A solidão de um mundo personalizado
A fé na era digital • Sermon • Submitted • Presented
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Leitura: Romanos 12
Corpo como sacrifício vivo: o que isso significa?
Perceba o verso 3: Romanos 12.3
Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.
O que as redes sociais fazem conosco, se não guardarmos os devidos cuidados, a não ser nos fazer pensar de nós além do que convém?
É muito difícil não se amoldar a um mundo que faz de tudo pra nos agradar.
A internet e seus algoritmos são feitos para você, nas suas preferências pessoais.
Se essa série não te fizer mudar de postura com relação as redes, que pelo menos ela te faça enxergá-la como ela é, sem ingenuidades.
Toda vez que você abre o seu celular, tudo é mostrado de acordo com a sua vontade.
Tudo é calibrado para mostrar suas preferências, seus interesses, seus estímulos, suas necessidades e até mesmo seus sonhos mais profundos.
Tudo o que você faz na internet deixa rastros, resquícios da sua personalidade.
E isso parece ser ótimo, mas apresenta alguns perigos: o isolamento da personalização.
Acontece que quando seus olhos começam a contemplar a beleza daquilo que você anseia em seu coração de coisas que se podem ver, você perde vista aquelas coisas que não podem ser vistas, das quais nossa fé se baseia.
não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.
Sendo assim, como agora sua vida se baseia naquilo que você pode comprar, você se torna insaciável.
Provérbios 27.20 (ARA)
O inferno e o abismo nunca se fartam, e os olhos do homem nunca se satisfazem.
Voltar nossos olhos e nosso coração para o que não se vê é o que chamamos de contracultural.
Enquanto acharmos que nossos celulares, a internet e o progresso tecnológico estão nos tornando pessoas melhores, mais engajadas e antenadas nas últimas do momento, mais difícil será perceber o quanto estamos na verdade ansiosos, superficiais, angustiados e vivendo sonhos tão estúpidos quanto sermos todos youtubers para influenciarmos pessoas através de uma câmera e não da imitação, como Cristo foi e Paulo insistiu para que o víssemos.
Por falta de referências com quem andar, sentar à mesa e desfrutar de tempo de profundidade e amizade verdadeira, hoje o maior medo da juventude (é também o meu e eu não sou nem tão jovem assim) é a solidão.
Pense bem porque você está sempre com a Tv ligada, mesmo quando faz outras atividades; ou o motivo pelo qual você não desliga o rádio. Qual a última vez em que você ficou bem um tempo sozinho?
Nós passamos a abominar o silêncio, pois ele nos fará perceber no que nos tornamos e o que precisa mudar.
O silêncio é um campo fértil para a consciência pesada.
Faça uma conta: note quantas vezes por dia você checa seu celular? Quantas vezes você olha para a tela do aparelho telefônico e quantas vezes você olha nos olhos do seu esposo, filhos, amigos…?
Sendo a tela manipulável e as pessoas não, você sente mais prazer quando contempla o que?
Consigo ver ambos deitados na cama, cada um com seu smartphone, cada um compenetrado em sua solidão personalizada enquanto as conversas banais que sustentam uma boa amizade vão sendo deixadas para um depois que nunca acontece.
Me diga se essa afirmação de Paulo se encaixa em tudo o que você investe seu tempo todos os dias:
Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.
Analisemos outro texto que me parece condizer muito com esse tema:
Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu.
O pecado é agradável aos olhos.
Tanto que a metáfora usada por Jesus para arrancar o pecado de nós, inclui os olhos:
Mateus 5.29 (ARA)
Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno.
Inferno: “Geena” ou “Geena de fogo” traduz-se como inferno, isto é, o lugar da punição futura. Designava, originalmente, o vale do Hinom, ao sul de Jerusalém, onde o lixo e os animais mortos da cidade eram jogados e queimados. É um símbolo apropriado para descrever o perverso e sua destruição futura. [James Strong, Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong (Sociedade Bíblica do Brasil, 2002).]
O autor Marcos Melo nos lembra em seu livro do pecado de Davi, cativado por seus olhos ociosos em cima de seu terraço, quando ele deveria ter ido à guerra. Marcos afirma que hoje “nosso terraço é virtual” (A fé na era digital, pg. 52)
Em uma pesquisa com 8 mil leitores do desiringGod.org, mais da metade de vocês (54%) admitiram checar seu smartphone nos primeiros minutos após acordar em uma manhã típica.
Quando perguntados se estão mais propensos a checar e-mails e redes sociais antes ou após suas disciplinas espirituais em uma manhã típica, 73% de vocês respondeu que antes.
Nem sempre isso significa que somos rápidos em relação às redes e tardios em relação a Deus, há exceções, mas eu não conheço muitas pessoas que estejam nessa categoria.
John Piper, elenca 6 motivos pelos quais nós temos mais disposição para checar o telefone pela manhã do que nos dedicarmos às disciplinas espirituais (Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=36FnPlsExXU)
John Piper, elenca 6 motivos pelos quais nós temos mais disposição para checar o telefone pela manhã do que nos dedicarmos às disciplinas espirituais (Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=36FnPlsExXU)
Razão 1: O doce da novidade
Razão 1: O doce da novidade
Nós simplesmente adoramos saber o que há de novo no mundo e entre nossos amigos. O que aconteceu desde a última vez que demos uma olhada no mundo? A maioria de nós gosta de ser o primeiro a saber de algo e, assim, não precisamos assumir a postura humilde de ouvir algo que as pessoas inteligentes, experientes e antenadas já sabem.
Então, talvez possamos assumir o papel de informantes, em vez de sermos as pessoas pobres e incautas que precisam ser informadas sobre o que aconteceu e que, se fossem inteligentes o suficiente, teriam acessado suas mídias sociais mais cedo.
Razão 2: O doce do ego
Razão 2: O doce do ego
O que as pessoas comentaram a nosso respeito desde a última vez que checamos? Quem prestou atenção em nós? Quem nos retuitou? Quem nos mencionou, nos curtiu ou nos seguiu? Em nossa condição caída e pecaminosa há um prazer desordenado para que o ego humano seja atendido. Alguns de nós somos fracos o suficiente, machucados o suficiente, frágeis o suficiente, inseguros o suficiente, para que qualquer pouca menção a nós seja prazerosa. É como se alguém tivesse nos dado um beijo.
Razão 3: O doce do entretenimento
Razão 3: O doce do entretenimento
Na internet, há um fluxo sem fim de imagens, citações, vídeos, histórias e links que são fascinantes, estranhos, maravilhosos, chocantes, encantadores e fofos. Muitos de nós agora somos quase que viciados na necessidade de algo impressionante, bizarro, extraordinário e incrível.
Então, pelo menos um desses três motivos doces estão operando em nós quando acordamos de manhã e temos esses desejos que buscamos satisfazer com nossos celulares.
Então há três motivos de fuga. Em outras palavras, esses não são desejos positivos por algo; são coisas na vida que simplesmente queremos evitar, nem que seja por cinco minutos no nosso dia.
Razão 4: A fuga do tédio
Razão 4: A fuga do tédio
Acordamos de manhã e o dia a nossa frente parece entediante. Não há nada de animado programado em nosso dia e pouco incentivo para sair da cama. E é claro, nossa alma humana odeia um vácuo. Se não há nada significante, positivo e esperançoso na nossa frente para preencher o espaço vazio em forma de esperança em nossas almas, então usaremos nossos celulares para escaparmos do tédio.
Razão 5: A fuga da responsabilidade
Razão 5: A fuga da responsabilidade
Cada um de nós tem um papel: pai, mãe, chefe, empregado, o que seja. Existem fardos pesados que estão vindo em nossa direção diariamente. A bola para em nós. Decisões precisam ser feitas a respeito de nossos filhos, casa, carro, finanças e mais uma dúzia de outras coisas.
A vida é cheia de responsabilidades importantes, nos sentimos inadequados para elas e estamos lá deitados na cama nos sentindo temerosos—talvez até mesmo ressentidos—de que as pessoas coloquem muita pressão sobre nós. Não estamos atraídos por esse dia e preferimos evitá-lo por mais cinco ou dez minutos. E lá está o celular para nos ajudar a adiar essas responsabilidades em nosso dia.
Razão 6: A fuga das dificuldades
Razão 6: A fuga das dificuldades
Você pode estar em uma temporada da vida na qual o que você encontra quando sai da cama não é apenas tédio, nem apenas responsabilidades, mas um mega conflito relacional, ou problemas de saúde ou problemas de casa, amigos que estão contra você, ou dor em seu próprio corpo, em suas juntas, e você mal consegue sair da cama porque dói tanto de manhã e é mais fácil permanecer deitado por mais um pouco de tempo. E o celular contribui para tal fuga.
Diante disso, o que faremos?
Diante disso, o que faremos?
O Salmo 5 pode nos ajudar.
Antes de você ir para a cama hoje, faça algumas escolhas e alguns planos para se libertar dos vícios que têm arruinado o potencial de seu fortalecimento espiritual pelas manhãs.
