Tenho sede!
Sete palavras da Cruz • Sermon • Submitted • Presented
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· 6 viewsObjetivo Geral: Anunciar as riquezas da obra de Cristo na cruz. Objetivo específico: Ensinar como enfrentar a dor e as limitações físicas de maneira a vence-las. Proposição: Fazer a vontade do Pai nos dá o poder para superar a dor.
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Objetivo Geral: Anunciar as riquezas da obra de Cristo na cruz.
Objetivo específico: Ensinar como enfrentar a dor e as limitações físicas de maneira a vence-las.
Proposição: Fazer a vontade do Pai nos dá o poder para superar a dor.
Introdução
Introdução
Jo 19.28 28Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede. (Sl 69.21; Hb 2.17)
Continuamos com a série Sete Palavras da Cruz, que visa anunciar as riquezas da obra de Cristo na cruz do Gólgota, através das últimas palavras de nosso Senhor antes de sua morte expiatória.
O Evangelho de João possui a nítida intenção de mostrar a natureza divina de Cristo, fazendo clara demonstração de que Jesus é o Deus Eterno. Neste Evangelho há forte preocupação do evangelista em demonstrar que Jesus é o Senhor Jeová, junto com o Pai e o Espírito Santo.
Em diversas passagens ele fala do ato criador de Jesus, de sua igualdade de natureza com o Pai e de sua divindade.
Por outro lado, João também registra diversas vezes a humanidade do Salvador, registrando momentos em que ele se alimenta, chora, sente dor e outros elementos que não pertencem à divindade, mas à humanidade.
O texto de hoje fala muito da perfeita humanidade do Deus que se fez homem. Fala de Cristo em suas limitações físicas de homem. Fala daquele que venceu em meio a dor e não fugiu dela, pois assim cumpriria a vontade de seu Pai.
E hoje veremos que é justamente isso, fazer a vontade do Pai, que nos dá o poder para superar a dor e a limitação.
Mas, vamos analisar o versículo antes de prosseguir.
Análise do versículo
Análise do versículo
28aDepois, percebendo Jesus que tudo estava já concluído
Vimos na semana passada que Jesus, apesar de estar sofrendo bastante, tinha se limitado a dar boas palavras às pessoas que assistiam àquela cena terrível da crucificação.
Isto mudou quando o Pai o desamparou (abandonou) na cruz por causa do pecado dos eleitos que Jesus carregava na cruz. Jesus se fez pecado por nós (2Co 5.21), carregou a culpa que era nossa. Naquele momento ele sofreu pelo abandono do Pai e soltou um grito de lamento.
Passam-se as trevas que cobriram Jerusalém e, perto de seus últimos suspiros Jesus percebe que tudo está concluído. A palavra “tudo” certamente não pode ser entendida como “todas as coisas em geral”. Há Bíblia claramente ensina que existem profecias a serem cumpridas, então, “tudo” só pode se referir a determinado aspecto da obra de Cristo, a expiação, a satisfação da Ira de Deus sobre o pecado.
Dessa forma, Jesus não está falando somente das coisas que ele já sofreu, mas também daquelas que virão logo a seguir e são inevitáveis: sua morte e ressurreição.
Em meio a sua agonia física e emocional, Jesus não perde de vista a vontade do Pai. E isso fica mais evidente com o restante do versículo.
28bpara que se cumprisse a Escritura, diz: Tenho sede.
Jesus ainda tem que cumprir o restante de um dos textos messiânicos acerca de seu sofrimento: o Salmo 69.21. Até o último instante, Jesus estava preocupado em satisfazer a vontade de seu Pai. A palavra grega que é traduzida como a expressão “para que” [i{na] exige essa intencionalidade. A declaração de Cristo cumprir o Salmo não era mera coincidência.
Quanto a isso, tomo a liberdade de citar Arthur W. Pink[1].
A referência é ao Salmo 69 [...]. No espírito de profecia, havia declarado: “Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre” (v.21). Isso ainda estava sem ser concluído. As predições dos versículos precedentes já tinham recebido seu cumprimento. Ele já havia atolado no “profundo lamaçal” (v.2); ele havia sido aborrecido “sem causa” (v.4); ele havia “suportado afrontas” e confusão (v.7); ele havia se “tornado como um estranho” para os seus irmãos (v.8); ele havia se tornado “um provérbio” para os seus injuriadores, e “a canção dos bebedores de bebida forte” (vv.11,12); ele havia “clamado a Deus” em sua angústia (vv.17-20) – e agora nada mais faltava senão oferecer a ele a bebida de vinagre e fel, e afim de cumprir isso que ele bradou: “Tenho sede”.
Jesus não mentiu sobre sua sede. Ele estava com sede, mas seu grito era mais que a declaração da limitação física ou a expressão de uma vontade legítima. Ele estava pensando na vontade do Pai. Ele estava deixando claro para nós o alto valor da Palavra de Deus em todas as circunstâncias, inclusive nas dolorosas.
Como essa Palavra é preciosa! Profecias dadas muitos séculos antes se cumprindo em detalhes que, para nós, poderiam passar facilmente despercebidos. A Palavra de Deus não falha. Cristo não falha. E nós temos um guia perfeito para a vida na Palavra de Deus, afinal, só Cristo tem as palavras de vida eterna! Amém
Já dissemos que fazer a vontade do Pai é que nos dá o poder para superar a dor e a limitação, então veremos os:
Poderes que superam a dor e a limitação.
1º Poder: Intenção
1º Poder: Intenção
Há um ditado popular que diz que, “de boa intenção, o Inferno está cheio”. O ditado visa questionar aqueles que, alegando estar bem-intencionados, tomam atitudes de moralidade duvidosa. O ditado, então, é um contraponto àquele modelo ético que diz que “os fins justificam os meios”. O ditado não visa dizer que boas-intenções são ruins ou que não devemos ter boas-intenções.
Na verdade, a boa-intenção, ou seja, a disposição consciente e esforçada de fazer o que é correto, é o que na maioria absoluta das vezes nos leva a viver uma vida correta.
A Bíblia nos ensina que somos muito maus [Gn 8.21; Rm 3]. Nossas inclinações naturais são para o egoísmo, para a idolatria e toda sorte de males. Fazer a vontade de Deus não vem com naturalidade para as nossas mentes. Precisamos QUERER cumprir a vontade de Deus para de fato cumprir vontade de Deus.
Aliás, nós somente somos sinceros na busca pela vontade de Deus depois que Ele toma a iniciativa de nos salvar, porque antes disto tudo o que nós somos é inimigos de Deus. Até os mais religiosos, que alegam amar a Deus, negam isso, desobedecendo a Palavra de Deus.
Jo 14.21 21Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.
Mas mesmo nós, que um dia fomos salvos pela graça de Deus, não obedecemos por instinto natural. Continuamos pecadores e isso significa que precisamos buscar conhecer a vontade de Deus e termos a real intenção de realizar o que Ele deseja.
Vimos que Cristo, em meio a dor dele, falou “Tenho sede” para cumprir a Escritura, não somente porque estava com sede. Em meio a dor, então, não podemos perder de vista a vontade de Deus revelada na Escritura.
Em nome da dor ou da limitação, podemos perder de vista o Evangelho e fazer coisas que desagradam a Deus, conforme Ele revelou na Bíblia.
Um exemplo tolo, mas real é quando a pessoa dá aquela topada com o dedinho no pé da cama e, por causa da dor, exclama um palavrão, contrariando textos como Ef 4.29. Ou, por se perceber com dificuldades intelectuais, o irmão decide colar na prova, ou seja, mentir acerca do próprio conhecimento de um assunto.
Por causa da dor ou da limitação, podemos dar espaço à preguiça, à desonestidade, à vingança, aos xingamentos, à omissão, à mentira e a todos os demais pecados.
Se você quer vencer sua dor, antes de mais nada acesse o poder da intenção. Tenha a determinação intencional de fazer a vontade de Deus em toda e qualquer situação.
Cristo nos mostrou como usar a dor PARA CUMPRIR a vontade de Deus, ao invés de usá-la para desrespeitar a vontade do Senhor.
O segundo poder para vencer a dor e a limitação é o:
2º Poder: Imitação
2º Poder: Imitação
Vimos que Jesus demonstrou sua perfeita humanidade ao dizer que estava com sede. Ele estava sofrendo as mesmas limitações que os demais crucificados estavam, no entanto, além da sede física, havia os pecados da humanidade, a ira e o abandono do Pai sobre as costas dele.
Jesus estava com sede de água e com sede do Pai. Este pode ser o seu caso. Talvez você esteja sofrendo fisicamente e sinta como se Deus houvesse o abandonado.
Em casos assim, muitas vezes a pessoa diz: “Não sei como reagir, não sei o que fazer”. Pessoas em situação de constante dor ou limitação podem se sentir perdidas ao ponto de “parar de viver” e passar a apenas “sobreviver”. Isto conduz a perdas de objetivos e perspectivas de vida.
Não é por acaso que os defensores do suicídio assistido(eutanásia) sempre usam casos de pessoas tetraplégicas ou em extremo sofrimento físico (como alguns tipos de câncer) para tentar influenciar a opinião pública em favor dessa causa.
A dor e a limitação podem nos seduzir àquela opinião de que a vida perdeu sentido, o que certamente só pode ocorrer se valorizarmos as pessoas somente pelo que elas podem produzir ou vivenciar.
Jesus venceu sua dor e limitação na cruz porque sabia que aquela dor e limitação não eram gratuitas. Quase todas as pessoas que assistiam à crucificação não tinham noção do que estava acontecendo, mas a sede de Jesus cumpria propósitos do Pai. A sede era apenas um elemento de uma missão muito maior.
Nós nem sempre sabemos porque sofremos, isso é verdade. Mas sempre:
Rm 8.28 28Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
E qual o nosso principal propósito?
1Pe 2.9 9Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;
Assim como Jesus Cristo, temos propósito até quando sofremos. Por isso, quando você estiver perdido, desorientado em meio a dor e a limitação, acesse o poder da imitação. Imite a Cristo em suas dores.
Jesus sabe o que é dor física.
Jesus sabe o que é ter que cumprir obrigações enquanto sofre.
Ele venceu a dor e a limitação e você vencerá também se o imitar.
Por fim, o último poder para vencer a dor e a limitação é o:
3º Poder: Expressão
3º Poder: Expressão
Os dois primeiros pontos podem parecer muito frios, quando o assunto é dor e limitações. Um reflete certas obrigações que temos que ter em mente quando sofremos, que é a da obediência e valorização da Palavra em qualquer situação. O outro fala da empatia de Cristo conosco, mas também reflete uma obrigação; a de sermos imitadores de Jesus.
Quero terminar com este que é uma demonstração de que Deus não está apenas acumulando mandamentos na nossa cabeça e exigindo que ignoremos nossas dores. Esse não é o Deus da Bíblia.
Jesus sofreu como só o homem pode sofrer, porque nos amou como só Deus pode nos amar.
Como homem, Ele falou de suas limitações. Clamou ao Pai, falou aos homens. Não disse: “Tenho sede” em forma de petição. Sendo Todo-Poderoso, Ele poderia ter ordenado e os homens dariam água. Poderia ter ordenado a um anjo servi-lo. Poderia ter feito cair água milagrosamente na boca dele. Aliás, poderia ter hidratado seu próprio corpo sem ajuda de ninguém. Poderia, mas não fez.
Jesus, apenas comunica seu estado de sofrimento. Faz as pessoas ao seu redor saberem que Ele sofre. É uma lamentação, mas não uma murmuração. Murmuração é a voz da ingratidão, não da limitação.
Jesus não está revoltado ou insatisfeito com seu Pai, antes, está cumprindo Sua vontade, e a vontade do Pai, por vezes dói. E não há pecado em dizer que está sofrendo e que o sofrimento é desagradável.
Jesus sofreu, mas até seu sofrimento é expresso de acordo com a Palavra.
Está sofrendo, meu irmão? Sofra como um cristão, sem medo de expor sua fraqueza. Como diz o apóstolo Paulo:
2Co 12.10 29Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.
Use o poder da expressão. Expressar sua fraqueza, sua limitação, suas necessidades e suas lutas é prova de que você está imitando a Cristo e sendo forte como ele é. Mas lembre-se, até a expressão das nossas dores deve ser conforme a Palavra de Deus.
Conclusão
Conclusão
Quando sofremos dor ou limitações, gostamos de repetir que somos mais que vencedores. Mas isso só é verdade quando somos mais que vencedores EM CRISTO JESUS.
Quando conhecemos os heróis da fé, tanto os dos tempos bíblicos como os da história da Igreja, o que é comum encontrar neles é: 1) buscaram intencionalmente fazer a vontade do Pai; 2) imitaram a Cristo, sustentado o propósito de glorificar a Deus; e 3) expressaram suas fraquezas como diz a Palavra.
Cristãos tem vencido as dores e limitações a séculos apenas sendo como Cristo. Você também vencerá.
[1]PINK, A.W. Os sete brados do Salvador sobre a cruz. Brasília: Monergismo, 2006. P.60. Livro digital disponível em http://www.ipbfo.org.br/ebooks/A.%20W.%20Pink%20-%20Os%20sete%20brados%20do%20Salvador%20sobre%20a%20Cruz.pdf, acessado em 12/09/2018.
