dedicação do Tempo:

Agora, vamos explorar como essa bondade se manifesta na dedicação do tempo. Pensem no samaritano. Ele estava viajando, provavelmente a negócios ou para cumprir alguma obrigação pessoal. Ele tinha suas próprias preocupações e compromissos. No entanto, ao ver o homem ferido, ele parou. Ele interrompeu sua jornada, dedicou seu tempo e atenção para ajudar alguém em necessidade.
A primeira lição que aprendemos aqui é que a bondade genuína muitas vezes exige que interrompamos nossos planos. Vivemos em uma sociedade onde o tempo é um dos recursos mais valiosos e escassos. Estamos sempre correndo, sempre ocupados, sempre tentando maximizar cada minuto do nosso dia. Mas a parábola do Bom Samaritano nos desafia a reconsiderar nossas prioridades.
O samaritano poderia ter passado direto, como fizeram o sacerdote e o levita. Ele poderia ter justificado sua ação com a mesma lógica: "Estou ocupado. Tenho meus próprios problemas para resolver. Alguém mais pode ajudar." Mas ele não fez isso. Ele se deixou interromper. Ele permitiu que a necessidade do outro se tornasse sua prioridade naquele momento.
E aqui está uma verdade profunda: a bondade verdadeira muitas vezes acontece nas interrupções. Pense em Jesus. Quantas vezes Ele foi interrompido durante Seu ministério? E, no entanto, Ele sempre respondeu com compaixão e ação. Quando os cegos clamavam por misericórdia, quando os doentes O procuravam, quando as crianças queriam estar perto Dele, Jesus nunca via essas interrupções como inconvenientes. Ele via como oportunidades de mostrar o amor de Deus.
Como reagimos quando somos interrompidos? Estamos dispostos a parar, a dedicar nosso tempo e atenção, mesmo quando é inconveniente? A verdadeira bondade exige que vejamos as interrupções não como obstáculos, mas como oportunidades divinas de agir com compaixão.
Talvez você esteja pensando: "Mas eu tenho tantas responsabilidades. Como posso parar para ajudar sempre que vejo uma necessidade?" Aqui está a chave: não se trata de parar todas as vezes, mas de estar disposto a ser interrompido quando Deus coloca uma necessidade em seu caminho. É uma questão de coração, de disposição. É estar aberto e atento às oportunidades de praticar a bondade, mesmo que isso signifique alterar nossos planos.
Você está disposto a pedir a Deus que te dê olhos para ver as necessidades ao seu redor e um coração disposto a ser interrompido, a sacrificar seu tempo pelo bem-estar dos outros?
Disposição dos Talentos:
Vamos agora considerar como a bondade se manifesta na disposição dos nossos talentos. O samaritano não apenas dedicou seu tempo; ele também usou suas habilidades e recursos para cuidar do homem ferido. A Bíblia nos diz que ele tratou das feridas com óleo e vinho, e depois as enfaixou. Este era um procedimento medicinal da época, sugerindo que o samaritano tinha algum conhecimento de primeiros socorros. Aqui, aprendemos que a bondade envolve o uso de nossos talentos e habilidades para ajudar os outros. Deus nos deu a cada um de nós dons e talentos únicos. Talvez você tenha habilidades médicas, habilidades de aconselhamento, habilidades manuais ou artísticas. A questão é: como estamos usando esses talentos para beneficiar os outros? O samaritano provavelmente não era um médico profissional, mas ele usou o que sabia para ajudar. Muitas vezes, podemos pensar que nossas habilidades são insignificantes ou insuficientes para fazer uma diferença real. Mas a parábola nos mostra que até mesmo o uso simples e prático de nossos talentos pode ter um impacto significativo. Em Efésios 2:10, Paulo nos lembra que somos "criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos". Deus nos equipou com talentos para que possamos usá-los para o bem dos outros. Não devemos esconder nossos talentos ou usá-los apenas para nosso benefício pessoal. Devemos colocá-los a serviço do Reino de Deus. Você pode estar pensando: "Mas eu não sou tão talentoso. Não sei o que posso fazer." Lembre-se, não se trata da grandeza de seus talentos, mas da disposição do seu coração. O samaritano usou o que tinha à disposição. Da mesma forma, Deus pode usar até mesmo os talentos mais simples e ordinários para realizar coisas extraordinárias.
Doação dos Recursos:
Por fim, vamos olhar para a doação de recursos. O samaritano não apenas dedicou seu tempo e usou seus talentos; ele também investiu seus recursos financeiros. Ele levou o homem a uma hospedaria e pagou duas diárias, uma quantia significativa, e prometeu cobrir quaisquer despesas adicionais. Aqui vemos que a bondade envolve generosidade material. Deus nos abençoa com recursos para que possamos abençoar os outros. Jesus nos ensina que onde está o nosso tesouro, ali também estará o nosso coração (Mateus 6:21). Se nossos recursos estão sendo usados para o bem dos outros, para a glória de Deus, nosso coração estará alinhado com o coração de Deus. A generosidade do samaritano vai além do necessário. Ele poderia ter deixado o homem na hospedaria e partido, mas ele se comprometeu a voltar e pagar qualquer quantia extra. Isso mostra uma dedicação contínua ao bem-estar do outro. Nossa bondade não deve ser limitada a atos únicos, mas deve ser uma prática constante de generosidade. Nós vivemos em uma cultura que valoriza a acumulação de riquezas, mas a Bíblia nos chama a viver de forma contracultural, usando nossos recursos para servir a Deus e abençoar os outros.

Aplicações Práticas:

1. Dedique do Tempo:
Envolva-se com as pessoas: Quando você se deparar com uma necessidade urgente, pergunte a si mesmo se a interrupção pode ser uma oportunidade divina. Esteja disposto a ajustar sua agenda para ajudar alguém em necessidade. Em nosso mundo agitado, reserve momentos para estar realmente presente com aqueles ao seu redor. Isso pode ser tão simples quanto uma conversa e dedicar tempo de qualidade a um amigo ou familiar que precisa de apoio.
Envolva-se na Comunidade: Participe ativamente da sua Igreja local e dedique seu tempo a isso. Lembre-se que o dono do tempo, o Reio do Mundo, entrou no tempo e na histótia para te salvar, Deus dedicou tempo para expressar a bondade dele por você. Como você tem respondido a bondade Dele a você em relação a sua agenda?
2. Disposição dos Talentos:
Use Seus Talentos para Servir: Identifique suas habilidades e encontre maneiras de utilizá-las para o bem dos outros. Experiimente dispor daquilo que você sabe fazer em favor do próximo e para a glória de Deus. Foi Deus que te deu todo talento, como discípulo de Jesus você não tem o direito de usá-los de forma egoíosta.
Capacite Outros: Partilhe seus conhecimentos e habilidades com aqueles que podem se beneficiar deles. Ofereça-se para ensinar ou treinar outros em suas áreas de expertise, capacitando-os a usar esses talentos em benefício da comunidade.
Integre Fé e Trabalho: Veja seu trabalho diário como uma extensão do seu serviço a Deus. Use suas habilidades profissionais para promover o bem-estar dos outros e para a glória de Deus, seja através de ética de trabalho, excelência ou cuidado genuíno pelos colegas.
3. Doação dos Recursos:
Pratique a Generosidade Regular: Estabeleça um hábito de doação regular, através de sua igreja e se necessário também diretamente ajudando aqueles em necessidade. Lembre-se que seus recursos são dados por Deus para serem compartilhados.
Ajude em Situações Específicas: Esteja atento a necessidades específicas ao seu redor e esteja pronto para agir. Se souber de alguém que enfrenta dificuldades financeiras, considere como você pode ajudar diretamente, seja com dinheiro, alimentos ou outros recursos (não seja generoso pontual, mas também).
Planeje sua Generosidade: Inclua a generosidade em seu planejamento financeiro. Isso torna a generosidade uma parte intencional de sua vida.

Conclusão:

Ao refletirmos sobre a parábola do Bom Samaritano e os três aspectos da bondade – dedicação do tempo, disposição dos talentos e doação dos recursos – somos chamados a uma vida de ação prática. Jesus nos mostrou que a verdadeira bondade vai além de sentimentos e intenções; ela se manifesta em ações concretas, sacrificialmente dedicadas ao bem-estar dos outros.
A bondade genuína nos desafia a olhar além de nossas próprias conveniências e a sermos sensíveis às necessidades ao nosso redor. Ela nos convida a ver as interrupções não como obstáculos, mas como oportunidades divinas para demonstrar o amor de Deus. Ela nos chama a usar nossos talentos e habilidades, não apenas para nosso benefício pessoal, mas para servir e abençoar outros. E nos impele a sermos generosos com nossos recursos, reconhecendo que tudo o que temos é dado por Deus para serem usados para Sua glória.
A parábola do Bom Samaritano nos desafia a perguntar: estamos dispostos a interromper nossas vidas por amor ao próximoe a Deus? Estamos prontos para sacrificar nossos talentos e recursos para o bem dos outros e para a glória de Deus? A bondade que Jesus nos chama a praticar é radical, indiscriminada e profundamente comprometida.
E, acima de tudo, lembremos que Jesus é o nosso supremo exemplo de bondade. Ele deixou a glória do céu, interrompeu Sua eternidade para entrar em nossa história. Ele dedicou Sua vida a nos servir, usou Seus dons para nos curar e ensinou-nos, e doou tudo – até Sua própria vida – para nos salvar. Sua bondade não foi meramente um sentimento, mas uma ação poderosa e sacrificial que nos resgatou e nos reconciliou com Deus.
Gostaria de encerrar lendo o Salmo 23.6 “6 Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre.”
O versículo 6 do Salmo 23 nos lembra que a bondade e a misericórdia de Deus nos seguirão todos os dias da nossa vida. Isso não é apenas uma promessa passiva, mas um chamado ativo à missão da igreja. A bondade de Deus que nos persegue deve se manifestar através de nossas ações práticas no mundo. Como corpo de Cristo, somos chamados a ser os pés e as mãos de Jesus, levando Sua bondade onde quer que estejamos. A igreja, em sua essência, é o veículo pelo qual o mundo experimenta a bondade de Deus. Cada ato de bondade que realizamos é um reflexo da natureza de Deus e uma demonstração prática de Sua graça. Este versículo é um convite à ação e uma exortação contra a apatia. Não podemos ser meros espectadores; somos chamados a ser agentes ativos da bondade divina, transformando o mundo para a glória de Deus. Portanto, que nossa resposta à bondade de Deus seja uma vida de serviço e compaixão, impactando nossa comunidade e além, como um testemunho vivo do amor incondicional do nosso Pastor.
Que possamos olhar para Jesus, permitindo que o Espírito Santo produza em nós a virtude da bondade. Que nossa fé seja visível em nossas ações, e que o mundo veja em nós a bondade de Deus em ação.
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