11ª Parábola dos trabalhadores na vinha
Parábolas de Jesus • Sermon • Submitted • Presented
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Texto
Texto
1 — Porque o Reino dos Céus é semelhante a um homem, dono de terras, que saiu de madrugada para contratar trabalhadores para a sua vinha. 2 E, tendo combinado com os trabalhadores o pagamento de um denário por dia, mandou-os para a vinha. 3 Saindo por volta de nove horas da manhã, viu, na praça, outros que estavam desocupados 4 e lhes disse: “Vão vocês também trabalhar na vinha, e eu lhes pagarei o que for justo.” 5 Eles foram. Tendo saído de novo, perto do meio-dia e às três horas da tarde, fez a mesma coisa. 6 E, saindo por volta de cinco horas da tarde, encontrou outros que estavam desocupados e lhes perguntou: “Por que vocês ficaram desocupados o dia todo?” 7 Eles responderam: “Porque ninguém nos contratou.” Então ele lhes disse: “Vão vocês também trabalhar na vinha.”
8 — Ao cair da tarde, o dono da vinha disse ao seu administrador: “Chame os trabalhadores e pague-lhes o salário, começando pelos últimos, indo até os primeiros.” 9 Chegando os que foram contratados às cinco da tarde, cada um deles recebeu um denário. 10 Ao chegarem os primeiros, pensaram que receberiam mais; porém também estes receberam um denário cada um. 11 Mas, tendo-o recebido, começaram a murmurar contra o dono das terras, 12 dizendo: “Estes últimos trabalharam apenas uma hora, mas você os igualou a nós, que suportamos a fadiga e o calor do dia.”
13 — Então o dono disse a um deles: “Amigo, não estou sendo injusto com você. Você não combinou comigo trabalhar por um denário? 14 Pegue o que é seu e saia daqui. Pois quero dar a este último tanto quanto dei a você. 15 Será que não me é lícito fazer o que quero com o que é meu? Ou você ficou com inveja porque eu sou bom?”
16 — Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.
Introdução
Introdução
Conhecida pelo título de “Os trabalhadores na vinha”, essa história é uma das parábolas encontradas em Mateus a respeito do reino. Entretanto, ela não termina com a mensagem: “Vai, e procede tu de igual modo”, no reino do céu. O Foco dessa parábola não é a relação de trabalho e um pagamento justo. Mas o foco é : as palavras e os atos do empregador, teologicamente falando, apontam para Deus, que dá aos homens, gratuitamente, suas dádivas. Na verdade, a gente vê o versículo de SL 34.8 ao longo da história - um dos salmos de Davi: “Oh! Provai e vede que o SENHOR é bom…”.
O trabalho e os trabalhadores
O trabalho e os trabalhadores
Embora a parábola não cite a época específica do ano em que os trabalhadores são mais necessários na vinha, podemos presumir que seja em setembro, quando se dá a colheita da uva. Durante o mês de setembro, o período entre o nascer e o pôr do sol, em Israel, vai, aproximadamente, das seis horas da manhã até às seis horas da tarde. Descontando os períodos de descanso para as refeições e as orações, um trabalhador judeu, nos dias de Jesus, considerava normal uma jornada de dez horas de trabalho. Em Israel, a temperatura do meio do dia é ainda mais alta em setembro, de modo que os trabalhadores no campo ou nas vinhas experimentavam literalmente “o calor do dia”.
Num determinado dia, o proprietário de uma vinha de tamanho regular resolveu colher suas uvas. Todos os seus servos, que trabalhavam para ele, regularmente, durante todo o ano, saíram para a vinha às seis horas da manhã, enquanto o dono foi até à praça da cidade próxima, enquanto o sol nascia. Ele precisava encontrar alguns trabalhadores desempregados que estivessem dispostos a trabalhar por dia, pela soma razoável de um denário. Bem cedo, entre cinco e seis horas da manhã, alguns homens dispostos a trabalhar já estavam na praça à espera de algum empregador que viesse oferecer-lhes trabalho. O proprietário da vinha falou com os homens, mencionou o pagamento diário de um denário – com o qual todos concordaram – e levou-os para a jornada de dez horas de trabalho. Os trabalhadores, estando desempregados, dependiam do empregador que, por acaso, precisasse deles por um curto período de tempo. É claro que precisavam muito mais do empregador do que o que empregador deles!!
Nos dias de Jesus, os trabalhadores se consideravam privilegiados ao conseguir um salário. Ao oferecer trabalho, o empregador demonstrava sua bondade. Era um ato de graça da parte do empregador. Passar horas ociosas na praça significava para o trabalhador que ele e sua família teriam de contar com a caridade dos outros. O trabalhador não tinha recursos próprios, e as doações dos ricos nem sempre aconteciam. Consequentemente, um dia todo de trabalho era uma bênção para o trabalhador e sua família.
Enquanto os servos e os novos contratados estão ocupados trabalhando na vinha, o proprietário volta à praça para ver se consegue encontrar mais alguns trabalhadores. São entre oito e nove horas, e muitos estão ainda ociosos, na praça. O empregador pergunta-lhes se trabalhariam o resto do dia em sua vinha. Ele lhes promete um salário justo, embora não especifique a quantia. Os trabalhadores, conhecendo a reputação do dono da vinha, confiam nele plenamente. Sabem que não ficarão desapontados ao fim do dia.
À medida que o trabalho progride, o proprietário e seu capataz calculam o número de horas de trabalho necessárias ainda para terminar a tarefa antes que a noite caia. Vamos correr que precisa de mais gente bora buscar mais gente pra trabalhar! Fica evidente a necessidade de mais trabalhadores extras.
O dono da vinha sabe exatamente quando certas uvas devem ser colhidas. Se forem deixadas na videira por mais um ou dois dias acumularão açúcar demais. O valor de mercado das uvas de qualidade e colheita superiores depende da quantidade correta de açúcar. Se o dia da colheita cai numa sexta-feira, o fazendeiro faz tudo o que pode para conseguir trabalhadores adicionais e completar a tarefa antes do sábado.
Idas à praça próxima se repetem a intervalos regulares, ao meio-dia e às três da tarde, com sucesso variado. Ao entardecer, parece que o projeto não estaria completo até ao cair da noite, a menos que mais trabalhadores sejam contratados. O proprietário volta à praça às cinco horas e encontra alguns homens por ali. Pergunta por que estão na praça, àquela hora do dia. Eles respondem que ninguém tinha vindo contratá-los. O empregador diz: “Ide também vós para a vinha”. Lembrando que - Não faz nenhuma menção ao pagamento.
O dono da vinha sabe que é permitido aos trabalhadores consumir quanta uva desejarem. Ele espera perder, com isso, aproximadamente três por cento da colheita. Contratando trabalhadores ao final da tarde, porém, não corre o risco de perder tanta uva. Ele espera que apliquem sua energia no trabalho da colheita. “Ide também vós para a vinha.”
Vamos olhar para as horas e os pagamentos
Vamos olhar para as horas e os pagamentos
Ao longo de toda a parábola, o empregador é o foco.. é o que domina a cena. Ele visita a praça ao romper da aurora, contrata os trabalhadores, observa a necessidade de trabalhadores extras, retorna, ainda, repetidas vezes à praça, para contratar mais homens. É ele quem instrui seu capataz para pagar os trabalhadores, e ele mesmo se dirige àqueles que murmuram contra ele. O proprietário mantém o controle da situação do começo ao fim. De fato, ele é aquele a quem o reino dos céus é comparado, lá no primeiro verso - Porque o Reino dos Céus é semelhante a um homem, dono de terras.
Várias questões surgem a respeito da administração da vinha. Por exemplo: por que o proprietário volta à praça por, pelo menos, quatro vezes a fim de contratar novos trabalhadores? O esperado seria que ele fizesse uma estimativa cuidadosa de quantos trabalhadores seriam necessários para cumprir a tarefa, antes que viesse a noite. Porém, não devemos aplicar a lógica ocidental a uma história que provém da cultura oriental. A lei da procura e da oferta foi, sem dúvida, observada. Além disso, trabalhadores contratados mais tarde, no dia, chegavam à vinha descansados e com energia para gastar. O empregador obtinha um bom retorno daqueles que trabalhavam energicamente durante meio dia ou menos.
Os trabalhadores podiam ser contratados por hora e esperavam ser pagos imediatamente após o término de sua tarefa, era costume o diarista receber ao fim do dia!. Aqueles que permaneceram na praça durante todo o dia podiam ter voltado para casa logo de manhã, quando ninguém os havia contratado. Em vez disso, esperavam que alguém viesse e os contratasse, mesmo que para apenas uma parte do dia. Esses trabalhadores não eram vadios que passavam o tempo em conversas vazias. Tinham família para sustentar, e por isso aguardavam ansiosos que alguém os contratasse. Até às cinco horas da tarde, esperavam ainda, desejando que alguém precisasse de seus serviços por apenas uma hora, ou com a esperança de combinar alguma coisa para o dia seguinte. A seu modo, mostravam fidelidade, dedicação e confiança.
Os trabalhadores recebiam seu pagamento no final do dia. Os empregadores observavam as normas bíblicas de não reter o pagamento do trabalhador diarista até o dia seguinte (Lv 19.13) e não tirar vantagem de um contratado por ser ele pobre e necessitado. “No seu dia lhe darás o seu salário, antes do pôr do sol, porquanto é pobre, e disso depende a sua vida; para que não clame contra ti ao SENHOR, e haja em ti pecado” (Dt 24.15). O proprietário da vinha, ciente dessas coisas (injunções), dá instruções a seu capataz para que pague aos trabalhadores o seu salário. Ele é retratado como um homem justo e de confiança. Apenas aos trabalhadores contratados às seis horas da manhã ele havia prometido um denário pela tarefa do dia. Aos trabalhadores empregados às nove horas ele prometera o que fosse justo. Com os que foram requisitados mais tarde, no dia, nada foi combinado a respeito do pagamento. Eles foram para a vinha confiando plenamente no proprietário, e certos de que ele lhes pagaria ao anoitecer.
O fazendeiro é um homem de palavra. Quando instrui seu capataz para pagar aos trabalhadores, recomenda que pague primeiramente os que foram contratados por último, e sucessivamente até chegar aos primeiros. Que surpresa quando os que foram contratados às cinco horas receberam um denário! Eles estão contentes, alegres e cheios de gratidão. Sabem que o dono da vinha é não apenas digno de confiança e honesto, mas, também, um homem generoso. Todos os trabalhadores contratados no decorrer do dia recebem o mesmo pagamento e testificam da bondade e generosidade do empregador.
Aqueles trabalhadores contratados ao amanhecer, entretanto, que haviam suportado o calor do dia, esperam receber mais que um denário cada um. Eles, também, desejam experimentar a generosidade do empregador. Mas o desejo deles não é satisfeito. Recebem um denário, como havia sido combinado antes de começar o trabalho. Acham o acontecido injusto; tornam claro seu descontentamento e seu desapontamento, murmurando contra o fazendeiro. Não se dirigem a ele com bons modos. Zangados, fazem uma série de queixas: trabalhamos pesado durante todo o dia, suportamos o calor e o suor, e recebemos um denário; outros vieram às cinco da tarde, trabalharam uma hora e receberam, também, um denário.
O empregador não se mostra ofendido. Dirige-se a um dos trabalhadores, evidentemente o que falava pelo grupo, e o chama de “amigo”.
Engraçado neh… A conotação é de reprovação, mas o tom é amigável. Ao responder ao queixoso, o fazendeiro se mostra senhor da situação. (v13)“Amigo, não estou sendo injusto com você. Você não combinou comigo trabalhar por um denário? ”. O trabalhador insatisfeito pode recorrer à justiça, mas não terá êxito, pois as evidências são contra ele. Ele concordou em trabalhar o dia todo por um denário, que lhe foi pago. Sua acusação de injustiça não passa de um disfarce para a inveja e a avareza. O empregador não discute, não se explica nem se justifica. Simplesmente faz a pergunta que o outro tem de responder afirmativamente: “Não combinaste comigo um denário?”. Ao fazer a pergunta, já tem incluída a resposta. “Não me é lícito fazer o que quero do que é meu?”
O ponto em questão não é a fraude ou um lucro falso. Ao contrário, ninguém é tratado com injustiça. A maior parte dos trabalhadores foi beneficiada pela generosidade do fazendeiro. Se há alguém que sacrificou a parte econômica pela benevolência, este é o proprietário da vinha. Teria sido melhor para ele se tivesse pago aos trabalhadores a quantia exata merecida. Ele é acusado por sua generosidade!!!!!!!. “Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom? bom no sentido de generoso”, ele pergunta. Com isso ele escancara a falsidade e hipocrisia dos empregados desapontados. Ele demonstrou bondade e gentileza enquanto eles mostraram inveja e avareza. Eles permanecem cegos à bondade do proprietário até que a máscara que escondia seu descontentamento é removida pela questão: “Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?”
Assim é o reino dos céus, diz Jesus. Porque Deus é tão bom, triunfa o princípio da graça. No mundo, o conceito é o de que aquele que trabalha mais recebe mais. Isso é justo. Mas, no reino de Deus, os princípios do mérito e da capacidade são colocados de lado para que a graça prevaleça.
Graça
Graça
Não há nessa parábola a intenção de ensinar economia ou negócios. Ela não deve ser usada como exemplo de relações humanas, na área do trabalho e da administração. A lição que a parábola transmite é a de que a graça vale mais que a justiça imparcial e as práticas lucrativas de negócio. O empregador da parábola foi à praça, várias vezes, durante o dia, e viu, atrás de cada trabalhador, uma família necessitando de sustento. Ele sabia que uma fração de denário não seria suficiente para as necessidades diárias de uma família. No fim do dia, pagou aos trabalhadores que contratara no decorrer do dia, não em relação às horas trabalhadas, mas de acordo com a necessidade de seus dependentes. Ele era uma pessoa muito generosa.
Quando Jesus ensinou a parábola, estava diante de pessoas treinadas na doutrina judaica do mérito. Seus contemporâneos acreditavam que o homem deve acumular a seu crédito numerosas boas obras, que poderiam ser convertidas em recompensas, para assim poder reclamá-las diante de Deus. Essa era a doutrina das obras, no tempo de Jesus. O povo conhecia a graça de Deus exaltada em salmos e orações. Porém, dava ênfase ao meritório valor das obras.
Ao ensinar a parábola, Jesus mostrou que Deus não trata os homens de acordo com o princípio do mérito, da justiça ou da economia. Deus não está interessado em lucros. Deus não trata o homem na base do “toma lá dá cá”, ou “uma boa ação merece recompensa”. A graça de Deus não pode, simplesmente, ser dividida em quantidades proporcionais ao mérito acumulado pelo homem. Havia em circulação, na época, uma moeda chamada pondion, que valia a duodécima parte de um denário. Na graça de Deus, no entanto, não circulam porcentagens, porque “todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça” (Jo 1.16).
Aplicação
Deus é tão bom;
Deus é tão bom;
Deus é tão bom;
É tão bom pra mim.
God is so good
He’s so good to me
Shu wa subá_ra_shii
Watashi no shu
Dios es tan bueno
Es tan bueno para mi
Essa simples música, cantada em muitas línguas, por todo o mundo, expressa vividamente o sentido básico da parábola. No reino dos céus, a bondade de Deus prevalece e se revela àqueles que, somente pela graça, entraram no reino. O fato de o fazendeiro pagar um denário àqueles a quem dissera que receberiam o que fosse justo e também àqueles a quem nada fora prometido, foi um ato de pura bondade. Todos os trabalhadores receberam o mesmo pagamento, que era suficiente para o sustento de suas famílias. Aqueles trabalhadores, que tinham combinado trabalhar pela soma de um denário ao dia, tinham de reconhecer que o fazendeiro era um homem justo, que honrava seus compromissos. Justiça e bondade, exemplificadas na parábola, são características fundamentais no reino de Deus.
O contexto da parábola diz respeito à pergunta de Pedro e à resposta de Jesus. Pedro perguntou o que ele e os discípulos seus companheiros receberiam por seguirem a Jesus: “Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós?”. Jesus respondeu que seus seguidores receberiam incontáveis bênçãos espirituais:
Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe (ou mulher), ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais, e herdará a vida eterna. Porém, muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros. (Mt 19.27–30)
Jesus ilustra o significado da última sentença – “muitos primeiros serão últimos; e os últimos, primeiros” – por meio da parábola dos trabalhadores na vinha. Ele conclui a parábola com as mesmas palavras, embora em ordem inversa: “Os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos”.
Por meio desse dito, Jesus não tem a intenção de mostrar a Pedro e aos outros discípulos que a posição do primeiro e do último no reino será invertida. A parábola usa, antes, a expressão para indicar que, no reino dos céus, a igualdade é a regra. A recompensa, igual para todos, mesmo que o trabalho possa variar, transcende a tarefa realizada pelos discípulos, e consequentemente por qualquer um que se disponha a seguir a Jesus. O dom de Deus é a pura graça. Sua graça é suficiente para todos.
O público original de Jesus consistia de seus discípulos. Não podemos afirmar que havia outras pessoas presentes. Os discípulos, como filhos de seu tempo, tinham aprendido a doutrina do mérito. Era necessário deixarem de lado esse ensinamento para que pudessem apreciar inteiramente a bondade de Deus e para que pudessem entender que o próprio lugar deles no reino era um dom da graça. Mais que isso: no decorrer do tempo, receberiam, na igreja, de bom grado, os gentios. Pedro, por exemplo, seria enviado à casa de Cornélio, o centurião romano, para pregar o evangelho, batizar os que criam, e para louvar a Deus por ter concedido, também aos gentios, “o arrependimento para vida” (At 11.18). Os gentios receberiam a mesma dádiva que Deus havia dado aos judeus que criam em Jesus. Paulo chama isso de mistério, e conclui que “os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho” (Ef 3.6).
Quem, então, são os murmuradores? Embora a parábola não deva ser interpretada com alegoria, a questão referente aos murmuradores é válida. Eles podem ser comparados ao irmão mais velho da parábola do filho pródigo. Juntos, refletem a atitude de alguns fariseus que, por causa de seu zelo na observação da lei de Deus, contavam ter um lugar privilegiado no reino de Deus. Os fariseus esperavam que Deus os recompensasse por suas obras e se recusasse a abençoar os pecadores indignos. Jesus mostrou pra eles (presumindo-se que estivessem ali) por meio da parábola, que Deus é um Deus de justiça que honra sua Palavra, mas que oferece, também, suas misericórdias aos que não as merecem (Aos doentes que vimos com o pr Fábio pela manhã), mas que, apesar disso, recebem de sua graça.
A parábola ensina que quando o homem chega diante de Deus, ele não recebe uma porção cuidadosamente calculada da graça divina. Deus, antes, lhe concede livremente as dádivas do perdão, da reconciliação, da paz, da alegria, da felicidade e da segurança. Olha o que Paulo diz aos Filipenses (Filipenses 4.19 “19 E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, tudo aquilo de que vocês precisam.” ) todas as suas necessidades. O cristão deve se alegrar com os que se convertem e passam a fazer parte da igreja de Jesus Cristo. Não deve haver ceticismo. Porém, a História ensina que esse ceticismo tem existido repetidamente. Quando George Whitefield e João e Carlos Wesley levaram o evangelho às classes menos favorecidas da sociedade do século 18, foram criticados e provocaram a ira dos cristãos convencionais. William Booth, que teve compaixão dos moradores dos bairros pobres de Londres e que deu a eles “sopa, sabão e salvação”, foi condenado pelos farisaicos membros da igreja de sua época. Quantos homens das becas sábios em seu próprio entendimentos mataram.. mataram por não entenderem a bondade e generosidade?
Essa parábola nunca será aceita por aqueles que querem impor à salvação regras e estipulações feitas pelos homens. No reino dos céus, como as Escrituras ensinam, não existe a burocracia humana. A graça de Deus é plena e gratuita para todo aquele que vai a ele pela fé. E todos àqueles , e nós, e eu .... que somos .....os que receberam de sua graça proclamam com o salmista:
Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom,
e sua misericórdia dura para sempre. (Sl 107.1)
A Deus toda a honra e glória para todos Sempre - Deus os abençoe.
Simon J. Kistemaker, As Parábolas de Jesus, trans. Eunice Pereira de Souza, 3a edição. (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2011), 79–85.
