Princípios inegociáveis – Plantação de Igrejas
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Série: Uma igreja centrada na vontade de Deus
Tema: Princípios inegociáveis – Plantação de Igrejas
Divisa: Atos 8.1-8
1 E Saulo estava ali, consentindo na morte de Estêvão.
2 Naquela ocasião desencadeou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém. Todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e de Samaria. Alguns homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram por ele grande lamentação. 3 Saulo, por sua vez, devastava a igreja. Indo de casa em casa, arrastava homens e mulheres e os lançava na prisão.
4 Os que haviam sido dispersos pregavam a palavra por onde quer que fossem. 5 Indo Filipe para uma cidade de Samaria, ali lhes anunciava o Cristo. 6 Quando a multidão ouviu Filipe e viu os sinais miraculosos que ele realizava, deu unânime atenção ao que ele dizia. 7 Os espíritos imundos saíam de muitos, dando gritos, e muitos paralíticos e mancos foram curados. 8 Assim, houve grande alegria naquela cidade.
1. Introdução
A visão de Igreja Multiplicadora é a visão de multiplicação intencional baseada em cinco princípios bíblicos de crescimento para a igreja local, com o objetivo de cumprir a Grande Comissão: Oração, Evangelização Discipuladora, Plantação de Igrejas, Formação de Líderes e Compaixão e Graça.
Dentre outros princípios da igreja em Atos destacamos, até aqui que:
À luz de Atos 2.42 falamos que uma igreja centrada na vontade de Deus valoriza o tempo da oração. Tendo o tempo da oração como o modo de vida que revela que temos fome pela presença de Deus e que revela dependência de Deus.
À luz de Atos 2.42-47 e 4.32-37 falamos que uma igreja centrada na vontade de Deus vive o princípio da compaixão e graça como uma extensão do amor de Cristo amo mundo. E falamos que o exercício da compaixão e graça resulta de um coração sensível, intencional, desprendido e abnegado. Gente que está sensível às necessidades alheias e dispostas a agir com generosidade.
À luz de Atos 6.1-7 falamos que uma igreja centrada na vontade de Deus vive o princípio de formação de líderes que servem o próximo à semelhança de Cristo.
Nesta noite falaremos de um quarto princípio de igreja multiplicadora: Plantação de Igrejas.
Em resumo nesta noite falaremos que:
Grande ideia: Uma igreja centrada na vontade de Deus vive o princípio da plantação de novas igrejas, com o fim de espalhar a glória de Cristo.
A narrativa inicia nos informando que “E Saulo estava ali, consentindo na morte de Estêvão...” (v. 1a) (Atos 6.8-7.60) – “... As testemunhas deixaram seus mantos aos pés de um jovem chamado Saulo.” (Atos 6.58)
Esse episódio envolvendo Estêvão foi o grande estopim gerador da mais violenta perseguição até ali vivida pela noviça igreja. Lucas narra esse problema nas seguintes palavras: “... Naquela ocasião desencadeou-se grande perseguiçãocontra a igreja em Jerusalém...” (v. 1b) Essa “grande perseguição” é exemplificada por Lucas pelas ações de um “certo” Saulo/Paulo: “Saulo, por sua vez, devastava a igreja. Indo de casa em casa, arrastava homens e mulheres e os lançava na prisão.” (v. 3)
A forma verbal em que o verbo “devastar” é utilizada indica uma ação contínua e constante. Mais tarde, descrevendo essa fase da sua vida, Paulo diz: “Persegui os seguidores deste Caminho até a morte, prendendo tanto homens como mulheres e laçando-os na prisão...” (Atos 22.4). Noutra parte de Atos é dito “Eu também estava convencido de que deveria fazer todo o possível para me opor ao nome de Jesus, o Nazareno... Muitas vezes ia de uma sinagoga para outra a fim de castigá-los, e tentava forçá-los a blasfemar...” (Atos 26.9,11)
Essa forte e intensa perseguição, encabeçada pelo próprio Paulo, fez com quem “... Todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeiae de Samaria.” (v. 1c).
2. E aqui temos a primeira lição da passagem, o princípio de plantação de novas igrejas faz parte da essência da vocação da igreja.
A expressão “foram dispersos” é a mesma utilizada pelo autor de Gênesis para descrever o resultado do projeto “Torre de Babel”. O Senhor Deus havia dado o seguinte imperativo: “... Sejam férteis, multipliquem-se e encham a terra... Mas vocês, sejam férteis e multipliquem-se; espalhem-se pela terra e proliferem nela.” (Gênesis 9.1,7). Na contramão desse imperativo vem o projeto Babel: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso e não seremos espalhados pela face da terra.” (Gênesis 11.4)
O projeto Babel começa com uma decisão de se rebelar contra o imperativo de Deus. Então, diz a narrativa, “Assim o Senhor os dispersou dali por toda a terra, e pararam de construir a cidade. Por isso foi chamada Babel, porque ali o Senhor confundiu a língua de todo o mundo. Dali o Senhor os espalhou por toda a terra.” (Gênesis 11.8-9)
Semelhantemente, percebo esse mover aqui em Atos. A ordem era clara: “Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra.” (1.8). Dessa ordem de Jesus até o surgimento dessa grande perseguição (oito primeiros capítulos de Atos) passa-se cerca de um ano e, mesmo desfrutando de intenso crescimento, a igreja não sai de Jerusalém. Em Atos 5.16 é dito: “Afluíam também multidões das cidades próximas a Jerusalém, trazendo seus doentes e os que eram atormentados por espíritos imundos; e todos eram curados.” Eram as multidões que procuram a igreja e não a igreja que procura as multidões e, embora esse movimento seja legítimo e permitido por Deus, não representa o movimento planejado e tencionado pelo Espírito Santo.
A palavra “igreja” vem do termo εκκλησια (ekklesia); o prefixo εκ (ek) significa: “de dentro de, fora de, indica movimento que de dentro para fora” e καλεω(kaleo): “chamar, vocacionar”.
A igreja de Cristo é chamada a, intencional e corajosamente, espalhar-se, movimentar-se, dirigir-se a um mundo em trevas, perdido, caído, corrupto com o propósito de anunciar o Evangelho da graça de Cristo e se a igreja, consciente ou inconscientemente, se recusar a cumprir a sua missão, o Senhor da igreja permitirá e promoverá situações ou circunstâncias que mostre a igreja quem ela realmente é e para o quê ela foi realmente chamada.
Assim, o versículo 3 termina e a sensação é que o problema da perseguição chegou a um clímax insustentável: Seria esse o fim da igreja em Jerusalém? Seria a igreja enfraquecida em virtude dessa terrível perseguição? Os planos de Cristo de alcançar Jerusalém, Judeia, Samaria e confins da terra estariam correndo risco?
Então, Lucas assevera: “Os que haviam sido dispersos pregavam a palavra por onde quer que fossem.” (v. 4)
3. E assim temos o nosso segunda lição: o princípio de plantação de novas igrejas faz parte de um coração que prioriza espalhar a glória de Cristo.
Pense essa cena comigo: (i) da noite para o dia você fica sabendo que a polícia local está perseguindo, prendendo e matando todo aquele que se diz discípulo de Cristo; (ii) então, você decide com sua família que não há outra saída a não ser fugir da cidade para salvar sua vida e da sua família; (iii) mas, essa saída não é fácil, pois, praticamente, você só teve tempo de levar as roupas do corpo, deixando tudo para trás, casa, móveis, emprego, amigos, sua estabilidade foi para o espaço, (iv) ao mesmo tempo você se preocupa para onde ir com sua família: qual cidade ir? em que casa morar? será que nessa nova cidade encontraríamos emprego? e se a perseguição se espalhar para as cidades vizinhas? Continuaríamos errantes pelo mundo?
A pergunta que faço a você e gostaria que você me respondesse sinceramente: diante desse turbilhão de problemas você teria “cabeça” para se preocupar na salvação dos outros? Seu emocional estaria preparado para apresentar o Evangelho da salvação a outros, sendo que você mesmo corre perigo?
Aqueles irmãos estão tendo que lidar com tudo isso, no entanto, diz o texto sagrado: “Os que haviam sido dispersos pregavam a palavra por onde quer que fossem.” (v. 4). O termo que Lucas usa é ευαγγελιζω (euaggelizo) – aparece 10x no Evangelho de Lucas e 15x em Atos de 54x que aparece em todo o Novo Testamento.
Uma passagem paralela a essa diz: “Os que tinham sido dispersos por causa da perseguição desencadeada com a morte de Estêvão chegaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, anunciando a mensagem...” (Atos 11.19) [A Fenícia é o atual Líbano e dista de Jerusalém cerca de 427Km. Já Chipre continua sendo uma ilha no Mediterrâneo. Já a cidade de Antioquia, atual Antáquia na Síria, dista cerca de 792Km de Jerusalém]
Um dos grandes perigos da igreja dos nossos dias é amar mais as suas agendas, programações, conveniências, segurança, conforto, comodidade do que a glória de Cristo.
A história segue e Lucas prende a atenção dos leitores ao que Cristo irá realizar por meio de um homem chamado Filipe, na região de Samaria: “Indo Filipe...” (v. 5a). Esse Filipejá nos foi apresentado em Atos 6.5 e ali ficamos sabendo que ele faz parte do grupo dos 7 homens, de bom testemunho, cheios do Espírito Santo e de sabedoria que auxiliaria as viúvas de fala grega em suas necessidades. Esse Filipe é chamado de “evangelista” em Atos 21.8, residia em Cesareia (uma cidade marítima e capital da província da Judeia) e possuía 4 filhas virgens, as quais eram profetizas Atos 21.9.
Esse Filipe, provavelmente com suas 4 filhas, direcionando-se “... para uma cidade de Samaria, ai lhes anunciava o Cristo.” (v. 5). Nenhum judeu daquela época em viagem do sul ao norte ousaria passar pela região de Samaria (João 4.9), pois havia uma rixa histórica entre esses dois povos; eles se odiavam e se hostilizava entre si.
4. E aqui temos nossa terceira lição: o princípio de plantação de novas igrejas faz parte de um coração intencional em anunciar o Evangelho.
Filipe possuía um mesmo coração intencional do Senhor Jesus: “Era-lhe necessário passar por Samaria.” (João 4.4).
O pastor e missionário Fernando Brandão, Diretor Executivo da Junta de Missões Nacionais, no seu livro Igreja Multiplicadora: 5 princípios Bíblicos para Crescimento, define plantação de igreja como sendo: “O processo intencional de estabelecer uma comunidade local e autônoma de discípulos de Jesus Cristo.” (p. 87)
E quando a igreja age, intencionalmente e no poder do Espírito Santo, os resultados são imprevisíveis:
6 Quando a multidão ouviu Filipe e viu os sinais milagrosos que ele realizava, deu unânime atenção ao que ele dizia. 7 Os espíritos imundos saíam de muitos, dando gritos, e muitos paralíticos e mancos foram curados.
O que está acontecendo em Samaria é o mesmo que aconteceu em Jerusalém: a chegada do Reino de Deus por intermédio de uma igreja cheia do Espírito Santo. O sinal de que o Reino chegou na vida de uma pessoa e numa cidade é quando o Evangelho é anunciado e vidas são transformadas (libertação e curas são sinais do poder redentor do Reino de Deus)
O resultado disso tudo, diz Lucas: “Assim, houve grande alegria naquela cidade.” (v. 8)
O Pr. Fernando Brandão ainda diz: “Plantar igrejas... não é apenas comprar terrenos, construir templos, bancadas, instalar piano e equipamento de som e multimídia. Plantar igrejas é investir em pessoas, fazer discípulos multiplicadores e acolhê-los.” (p. 87)
A passagem começa com Lucas dizendo que houve “grande perseguição” (v. 1) e “grande lamentação” (v. 2), mas termina com Deus agindo na história, por meio de um homem, chamado Filipe, trazendo “grande alegria naquela cidade” (v. 8).
5. Conclusão
Grande ideia: Uma igreja centrada na vontade de Deus vive o princípio da plantação de novas igrejas, com o fim de espalhar a glória de Cristo.
1. Espalhando a glória de Cristo porque essa é a essência da missão da igreja;
2. Espalhar a glória de Cristo porque essa deve ser a prioridade da igreja;
3. Espalhar a glória de Cristo com intencionalidade e poder do Espírito Santo.
