Capacitação do Espírito Santo
Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 16 viewsNotes
Transcript
Série: Uma igreja centrada na vontade de Deus
Tema: Capacitação do Espírito Santo
Divisa: Atos 2.1-13
1 Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar. 2 De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. 3 E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. 4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava.
5 Havia em Jerusalém judeus, tementes a Deus, vindos de todas as nações do mundo. 6 Ouvindo-se o som, ajuntou-se uma multidão que ficou perplexa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua. 7 Atônitos e maravilhados, eles perguntavam: “Acaso não são galileus todos estes homens que estão falando? 8 Então, como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna? 9 Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, Judéia e Capadócia, do Ponto e da província da Ásia, 10 Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próximas a Cirene; visitantes vindos de Roma, 11 tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes. Nós os ouvimos declarar as maravilhas de Deus em nossa própria língua!” 12 Atônitos e perplexos, todos perguntavam uns aos outros: “Que significa isto?”
13 Alguns, todavia, zombavam deles e diziam: “Eles beberam vinho demais”.
1. Introdução
Em nossos dias uma identidade equivocada de ser igreja concorre com a visão bíblica da igreja, de uma igreja centrada na vontade de Deus.
Para muitos evangélicos dos nossos dias igreja é uma organização reunida em um prédio e que realiza um conjunto de programas (eventos, encontros), os quais ocupam apenas um número pequeno de membros enquanto a maior parte da igreja se torna consumidora em assistir e avaliar esses programas.
Algumas características dessa falsa identidade da igreja são: (i) centralidade da vida da igreja no templo e no domingo; (ii) produção de programas como principal tarefa da liderança; (iii) membros com pouco envolvimento; (iv) o exercício dos dons é exclusivo para quem ocupa cargos; (v) evangelização é uma ação de convidar pessoas ao culto; (vi) valorização maior do “ter” do que do “ser”; (vii) discipulado exclusivo para novos convertidos.
Em seu livro Igreja Desviada, o pastor americano Charles Swindoll traz o seguinte alerta: “A razão de nossa existência como comunidade cristã pode, de alguma forma, se perder em meio à correria moderna e às prioridades confusas. Isso acontece o tempo todo. A igreja passa a se concentrar em construções e programas, cadeiras estofadas e estacionamentos... Se não tomarmos cuidado, a distração... nos levará a negligenciar as coisas mais importantes. Quando isso ocorre, nossos valores, nosso propósito e nossos objetivos desaparecem.” (p. 43)
Grande ideia: Uma igreja centrada na vontade de Deus caminha no poder do Espírito Santo.
O autor sagrado situa o contexto histórico da passagem ao escrever que:
1 Chegando o dia de Pentecoste...
O dia de Pentecoste ou a festa de Pentecoste (quinquagésimo, pois era uma festa que ocorria 50 dias após a festa da Páscoa) era, inicialmente, uma festa para comemorar a colheita dos primeiros frutos do trigo, por isso também chamada de Festa das Colheitas e mais tarde, já nos dias de Jesus, era uma festa também associada a renovação da lei entregue a Moisés no Monte Sinai (o que teria ocorrido, aproximadamente, 50 dias após a saída do povo hebreu do Egito).
Em seguida:
2 ... estavam todos reunidos num só lugar.
Quem estavam reunidos num só lugar? Alguns versos antes Lucas informa: “Naqueles dias Pedro levantou-se entre os irmãos, um grupo de cerca de cento e vinte pessoas...” (1.15). Esse grupo estava concentrado obedecendo às ordens de Jesus de permanecerem em Jerusalém, para serem revestidos do Espírito Santo.
No final do Evangelho de Lucas Jesus havia dito:
49 “Eu lhes envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos de poder” (Lucas 24)
No início do livro de Atos, Lucas narra mais uma vez:
4 Não saiam de Jerusalém, mas esperem pela promessa de meu Pai, da qual lhes falei. 5 ... mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo.
8 Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês...
A orientação de Jesus nessas passagens é que (i) num futuro breve o grupo de discípulos seriam revestidos/batizados com o Espírito Santo, enquanto isso (ii) o grupo de discípulos deveria esperar para iniciar a missão.
E a resposta dos discípulos foi (i) obediência (... estavam todos reunidos num só lugar) e (ii) oração(Todos eles se reuniam sempre em oração, com as mulheres, inclusive Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos dele. Atos 1.14)
O fato da igreja se render às orientações de Jesus, esperando e dependendo do poder do Espírito Santo para começar a missão de serem testemunhas ao mundo e o fato de, todos os dias, se reunirem em oração a Deus nos ensina uma primeira lição nessa história:
2. Caminhar no poder do Espírito Santo é uma necessidade imprescindível de toda igreja
Os discípulos não sabiam quando receberiam a promessa do Espírito Santo, poderia demorar dias, meses ou anos, mas uma coisa eles sabiam, não podemos dar um passo sequer sem o revestimento do Espírito Santo.
O pastor anglicano, o falecido John Stott escreveu certa feita: “Não pode haver vida sem o doador da vida, nem entendimento sem o Espírito da verdade, nem comunhão sem a unidade do espírito, nem caráter semelhante a Cristo sem o fruto do Espírito, nem testemunho efetivo sem o seu poder. Assim como um corpo sem respiração é um cadáver, a igreja sem o Espírito Santo é morta.”
E quando os discípulos menos esperavam:
2 De repente veio do céu um som, como de um vento forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. 3 E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles. 4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava.
Todos ficaram cheios do Espírito Santo, homens, mulheres, Pedro(que havia negado Jesus), Tomé(que havia duvidado da ressurreição de Jesus), Mateus (defensor de uma política direitista), Simão, o Zelote (defensor de uma política esquerdista). O profeta Joel havia revelado que quando esse dia chegasse:
Joel 2
28 E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. 29 Até sobre os servos e a as servas derramarei do meu Espírito naqueles dias.
Todos ficaram cheios do Espírito Santo e todos ficaram capacitados pelo Espírito Santo. Não dá para vivermos o propósito de Deus em nossas vidas e igrejas sem estarmos cheios/revestidos do Espírito Santo, para isso precisamos, urgentemente, esvaziarmos de nós mesmos, para que possamos ser cheios da presença do Espírito Santo; precisamos nos despir de nossos interesses e vontades para sermos revestidos de poder e autoridade do Espírito Santo.
3. Caminhar no poder do Espírito Santo coloca a igreja em contato com o mundo
É fato que quando Lucas descreve a missão da igreja dada por Cristo, ele a descreve como sendo uma ação da igreja sempre de dentro para fora.
Quando Jesus diz: “Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra.” (1.8), ele está ensinando para os seus discípulos que quando o Espírito descesse sobre eles, os concederia poder/capacidade para se moverem como testemunhas do evangelhoao longo de suas vidas.
E é justamente esse movimento que vemos surgir aqui no relato de Lucas, pois os discípulos haviam passado cerca de 50 dias presos/trancados/quarentena dentro de um cenáculo esperando a descida do Espírito Santo. E de repente, quando o Espírito Santo desce sobre a igreja, eles saem para o espaço público da cidade falando as maravilhas de Deus noutros idiomas.
Em seguida Lucas escreve:
5 Havia em Jerusalém judeus, devotos a Deus, vindos de todas as nações do mundo. 6 Ouvindo-se o som, ajuntou-se uma multidão que ficou perplexa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua.
7 Atônitos e maravilhados, eles perguntavam: “Acaso não são galileus todos estes homens que estão falando? 8 Então, como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna?” 9 Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, Judeia e Capadócia, do Ponto e da província da Ásia, 10 Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próximas a Cirene; visitantes vindos de Roma, 11 tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes. Nós os ouvimos declarar as maravilhas de Deus em nossa própria língua!”
E aqui percebo um propósito divino em o derramamento do Espírito Santo ter ocorrido justamente no dia de Pentecoste: mostrar para a igreja que sua missão se dá em contato com o mundo, com os de fora e deve alcançar todos os povos, todas as nações, todas as línguas, todas as raças, todos os gêneros, todas as classes sociais. Para que a benção da salvação em Cristo Jesus alcance o máximo de pessoas possíveis.
Contudo, a história de Atos mostrará que a igreja aprenderá esse princípio (de que a missão da igreja se dá em contato com o mundo) a duras penas. Até antes da morte de Estevão (capítulo 7) a igreja não quer sair de Jerusalém (sinal de conforto) é após uma perseguição é que a igreja é obrigada a sair em missão em contato com outros povos e regiões. Existe sempre essa tendência de nos conformarmos à nossa zona de conforto, ao nosso grupo de amizades, à nossa rotina; sair em direção ao desconhecido é sempre um esforço que a gente resiste em assumir (aquele novo colega da faculdade, aquele visitante da igreja, aquele novo vizinho).
É justamente por essa razão que muitas das nossas igrejas, erroneamente, entendem que a missão se dá no espaço culto-templo, com produção de inúmeras programações, eventos, atividades que sugam nosso tempo, nossas energias e nosso dinheiro.
Na música Evangelho de fariseus (Aymeê) um dos trechos é:
“Fazemos campanhas para nós mesmos, eventos para nós mesmos, estocamos o maná para nós, oramos por nós e pelos nossos.”
Alguém já disse que igreja só é igreja quando a é para os de fora. É isso que a descida do Espírito Santo no dia de Pentecoste nos ensina.
Uma igreja cheia e revestida do Espírito Santo está em constante contato com os de fora, com o mundo, com seus amigos, colegas, familiares, vizinhos, anunciando a vida do Espírito.
E está em contato com os de fora, nem sempre significa que teremos respostas positivas, nem sempre as pessoas serão acolhedoras à nossa mensagem:
4. Caminhar no poder do Espírito Santo capacita a igreja a dialogar com diferentes reações do mundo
Isso porque o relato de Pentecoste nos mostra que dois grupos de pessoas diante da “declaração das maravilhas de Deus” tiveram reações distintas. O primeiro grupo reage de forma que demonstra que, de alguma forma, eles foram impactados por aquilo que ouviram.
6 Ouvindo-se o som, ajuntou-se uma multidão que ficou perplexa... 7 Atônitose maravilhados, eles perguntavam: “Acaso não são galileus todos estes homens que estão falando?”... 12 Atônitos e perplexos, todos perguntavam uns aos outros: “Que significa isto?”
Contudo, existe outro grupo que zomba do que está acontecendo:
13 Alguns, todavia, zombavam deles e diziam: “Eles beberam vinho demais”.
É quando você é usado para testemunhar no ambiente da escola ou da faculdade e o professor pergunta: “É o homem que corrompe o meio ou é o meio que corrompe o homem?”. E no meio de toda sala você argumenta que o mundo só se tornou corrupto porque os seres humanos decidiram se afastar do Deus Criador, mas este enviou o seu Amado Filho para desfazer a corrupção no coração do homem e um dia trará o Seu glorioso Reino incorruptível. E a sala de aula, inclusive o professor, começa a ridicularizar a sua fé.
A outra passagem em que esse verbo aparece é Atos 17:
32 Quando ouviram sobre a ressurreição dos mortos, alguns deles zombaram, e outros disseram: “A esse respeito nós o ouviremos outra vez”. 33 Com isso, Paulo retirou-se do meio deles. 34 Alguns homens juntaram-se a ele e creram. Entre eles estava Dionísio, membro do Areópago, e também uma mulher chamada Dâmaris, e outros com eles.
O fato da igreja caminhar no poder do Espírito Santo não significa que todas as pessoas reagirão positivamente à nossa mensagem, mas o Espírito Santo nos concede poder e sabedoria para dialogar com todas os tipos de reações, confiando de que, quando uma porta se fecha, Deus abre outras portas.
5. Conclusão
A igreja Batista da Graça precisa ser, a cada dia, uma igreja centrada na vontade de Deus; e uma igreja centrada na vontade de Deus tem consciência da sua missão e caminha no poder do Espírito Santo.
Por isso assuma os seguintes compromissos:
1. Ao longo da sua jornada como cristão você tem buscado, ardentemente, ser mais cheio do Espírito Santo?
2. Ao longo da sua jornada como cristão você têm percebido pessoas, lugares, ambientes em que o Espírito Santo deseja que você se conecte para testemunhar de Cristo?
3. Ao longo da sua jornada como cristão você tem recebido sabedoria e poder para perseverar em missão, mesmo quando as pessoas não acolhem sua mensagem?
