Permanecer E Frutificar Na Missão
Que Plano Seu Já Se Frustrou, Porque o Plano de Deus Para Você Era Outro?
É bem provável que Jonas nesse período tenha se tornado um profeta ideologizado. Ele tinha consciência, por exemplo, de que nos seus dias a grande ameaça para Israel era a Assíria, cuja capital era Nínive (2Rs 15.19). Esse é o pano de fundo que revela o sentimento de Jonas e as suas motivações para fugir da missão divina em vez de cumpri-la. Conforme Jerónimo Pott disse, Jonas deseja ver a total destruição de Nínive, a capital da Assíria, e não a sua salvação.8 George Robinson relata que sendo Jonas um nacionalista extremado, mesquinho, vingativo, não queria entender por que Deus desejava que ele pregasse a um povo que queria devorar Israel.
Foi nesse tempo que Amós denunciou a ganância insaciável dos poderosos, a mancomunação dos juízes com os ricos para oprimirem os pobres, a corrupção dos valores morais e o desaparecimento da piedade em virtude de uma religião sem ortodoxia e sem vida.
Em quarto lugar, o livro de Jonas nos revela várias ironias. Há muitas ironias neste livro.25
• Seu nome significa “pomba”, mas Jonas é um ser em conflito.
• Jonas não quer orar, e cai numa reunião de oração.
• Jonas não quer pregar, mas na sua honesta negação de obediência os pagãos são salvos.
• Ele é o único que diz: “eu sei” (1.12; 4.2), mas vive de forma contrária ao seu conhecimento.
• Deus ensina a Jonas por intermédio dos pagãos, mas salva os pagãos por intermédio de Jonas.
• Enquanto Jonas mergulha no sono da indiferença, os marinheiros lutam com paixão indômita pela vida.
• Jonas está completamente emudecido diante de Deus e dos homens, e em contraste os marinheiros agradecem a Deus por Sua misericórdia.
• Enquanto Jonas deseja a morte, os marinheiros desejam a vida.
• Jonas usa a nacionalidade para fugir de Deus, enquanto Deus utiliza coisas inusitadas como o vento e o grande peixe para executarem Sua vontade.
• Jonas prega que Nínive será destruída, e Nínive é transformada. Jonas prega uma mensagem, os ninivitas entendem outra.
a. Jonas tem uma teologia certa e uma prática errada.
b. Jonas faz a obra de Deus, mas com a motivação errada.
c. Jonas quer receber bênçãos, mas não quer ser bênção.
d. Jonas prefere morrer a se arrepender. Jonas não tem medo da morte, ele tem medo de Deus salvar seus inimigos da morte.
e. Jonas demonstra contradição mais do que contrição.
A disciplina de Deus é uma prova do Seu amor por nós.
Warren Wiersbe, comentando sobre Hebreus 12.5–11, afirma que podemos reagir à disciplina de Deus de várias formas: podemos desprezar a disciplina de Deus e lutar contra ela (Hb 12.5); podemos desanimar e desfalecer (Hb 12.5); podemos resistir à disciplina e tornar necessária uma correção ainda maior, até mesmo a morte (Hb 12.9) ou podemos nos submeter ao Pai e amadurecer na fé e no amor (Hb 12.7). A disciplina é para o cristão o que o exercício e o treinamento são para o atleta (Hb 12.11); ela nos permite correr a carreira com resistência e alcançar o objetivo determinado (Hb 12.1,2).
Jonas foi o mais estranho de todos os profetas. Sua mensagem produziu efeitos até naqueles que não o ouviram diretamente. No entanto, nenhum pregador foi tão bem-sucedido. Nem mesmo Jesus, pois muitos se opuseram à sua pregação. No hebraico, o sermão de Jonas se compunha de apenas cinco palavras, nada mais. Contudo, o sermão produzia muito impacto. E que impacto!1
Page Kelley chega a afirmar que Jonas fez todo o possível para que a sua missão fracassasse. Jonas tinha um espírito indignado, um preparo insatisfatório, um sermão medíocre. Resultado: um sucesso tremendo! A maioria dos pregadores trabalha duramente para obter bons resultados; Jonas trabalhou duramente para não ter bons resultados, mas ele teve sucesso, apesar da sua atitude.2 Jonas foi o único pregador da História que ficou frustrado com o seu sucesso.
Warren Wiersbe, citando George Morrison, diz que a vida cristã vitoriosa é uma série de recomeços. Quando caímos, o inimigo quer que acreditemos que nosso ministério chegou ao fim e que não há mais esperança de recuperação, mas nosso Deus é o Deus das segundas chances.
A Missão de Deus ao Profeta Jonas Nos Ensina 3 Lições de Maturidade Cristã
A Soberania de Deus É Exercida com Propósitos de Amor Salvífico aos seus Eleitos
Fato digno de nota são os registros oficiais do almirantado britânico que fornecem evidências documentadas sobre a espantosa aventura de James Bartley, um marinheiro britânico que foi engolido por uma baleia e escapou com vida para contar a história. Muitos médicos de vários países vieram examiná-lo. James viveu mais dezoito anos depois dessa experiência. Na lápide de seu túmulo foi escrito um breve relato de sua experiência, com o acréscimo: “James Bartley, um moderno Jonas”.16 Essas informações, segundo Champlin, foram extraídas do livro Stranger than science, escrito por Frank Edwards, p. 11–13.
Isaltino Filho diz que Nínive é tradução do assírio Ninua, que é a transliteração do antigo sumério Nina, nome da deusa Ishtar, uma das divindades dos assírios, chamada de rainha dos céus. Essa divindade pagã chegou a ser adorada em Jerusalém (Jr 7.18). Era considerada a deusa da guerra e do sexo. Portanto, violência e imoralidade marcavam a existência da cidade.
Não há abismo tão grande onde a graça de Deus não nos alcance.
Deus é misericordioso e salva até mesmo os nossos inimigos. Jonas fica desgostoso com Deus, não por causa da Sua ira, mas por causa da Sua misericórdia.
O Trabalho É de Deus, Ele É Quem Primeiro Ama, e Frutifica; o Nosso É Cooperar com Ele em Amor
Warren Wiersbe afirma corretamente que o coração de todo problema é o problema do coração.
A Oração nos Recoloca na Missão, na Obediência ao Chamado e no Propósito de Amar (Jesus)
Deus tem os ouvidos atentos para ouvir as orações. Deus ouviu as orações dos marinheiros e os poupou. Deus ouviu o clamor de Jonas nas entranhas do grande peixe e o libertou da morte. Deus ouviu o clamor dos ninivitas e os salvou. Deus ouviu até mesmo os queixumes do profeta rebelde e o repreendeu com amor.
Jonas não orou quando desceu a Jope. Não orou quando comprou sua passagem para Társis. Não orou quando tentou fugir para Nínive e quando se escondeu no porão do navio. Jonas não orou quando a tempestade foi atrás dele no mar Mediterrâneo. Ele não orou quando os marinheiros pagãos oraram. Ele não orou quando foi atirado ao mar, mas ao ser engolido por um grande peixe, capturado nas profundezas do abismo, sentiu necessidade de orar.
Nessa mesma linha de pensamento, Dionísio Pape assevera que a desobediência sempre enfraquece a vida de oração. Muitas vezes o Senhor permite que o desviado sofra, para que clame novamente a Ele em oração.
Warren Wiersbe diz que a segunda oração de Jonas foi muito diferente da primeira, tanto em conteúdo quanto em intenção. Ele fez a melhor das orações no pior dos lugares – o ventre do peixe – e fez a pior das orações no melhor dos lugares – em Nínive, onde Deus estava operando maravilhas. Sua primeira oração foi fruto de um coração quebrantado, mas sua segunda oração veio de um coração cheio de raiva. Em sua primeira oração, pediu a Deus que o salvasse, mas em sua segunda oração, pediu que Deus o matasse!
Uma das verdades mais consoladoras das Escrituras é que Deus ouve as orações.
Devemos Ser Imitadores de Cristo, Que Nos Amou e Quis a Missão; Não de Jonas
Queremos destacar três perigos a que os servos de Deus estão expostos:
Em primeiro lugar, o perigo de pregar aos outros e não usufruir o poder da mensagem que se prega.
Ele é canal, mas não receptáculo da bênção. Como é triste quando os servos de Deus são fonte de bênção para outros, mas eles próprios deixam de ser abençoados!
Em segundo lugar, o perigo de se cansar da obra e na obra. Jonas faz a obra de Deus porque não tem outra opção. Sua motivação está em descompasso com a vontade de Deus. O ministério não é um deleite para ele, mas um fardo pesado.
Em terceiro lugar, o perigo de se fazer a obra de Deus, mas não se deleitar no Deus da obra. A maior prioridade do crente não é fazer a obra de Deus, mas se deleitar no Deus da obra. O Deus da obra é mais importante do que a obra de Deus.
O livro de Jonas termina com uma pergunta. Não sabemos se Jonas se arrependeu ou se permaneceu rebelde. Não sabemos se sua ira cessou de arder ou se ele continuou amargo o restante da sua vida. Contudo, esse livro não está inconcluso. Jonas não respondeu, porque essa resposta não deveria ser dada apenas por ele. Jonas não está 2.700 anos distante de nós. Ele está dentro de nós. Jonas mora debaixo da nossa pele. O coração de Jonas bate em nosso próprio peito. O sangue de Jonas corre em nossas próprias veias. Sentimos compaixão por aqueles a quem Deus ama? Temos disposição de levar a Palavra para aqueles por quem Cristo morreu? O nosso coração se quebranta pelas mesmas causas que tocam o coração de Deus?
Cristo morreu para salvar os que procedem de toda raça, povo, língua e nação (Ap 5.9). O plano de Deus é que a Igreja toda leve o Evangelho todo, a todos os povos, de todos os lugares e todos os tempos.
