3. O que é o Evangelho - Crer no Evangelho
A Vida Centrada no Evangelho • Sermon • Submitted • Presented
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IDEIA PRINCIPAL
Temos dado ênfase às maneiras pelas quais minimizamos o evangelho, ou seja, o lado negativo da questão. Nesta lição, voltaremos a atenção para discernir o lado positivo: "Quais soluções Deus nos oferece no evangelho para que não encolhamos a cruz e não dependamos do nosso próprio esforço?"
ARTIGO: CRER NO EVANGELHO
Nas últimas duas lições, usamos um gráfico para entender melhor o evangelho e como ele funciona em nossa vida. No estudo anterior, falamos sobre nossa tendência de "encolher a cruz" por meio do fingimento e do desempenho. Nesta lição, queremos examinar como uma convicção forte e vibrante no evangelho nos liberta de nós mesmos e produz verdadeira e duradoura transformação espiritual.
Na raiz da condição humana, há uma luta pela justiça e pela identidade. Ansiamos por nos sentirmos aceitos, aprovados, seguros e com significado, pois fomos criados por Deus para encontrar essas coisas nele. Mas o pecado nos separou de Deus e criou em nós um profundo senso de alienação. Quando Paulo falou sobre o povo judeu de seu tempo, ele escreveu: "eles não reconheciam a justiça que vem de Deus e procuravam estabelecer a sua própria" (Rm 10.3, NIV). Fazemos a mesma coisa.
Da perspectiva teológica, o fingimento e o desempenho são simplesmente duas formas sofisticadas de estabelecer nossa própria justiça. Quando fingimos, estamos fazendo de conta que somos melhores do que realmente somos. Quando apelamos para o desempenho, estamos tentando agradar a Deus por meio daquilo que realizamos. O f ingimento e o desempenho refletem nossas tentativas pecaminosas de garantir nossa própria justiça e identidade sem Jesus.
Para realmente vivenciar a profunda transformação que Deus nos promete no evangelho, precisamos continuamente nos arrepender dessas tendências peca-minosas. Nossa alma precisa se tornar profundamente arraigada na verdade do evangelho, de modo que ancoremos nossa justiça e identidade em Jesus, e não em nós mesmos.
Mais especificamente, as promessas de justiça passiva e adoção contidas no evangelho devem tornar-se centrais na nossa maneira de pensar e viver. A justiça passiva é a verdade bíblica de que Deus não só perdoou nosso pecado, mas também creditou a nós a justiça ativa de Jesus. Romanos 3 fala de uma justiça de Deus que vem a nós por meio da fé: "Mas agora a justiça de Deus se manifestou, sem a lei, atestada pela Lei e pelos Profetas; isto é, a justiça de Deus por meio da fé em Jesus Cristo para todos os que creem; pois não há distinção" (Rm 3.21,22).
Sobre essa justiça passiva, Martinho Lutero escreve: Chama-se "justiça passiva" porque não temos de labutar por ela [...]. Não é uma justiça pela qual trabalhamos, mas a justiça que recebemos pela fé. Essa justiça passiva é um mistério que alguém que não conhece a Jesus não consegue entender. Aliás, nem os cristãos têm uma compreensão completa dela e raramente usufruem dela na vida diária [...]. Quando existe qualquer medo ou nossa consciência fica perturbada, isso é sinal de que perdemos de vista nossa justiça "passiva" e Cristo está oculto. A pessoa que se afasta da justiça "passiva" não tem outra escolha senão viver pela justiça "das obras". Se não depender da obra de Cristo, terá de depender de sua própria obra. Portanto, temos de ensinar e continuamente repetir a verdade dessa justiça "passiva" ou "crista" para que os cristãos continuem a crer nela e jamais a confundam com a justiça "das obras"? Lutero lembra que, se nos afastarmos da "justiça passiva", nossos corações tenderão naturalmente à justiça própria ou à das obras. Para lutar contra nossa tendência de encolher o evangelho dessa forma, devemos constantemente nos arrepender de beber nas falsas fontes da justiça e pregar o evangelho para nós mesmos, especialmente a verdade da justiça passiva. Devemos nos agarrar à promessa bíblica de que Deus está satisfeito conosco porque está satisfeito com Jesus. Quando abraçamos o evangelho dessa forma, olhar para o nosso pecado não é algo assustador ou constrangedor. Na verdade, fazer isso nos conduz à adoração, porque Jesus morreu por todo esse pecado, e é também libertador, pois o pecado não mais define nossa identidade! Nossa justiça está em Cristo. A boa notícia do evangelho não é o fato de que Deus dá muita importância a nós, mas, sim, o fato de que ele nos liberta para dar muita importância a Jesus. A adoção é a verdade bíblica de que Deus nos acolheu em sua família como filhos e filhas em virtude de nossa união com Jesus. Parte da obra do Espírito Santo é confirmar essa adoção dentro de nós: "Porque não recebestes um espírito de escravidão para vos reconduzir ao temor, mas o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai! O próprio Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus" (Rm 8.15,16). O texto de Gálatas 4.7 diz a mesma coisa com palavras diferentes: "Portanto, tu não és mais escravo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro por obra de Deus". Mas assim como nos desviamos da justiça passiva, também somos propensos a esquecer nossa identidade como filhos de Deus. Vivemos como órfãos, e não como filhos e filhas. Em vez de descansar no amor paternal de Deus, buscamos ganhar seu favor tentando viver à altura de suas expectativas (ou da nossa visão equivocada delas). Vivemos assim em uma verdadeira esteira, na tentativa de sermos "bons cristãos" para receber a aprovação de Deus. Para lutar contra nossa tendência de diminuir o evangelho dessa forma, devemos continuamente nos arrepender da nossa mentalidade de órfãos e persistir em nossa verdadeira identidade como f ilhos e filhas de Deus. Pela fé, temos de nos apegar à promessa contida no evangelho de que somos adotados como filhos de Deus. A justiça de Jesus foi creditada a nós, independentemente das obras (Rm 4.4-8). Não precisamos fazer nada para assegurar o amor e a aceitação de Deus; Jesus já nos assegurou isso. Quando abraçamos o evangelho dessa forma, o padrão infinito da santidade de Deus já não mais nos amedronta ou intimida. Ele leva à adoração, porque Jesus o satisfez por nós. Nossa identidade está nele. A boa notícia do evangelho não é que Deus nos favorece por causa de quem somos, mas que ele nos favorece apesar de quem somos. Na raiz de todos os nossos pecados visíveis encontra-se a luta invisível por justiça e identidade. Em outras palavras, nunca crescemos a ponto de não ter mais necessidade do evangelho. É como Martinho Lutero escreveu: "O mais necessário é que conheçamos bem [o evangelho], o ensinemos às pessoas e o martelemos continuamente na cabeça delas". Quando percebemos nossa tendência para o fingimento e o desempenho, que são nossas tentativas de construir nossa própria justiça e identidade, devemos nos arrepender do pecado e crer novamente nas promessas do evangelho. Este é o padrão constante da vida cristã: arrependimento e fé, arrependimento e fé, arrependimento e fé. À medida que caminhamos dessa forma, o evangelho vai se enraizando mais profundamente em nossas almas, e Jesus e sua cruz se tornarão "maiores" na realidade diária da nossa vida
