O ATAQUE DO INIMIGO DE DENTRO DA IGREJA
7 IGREJAS DA ÁSIA • Sermon • Submitted • Presented
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A mais extensa carta é dirigida à menos importante das sete cidades, diz John Stott. Tiatira não era nenhum centro político ou religioso, sua importância era comercial. William Barclay diz que a importância de Tiatira era sua posição geográfica, pois ficava no caminho por onde viajava o correio imperial. Por este caminho se transportava todo o intercâmbio comercial entre Europa e Ásia.
Tiatira (atual Akhisar) era uma cidade fortificada, localizada a aproximadamente 65 quilômetros ao sudeste de Pérgamo num amplo vale que leva ao rio Hermo. A cidade ficava próxima à fronteira das províncias de Mísia e de Lídia, e ambas a reivindicavam como sua.
Tiatira era um centro comercial controlado por grêmios, ou seja, sindicatos comerciais. Esses grêmios adoravam os deuses pagãos Apolo e Ártemis (também conhecida como Tirimânios) e eles praticavam seu culto no altar de Sabata. Os membros dos grêmios eram obrigados a participar das festas em honra desses deuses, a comer nos seus templos e a praticar promiscuidade sexual. Quem não cumpria essas regras era expulso dos sindicatos, perdia seu emprego e era condenado à pobreza. Os cristãos que se recusavam a honrar os deuses pagãos, a comer carne sacrificada aos ídolos e a praticar a imoralidade sexual arriscavam sua existência material. Eram considerados párias pela sociedade.
Tiatira era sede de vários importantes grêmios de comércio (lã, couro, linho, bronze, tintureiros, alfaiates, vendedores de púrpura). Uma dessas corporações vendia vestimentas de púrpura e é provável que Lídia fosse uma representante dessa corporação em Filipos (At 16:14). Estes grêmios tinham fins tanto de mútua proteção e benefício como social e recreativo.
Seria quase impossível ser comerciante em Tiatira sem fazer parte desses grêmios. Não participar era uma espécie de suicídio comercial. Era perder as esperanças de prosperidade.
Cada grêmio tinha sua divindade tutelar. Nessas reuniões havia banquetes com comida sacrificada aos ídolos e acabavam depois em festas cheias de licenciosidade. William Barclay diz que esse era o problema de Tiatira: não havia perseguição; o perigo estava dentro da igreja.
O que os cristãos deviam fazer nessas circunstâncias: transigir ou progredir? Manter a consciência pura ou entrar no esquema para não perder dinheiro? Ser santo ou ser esperto? Qual é a posição do cristão: se sai do grêmio perde sua posição, reputação e lucro financeiro. Se permanece nessas festas nega a Jesus. Nessa situação Jezabel fingiu saber a solução. Disse ela: para vencer a Satanás é preciso conhecer as cousas profundas de Satanás. O ensino de Jezabel enfatizava que não se pode vencer o pecado sem conhecer profundamente o pecado pela experiência.
É dentro dessa cultura que está a igreja de Tiatira. Era uma igreja forte, crescente. Aos olhos de qualquer observador parecia ser uma igreja vibrante, amorosa, cheia de muitas pessoas. Porém, Jesus observa essa igreja de uma maneira diferente:
Uma igreja dinâmica sob a apreciação de Jesus (Ap 2:18–19)
Uma igreja dinâmica sob a apreciação de Jesus (Ap 2:18–19)
Em primeiro lugar, Jesus se apresenta como aquele que conhece profundamente a igreja (2:18,23). Ele não apenas está no meio dos candeeiros (Ap 1:13), Ele também anda no meio dos candeeiros (2:1). Ele conhece as obras da igreja (2:19), as tribulações da igreja (2:9), bem como o lugar onde a igreja está (2:13). Seus olhos são como chama de fogo (2:18). Ele vê tudo, conhece tudo e sonda a todos. Nada escapa ao Seu conhecimento. Ele conhece as obras (2:19) e também as intenções (2:23). Cristo apresenta-se assim, porque muitas práticas vis estavam sendo toleradas secretamente dentro da igreja. Mas ninguém pode esconder-se do olhar penetrante e onisciente de Jesus. Pedro não pôde apagar da sua memória o olhar penetrante de Jesus. Ele esquadrinha o coração e os pensamentos. No dia do juízo Ele vai julgar o segredo do coração dos homens.
Em segundo lugar, Jesus se apresenta como aquele que distingue dentro da igreja as pessoas fiéis e as infiéis (2:24). Numa mesma comunidade havia três grupos: os que eram fiéis (2:24), os que estavam tolerando o pecado (2:20) e os que estavam vivendo no pecado (2:20–22). A igreja está bem, está em perigo e está mal. E Jesus sabe distinguir uns dos outros. Numa mesma igreja há gente salva e gente perdida. Há joio e trigo.
Em terceiro lugar, Jesus se apresenta como aquele que reconhece e elogia as marcas positivas da igreja (2:19). A igreja era operosa. Havia trabalho, labor, agenda cheia. A igreja era marcada por amor. Ela possuía a maior das virtudes, o amor. O que faltava em Éfeso havia em Tiatira. A igreja era marcada por fé. Havia confiança em Deus. A igreja era marcada pela perseverança ou paciência triunfadora. Ela passava pelas provas com firmeza. Finalmente, a igreja estava em franco progresso espiritual. Suas últimas obras eram mais numerosas que as primeiras. Essas marcas eram do remanescente fiel e não da totalidade dos membros. John Stott comentando sobre os predicados espirituais da igreja de Tiatira diz: “Tiatira não apenas rivalizava com Éfeso nas atividades do serviço cristão, como também demonstrou o amor que faltava em Éfeso, preservou a fé, que estava em perigo em Pérgamo, e compartilhava com Esmirna a virtude da resistência paciente na tribulação”.
Uma igreja tolerante ao pecado sob a reprovação de Jesus (Ap 2:20)
Uma igreja tolerante ao pecado sob a reprovação de Jesus (Ap 2:20)
1. Destacamos em primeiro lugar, que antes de Jesus reprovar a falsa profetisa, ele reprova a igreja (2:20). A igreja de Tiatira estava crescendo (2:19), por isso, Satanás procura corromper o seu interior, em vez de atacá-la de fora para dentro. Jesus reprova a igreja por ser tolerante com o falso ensino e com a falsa moralidade. Enquanto Éfeso não podia suportar os homens maus e os falsos ensinos, Tiatira tolerava uma falsa profetisa, chamada Jezabel. Essa falsa profetisa estava exercendo uma influência tão nefasta na igreja como Jezabel havia exercido em Israel. O nome Jezabel significa puro, mas sua vida e conduta negavam o seu nome. Foi Jezabel quem introduziu em Israel o culto pagão a Baal e misturou religião com prostituição. Ela não só perseguiu os profetas de Deus, mas também promoveu o paganismo.
A segunda Jezabel estava induzindo os servos de Deus ao pecado. Pregava que os pecados da carne podiam ser livremente tolerados. A liberdade que ela pregava era uma verdadeira escravidão.
A tolerância da igreja com o falso ensino provoca a ira de Jesus. A igreja abriu as portas para essa mulher. Ela subia ao púlpito da igreja, exercia a docência e induzia os crentes ao pecado. A igreja não tinha pulso para desmascará-la e enfrentá-la.
Uma planta venenosa estava vicejando naquele precioso canteiro, chamado igreja de Tiatira. Naquele corpo saudável um câncer maligno começou a formar-se. Um inimigo estava encontrando guarida no meio da comunidade. Havia transigência moral dentro da igreja. Aqui não era o lobo que veio de fora, mas o lobo que estava enrustido dentro da igreja. Escrevendo sobre essa condição da igreja de Tiatira, William Barclay alerta:
Aqui temos uma advertência. Uma igreja cheia de gente, cheia de energia e atividade, não necessariamente é uma verdadeira igreja. É muito fácil encher de gente uma igreja quando os fiéis vêm para ser entretidos e não para ser instruídos, para ser tranquilizados em vez de ser desafiados e confrontados com a realidade de seus pecados e com a oferta da salvação. Uma igreja pode chegar a estar cheia de energia. Pode ser que essa igreja não descanse em suas múltiplas atividades, mas nessa abundância de energia, todavia, pode ter perdido o centro da sua vida. Em vez de ser uma congregação cristã, não passa de um clube social.
2. Em segundo lugar, Jesus demonstra o Seu zelo pela igreja e denuncia a falsa doutrina e a falsa moralidade (2:20). Jesus denunciou de forma firme a falsa doutrina na igreja. Jezabel estava ensinando à igreja que a maneira de vencer o pecado era conhecer as cousas profundas de Satanás (2:23). Ela ensinava que os crentes não podiam cometer suicídio comercial, antes, deviam participar dos banquetes dos grêmios e comer carne sacrificada aos ídolos, bem como das festas imorais. Ela ensinava que os crentes deviam defender seus interesses materiais a todo custo. Prejuízo financeiro para ela era mais perigoso que o pecado. Amava mais o dinheiro que a Jesus, as exigências materiais mais que as exigências de Deus. O ensino dela era que não há mérito em vencer um pecado sem antes experimentá-lo.
O argumento dela é que para vencer a Satanás é preciso conhecê-lo e que o pecado jamais será vencido a menos que você tenha conhecido tudo por meio da experiência. O ensinamento perverso que estava por trás dessa falácia era: os pecados da carne podiam ser livremente tolerados sem prejuízo para o espírito. Mas a Bíblia diz que não podemos viver no pecado, nós os que para ele já morremos (Rm 6:1–2). Paulo diz, “na malícia… sede crianças” (1Co 14:20) e diz ainda “que devemos ser símplices para o mal” (Rm 16:19). O ensino dessa falsa profetisa estava levando os crentes de Tiatira a experimentar toda sorte de pecado. O que se pretendia era deixar que o corpo se afundasse no pecado para que a alma ou espírito se mantivesse livre de desejos e necessidades pecaminosas. Ela ensinava que o homem que nunca havia experimentado o prazer não tinha mérito nenhum em abster-se dele; para quem não conhecia a luxúria, abandoná-la não seria virtude; a verdadeira conquista seria viver no excesso do pecado, sem permitir que o pecado conquistasse a alma. Jezabel ensinava que a indulgência no prazer era vantajosa para a alma.
Jesus denunciou de igual forma, a falsa moralidade. A proposta de Jezabel era oferecer uma nova versão do Cristianismo, um Cristianismo liberal, sem regras, sem proibições, sem legalismos. Ela queria modificar o Cristianismo para se adaptar à moralidade do mundo. Ela ensinava uma prática ecumênica com o paganismo.
Uma igreja confrontada por Jesus, tendo a oportunidade de arrepender-se (Ap 2:21)
Uma igreja confrontada por Jesus, tendo a oportunidade de arrepender-se (Ap 2:21)
1. Antes de Jesus tratar a igreja com juízo, Ele a confronta com misericórdia (2:21). Deus é paciente e longânimo. Ele não tem prazer na morte do ímpio. Ele não quer que nenhum se perca. Ele chama a todos ao arrependimento. Ele dá tempo para que o pecador se arrependa. Cada dia é um tempo de graça, é uma oportunidade de se voltar para Deus. As portas da graça estão abertas. Os braços de Deus estão estendidos para oferecer perdão.
2. Em segundo lugar, antes de Jesus tratar a igreja com juízo, a confronta com a disciplina (2:22). A disciplina é um ato de amor. Jesus traz o sofrimento. Ele transfomou o leito do adultério no leito do sofrimento. O leito da prostituição torna-se leito da doença terminal. Ele transformou o prazer do pecado em chicote de disciplina. Ele está usando todos os recursos para levar o faltoso ao arrependimento.
3. Em terceiro lugar, a falta de arrependimento implica necessariamente a aplicação inexorável do juízo (2:19,22,23). Jezabel não quis se arrepender. Ela desprezou o tempo da sua oportunidade. Ela fechou a porta da graça com as suas próprias mãos. Ela calcou aos pés o sangue purificador de Cristo. Ela zombou da paciência do Cordeiro. Agora, ela e seus seguidores são castigados com a doença, com grande tribulação e com a morte (2:22–23). O salário do pecado é a morte. O pecado é doce ao paladar, mas amargo no estômago. O pecado é uma fraude, oferece prazer e traz desgosto. Satanás é um estelionatário, promete vida e paga com a morte.
O juízo contra o pecado será final e completo no dia do juízo. Jesus não apenas tem olhos como de fogo (Ap 2:18), não apenas sonda mente e corações (2:23), mas, também, tem os pés semelhantes ao bronze polido, prontos a esmagar os seus inimigos (2:18). No dia do juízo Cristo colocará todos os Seus inimigos debaixo dos Seus pés (1 Co 15:25). Naquele dia o Cordeiro estará irado (6:17).
Uma igreja encorajada a ser fiel até o fim a despeito da apostasia de outros (Ap 2:24–25)
Uma igreja encorajada a ser fiel até o fim a despeito da apostasia de outros (Ap 2:24–25)
1. É possível manter-se firme na doutrina mesmo quando outros se desviam (2:24). Alguns membros da igreja não apenas tinham tolerado o ensino e as práticas imorais de Jezabel, mas também estavam seguindo os seus ensinos para a sua própria destruição. Porém, havia na igreja um remanescente fiel. Cristo diz que esses de fato são livres. O jugo de Cristo é suave e leve. Os mandamentos de Deus não são penosos. Não são fardos. Ser crente é ser verdadeiramente livre.
2. Em segundo lugar, é possível manter-se puro na conduta mesmo quando outros se corrompem (2:24). Alguns crentes de Tiatira tinham-se curvado aos ensinos pervertidos de Jezabel e iam aos templos pagãos para comer carne sacrificada aos ídolos. Também participavam das festas cheias de licenciosidade. Buscavam conhecer as cousas profundas de Satanás. E assim se corrompiam moralmente. Porém, havia nessa mesma igreja, irmãos que buscavam a santificação. A santidade de vida e de caráter é uma marca da igreja verdadeira. A santidade não é apenas a vontade de Deus, mas Seu propósito. Deus nos escolheu para sermos santos (Ef 1:4). Só os puros de coração verão a Deus (Mt 5:8). Sem santificação ninguém verá o Senhor (Hb 12:14). Eles se apartavam do mal e viviam em novidade de vida.
Se o propósito de Deus é nossa santidade, o propósito de Satanás é frustrar tal propósito. Ele está sempre procurando induzir os crentes a pecar. Ele vai usar o anticristo para esmagar a igreja pela força. Ele vai usar o falso profeta para perverter o testemunho da igreja pelo mal. Mas se não lograr êxito, ele vai seduzir a igreja através da grande Babilônia, esse sistema sedutor do mundo. Se o diabo não pode destruir a igreja por meio da perseguição ou heresia, tentará corrompê-la com o pecado.
3. Em terceiro lugar é preciso entender que já temos tudo em Cristo para uma vida plena (2:25). Um dos grandes enganos de Satanás é induzir os crentes a pensar que precisam buscar novidades para terem uma experiência mais profunda com Deus. A verdade de Deus é suficiente. Não precisamos de mais nada. Tudo está feito. O banquete da salvação foi preparado. O que precisamos não é de novidades, de buscar fora das Escrituras coisas novas, mas tomar posse da vida eterna, conhecer o que Deus já nos deu, nos apropriarmos das insondáveis riquezas de Cristo. A provisão de Deus para nós é suficiente para uma vida plena até a volta de Jesus (2:25). Precisamos permanecer firmes e fiéis, conservando essa herança até o fim.
Uma igreja recompensada pela sua vitória ao permanecer fiel ao seu Senhor até o fim (Ap 2:26–29)
Uma igreja recompensada pela sua vitória ao permanecer fiel ao seu Senhor até o fim (Ap 2:26–29)
O vencedor é o que guarda até o fim as obras de Jesus (2:26). Perseverança é a marca dos santos. Aqueles que se desviam e perecem no pecado são como Judas, filhos da perdição, nunca nasceram de novo.
O vencedor vai julgar os ímpios e reinar com Cristo (2:26–27). A falsa profetisa estava pregando que os crentes que não entrassem nos grêmios comerciais e não participassem das suas cerimônias pagãs perderiam o prestígio, cometeriam um suicídio econômico e estariam fadados à falência. Mas, Cristo ensina que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Aqueles que não vendem a sua consciência e não trocam Deus pelo dinheiro, vão ser honrados, vão se assentar no trono, e vão julgar os ímpios. Os santos julgarão o mundo (1 Co 6:2). Aqueles que têm dominado suas próprias paixões sobre a terra terão ascendência sobre outros no céu. No dia do juízo os perversos serão quebrados como um vaso de barro (Sl 2:8–9). Em vez de desprezo, teremos uma posição de honra. Vamos reinar com Cristo. Aqueles que perdem a vida por amor a Cristo, encontram a verdadeira vida, mas aqueles que querem ganhar a vida, perdem-na.
O vencedor vai conhecer não as cousas profundas de Satanás, mas as cousas profundas de Cristo (2:28). Os salvos receberão a estrela da manhã. Não apenas eles receberão corpos gloriosos que vão brilhar como as estrelas no firmamento, mas também, vão conhecer a Cristo, a estrela da manhã, na sua plenitude. Os salvos terão parte não apenas na autoridade de Cristo de governar o mundo, mas também na sua glória. Recusando-se a penetrar nas profundezas de Satanás, eles sondarão as profundezas de Cristo. Voltando suas costas às trevas do pecado, eles verão a luz da glória de Deus na face de Cristo. Os que renunciaram ao pecado e às vantagens do mundo, viverão na glória com Cristo em completo e eterno contentamento.
Cristo é a nossa herança, a nossa riqueza, a nossa recompensa. Vê-Lo-emos face a face. Servi-Lo-emos eternamente. Ele será nosso prazer e deleite para sempre. Cristo é melhor que os banquetes do mundo. Só Ele satisfaz nossa alma.
