O TRABALHO É UMA DÁDIVA

Espiritualidade e Trabalho: Somos mais que máquinas produtivas   •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Nesta série vamos abordar a relação existente entre trabalho e espiritualidade. Como o mundo do trabalho influencia a nossa relação com Deus, sua criação e missão. Ao final dessa série queremos encontrar no trabalho um espaço de criação e graça, a busca por satisfação em Cristo.

Notes
Transcript

Introdução

A primeira questão que eu levanto esta noite é a seguinte: Por que uma série sobre trabalho e fé?
O que o trabalho tem a ver com a nossa espiritualidade? Não seriam duas coisas distintas?
Essas dúvidas são justas especialmente porque a forma como nos relacionamos com o trabalho em nossos tempos é bastante tensa.
Não é todo mundo que acorda cantando louvores antes de sair para o trabalho. Eventualmente somos assombrados por notícias desagradáveis como a ameaça de perder o emprego, a mudança de função para um setor em que não dominamos.
Outra forma também de pensar o trabalho é toda sua complexidade social.
Então sobre que aspecto vamos falar do trabalho relacionando-o com nossa espiritualidade? Seria com evangelizar no ambiente de trabalho, ou nutrir uma ética de trabalho que se preocupe com as questões sociais?
Algo que tenho aprendido nestes últimos anos é que aquilo que pregamos deve tocar nas questões reais da vida.
Um bom sermão não é apenas aquele exegeticamente e hermeneuticamente corretos, ele precisa trazer luz aos dilemas reais das pessoas.
Podemos sair hoje a noite daqui com uma mensagem poderosa, mas que ao acordar amanhã não consigamos lembrar nem o texto lido.
Então nestes próximos domingos vamos nos debruçar em como ter uma vida plena e satisfatória quando o assunto é trabalho.
Algo fundamental é sabermos que desde o princípio Deus introduz em sua criação o conceito e a prática do trabalho.
Tim Keller afirma: No princípio, então, Deus trabalhou. O trabalho não é um mal necessário que adentrou o cenário mais tarde ou algo que fora criado para os seres humanos fazerem, mas que estava abaixo da dignidade do todo poderoso Deus. Não. Deus trabalhou por puro prazer e alegria. O trabalho não poderia ter tido um início mais glorioso.

O Trabalho é Bom

Sem dúvida o primeiro desafio é desmistificar a ideia de trabalho como algo ruim, ou como popularmente é identificado como fruto do pecado.
Como vimos na citação do Keller, um mau necessário.
Nosso desafio é compreender como o trabalho se introduz na história humana e se entrelaça no enrendo da salvação.
Gn 1.26-28 é uma descrição de que Deus é um Deus que trabalha, mas mais que isso, ele é o Criador que nos convida a a sua imagem e semelhança a trabalharmos também.
Existe uma palavra que pode nos ajudar a ampliar essa perspectiva do trabalho como algo bom, é a palavra Vocação.
O problema é que associamos o trabalho como “carreira pessoal”. Qual a utilidade do trabalho? Tim Keller faz as seguintes citações:
Estamos nos encaminhando para uma validação ainda maior da sacralização do indivíduo, [mas] nossa capacidade de imaginar uma estrutura social que mantenha as pessoas unidas está desaparecendo […] A sacralização do indivíduo não é equilibrada por nenhuma noção do todo ou preocupação com o bem comum.
Veja, ele continua:
Para que a diferença seja real […] [teria de haver] uma reapropriação do conceito de vocação ou chamado, um retorno à noção de trabalho sob uma nova ótica que o veja como contribuição para o bem comum, e não meramente como um meio para o progresso individual.
É aqui que as coisas devem começar a ganhar sentido. É perfeitamente compreensível que pressionados uma uma sociedade de consumo e desempenho sintamos a obrigação de desempenhar papeis na sociedade muito mais preocupados com nosso bem estar.
Quanto mais claro estiver o papel do trabalho em nossa experiência de fé, menos aflitos e ansiosos nos tornamos. Mais o trabalho ganha contornos de propósito, beleza e significado.
Se cairmos no desespero do Pregador em Eclesiastes chegaremos a conclusão que tudo debaixo do sol é pura vaidade.
Um outro autor que nos ajuda a ampliar o nosso senso de propósito no trabalho é Bernado Cho. Ele nos lembra que o dualismo sacro versos mundano em que a obra de Deus se reduz a tarefas religiosas alienou o trabalho de qualquer senso de propósito.
Com esta confusão de sentido o que resulta dos encontros evangélicos é esta busca por autodescoberta, como diz Bernardo Cho “o chamado cristão é tratado como uma espécie de “segredo oculto” a ser encontrado e potencializado per meio de autoafirmação.
Então qual o sentido do trabalho já que ele é bom? Bernardo Cho nos ajuda a responder a esta questão:
O que enche nossos afazeres de significado é o fato de que Deus nos chamou para a manutenção do shalom estabelecido na criação e para a antecipação do shalom perfeito a ser consumado na nova criação.
Uma perspectiva como esta muda completamente nossa visão do trabalho como algo puramente econômico, isto é, serve apenas para ganhar salário.
Sucesso para boa parte das pessoas inclusive cristãs, sucesso está relacionado a ganhar e não com a qualidade do que se faz, muito menos com o como se faz o que se faz, como diz Cho.
Consequentemente, quando o assunto é como a fé cristã pode tangenciar o mercado de trabalho, a conversa com frequência gira em torno de “como falar de Jesus” aos colegas de trabalho, enquanto o trabalho em si é visto tão somente como um meio de conquistas pessoais.
Então podemos afirmar que nossa relação com o trabalho está ligada a própria ação de Deus, Deus é um Deus que trabalha e nos chamou ao trabalho, mas o trabalho como vocação. O plano de Deus é espalhar o seu caráter redentivo e somos chamados a trabalhar como forma de expressar esse anúncio do shalom de Deus.
O trabalho é a forma de espalharmos esta cultura de paz, graça e justiça. Deus trabalha por meio de nós.

Conclusão

Como ao longo dos anos você tem encarado o trabalho, como um peso? Algo desgastante e infrutífero?
Ou você tem encarado o trabalho como algo simplesmente utilitário, estou aqui por estabilidade, sustento, sucesso...
Imagine que o grande desafio é ressignificarmos o nosso entendimento do trabalho dando a ele um sentido bíblico e frutífero.
Imagine compreender seu papel no mundo corporativo como um agente transformado do evangelho, não simplesmente fazendo reunião religiosa, mas fazendo o que faz como maneira de espalhar a boa graça de Deus.
Este é sem dúvidas um dos maiores desafios para uma geração do emergente, do sucesso e do ganho rápido e fácil.
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