DELE, POR ELE E PARA ELE
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DELE, POR ELE E PARA ELE
DELE, POR ELE E PARA ELE
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
36 Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!
Do capítulo 1 ao 11 vemos a justificação pela graça e do 12 ao 16, como deve ser a vida de alguém que foi justificado pela graça.
Chegamos ao fim da exposição das doutrinas da graça que Paulo havia iniciado em Romanos 1 com o anúncio do evangelho de Deus e a justificação pela fé somente.
Em Romanos 3, Paulo leva toda a humanidade perante o tribunal de Deus dizendo: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (v. 23).
No capítulo 8 temos uma declaração magnífica da providência de Deus sobre todas as coisas: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (8.28).
Isso introduz a chave de ouro da doutrina da eleição que Paulo expôs com riqueza de detalhes no capítulo 9.
No capítulo 10, Paulo cobriu a grande tarefa missionária da igreja – devemos enviar pessoas a todo o mundo a fim de que o evangelho seja pregado a todos.
Chegamos ao último versículo do capítulo 11. Nesse simples versículo encontramos a síntese e a substância de tudo que a Bíblia revela a respeito do ser e do caráter de Deus: “Porque DELE, e por meio DELE, e para ELE são todas as coisas”. Essas três partículas nos ensinam sobre a natureza de Deus. Por meio delas o apóstolo está dizendo que Deus é a fonte e o dono de tudo o que há. Ele é também a causa última de tudo o que acontece, e tudo o que acontece ocorre pelo exercício de sua soberana vontade. Deus não é apenas um meio para todas as coisas, é também o fim ou propósito de todas as coisas.
1. DELE SÃO TODAS AS COISAS
1. DELE SÃO TODAS AS COISAS
Em grego, a palavra DELE é uma preposição simples que pode ser traduzida tanto no sentido de posse como no sentido de origem. Tudo é de Deus no sentido de ser sua possessão.
1 No princípio, criou Deus os céus e a terra.
1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. 2 Ele estava no princípio com Deus. 3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. 4 A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.
No mesmo capítulo 1, João introduz o Logos, a segunda pessoa da Trindade, como o agente criador do universo: “O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu” (v. 10).
Paulo expande a obra cósmica de Jesus em sua carta aos Colossenses, uma epístola rica em afirmações da dignidade e glória de Cristo:
15 Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; 16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. 17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.
A. A fonte da verdade
A. A fonte da verdade
Vivemos num tempo em que as teorias relativistas têm se tornado amplamente aceitas.
Tudo começou com a influência da filosofia existencial e continuou com o pluralismo e o relativismo.
Francis Schaeffer, nos últimos dias de sua vida, falou sobre a morte da verdade verdadeira. Ele se referia àquela verdade objetiva que tem sido abafada.
Soren Kierkegaard costumava ensinar que a verdade é subjetiva, o que, no século 20, veio a significar que a verdade, como a beleza, está nos olhos do observador. Algo pode ser verdadeiro para você, mas não ser verdadeiro para mim.
ILUSTRAÇÃO
“O senhor acredita em Deus?”, uma jovem me perguntou certa vez. “Sim, acredito”, respondi. “O senhor acha que isso faz sentido?”. Eu disse: “Sim, acho”. “O senhor ora a Deus?”. “Sim.” “Canta hinos de louvor a Deus?” “Canto, sim.” “Isso tem significado para sua existência?”. “Sim.” Ela disse: “Deus é verdadeiro para o senhor, mas não creio em Deus. Eu não oro, não canto louvores a ele. Então, para mim, Deus não existe”.
No século 18, quando os filósofos eram muito mais preocupados com a ciência da epistemologia, isto é, sobre como sabemos alguma coisa, eles lutaram longamente com a pergunta que Pôncio Pilatos fez a Jesus. Durante o julgamento de Cristo, Pilatos lhe perguntou: “Que é a verdade?” (Jo 18.38).
Durante o século 18, John Locke tornou-se famoso por introduzir a teoria da correspondência da verdade, na qual afirma, simplesmente, que a verdade é aquilo que corresponde à realidade. Locke estava muito próximo da definição neotestamentária de verdade como aquilo que descreve o estado real de coisas como algo distinto da fantasia, miragem ou imaginação. Contudo, tão logo Locke acabara de assentar bases para a definição da correspondência da verdade, a geração seguinte de filósofos começou a falar sobre o modo como nossas percepções individuais determinam nossa compreensão da verdade.
A resposta cristã é esta: verdade é o que corresponde à realidade tal como percebida por Deus. Somente Deus tem um conhecimento abrangente de toda a realidade. Deus conhece a realidade em sua plenitude absoluta. Não há qualquer nuance microscópica ou partícula subatômica do universo que a mente de Deus não conheça. E tudo que ele conhece, conhece perfeitamente, eternamente e exaustivamente.
Deus é o padrão de toda verdade, e o que torna a verdade tão sagrada.
Quando estamos dispostos a brincar com a verdade, permitindo que ela seja assassinada nas ruas para mantermos relacionamentos, apunhalamos a própria natureza e o caráter de Deus.
Nada do que possuímos é mais precioso, mais valioso e mais poderoso do que a verdade.
B. A fonte da bondade
B. A fonte da bondade
Deus não é apenas a fonte da verdade, é também a fonte da bondade.
A lei de Deus não é um tipo de legislação arbitrária que ele decidiu impor às suas criaturas; em vez disso, é uma lei que flui de seu próprio ser. Os teólogos fazem distinção entre a justiça interior e a exterior de Deus.
A justiça exterior se refere ao que Deus faz em sua administração do universo. Deus faz o que é certo porque ele é a fonte de toda a justiça, e quando Deus se porta de um modo justo, está simplesmente exteriorizando seu próprio ser, que é totalmente justo. Ele é a fonte e o padrão de tudo que é bom.
C. A fonte da beleza
C. A fonte da beleza
É-nos dito, no Antigo Testamento, para adorarmos o Senhor na beleza da sua santidade (1Cr 16.29). Se você vasculhar cada passagem do Antigo Testamento que se refere à beleza, irá perceber que Deus não é apenas a fonte da verdade e do bem, é também a fonte da beleza.
Tudo que é belo vem dele e aponta de volta para ele. Quando pagãos compõem música e arte magníficas, suas obras apontam para o autor de tudo que é belo, ainda que eles não possuam no coração qualquer afeição a Deus. Não há nada de virtuoso no feio.
Aplicação: Devemos viver com a consciência de que tudo o que temos vem de Deus. Isso inclui nossos talentos, recursos, oportunidades, e até mesmo os desafios que enfrentamos. Ao reconhecermos Deus como a fonte de tudo, somos chamados a uma atitude de gratidão constante. Como estamos usando os dons e recursos que Deus nos deu? Estamos reconhecendo Sua mão em todas as coisas?
2. POR ELE SÃO TODAS AS COISAS
2. POR ELE SÃO TODAS AS COISAS
A próxima preposição é POR: “Porque dele e por meio dele são todas as coisas”.
Se todos cressem nessa frase, o debate entre arminianos e calvinistas seria encerrado para sempre porque essa passagem se refere aos meios pelos quais Deus governa e ordena seu universo. A palavra POR tem a ver com o meio, o instrumento, pelo qual as coisas acontecem.
Paulo está aqui simplesmente reiterando o que ensinou em Romanos 8.28, que Deus em sua providência exerce sua soberania sobre, em, e por meio de todas as coisas.
Todas as coisas vieram a existir por meio da ação soberana do próprio Deus. Precisamos aceitar isso porque a grande alegria do cristão é saber que todas as coisas estão nas mãos de Deus e são usadas por ele para seus propósitos, sejam quais forem os meios que ele use para fazer tudo o que lhe apraz.
Não há acasos no universo governado por Deus. Se Deus existe, a soberania é um atributo essencial de sua própria divindade. Se existisse neste universo uma só molécula independente vagando perdida fora do alcance do soberano controle de Deus, ele não seria soberano; e se não fosse soberano, não seria Deus.
Aplicação: Confiar na providência de Deus nos dá segurança em meio às incertezas da vida. Quando enfrentamos dificuldades, precisamos lembrar que Deus está no controle e que Ele trabalha todas as coisas para o bem daqueles que O amam (Romanos 8:28). Isso nos desafia a viver uma vida de fé e confiança, não permitindo que o medo ou a ansiedade dominem nossos corações.
3. PARA ELE SÃO TODAS AS COISAS
3. PARA ELE SÃO TODAS AS COISAS
A terceira preposição é PARA: “Porque dele e por meio dele, e PARA ele são todas as coisas”. A palavra PARA indica o propósito pelo qual tudo se move. Há algo acontecendo? Qual é o objetivo do universo? Qual o propósito último de toda a História? Numa palavra, a resposta é Deus. Ele é o alfa e o ômega, o princípio e o fim. Ele é a fonte. Tudo se move na História e no universo para cumprir o propósito de Deus.
Vemos muitas coisas que nos fazem perguntar: “Como é que isso pode se encaixar nos propósitos de Deus?”. Vemos muita maldade e corrupção, e dizemos não ser possível que Deus tenha algo a ver com isso, mas oposto a toda maldade está posto um poderoso Deus que ordena todas as coisas para sua glória.
Seu destino foi traçado por Deus desde a fundação do mundo para a glória dele. O destino das nações, a História, os planetas e os corpos celestes em órbita foram criados, projetados e ordenados por Deus para expor a glória dele. Por isso o salmista foi dominado pela admiração ao olhar as estrelas: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos” (Sl 19.1).
Todas as coisas são direcionadas para a realização de Seus propósitos e para a glória de Seu nome.
Aplicação: Nossa vida deve ser direcionada para glorificar a Deus em tudo o que fazemos. Isso significa que nossas decisões, ações, relacionamentos e até nossos pensamentos devem refletir a glória de Deus. Pergunte a si mesmo: Minha vida tem sido um reflexo da glória de Deus? Em minhas escolhas diárias, estou buscando honrar e exaltar o nome de Deus?
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Romanos 11:36 nos chama a uma vida centrada em Deus, reconhecendo que tudo vem d’Ele, é sustentado POR Ele e deve ser vivido PARA Ele.
Nesta passagem, Paulo atribui glória àquele que é a fonte, o realizador e o alvo da salvação do homem.
A aplicação prática dessa verdade é viver cada dia com um coração grato, confiando em Sua providência e buscando O glorificar em todas as áreas da nossa vida.
APELO
APELO
Aceita o desafio de aplicar essa verdade em algum aspecto específico da sua vida?
Em seu trabalho;
Em seus relacionamentos;
Em uma área onde você sente que precisa confiar mais em Deus.
Que sua vida seja um testemunho vivo da soberania e glória de Deus!
REFERÊNCIAS
HENDRILSEN, William. Romanos. Org. Cláudio Antônio Batista Marra. Trad. Valter Graciano Martins. Comentário do Novo Testamento, 2ª edição. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2011. p. 496
LOPES, Hernandes Dias. Romanos: O Evangelho Segundo Paulo, Comentários Expositivos Hagnos. 1ª edição. São Paulo: Hagnos, 2010. p. 393.
NICHOL, Francis D.. Org., The Seventh-day Adventist Bible Commentary. Hagerstown, Maryland: Review and Herald Publishing Association, 1980. VI, 614
SPROUL, R. C.. Estudos Bíblicos Expositivos em Romanos. Trad. Heloisa Cavallari, Márcio Santana Sobrinho, e Mary Lane, Estudos Bíblicos Expositivos, 1ª edição. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2011, p. 367.
