O Grande Amor de Deus

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Notes
Transcript
Você já vivenciou alguma prova ou alguma demonstração de amor?
Pessoalmente, já vivenciei várias provas ou demonstrações de amor.
Exemplos da vida comum: uma mãe solo, abandonada pelos pais de seus dois filhos, esforça-se ao extremo para criá-los de forma digna, abdicando dos seus próprios desejos e despendendo toda sua força para eles; um noivo apaixonado que aluga um avião para pedir sua amada em casamento; uma irmã amorosa que doa um rim para seu irmão; etc.
Exemplo cinematográfico: no filme Titanic, após o naufrágio do navio, no meio do oceano, Jack (DiCaprio) deixa sua amada Rose (Kate Winslet) sobreviver em cima de uma porta de madeira.
Atitudes assim são provas ou demonstrações de amor e nos emocionam.
Muitos de nós devem ter chorado ao final de Titanic ou choramos quando ouvimos e presenciamos histórias reais como os primeiros exemplos que dei.
Todavia, nem mesmo uma mãe que abdica de si mesmo para criar os filhos ou um homem apaixonado que deixa sua amada sobreviver em alto mar sobre uma porta de madeira, podem se comparar à maior demonstração de amor da história da humanidade.
Toda a criação corrompida pelo pecado - a humanidade caída com uma natureza oposta ao Criador - no qual a única recompensa possível seria a condenação eterna, porque nenhum sacrifício, oferta ou oblação feitos pelo homem seria suficiente para abrandar a Ira de Deus.
O Deus justo e santo, criou o homem à Sua imagem e semelhança, mas a criatura se voltou contra o Criador, pecando contra Ele e merecendo tão somente a Ira. É nesse ponto que encontramos a maior demonstração de amor da história da humanidade. Desde os tempos eternos, Deus havia preparado a maior demonstração de amor, sem que nós merecessemos e sem que nós pudéssemos pagar.
"O Grande Amor de Deus" é a temática que quero tratar esta noite, analisando esse texto em Romanos.
Contextualização
Dando continuidade à nossa série de sermões na carta de Paulo aos Romanos, podemos enxergar nitidamente que Deus é amoroso; conseguimos vislumbrar a profundidade e a imensidão do amor de Deus para com a humanidade.
O apóstolo Paulo, em vários momentos da epístola, apresenta aos crentes de Roma o grande amor de Deus para com a humanidade.
Como havia dito no último dia 18, por não ter feito parte direta na plantação dessa igreja, esta carta não se revela tão pessoal, quando comparada a outras cartas destinadas à Igrejas (Ex.: Coríntios, Gálatas, Efésios, etc) ou quando comparada às cartas pastorais (Ex.: Tito, Timóteo, etc). Romanos é mais um “tratado teológico”, um “compêndio da doutrina cristã” e com uma abordagem mais sistemática da posição teológica do apóstolo.
Mesmo sendo uma carta impessoal e mais sistemática (dogmática), o apóstolo consegue apresentar a profundidade e a imensidão do amor de Deus para a humanidade.
Para aquela comunidade mista, composta por judeus e gentios (maioria de gentios), Paulo consegue demonstrar o caráter amoroso de Deus.
Muitos judeus, convertidos ao cristianismo, ainda pensavam que fazia-se necessário a guarda da Lei, a circuncisão e a continuidade dos ritos judaicos, menosprezando o amor de Deus no sacrifício de Cristo. Por isso, há a ênfase na demonstração da salvação tão somente pelo amor de Deus à humanidade, ou seja, não há nada que o homem possa fazer para se salvar, tudo vem de Deus.
Vejam, por várias vezes conseguimos ver o apóstolo destacando que somos pecadores, somos indesculpáveis, não merecíamos perdão e merecíamos a condenação, mas, em contraponto, o apóstolo destaca a razão de sermos resgatados: o grande amor de Deus.
Mesmo sendo miseráveis pecadores, Deus nos amou a ponto de propiciar Seu próprio Filho para morrer em nosso lugar, como demonstração desse grande amor.
No versículo 5, que não faz parte da perícope que lemos hoje, enfatiza sobre o amor de Deus que é derramado em nossas vidas. Essa ênfase demonstra a profundidade e a imensidão do verdadeiro amor de Deus, ao conceder Cristo para morrer pelos nossos pecados. O grande amor de Deus não é racionado ou ofertado em partes, mas é derramado em demasia, ou seja, é abundante (ἐκκέχυται - dar ou distribuir amplamente).
Nos versículos que lemos (6-11), o apóstolo deixa incontestável que, todo o processo de salvação, é a prova de amor de Deus para conosco. Somos salvos em Cristo devido ao grande amor de Deus. Jesus não veio para mudar a atitude de Deus. Jesus veio para revelar incontestavelmente que Deus é amor. Jesus é a prova cabal e é a expressa revelação do grande amor de Deus.
2. Desenvolvimento
Com base no tema "O Grande Amor de Deus", olhando para o texto que lemos, conseguimos extrair AS DEMONSTRAÇÕES INCONTESTÁVEIS DO GRANDE AMOR DE DEUS PARA OS SEUS FILHOS.
São três demonstrações:
I. Enviar Cristo Para Morrer Por Nossos Pecados (vers. 6-8)
A primeira demonstração do grande amor de Deus para conosco é o envio de Cristo para morrer por nossos pecados.
Ninguém morreria pelo seu inimigo. Pelo contrário, nossa atitude principal, quando temos oposição a quem quer que seja, é desejar a morte.
Nós éramos inimigos de Deus; éramos pecadores ímpios desgarrados do Criador; mas aprouve a Deus enviar seu Filho Unigênito para morrer em nosso lugar.
Quando éramos fracos, completamente indignos e desqualificados para merecer qualquer consideração divina, Cristo morre por nós.
Embora ninguém se habilite a morrer por uma pessoa "boa" ou "justa", o grande amor de Deus habilitou Jesus a morrer por nós no estado de putrefação.
Pode ser que, para alguém que tenhamos muita amizade ou um vínculo muito forte, passe pela nossa cabeça em darmos nossa vida, em momentos de extrema necessidade. Porém, aos nossos inimigos, aqueles que temos desafeto, jamais pensaríamos em nos sacrificar.
Se alguém passasse a vida toda nos ignorando, indo contra nossa vontade e vivendo em oposição a nós, será que teríamos amor a ponto de oferecermos nossa vida em sacrifício?
Ainda bem que Deus é justo e santo e não pensa como nós. Deus prova Seu grande amor, enviando Jesus a morrer pelos nossos pecados.
A morte de Jesus aplacou a Ira de Deus. O castigo que merecíamos, por conta do pecado, foi imputado em Jesus.
Todos nós nascemos pecadores (fracos, ímpios, etc), até o momento em que somos reconciliados com Deus, por intermédio de Cristo.
Nós merecíamos tão somente a condenação eterna e a Ira de Deus, mas Jesus paga todo o escrito de dívida existente para que tenhamos paz com Deus e que alcancemos misericórdia.
O envio de Jesus é a demonstração mais evidente do grande e imensurável amor de Deus. Mesmo não merecendo, Ele nos amou.
Jesus, aquele que não teve nenhum pecado, se fez desprezível e pecador, para demonstrar o amor de Deus.
Algo que precisa ficar evidente a nós é que Jesus nunca foi o "plano B" e esses versículos demonstram isso. Jesus sempre foi o "plano A". Desde os tempos eternos, antes mesmo da criação, o Verbo de Deus havia sido designado para morrer pelos nossos pecados. Deus nos amou e nos enviou Jesus, antes mesmo da fundação do mundo. Jesus já era prometido a nós, desde os tempos eternos. Deus nos amou muito antes de nascermos. O amor de Deus é revelado pelo sacrifício vicário de Cristo.
E é importante lembrarmos que amor de Deus se manifesta independentemente daquilo que possamos oferecer a Ele. Não há nenhum mérito humano que possa ter movido Cristo a morrer por nós. Cristo morreu por nós no tempo designado por Deus e tão somente pelo Seu amor.
Nenhum ser humano, por mais "bom" ou "justo" que seja, mereceria tamanho amor; nenhum ser humano mereceria tamanho sacrifício. Se há justificação e reconciliação do homem para com Deus, é porquê Ele mesmo nos amou.
A morte de Cristo é a prova mais concreta do amor de Deus; é a prova mais profunda desse amor. Amor que não mediu esforços em oferecer um sacrifício ilibado, por pecadores miseráveis.
Nós não merecíamos e nunca mereceremos esse grande amor. Mas recebemos pela graça de Deus; recebemos independente da nossa condição; recebemos pelo beneplácito de Deus.
II. Salvar De Sua Ira (vers. 9)
A segunda demonstração do grande amor de Deus para conosco é a salvação da Ira de Deus.
Pela queda do homem, fazia-se necessário aplacar a Ira de Deus através de sacrifícios. Ora, Deus estabeleceu para seu povo, ritos sacrificiais para que tivessem a remissão de pecados.
Porém o sacrifício animal do Antigo Testamento não era suficiente para aplacar a Ira de Deus. O pecado fez separação e trouxe inimizade entre o homem e Deus, portanto, fazia-se necessário um sacrifício vicário, ilibado e sem máculas para que Deus imputasse toda a Sua Ira, a ponto de trazer remissão à humanidade.
Quando Jesus está no Getsêmani, não é o medo da morte física que o faz temer; quando Jesus está no madeiro pesado, não é simplesmente a dor física que o espanta; quando Jesus está prestes a morrer, não é a morte por asfixia na cruz que o faz clamar; mas é a Ira de Deus, imputada em Jesus.
A Ira de Deus estava reservada ao homem que pecou; que estava em estado de impiedade; que estava fraco; que estava desgarrado de Deus. Mas nenhum homem suportaria a Ira de Deus.
Por isso, desde os tempos eternos, Deus preparou o verbo para que encarnace, morresse em sacrifício aos pecados e suportasse a Ira de Deus.
O preço do resgate de nossas vidas, foi um preço de sangue. A redenção nos é fornecida mediante o sacrifício de Jesus. O sacrifício de Jesus nos salva da Ira de Deus - aplaca a Ira de Deus para seus filhos.
Somente Jesus conseguiu suportar a Ira de Deus, para que tivéssemos salvação - inclusive fôssemos salvos da Ira. Somos salvos da Ira de Deus pelo sacrifício de Jesus.
No juízo final, estaremos diante de Deus, seremos julgados por todos os nossos atos; todavia, o que será levado em conta não serão nossas boas ações ou a nossa justiça própria, Deus olhará o sangue de Cristo espargido sobre nós, seremos salvos da Ira de Deus e viveremos eternamente em gozo pleno.
A mediação de Cristo por seu sangue, por seu sofrimento e por seu sacrifício, aplaca a Ira de Deus e nos salva dessa Ira.
O castigo que nos era reservado, no momento da cruz, foi imputado em Cristo. O pecado de toda a humanidade, foi imputado em Cristo. A expiação que os ritos sacrificiais não conseguiam fazer, com a morte de Cristo, de uma vez por todas, foi consumado.
Fomos salvos da Ira presente e da Ira vindoura. O sacrifício de Cristo foi capaz de aplacar e nos livrar da Ira de Deus. O sacrifício de Cristo é capaz de trazer justiça aos pecadores injustos, nos protegendo no presente e até o fim, da Ira de Deus.
O amor de Deus é demonstrado quando o próprio Deus, propicia os meios para nos salvar de Sua Ira. Ora, Deus enviou Jesus para morrer pelos nossos pecados, como demonstração cristalina do grande amor, a fim de que esse sacrifício, aplacasse Sua Ira.
O grande amor de Deus é demonstrado no favorecimento de quem não merecia. A Ira de Deus estava reservada a nós, mas Jesus, a expressão máxima do amor de Deus, morreu a nossa morte, pagou o preço de sangue e suportou por nós a Ira de Deus, para que fôssemos salvos.
III. Reconciliar Com Ele (vers. 10-11)
A terceira demonstração do grande amor de Deus para conosco é a reconciliação Deus.
Estávamos desgarrados de Deus, pelo pecado. Vivíamos como fracos, ímpios e tínhamos inimizade com Deus. Mas Jesus foi o instrumento de propiciação, ou seja, somos feitos amigos de Deus pela instrumentalidade da Sua reconciliação. O sacrifício expiatório de Cristo nos reconcilia com Deus.
Há uma balela muito grande dita em algumas igrejas, afirmando que "Deus odeia o pecado, mas ama o pecador". Veja, Deus odeia o pecado e os pecadores. A Ira de Deus não será imputada apenas ao pecado, mas será imputada aos pecadores. Por isso, precisamos ter em mente que éramos completamente inimigos de Deus que sofreríamos da Ira dEle.
Se não for o sacrifício de Jesus, continuaremos sendo inimigos de Deus.
Mas o grande amor de Deus, através de Jesus, derruba toda barreira de inimizade e nos propicia reconciliação com Deus. Somente o sacrifício de Jesus nos proporciona reconciliação.
Vejam, Deus nos amou ainda quando éramos seus inimigos. Deus não poupou seu próprio filho para nos reconciliar com Ele, demonstrando a imensidão e a profundidade de Seu amor.
O apóstolo nos chama a atenção para fixar nossos olhos no sacrifício de Cristo, que é o fundamento de nossa salvação e nos chama atenção a confiar somente na expiação de nossos pecados por intermédio desse sacrifício. O sacrifício de Jesus que nos salva e que nos perdoa os pecados, também nos reconcilia com Deus e é a demonstração evidente do Seu grande amor.
Jesus nos faz justos perante Deus e reata o nosso relacionamento com Ele.
O amor de Deus é tão grande que, mesmo não merecendo, somos salvos por Cristo e ainda reconciliados, criando um relacionamento pessoal com o próprio Deus.
Grant R. Osborne diz que "o verdadeiro significado da reconciliação é o de trazer os que anteriormente eram inimigos, para um relacionamento um com o outro", isto é, a reconciliação é a demonstração do amor de Deus que nos chama a ter um relacionamento pessoal e retira de nós o caráter de inimizade, selando a paz com Ele.
O sacrifício de Cristo retira a nossa hostilidade para com Deus, que o pecado havia trazido e retira a hostilidade de Deus para conosco, que imputaria Sua Ira, criando um novo relacionamento.
Através do amor de Deus, temos esperança futura e salvação no presente. Gozamos da nossa reconciliação com Deus no âmbito atual, fazendo parte do Corpo de Cristo e no âmbito futuro, nos concedendo vida eterna.
Essa reconciliação e essa demonstração do amor de Deus, nos leva a exultar a Deus.
A maior benção que um ser humano poderia receber, foi outorgada por Jesus: somos reconciliados com Deus. Por isso, nossa exultação, nossa alegria e nosso regozijo devem ser motivados pela reconciliação.
As riquezas e os prazeres terrenos não se comparam à grandeza do amor de Deus, que nos reconciliou para Si. Se há esperança em nós, essa esperança está alicerçada no grande amor de Deus, que nos reconcilia.
Saber que somos reconciliados com Deus deve motivar nossas vidas a abandonar diariamente o pecado e buscarmos viver uma vida santa, para glorificar a Deus. A reconciliação é um motivo primordial para seguirmos a Cristo e obedecermos às Escrituras.
4. Conclusão
Partindo para a conclusão, quero ressaltar que, de todas as belas histórias e provas de amor que existem na história da humanidade, nenhuma se compara ao grande amor de Deus.
Um amor que não poupou Seu próprio Filho; um amor que aplaca a Ira; um amor que revive um relacionamento. Éramos inimigos de Deus e não merecíamos nada; mas amor é a essência do Criador que comunica esse amor à criação.
Deus resolve demonstrar a grandeza e a profundidade de Seu amor, mesmo quando éramos ímpios e fracos.
O texto demonstra que o grande amor de Deus resulta na justificação de homens e mulheres desprezíveis.
Como seres humanos falíveis, nunca conseguiremos compreender a profundidade e a imensidão do amor de Deus. Mas em Cristo, temos um vislumbre da grandeza desse amor.
AS DEMONSTRAÇÕES INCONTESTÁVEIS DO GRANDE AMOR DE DEUS PARA OS SEUS FILHOS são (I) Enviar Cristo Para Morrer Por Nossos Pecados (vers. 6-8), (II) Salvar De Sua Ira (vers. 9) e (III) Reconciliar Com Ele (vers. 10-11).
Devemos regozijarmos em tudo quanto Deus, demonstrando Seu amor, fez por nós.
O amor de Deus que envia Jesus para morrer pelos nosso pecados; que nos salva da Ira de Deus; que nos reconcilia com Deus.
Que Deus nos abençoe e que possamos exultar diariamente no grande amor de Deus.
Amém!
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