Salmo 127 | Confiando no Senhor da Providência

André Luiz Bispo dos Santos
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Introdução:

Pré: Graça e Paz, amados irmãos. É um privilégio estar com vocês para que possamos meditar em mais uma porção da Palavra de Deus. Por gentileza, abra sua Bíblia no Salmo 127.
Leitura do Texto Bíblico - Salmo 127 “ (1) Cântico de romagem. De Salomão Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. (2) Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem. (3) Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. (4) Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. (5) Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta.”
Pós:
E agora, José? | A festa acabou, | a luz apagou, | o povo sumiu, | a noite esfriou, | e agora, José? | e agora, você? | você que é sem nome, | que zomba dos outros, | você que faz versos, | que ama, protesta? | e agora, José? |
Esse é um dos poemas mais conhecidos de Carlos Drummond de Andrade e explora o vazio existencial, as preocupações sobre o sentido da vida e a frustração diante das questões do cotidiano. José, o protagonista, sente-se perdido e sem saída diante das preocupações da vida. Muitos são como José, perdem o sono por preocupações da vida, demonstrando, muitas vezes, um coração inquieto, um coração que foi invadido pelas ansiedades desta vida e fechou os olhos para o cuidado e providência do Senhor.
E parece que essa não é uma marca de José simplesmente, ou dos nossos dias de forma geral. O Salmo 127 já nos demonstra a futilidade de uma vida entregue às preocupações e nos ensina que:
FCD - Precisamos aprender a confiar na providência do Senhor.

Contexto:

Os salmos de romagem (Sl 120-134), ou Cânticos de Subida ou até mesmo “Cânticos dos Peregrinos”, são estes 15 salmos, do 120 ao 134, agrupados no quinto livro do Saltério. Este grupo é composto por salmos que serviam como canções para a jornada dos peregrinos até jerusalém, há diversas hipóteses sobre o uso destes salmos, podemos encontrar na literatura algo como “Cânticos usados para a subida dos degraus do templo”, outros dizem que eram “canções com os tons mais altos para alcançar” e outros, argumentam que eram simplesmente as canções que os peregrinos entoavam enquanto saiam de suas cidades para a adoração em Jerusalém.
Ora, aconteciam 3 grandes festas no calendário judaico, e os judeus deveriam comparecer obrigatoriamente a pelo menos uma delas. Então, seja qual for a questão do uso destes salmos, o ponto é que eles eram entoados durante esse processo.
Assim, os “Salmos de Romagem” acabam tendo um “contexto duplo”, primeiro o contexto específico do autor que o escreveu, quando o Salmo era assinado de fato, visto que muitos eram anônimos, e o contexto em que foi inserido para seu uso, como é o caso do Salmo 127.
De maneira geral, Palmer Robertson nos apresenta uma possível estrutura para compreensão dos Salmos de Romagem, mostrando que foram organizados, provavelmente por Esdras, como uma pirâmide poética, que tem como ápice, o salmo 127, atribuído, em seu título, ao Rei Salomão, servindo como o clímax dessa coletânea.
O Salmo 127 separa duas héptades, sete salmos de cada lado, neste grupo de 15 Salmos estão dois salmos “de Davi” e cinco salmos anônimos, de cada lado do salmo 127, contendo também 24 repetições do Tetragrama YHWH, Adonai, o nome da aliança do Deus de Israel.
E isso não me parece meramente acaso ou curiosidade no equilíbrio de autores e palavras dos Salmos de Romagem, porque o Salmo 127 contém as principais ênfases da aliança davídica, incluindo a benção do Senhor, e a edificação da “casa” em termos tanto da construção do templo quanto da perpetuação da linhagem davídica.
Esse é, então, o contexto geral do Salmo 127, mas de maneira específica, o cenário mais provável é o pós-exílico, quando os judeus retornaram dos 70 anos de cativeiro na Babilônia. E o Templo (a “Casa do Senhor”) estava destruída, também as casas comuns precisavam ser reedificadas e toda a vida em sociedade precisava ser reiniciada, reestruturada e restabelecida.
Provavelmente lembrando disso, os peregrinos cantavam na sua peregrinação para Jerusalém. E nós assim como eles:
FCD - Precisamos aprender a confiar na providência do Senhor.
Declaração do Tema - CONFIANDO NO SENHOR DA PROVIDÊNCIA (SALMO 127)
Proposição: COMO PODEMOS CONFIAR NO SENHOR DA PROVIDÊNCIA?

RECONHECENDO A NOSSA LIMITAÇÃO - vv. 1-2

SE O SENHOR NÃO EDIFICAR A CASA, EM VÃO TRABALHAM OS QUE A EDIFICAM; SE O SENHOR NÃO GUARDAR A CIDADE, EM VÃO VIGIA A SENTINELA (1) - Salomão lança duas partículas condicionais aqui, duas hipóteses, um convite meditativo para que quem ouvisse pensasse basicamente o seguinte: por mais que os homens façam esforços e tentem controlar suas próprias vidas, todas essas ações e tentativas estão submetidas à vontade e ao plano divino. Deus é soberano, e os esforços humanos, em última instância, se curvam diante dessa soberania, pois nada escapa ao controle de Deus.
E como Salomão apresenta essa verdade? Ilustrando, desenhando, esse entendimento na prática:
A primeira imagem é a de uma casa. Há quem diga que Salomão registrou essa imagem estava vivenciando a construção do Templo, a Casa de Deus, pode ser que se refira também às casas comuns do reino de Israel, ou mesmo da construção da sua própria casa, conforme registrado em 2Crônicas 2. Seja qual for a casa, a ideia é a mesma: não adianta o esforço pelo esforço, não serve a casa pela casa, sem o cuidado de Deus por seu povo, sem a providência do Senhor, o prédio pode até ficar de pé, mas não atinge o propósito para o qual foi criado, não transmite alegria, não promove a paz, sem Deus, esse trabalho é vão.
Aliás, o próprio João Calvino, comentando este Salmo afirma que a palavra casa, certamente não se refere somente ao edifício, mas a todo o governo de uma família, de toda a comunidade.
E nós conhecemos alguns exemplos assim, pessoas que conquistaram bens, riquezas, palácios neste mundo, e mesmo assim são vazias, pessoas que ainda assim não encontram paz. Nada que edifiquemos ou façamos pode saciar e preencher, nada criado pode trazer de fato satisfação para o nosso coração.
E isso nos conduz a segunda imagem: uma cidade sendo vigiada. Podemos imaginar o período de Neemias, de reconstrução, os sentinelas e trabalhadores se misturavam, todos com pás e espadas em suas mãos, trabalhando e vigiando.
Em vão vigia a sentinela, se não for o Senhor a guardar a cidade. Com todo o respeito, não estamos seguros por causa dos porteiros, não dormimos em tranquilidade por causa das fechaduras, não descansamos por causa das cercas e grades. Em última instância, o melhor sistema de defesa é fraco, se não for o Senhor o que guarda a cidade ou a casa.
Se não estiver amparado no cuidado do Senhor, todo o esforço do homem é vazio, como afirma o verso 2:
INÚTIL VOS SERÁ LEVANTAR DE MADRUGADA, REPOUSAR TARDE, COMER O PÃO QUE PENOSAMENTE GRANJEASTES; AOS SEUS AMADOS ELE O DÁ ENQUANTO DORMEM (2) - Salomão não está incentivando alguma espécie de marasmo ou languidez, não há espaço para uma teologia da preguiça aqui, mesmo que seja o Senhor a fonte de todo o sustento, bem e cuidado, ainda é preciso trabalhar e “granjear”, buscar “o pão de dores”, como aponta o Salmo.
Mas o que estão em questão aqui é: não é pelo muito desgaste e completa dedicação ao trabalho que receberemos mais ou menos benefícios da parte do Senhor. Se você tem o hábito de acordar cedo e se dedicar ao trabalho, tudo bem, desde que, como comentou Charles Spurgeon: Sejamos diligentes, mas não ansiosos, precisamos reconhecer em oração que é Deus quem nos dá a benção do trabalho, sem ele, todo o trabalho é penoso e regado por lágrimas, mas diante dele, há proveito no trabalho.
É preciso atentarmos para como se encerra o verso 2: Deus nos dará o sono, ele mesmo nos alcança e abençoa, até mesmo enquanto dormimos. Como explicou, João Calvino: “a palavra sono não deve ser entendida como que implicando indolência, e sim um labor plácido, ao qual os verdadeiros crentes se submetem pela obediência da fé”. É descansar, não estagnar, é repousar no cuidado de Deus, não viver numa busca incessante por dinheiro e sustento como se fosse pela força do braço, sabendo que Salmo 121.4 “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel.”
TEOLOGIA BÍBLICA (Eclesiastes 2.22-26) - Como já disse o próprio Salomão em Eclesiastes 2.22-26: “Pois que tem o homem de todo o seu trabalho e da fadiga do seu coração, em que ele anda trabalhando debaixo do sol? Porque todos os seus dias são dores, e o seu trabalho, desgosto; até de noite não descansa o seu coração; também isto é vaidade. Nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto, vi também que isto vem da mão de Deus, pois, separado deste, quem pode comer ou quem pode alegrar-se? Porque Deus dá sabedoria, conhecimento e prazer ao homem que lhe agrada; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte e amontoe, a fim de dar àquele que agrada a Deus. Também isto é vaidade e correr atrás do vento.” Se não for pelo Senhor, todo o esforço e trabalho não passam de vaidade.
Ilustração: Temos um exemplo claro dessa verdade olhando para Gênesis 11, para a Torre de Babel, ali estavam reunidos os homens com toda a sua tecnologia, com muito esforço e vontade de edificar uma torre que fosse vista por muitos quilômetros de distância, mas em vão trabalharam e edificaram, pois foi contra o Senhor aquele empenho, foi contra o Senhor aquela edificação.
Resumo: Por isso somos chamados a confiar no Senhor da Providência, reconhecendo nossas limitações.
Aplicação: Por causa do nosso pecado somos tentados a viver numa cadeia cíclica de inquietações. Os temores e as lutas podem nos agitar, o pecado faz isso, alcança até mesmo o sono, mas há um caminho gracioso em Deus, um caminho que prevalece no meio das trevas, um caminho que acalenta seus filhos como que pelo sono. Por isso somos chamados a reconhecer e descansar no cuidado do Senhor sobre nós.
Declaração do Tema - CONFIANDO NO SENHOR DA PROVIDÊNCIA (SALMO 127)
Proposição: COMO PODEMOS CONFIAR NO SENHOR DA PROVIDÊNCIA?
1. RECONHECENDO A NOSSA LIMITAÇÃO - vv. 1-2

RECONHECENDO A SUA PRESERVAÇÃO - vv. 3-5

HERANÇA DO SENHOR SÃO OS FILHOS; O FRUTO DO VENTRE, SEU GALARDÃO (3), COMO FLECHAS NA MÃO DO GUERREIRO, ASSIM OS FILHOS DA MOCIDADE (4) - Depois de reconhecer nossas limitações, resta perceber a maravilhosa preservação do Senhor, manifesta nos versos finais deste Salmo.
Mas, como relacionar filhos e flechas com preservação? Stephen Yuille argumenta que para o contexto da época os filhos eram uma medida de riqueza, força, segura e estabilidade temporais.
Ora, os pais em Israel não tinham abrigo para idosos, planos de saúde, INSS, Bitcoins ou qualquer tipo de previdência privada, e a situação se tornava ainda mais dramática quando restava no lar uma viúva, os filhos eram o caminho padrão para uma preservação duradoura ao longo dos anos. Por isso os filhos são como herança, são galardão da parte de Deus.
Filhos são como flechas, ter flechas é ter chance de se defender em média e longa distância, é ir mais adiante, é chegar mais longe, figuras de preservação. E sobre essa figura, comenta João Calvino: aqueles que são destituídos de filhos são, de certa maneira, desarmados; pois, o que é viver sem filhos, senão ser uma pessoa solitária? Ter posteridade é ser renovado, não é um dom insignificante que outorga a um homem; pois Deus lhe imprime nova força, para que ele, que, de outro modo, definharia, comece, por assim dizer, a viver segunda vez.
Por isso:
FELIZ O HOMEM QUE ENCHE DELES A SUA ALJAVA; NÃO SERÁ ENVERGONHADO, QUANDO PLEITEAR COM OS INIMIGOS À PORTA (5) - É comum ouvir este verso como encorajamento para que os casais tenham filhos, e é claro que essa interpretação tem seu espaço, mas talvez não seja a interpretação central deste verso. Até porque, olhando para o escopo de todo o Salmo, assim como a casa, assim como a cidade, assim como o trabalho e o alimento, também os filhos estão nas mãos de Deus.
Feliz é o homem que enche deles a sua aljava! Uma leitura apressada transmite a ideia de: “preciso me empenhar para gerar o máximo de filhos que eu puder”, e mesmo olhando para o hebraico o verbo “milé”/“encher”, parece ser essa a ideia, uma ação ativa desenvolvida pelo homem. Mas, olhando para todo o contexto do Salmo, a construção mais provável para a frase é que é Deus quem faz estar cheia a aljava de filhos. Assim, um bom entendimento é apresentado pela Tradução King James 1611 - Feliz é o homem que tem sua aljava cheia deles.
Ter filhos garantia até mesmo a preservação diante dos inimigos à porta. A figura aqui apresentada é a de um tribunal, naqueles dias os pleitos eram resolvidos público, e os juízes ouviriam os testemunhos acerca dos acusados. Assim, era muito mais desejável estar acompanhado de 5 filhos dando bom testemunho de um pai, do que alguém sem filhos. Mas, até mesmo diante de perigos físicos, um pai avançado em idade certamente é feliz por receber o cuidado e proteção dos seus filhos, instruídos e educados ao longo da vida.
Mas, de onde vem os filhos? Sim, todo o processo de procriação e reprodução é um milagre, mesmo que tenha nossa participação, mas é nítido como a gestação, a formação e crescimento dos filhos não é fruto de qualquer trabalho ou mérito humano. É Deus quem forma, gera e cria, é Deus quem dá a vida e sustenta toda concepção, gestação e parto.
Como disse Eugene Peterson: Não fomos nós que criamos essas criaturas maravilhosas que andam, falam e crescem entre nós. Participamos de um ato de amor que nos foi provido na estrutura da criação de Deus. . . . mas não são os peregrinos que estão no centro; o próprio Senhor está no centro.
Não importa o quanto se esforçaram para chegar lá, não é sobre suas capacidades de educar, não o quão heroico você foi enquanto pai. Não era isso que cantavam os peregrinos em Israel, não é isso que devemos cantar em nossas igrejas. Nossos esforços são periféricos, no centro está a adoração ao Senhor.
TEOLOGIA BÍBLICA (SALOMÃO) - Aliás, o renomado Palmer Robertson argumenta que: Esse salmo fala da “casa” que o Senhor constrói, da “cidade” que o Senhor guarda e dos “filhos” que são herança do Senhor. Não é por acaso que este é o ápice dos 15 salmos de romagem, os termos principais desse salmo devem ser interpretados “pelo interesse da coletânea”.
Afinal, mesmo que Salomão, cheio de sabedoria tenha escrito um Salmo tão precioso, não o aplicou de forma prática em boa parte de sua vida. Allan Harman, sobre isso afirma: “ele falhou nas mesmas coisas que o salmo enfatiza”. E por que ele diz isso? Porque 1Reis 9.10-19 mostra como seu programa de edificações não foi tão sábio assim, 1Reis 11 mostra como eu reino não permaneceu unido e bem estruturado por muito tempo e como seus casamentos e família, em certa medida, desprezavam o Deus de Israel.
Assim, a “casa” a que esse salmo se refere, provavelmente também representa a Igreja, a casa do Senhor. A “cidade” desse salmo não é simplesmente qualquer cidade que qualquer pessoa pode construir, mas “A Cidade de Deus”. Da mesma forma, os “filhos” que são herança do Senhor são, em primeiro lugar, os “filhos de Davi”, compreendidos à luz do Novo Testamento como todos aqueles que foram feitos parte desta grande família. É o Senhor, e somente o Senhor o único responsável pelo sucesso da casas, cidades e filhos. Se o Senhor optar por não guardar a cidade, como no caso do exílio de Israel, todos os armamentos do mundo são em vão.
Ilustração: Spurgeon de maneira muito breve conta a história do Rev. Moisés Browne, um homem de fé que teve doze filhos. Que em meio às muitas dificuldades para criar e sustentar tantos dependentes foi indagado por alguém que lhe disse: “O senhor tem tantos filhos quanto Jacó, é difícil?”. Ele respondeu: “Sim, é. Mas tenho também o Deus de Jacó para prover o que eles precisam”.
Resumo: Por isso somos chamados a confiar no Senhor da Providência, reconhecendo nossas limitações, mas reconhecendo também a preservação do Senhor sobre nós.
Aplicação: Para quê temos criado e instruído nossos filhos? Sei que naturalmente desejamos o melhor para os nossos, queremos que estudem, se capacitem, voem mais alto que os próprios pais, nos empenhamos para colocá-los em boas escolas e buscamos fornecê-los boas influências, mas, mesmo que todos estes sonhos e desejos sejam lícitos, nada é mais valioso que saber que suas flechas acertaram o alvo e servem ao Senhor. Muito mais importante que a carreira e o sucesso do seu filho, é o destino da alma dele, por isso, priorize o Evangelho dentro de casa, ensine-os a confiar e depender do Senhor da Providência.

MAS, E AGORA? QUAIS LIÇÕES DEVO LEVAR PARA MINHA VIDA A PARTIR DESTE SALMO?

A PREOCUPAÇÃO EXCESSIVA NÃO É UM PECADO ACEITÁVEL: Não há nada errado em sentir medo, em preocupar-se com questões importantes, muitas vezes o medo nos limita e faz ter cautela, as preocupações nos mostram a importância de certas coisas para nós. Mas, há um limiar muito estreito e facilmente rompido em que esses medos e preocupações se tornam pecaminosos.
Quando perdemos o sono, quando não conseguimos repousar em Deus, revelamos um coração tomado por um ídolo, um coração que atribuiu um valor supremo a um objeto de preocupação, e agora, esse objeto controla nossa mente e coração.
Queridos, o pecado faz isso desde o Éden. Idolatria não é um fruto da pós-modernidade, idolatria é uma questão do coração, e a solução para este problema é o próprio Deus quem providencia, não é uma questão de faça ou não faça, não é uma mera mudança de hábitos e comportamentos, é uma pessoa, é o próprio Deus encarnado.
O próprio Cristo que veio até nós e declarou “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?” (Mateus 6.26)
Em vez de sermos autossuficientes, precisamos olhar para Cristo e depender de Deus. Não mascare seus pecados com roupagem de sonhos: um trabalho, uma casa, um filho, uma família pode se tornar em um ídolo, e sem Deus tudo isso é inútil, sem valor, é vão.
Por isso, olhe para o Cristo que constrói a casa, o Cristo que edifica a Igreja, o Cristo que aumenta e zela pela família, o Cristo que mediante a cruz nos torna irmãos.
NOSSAS VIDAS, FAMÍLIAS E IGREJAS SÃO ALVO DA PROVIDÊNCIA DO SENHOR: Sim, talvez você tenha tido filhos bem cedo, e provavelmente você ouviu algo como “que loucura, nem aproveitou a vida”, “nem aproveitou o casamento”, “nem tem estrutura pra sustentar a casa e agora inventou um filho”… Em nossos dias parece que os filhos são mais um peso que um galardão, mas eu quero te lembrar, independente das eras, independente do zeitgeist, filhos e família são fruto da bondade do Senhor.
Mesmo que a lógica secular seja: “quanto melhor for a estrutura financeira de um homem, mais apto para procriação e sustento de uma casa”, a lógica da Escritura é: “serão pais aqueles a quem Deus conceder esse privilégio”. E eu sei, há irmãos que gostariam muito de ter filhos mas o Senhor ainda não concedeu essa bênção, mas eu quero te lembrar: não há ninguém mais interessado em nossas vidas, famílias e Igrejas do que o próprio Senhor.
Ninguém cuida melhor da casa, ninguém guarda melhor a cidade e a vida, ninguém zela mais pela família, pela Igreja que o nosso Deus. Tire da sua cabeça a ideia de que você tem os melhores métodos, fórmulas, preparo e capacitações. Pelos nossos esforços temos certo apenas o fracasso, mas em Deus há benção sobre nossos lares e igrejas.

Conclusão

Sozinho no escuro | qual bicho do mato, | sem teogonia, | sem parede nua | para se encostar, | sem cavalo preto | que fuja a galope, | você marcha, José! | José, para onde?
Assim se encerra o poema de Drummond. José permanece em agonia, inquieto, desamparado, sozinho e sem família. Mas este não é o final daqueles que confiam no Senhor da Providência. Sim, somos limitados como José, reconhecemos nossas incapacidades e limitações, mas reconhecemos também a preservação e a providência de Deus, em Cristo, sobre nós. Por isso nos alegramos, por isso caminhamos, por isso prosseguimos!
Vamos orar?
Tesouros de Davi: https://www.biblebb.com/files/SPURGEON/TOD/chstp127.htm
Exegese - https://web.archive.org/web/20200709200942/https://faculty.gordon.edu/hu/bi/ted_hildebrandt/otesources/19-psalms/text/books/dahlberg-ps127/dahlberg-ps127.pdf
Sermão: https://www.gracetoday.net/podcast/2022/7/28/how-to-provide-and-protect-your-family-psalm-1271-5
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