Princípios inegociáveis – Tempo da oração

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Série: Uma igreja centrada na vontade de Deus
Tema: Princípios inegociáveis – Tempo da oração
Divisa: Atos 2.42-47
Atos dos Apóstolos 2.42–47 NVI
42 Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. 43 Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos. 44 Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. 45 Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. 46 Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, 47 louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos.
1. Introdução
Na primeira mensagem dessa série, à luz de Atos 1.1-11 falamos que a igreja centrada na vontade de Deus possui consciência da sua missão: testemunhar de Cristo e do seu Evangelho.
Na segunda mensagem, à luz de Atos 2.1-13 falamos que uma igreja centrada na vontade de Deus caminha no poder e na dependência do Espírito Santo.
Na terceira mensagem, à luz de Atos 2.14-41 falamos que uma igreja centrada na vontade de Deus anuncia no poder do Espírito Santo somente a pessoa de Cristo.
Na quarta mensagem, à luz de Atos 2.42 falamos que uma igreja centrada na vontade de Deus valoriza o tempo com a Palavra de Deus.
Existem coisas que só aprendemos com a prática. Você pode ouvir as melhores teorias, os melhores conceitos, ter os melhores professores, as melhores escolas, mas somente a prática, o dia-a-dia, o cotidiano, o hábito lhe aperfeiçoará.
Lembro-me que no ano de 2005 resolvi, mesmo sem ter nenhum veículo, tirar a carteira de habilitação. As únicas oportunidades em que tinha acesso a um veículo era no momento em que o instrutor e eu saíamos para o teste do dia. Resultado que o que aprendi foi apenas como passar no exame do Detran, mas não aprendi a conduzir o veículo nas ruas da cidade.
Quando em 2007, Rita e eu conseguimos comprar o nosso primeiro veículo tive que tomar aulas de direção extras, porque simplesmente não sabia como conduzir aquele veículo. Precisei praticar.
Acredito que essa lógica também vale quando o assunto é oração. Você pode ter aulas sobre oração, ler livros sobre oração, ser ensinado por pessoas que oram, mas se você não praticar e não criar o hábito da oração, você jamais terá prazer na oração.
Em resumo nesta noite falaremos que:
Grande ideia: Uma igreja centrada na vontade de Deus possui como modo de vida o tempo da oração.
⁴² Eles se dedicavam...
Aprendemos, no último sermão da série que o verbo “dedicar” é tradução do termo grego προσκαρτερέω (proskartereō), significando: “perseverar, ser diligente, ser zeloso, completamente aplicado num determinado hábito”. Das dez vezes em que esse termo aparece no Novo Testamento, seis aparece aqui em Atos. A igreja de Atos é a igreja que se dedica, persevera diligentemente.
A ideia transmitida pelo texto é perseverança numa atitude excelente de amor, de paixão, de vontade.
E aqueles primeiros discípulos dedicavam a quê? Lucas responde: “... ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações.” (2.42)
Os primeiros discípulos nos ensinam que o espaço no qual as disciplinas espirituais de ouvir a voz de Deus, da comunhão, da celebração da Ceia do Senhor e das orações se dá, em primeiro lugar, no ambiente comunitário. Essa postura faz grande contraste com a postura cada vez mais individualista e eu centradados nossos dias, onde as pessoas querem desenvolver uma espiritualidade cada vez mais desconectada e descompromissada com a igreja.
Quando o texto afirma que ⁴² Eles se dedicavam... às orações, isso significa que aqueles irmãos estavam completamente engajados, aplicados, zelosos, sedentos e famintospela presença do próprio Deus.
O autor de Atos, Lucas, intencionalmente, constrói a narrativa dos primeiros passos da igreja de Cristo mostrando que a dinâmica de vida da igreja em missão no mundo é vivida em constante oração, não como um programa da igreja ou um departamento da igreja, mas como um modo de vida, assim como foi o modo de vida de Jesus.
Lucas, em seu Evangelho relata a vida de Jesus como uma vida de oração: O primeiro relato de Lucas em que vemos Jesus orando foi no momento do seu (i) batismo (3.21), (ii) tentação no deserto (4.1), (iii) depois de um dia cheio de atividade (5.16: “Mas Jesus retirava-se para lugares solitários, e orava.”), (iv) escolha dos doze discípulos (6.12: “Num daqueles dias, Jesus saiu para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus.”), (v) para revelar sua verdadeira identidade (9.18: “Certa vez Jesus estava orando em particular...”), (vi) na transfiguração (9.28: Aproximadamente oito dias depois de dizer essas coisas, Jesus tomou consigo a Pedro, João e Tiago e subiu a um monte para orar.”), (vii) Jesus ensina diretamente seus discípulos a orarem (11.1-4: “Quando vocês orarem, digam...”) (viii) no Getsêmani (22.41) e (ix) na cruz (23.46).
Lucas traça um retrato de Jesus como o Deus-Homem que ora: do batismo à cruz, da presença do Pai à face carrancuda da morte. Jesus ora nos montes, Jesus ora nos vales. Jesus ora de dia, Jesus ora de noite. Jesus ora sozinho, Jesus ora na multidão. Para Lucas, Jesus tinha a oração como um modo de vida; um modo de vida na presença do Pai.
E agora, Lucas, ao escrever Atos, argumenta que os primeiros discípulos de Cristo estão seguindo, fortemente, as pegadas do seu Mestre.
O retrato que Lucas traz em Atos é de uma igreja que ora: (i) enquanto aguarda a chegada do Espírito (Atos 1.14), (ii) ao escolher o sucessor de Judas (1.24), (iii) em casas/lugar privado dos irmãos(2.42), (iv) no templo/lugar público(3.1), (v) suplicando por mais poder para cumprir a missão (4.24-31), (vi) enquanto manifesta o poder de Deus em sinais e maravilhas(2.43, 5.12), (vii) ao escolher os primeiros diáconos (6.6), (viii) Estevão perdoando seus algozes (7.59), (ix) os apóstolos para que os samaritanos fossem revestidos do Espírito Santo (8.15), (x) Paulo enquanto aguarda ser comissionado a apóstolo (9.11) e (xi) Cornélio e Pedro para que os primeiros gentios (pessoas não judias) recebam o Evangelho (10.2,9)
Para capítulo de Atos, Lucas tem a intencionalidade de trazer uma experiência de oração com pelo menos dois objetivos: mostrar que o tempo de oração daqueles irmãos revelava uma fome pelo próprio Deus e mostrar que o tempo de oração daqueles primeiros irmãos revelava dependência do poder de Deus.
1. Sendo assim, em primeiro lugar, precisamos entender que o tempo de oração como modo de vida revela se de fato temos fome pela presença de Deus.
Alguém já disse que “O grande propósito da oração é chegar com humildade, expectativa e com ousadia à presença consciente de Deus, relacionar-se com ele, conversarcom ele, e por fim, desfrutá-lo como nosso grande tesouro.” (p. 108, Hábitos Espirituais, David Mathis)
Quando o texto bíblico usa o verbo “dedicar” (completamente engajados, aplicados, zelosos, sedentos e famintos) para descrever o modo de vida daqueles primeiro irmãos deseja transmitir a ideia de que, a partir do momento que aqueles irmãos ouviram e entenderam a mensagem do Evangelho estar na presença de Deus passou a ser a realidade mais importante de suas vidas e a prova disso é que eles se engajavam em zelo, sede e fome pelo próprio Deus.
No modelo disfuncional de ser igreja, que nesta série estamos chamando de igreja consumidora, constituída de pessoas, que dizem discípulos de Cristo, mas agem como meros consumidores espirituais: reflexões, programas, eventos, louvorzão, retiros, congressos. Nesse jeito de ser igreja até tem espaço para oração, mas a oração não passa de um programa da igreja, no qual apenas algumas pessoas participam. E mais, os crentes consumidores da fé até oram, mas veem a oração apenas como o espaço para arrancar presentes de Deus. E nesse modelo o homem e a mulher de fé são aqueles que conseguem “torcer o braço” de Deus para que este cumpra as suas vontades. Mas, isso não é oração.
O já falecido pastor Timothy Keller escreveu certa feita: “Esse é o cerne da oração: não receber as coisas de Deus, mas receber Deus. A oração é onde respondemos a Deus, em retorno à sua Palavra para nós, e experimentamos o que significa deleitar-se nele como um fim em si mesmo, e não apenas um meio para nossas petições.
Precisamos desenvolver um modo de vida que faça da oração uma expressão do nosso amor, do nosso deleite, da nossa fome e da nossa sede pela presença de Deus. Precisamos nos dedicar em oração não para que as coisas deem certo para nós, não para que as portas se abram diante de nós, não para que meu negócio dê certo, não para que minha família tenha saúde, não para que a igreja na qual pastoreio cresça, não para que minha condição financeira melhore, não para que consiga um novo relacionamento. Eu preciso me dedicar a oração porque a minha maior fome a minha maior sede é a presença de Deus e tudo o mais não passa de um epílogo na minha vida.
2. No entanto, em segundo lugar, precisamos entender que o tempo de oração como modo de vida revela se de fato vivemos na dependência de Deus
Às vezes, me pego refletindo em como Deus deve ficar abismado com algumas das nossas atitudes; nós que dizemos ser discípulos e servos de Deus. Quantas vezes tomamos decisões em nossas vidas sem a mínima percepção ou consciência se essa decisão reflete de fato a vontade de Deus para nossas vidas. Simplesmente tomamos. Tomamos a decisão de começar ou terminar um relacionamento. Tomamos a decisão de comprar ou vender, de guardar e acumular dinheiro; de servir ou não em algum ministério; de aceitar ou não uma proposta de emprego, de sair ou permanecer em determinada igreja. Tomamos a decisão de vamos ou não fazer parte de uma igreja, se vamos ou não viajar. Tomamos a decisão de antecipar o sexo antes do casamento. Tomamos essas e outras decisões sem a mínima sensibilidade de perguntar: “Qual é vontade de Deus?” Simplesmente tomamos as decisões.
Qual a mensagem que revelamos para Deus e para o mundo com esse estilo de vida? Que não importa o que Deus pensa ou o que as pessoas acham. O que importa é o que eu quero. O problema que nossas igrejas, todas elas, estão repletas dessas pessoas, as quais vivem uma fé ilhada, autônoma, insubmissa e irreverente.
E pra gente não ficar pensando que isso é só um problema da nossa geração, observe o que escreveu o profeta Isaías (700 a.C.):
Isaías 29
13 O Senhor diz: “Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A adoração que me prestam só é feita de regras ensinadas por homens”.
Quando Lucas escreve que aqueles irmãos ⁴² ... dedicavam... às orações... está dizendo que aqueles irmãos, quando ouviram, entenderam e se renderam ao Evangelho, tomaram uma decisão: queremos viver cada detalhe das nossas vidas na dependência e em submissão à vontade de Deus.
Aqueles irmãos revelam dependência de Deus quando, em face da ordem de Jesus de não saírem de Jerusalém, até serem revestidos de poder, a resposta daqueles irmãos foram: “Todos eles se reuniam sempre em oração...” (1.14), pois entendiam que, sem o poder e capacitação do Espírito Santo de Deus nada, absolutamente nada poderiam fazer enquanto a suas vidas e ministérios.
Aqueles irmãos revelam dependência de Deus quando, em face da oposição e perseguição dos religiosos, os quais ordenaram que os apóstolos parassem de pregar, a resposta daqueles homens foi: “... Agora, Senhor, considera as ameaças deles e capacita os teus servos para anunciarem a tua palavra corajosamente. Estende a tua mão para curar e realizar sinais e maravilhaspor meio do nome do teu santo servo Jesus. Depois de orarem, tremeu o lugar em que estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus.” (4.29-31)
Quando desenvolvemos o tempo da oração como modo de vida estamos dizendo para o Senhor que não temos a mínima chance de cuidar das nossas vidas sozinhos, precisamos e dependemos que o Senhor estenda as suas mãos em nossa direção. Não temos a mínima chance de resolvermos e suportarmos os problemas que enfrentamos em nossos casamentos e que, a não ser que dependamos das mãos do Senhor, nosso casamento irá naufragar. Não temos a mínima chance de resolvermos r suportarmos essa crise financeira que nós mesmos nos colocamos por não ouvir e depender da voz do Senhor. Quando oramos estamos dizendo para Jesus que não temos a mínima chance de administrar nossas vidas. E quando revelamos esse modo de vida de dependência, o Espírito Santo vem e nos enche, e nos concede poder para que, corajosamente, continuemos nossa jornada. E quando continuamos a nossa jornada no poder do Espírito somos surpreendidos por curas, sinais e maravilhas.
No último dia 31 de março, o site portas abertas divulgou a história de um pastor indiano que, por questões de segurança teve seu nome preservado.
Esse pastor é responsável por uma igreja localizada num vilarejo na Índia e, desde que aceitou a fé, esse homem enfrentou constante oposição por sua fé, chegando a ser preso por duas vezes, mas não sabia que o pior estava por vir.
O pastor conta que “Durante o culto de Páscoa, extremistas religiosos e a polícia local invadiram a igreja e disseram que todos seriam presos. Durante o interrogatório os policiais perguntaram àqueles irmãos: ‘Quem deu a vocês o direito de fazer isso’ O pastor respondeu: ‘A Constituição indiana me dá o direito de pregar, e minha Bíblia e o Deus que eu adoro também. Eu não forço ninguém, as pessoas ouvem minha pregação e, se gostarem, vão à igreja”.
Entretanto, a polícia não se importou com o que ouviu e disseram, duramente, para que eles não realizassem mais cultos na igreja. Depois disso, a polícia fechou e selou a igreja.
Desde então, de 31 de março pra cá, a igreja continua proibida de se reunir. “Agora nos reunimos em segredo”, relatou o pastor, “em pequeno número, nas casas. Continuamos tomando todas as precauções, mas estou confiante que mesmo se me matarem por causa da minha fé, quero continuar servindo ao Senhor. Cristo me deu sua vida e, todos esses anos, me protegeu das ameaças. Sei que ainda há muito trabalho a ser realizado no Reino de Deus.
E disse que, sua oração diária tem sido 1 Crônicas 28.20: “Seja forte e corajoso e mãos à obra! Não tenha medo nem desanime, pois Deus, o Senhor, o meu Deus, está com você. Ele não o deixará nem o abandonará até que você termine toda a construção do templo do Senhor.” “Nada pode nos impedir de amar a Cristo e servi-lo”, conta o pastor indiano.
Dwight Lyman Moody (um dos maiores evangelistas e avivalistas americanos do século XIX) disse certa feita: “Se um homem tira os olhos de Deus e confia em sua própria força, você pode esperar sua queda”.
2. Conclusão
Uma igreja centrada na vontade de Deus caminha fundamentada nos princípios inegociáveis – o tempo da oração.
Por essa razão,
1. Ao longo da sua jornada como discípulo o tempo da oração tem sido o seu modo de vida?
2. O seu modo de vida reflete que você tem mais fome da presença de Deus do que das bênçãos de Deus?
3. O seu modo de vida reflete que você tem mais confiança no poder de Deus do que em suas próprias forças?
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