04-A LIBERDADE EM CRISTO TRAZ CONSIGO RESPONSABILIDADE
USANDO CORRETAMENTE MINHA LIBERDADE EM CRISTO • Sermon • Submitted • Presented
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· 38 viewsA responsabilidade da nossa liberdade é pelo bem dos outros.
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A LIBERDADE EM CRISTO TRAZ CONSIGO RESPONSABILIDADE
Introdução: Irmãos, os pais são responsáveis pelos filhos; semelhantemente, somos responsáveis pela vida espiritual dos outros.
Lição: A Responsabilidade Da Nossa Liberdade Em Cristo É Para Bem Dos Outros.
Texto: 1 Coríntios 10.23-11.1.
Paulo mostra nestes versículos que a liberdade em Cristo não nos dá o direito de viver individualmente ou como quisermos, mas de viver considerando e buscando o bem dos outros.
Paulo já mostrou que a nossa liberdade em Cristo está limitada pelo amor (8.1-13). Também mostrou que a nossa liberdade em Cristo deve ser renunciada em favor do evangelho (9.1-27). E mostrou que a nossa liberdade em Cristo segue a cautela para fugir da idolatria (10.1-22). Por fim, ele mostra que nossa liberdade em Cristo exige responsabilidade com a vida espiritual dos outros.
Paulo acabou de proibir a comida em templos, em cerimônias e em festivais pagãos e passa a orientá-los como devem proceder com respeito as carnes do mercado ou na casa de pessoas incrédulas, pois o próprio Paulo, provavelmente, comia essas carnes na casa de incrédulos (cf. 9.19-23). Paulo, então, passa a orientá-los sobre o que pode e até onde pode, neste caso, o poder está limitado pela consciência do próximo. Para Paulo, a questão não é de conhecimento e direitos, mas de amor e liberdade. Um leva ao orgulho; o outro, à edificação.
Não participando da idolatria, eles são livres para comer das carnes, seja comprada no açougue ou seja num banquete familiar, mas o que não podiam era desgraçar a vida espiritual de alguém com essa liberdade. A liberdade pessoal não é a coisa mais importante na vida cristã, e sim a busca pelo bem dos outros.
Paulo quer mostrar que a nossa liberdade em Cristo deve ser por um lado para o benefício dos outros (v. 23-24) e a edificação da igreja (v. 32-33); e por outro, a glória de Deus (v. 31). Por isso, ele passa a mostrar que a liberdade em Cristo exige responsabilidade com a vida espiritual do próximo visando o seu bem. Então, Paulo mostra as exigências de responsabilidade da liberdade em Cristo.
A nossa liberdade em Cristo exige responsabilidade com o interesse dos outros (23-24).
Paulo passa a mostrar que a liberdade deles em Cristo exige responsabilidade para bem comum de todos (crentes e descrentes).
Ter responsabilidade para com o interesse dos outros é ter sensatez (v. 23a).
“convém” (symphero) literalmente significa ser lucrativo, ou seja, ser proveitoso.
Ter responsabilidade para com o interesse dos outros edifica a igreja (v. 23b).
Certo comentarista diz: “E essa ‘edificação’ de forma alguma acontece apenas pela ação oficial de determinados colaboradores, e tampouco através da participação de todos os membros da igreja na proclamação e no aconselhamento espiritual, mas pelo próprio ‘andar’, pelo comportamento prático e pelo amor, que sustenta a comunhão com o outro.”
A responsabilidade para com o interesse dos outros deve ser exercida com altruísmo (v. 24).
Nenhum ser humano caído busca o interesse dos outros, a não ser por interesse pessoal. Mas o discípulo de Cristo é diferente, pois ele tem no seu mestre o exemplo de altruísmo.
45 Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
1 Ora, nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar-nos a nós mesmos. 2 Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para edificação. 3 Porque também Cristo não se agradou a si mesmo; antes, como está escrito: As injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim. 4 Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança. 5 Ora, o Deus da paciência e da consolação vos conceda o mesmo sentir de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, 6 para que concordemente e a uma voz glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. 7 Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.
Paulo exorta aos filipenses para serem altruistas.
3 Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. 4 Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros.
Paulo via esse altruísmo em Timóteo.
19 Espero, porém, no Senhor Jesus, mandar-vos Timóteo, o mais breve possível, a fim de que eu me sinta animado também, tendo conhecimento da vossa situação. 20 Porque a ninguém tenho de igual sentimento que, sinceramente, cuide dos vossos interesses; 21 pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus. 22 E conheceis o seu caráter provado, pois serviu ao evangelho, junto comigo, como filho ao pai.
Paulo exorta aos filipenses que sigam o modelo de altruísmo visto nele, Timóteo e outros servos fiéis de Cristo.
17 Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós. 18 Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. 19 O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas.
O altruísmo faz parte da nova natureza em Cristo e, como Cristo, Paulo e outros, é nossa responsabilidade ser altruista.
Porém, sem amor não tem como ser altruista. O amor é necessário para sermos altruista. Como ele, Paulo, diz:
4 O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, 5 não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; 6 não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; 7 tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Pensar primeiramente no interesse dos outros é seguir o exemplo de Cristo; pensar primeiramente no interesse dos outros é amar como Cristo.
A liberdade sem amor destrói, mas a liberdade exercida com amor edifica. Nós somos responsáveis pelo interesse dos outros para o bem e a edificação da igreja. A vida cristã correta é aquela que é regada pelo amor para o bem e a edificação dos outros.
Quem realmente é discípulo de Cristo, seguirá o seu exemplo e abrirá mão da sua liberdade, do seu direito, do seu interesse, da sua vontade, para bem do próximo e para a edificação da igreja. A nossa liberdade exige de nós responsabilidade, e responsabilidade com o interesse dos outros.
A nossa liberdade em Cristo exige responsabilidade com a consciência dos outros (25-31).
Paulo, nos versículos seguintes, apresenta o que pode e não pode. Ele aqui passa a explicar o que é querer o bem dos outros, ou seja, querer o bem é estar preocupado com a consciência dos outros, isto é, mostrar-se responsável pela consciência dos outros.
Paulo quer garantir que os coríntios não confundam a carne em si com os banquetes, cerimônias e celebrações idolatras.
O que pode (v. 25-27).
O problema não é a carne em si, pois tudo é do Senhor (v. 26; citação, Sl 24.1; 50.12; 89.11), mas o problema é o desejo deles de estar naqueles lugares, a idolatria e a consciência dos outros (crentes ou descrentes). Paulo ordena que comam de tudo que venderem no açougue (v. 25) e de tudo que o incrédulo oferece num banquete (v. 27). Porém, e Paulo vai dizer duas vezes (v. 25 e 27), “sem nada perguntardes por motivo de consciência” (minha tradução: “nada examinando por causa da consciência”).
Jesus disse: “Quando entrardes numa cidade e ali vos receberem, comei do que vos for oferecido.” (Lc 10.8).
Como diz certo comentarista: “Não é que a carne dos ídolos tenha poderes malignos, mas que a sua celebração evoca o ciúme de Deus e obscurece o testemunho da devoção exclusiva a Cristo.”
Detalhe: Os judeus não comiam da carne dos açougues pagãos e os cristãos naquela época eram considerados como uma seita dos judeus.
Agora, a questão que pode estar implicita aqui é a consciência da própria pessoa.
O que não pode (v. 28-31).
Nós não podemos comer (ou fazer qualquer outra coisa), se for prejudicar a consciência do outro (v. 28-29a). O limite é o amor (cap. 8), e com amor, devemos ser responsáveis pela a vida espiritual dos outros (seja crente ou descrente).
Paulo explica muito bem isso em Romanos 14.13-23.
Para esclarecer, Paulo levanta duas perguntas.
A primeira no verso 29b (minha tradução: “Pois, por que a minha liberdade é julgada por outra consciência?”). E a resposta é: Porque estou usando a liberdade sem limite, sem renúncia, sem cautela e sem responsabilidade. A resposta seria uma indireta aos conhecedores orgulhosos.
A segunda no verso 30 (minha tradução: “Se eu participo com gratidão, por que sou caluniado pelo que dou graças?”). E a resposta é: Porque estou usando a liberdade sem limite, sem renúncia, sem cautela e sem responsabilidade.
Irmãos, somos responsáveis pela consciência dos outros, e se a nossa liberdade faz os outros na sua consciência tropeçarem e nos condenarem, então, devemos abrir mão da nossa liberdade.
A questão toda (8.1-11.1) é resumida no verso 31.
A liberdade do crente deve estar sujeita aos direitos de Deus. Os interesses de Deus estão acima da nossa liberdade. Ter responsabilidade com a consciência dos outros é buscar os interesses de Deus. Antes do nosso interesse está os interesses de Deus, e nos interesses de Deus está a edificação da igreja e a salvação dos perdidos.
A nossa liberdade em Cristo exige responsabilidade com o benefício dos outros (32-1).
Diante de tudo que foi dito:
Não sejamos causa de tropeço para os descrentes e nem para os crentes (v. 32).
Antes, sejamos altruistas como Paulo e Cristo (v. 33-[11.]1).
Buscar o benefício dos outros é ter responsabilidade com as próprias ações. A chave para o bem dos outros é nossa responsabilidade com a vida espiritual deles.
Os “senhores do saber” não sabiam como era adequado saber; e por isso, viviam inadequadamente. A questão por trás de tudo isso era “a tentação humana” (o desejo carnal). Era isso que levava eles a irem a tais lugares. Isto não era liberdade, era escravidão. Diante disso, Deus dá uma saída e poder para suportar (v. 13). A forma como estavam vivendo não refletia a verdadeira liberdade que temos em Cristo, mas a escravidão do pecado.
Essa é a realidade de muitos crentes hoje.
Eles deveriam usar corretamente a liberdade que eles tinham em Cristo, e usar corretamente é usá-la com limite, renúncia, cautela e responsabilidade. O limite é o amor; a renúncia é pelo bem do evangelho; a cautela é para fugir da idolatria; e a responsabilidade é para bem dos outros.
Os coríntios e nós precisamos entender que a nossa liberdade em Cristo não é para satisfazer os nossos desejos, mas sim satisfazer a vontade de Deus. E enquanto não entendermos isso viveremos para nós mesmos e não para a glória de Deus; procuraremos fazer o que nos interessa, e não o que interessa a Deus.
Diante disso tudo, por que não ir para festas e celebrações idolatras e por que não comer das coisas que são vendidas lá?
Porque isso é apenas a tentação humana (10.13) prendendo-me a tais lugares.
Porque é escandaloso para meu irmão fraco.
Porque não edifica a igreja de Cristo.
Porque não é benéfico para o evangelho.
Porque é idolatria.
Porque não glorifica a Deus.
Conclusão: Hoekema tratando sobre liberdade, no seu livro Criados à imagem de Deus, diz: “Por ‘escolha’ ou ‘a capacidade de escolher’ entendo a capacidade que as pessoas têm de fazer escolhas entre alternativas – uma capacidade que implica responsabilidade pelas escolhas feitas. Tais escolhas ou decisões podem ser boas ou más, podem glorificar ou ofender a Deus. Por ‘verdadeira liberdade’ entendo a capacidade que as pessoas têm, com o auxílio do Espírito Santo, de pensar, dizer e fazer o que é agradável a Deus e que está em harmonia com a sua vontade revelada.” (Anthony A. Hoekema, Criados à Imagem de Deus, trans. Heber Carlos de Campos, 3a edição. (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2018), 250).
E mais, ele diz: “O pensamento de que Cristo nos libertou da servidão e escravidão é um dos temas favoritos do apóstolo Paulo. Em Gálatas 5.1, ele diz: ‘Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão’. No contexto da Epístola aos Gálatas, essa liberdade significa não apenas a liberdade da necessidade de guardar a lei de Deus para ganhar a salvação, mas também a liberdade de viver pelo Espírito de modo tal que não mais satisfaçamos os desejos da carne (5.16).” (Anthony A. Hoekema, Criados à Imagem de Deus, trans. Heber Carlos de Campos, 3a edição. (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2018), 257).
Seja responsável pela consciência do outro (crente ou descrente), você é livre para viver pelo Espírito de tal modo que não satisfaça mais os desejos da carne e você é livre para fazer o que é do interesse de Deus. E o interesse de Deus é a edifica da igreja e a salvação do perdido. Por isso, a responsabilidade da nossa liberdade é para bem dos outros.
Minha tradução interpretativa: 23 “Tudo é permitido”, mas nem tudo é proveitoso; “tudo é permitido”, mas nem tudo edifica. 24 Ninguém busque o seu próprio interesse, mas o dos outros. 25 Tudo o que é vendido no mercado, comei, não fazendo exame de nada por causa da consciência, 26 porque do Senhor é a terra e a sua plenitude. 27 Se algum incrédulo vos chamar, e se quereis ir, o que estiver sendo oferecido a vós, comei, não fazendo exame de nada por causa da consciência. 28 Mas se alguém disse a vós: “Isto é oferecido a ídolo”, não comei por causa do que está informando e a consciência. 29 E digo não a sua própria consciência, mas a do outro. Pois, por que a minha liberdade é julgada por outra consciência? 30 Se eu participo com gratidão, por que sou caluniado pelo que dou graças? 31 Portanto, se comendo ou bebendo ou fazendo outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. 32 Então, não se torneis tropeço para judeus nem para gentios ou a igreja de Deus. 33 Assim como também eu desejo em tudo agradar a todos, não procurando o que é proveitoso a mim, mas o que é proveitoso a muitos, para que sejam salvos. [11] 1 Sejais meus imitadores, como também eu sou de Cristo.
Tradução literal: 23 “Tudo é permitido”, mas nem tudo é lucrativo; “tudo é permitido”, mas nem tudo edifica. 24 Nenhum busque o de si mesmo, mas o de outros. 25 Tudo o em açougue é vendido, comei, nada examinando por causa da consciência, 26 porque do Senhor é a terra e a sua plenitude. 27 Se alguém vos chama dos incrédulos, e se quereis ir, o que está sendo colocado diante de vós, comei, nada examninando por causa da consciência. 28 Mas se alguém disse a vós: “Isto é oferecido a ídolo”, não comei por causa do que está informando e a consciência. 29 E digo não a consciência de si mesmo, mas a do outro. Pois, por que a minha liberdade é julgada por outra consciência? 30 Se eu compartilho com gratidão, por que sou blasfemado do que eu sou grato? 31 Portanto, se comais ou bebais ou façais outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus. 32 Não se torneis tropeço e judeus, e gentios e a igreja de Deus, 33 assim como também eu desejo em tudo agradar a todos, não buscando o meu benefício, mas o de muitos, para sejam salvos. [11] 1 Imitadores de mim sejais assim como também eu de Cristo.
