Vinho novo

Parábolas de Jesus  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Objetivo Geral: Aprofundar o conhecimento acerca do ensino de Jesus e corrigir compreensões errôneas das parábolas de Jesus. Objetivo específico: Compreender que o cristianismo requer uma nova expressão de fé. Proposição: Nossa experiência cristã é um processo que compreende fases de aceitação, rejeição e evolução.

Notes
Transcript
Lc 5.36-39 36Também lhes contou uma parábola:
— Ninguém tira um pedaço de uma roupa nova para colocar sobre roupa velha; pois, se o fizer, rasgará a roupa nova, e, além disso, o remendo da roupa nova não combinará com a roupa velha. 37E ninguém põe vinho novo em odres velhos, porque, se fizer isso, o vinho novo romperá os odres, o vinho se derramará, e os odres se estragarão. 38Pelo contrário, vinho novo deve ser posto em odres novos. 39E ninguém, tendo bebido o vinho velho, prefere o novo, porque diz: “O velho é excelente.”
Mt 9.16-17, Mc 2.21-22

Introdução

Hoje iniciamos a série de pregações As Parábolas de Jesus.
Existem nos quatro evangelhos mais de trinta registros de parábolas, sendo o médico Lucas o autor que mais registrou esses ensinos de Cristo.
Mas, antes de começar, vamos entender primeiro o que é uma parábola. O dicionário Oxford define parábola como
“narrativa alegórica[1]que transmite uma mensagem indireta, por meio de comparação ou analogia”[2],
em outras palavras, as parábolas ensinam através de comparações, usando linguagem figurada.
Jesus usava as parábolas com figuras da vida cotidiana para explicar coisas mais complexas. Às vezes, essas parábolas eram mais claras, às vezes mais obscuras, a ponto de os discípulos pedirem explicação, mas o que elas têm em comum é a linguagem simples, de fácil memorização.
Três precauções importantes antes de querer interpretar uma parábola de Jesus são:
1) Verifique se o próprio texto bíblico explica a parábola diretamente;
2) Leia o contexto onde a parábola está inserida, pois ela não é um ensino solto;
3) Cuidado ao tentar procurar significado em cada detalhe da parábola, pois a ideia geral dela é o objetivo do ensino.
Hoje começaremos com a parábola que está registrada em Lucas 5.36-39.
(Bíblia)
Para entender essa parábola, é necessário conhecer o contexto. Jesus havia acabado de chamar Mateus (Levi) para ser seu discípulo. Levi, muito feliz com isso chamou seus amigos, publicanos e pecadores, e ofereceu um banquete para Jesus.
Os fariseus e mestres da Lei questionaram o fato de Jesus comer com esse tipo de gente e Jesus apenas respondeu que havia vindo justamente para chamar gente com problemas, gente que precisava se arrepender.
Não contentes, os fariseus e mestres questionaram Jesus acerca dele e seus discípulos não jejuarem, como todos os outros líderes religiosos. A isso, o Mestre respondeu que quem está com o Noivo (Jesus) não precisa jejuar, mas que jejuaram em sua ausência, o que já é uma predição da sua morte.
Deste ponto em diante, para ilustrar suas respostas, Jesus conta a parábola. Vamos entende-la melhor:
36E disse-lhes também uma parábola: Ninguém deita um pedaço de uma roupa nova para a coser em roupa velha, pois romperá a nova e o remendo não condiz com a velha.
Para explicar seus atos Jesus conta uma situação que soa absurda: imagina que uma roupa velha sua rasgou. Aí você tem uma roupa nova e corta um pedaço da roupa nova para reparar a velha. Não faz sentido!
Você teria rasgado uma roupa nova e tornado evidente o rasgo na roupa velha, pois o remendo certamente não vai combinar (sinfonia), pois não será do mesmo tom. Se você fizer isso você ficará com duas roupas estragadas ao invés de uma.
Jesus está dizendo que as velhas práticas dos fariseus, mestres da Lei e até do seu primo João Batista não combinam com o que ele veio ensinar.
Tentar juntar partes do cristianismo para emendar sua velha religião, não te torna cristão e não melhora sua religiosidade, só a torna mais feia. Continuando ele diz:
37E ninguém deita vinho novo em odres velhos; de outra sorte o vinho novo romperá os odres, e entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão; 38Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão.
Aqui uma história que eles entenderam bem, porque era comum naquela cultura. Os odres eram recipientes feitos de pele de gado, geralmente caprinos e bovinos. Inicialmente, o odre é flexível, mas com o tempo se tornavam ressecados e mais duros.
Já o vinho, como sabemos, é o suco de uva fermentado, e no processo de fermentação ele libera gases. Se o vinho novo (no início de processo de fermentação) é posto num odre velho (enrijecido), o vinho vai liberar gases que aumentarão a pressão dentro do odre, que vai se romper.
Mas se o vinho estiver num odre novo, a fermentação somente fará que o couro, ainda flexível, se expanda, mantendo tudo conservado.
Jesus está dizendo que sua doutrina (o vinho, a parte interna) trará uma nova maneira de expressar religião (o odre, a parte externa).
As regras humanas não podem nos fazer bons cristãos. Mas ele termina com uma palavra graciosa.
39E ninguém tendo bebido o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho.
Quem já ouviu dizer que o vinho velho é sempre melhor? Bom, desde a época de Jesus, isso não passa de um mal-entendido. Todas as variedades de vinhos tem um tempo de maturação, sendo que a maioria dos vinhos tem vida útil curta de, no máximo, 3 anos. Após este tempo, o vinho começa a oxidar e perder a qualidade.
(A título de curiosidade, alguns vinhos ficam melhores com cerca de 100 anos ou mais, mas eles são a exceção e também ficam ruins depois de seu período de maturação.)
Jesus está aqui explorando um preconceito: quem está acostumado a tomar um vinho mais velho, acha que o vinho novo é ruim. A pessoa nem quer provar o vinho novo. Nem sabe o gosto dele, mas já deduz que só pode ser ruim.
Aqui ele nos ensina que certas verdades que ele nos trouxe seriam difíceis de ser assimiladas no princípio, mas, a julgar pelo fato de que isto não é uma repreensão de Jesus, Ele está disposto a esperar que nós aprendamos “aos poucos” o cristianismo.
Dito isto, vemos Cristo explicando que nossa experiência cristã compreende fases de aceitação da verdade, de rejeição do erro e de evolução no caminho.
As fases em nossa experiência cristã.

1ªFase: Aceitação da verdade

Ficou claro nas palavras de Jesus Cristo que ele não veio trazer uma reforma na nossa vida espiritual, mas uma mudança radical. A verdade que precisa ser aceita não é que existem coisas boas no cristianismo, mas que o Senhor Jesus é a verdade encarnada e qualquer coisa diferente do ensino dele estará longe dessa verdade.
Quantos de nós já tivemos dificuldade de assimilar certos aspectos do cristianismo, não é mesmo?
Lembro-me de quando lutava com meu vício em pornografia e repetia o mantra: “uma vez viciado, viciado pra sempre”. Eu sabia que a palavra de Deus ensinava que “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”(Jo 8.32) e que “se o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”(Jo 8.36), além de diversos textos bíblicos que mostram que o cristão não é mais escravo do pecado, mas eu achava que não se aplicavam ao meu pecado escravizador.
Todos aqui estamos na fase de aceitação da verdade em alguma área de nossa vida. Por exemplo, talvez você conheça a verdade, mas ainda não aceitou:
· Que você é capaz de conviver com quem você discorda;
· Que você pode sim perdoar;
· Que seu filho tem jeito;
· Que você tem domínio sobre o que você vê e pensa;
· Que a verdade é o melhor caminho mesmo quando traz problemas;
· A verdade de que você é amado por Deus mesmo sendo um fraco.
Jesus quer mais que uma religiosidade parcial de nossa parte, mas uma total submissão à vontade dele. Cristãos não devem fazer remendos, ao contrário, devem trocar de roupa. Ou como diz Paulo aos Romanos:
Rm 12.2 E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Você consegue identificar áreas da sua vida em que você aceitou somente parte da verdade de Deus? Se não, será que não é porque você conhece pouco a vontade de Deus? Pense nisso...
Outra fase comum de nossa experiência cristã é a:

2ªFase: Rejeição do erro

As cobranças dos fariseus e mestres da Lei eram interessantes porque, em ambos os casos, não eram prescrições bíblicas, mas práticas consagradas. Não há mandamento bíblico para não comer com os publicanos e pecadores (mesmo por que seria um anacronismo, no caso dos publicanos) e também não havia mandamento algum determinando o duplo jejum semanal.
Ambas as regras surgiram fora da Lei, mas quem as praticava era considerado mais espiritual. No caso específico do jejum, havia o Dia da Expiação, que ficou depois conhecido como o Dia do Jejum[3], mas a prática farisaica de jejuar duas vezes por semana era preceito humano.
O jejum tem real proveito espiritual, pois o NT chega a citar situações em que o jejum pode ser interessante[4]. Comer com pecadores, às vezes pode ser o mesmo que sentar na roda dos escarnecedores. Mas devemos tomar cuidado para não tratar como mandamento o que é apenas útil em certos casos.
E por que devemos tomar cuidado com isso? Porque podemos incorrer em dois erros:
· De criar dificuldades para que os outros sigam o Evangelho, trazendo regras que não estão escritas na Bíblia;
· De nos tornarmos soberbos, medindo a espiritualidade dos outros baseado em nossas práticas.
Os fariseus cometeram esse dois erros naquela época, e muitas vezes cometemos o mesmo erro em nosso tempo.
Suas regras de religiosidade pessoal não te fazem melhor que os outros e você deveria se perguntar se algumas das críticas que você faz aos outros não são por puro legalismo.
Aprenda a encontrar e rejeitar os erros. Para isso, a receita é a mesma de sempre: leia a Bíblia, venha aos cultos, estude a Bíblia com quem sabe mais que você (Livros, EBD, conselheiros). Deus proveu a Igreja de mestres para isso.
Por fim, outra fase comum de nossa experiência cristã é a:

3ªFase: Evolução no caminho

Jesus sabe que somos cabeças-duras, teimosos, ou para usar palavras bíblicas, tolos e/ou obstinados. Ele mesmo disse:
Lc 24.25 25E ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!
Somos devagar pra aprender e, porque o Senhor é muito, mas muito bondoso, ele trabalha conosco num ritmo que nós aguentamos, nos ajudando a caminhar em sua direção de maneira constante e vencedora, ou como diz o apóstolo Paulo, “de glória em glória”(2Co 3.18).
Às vezes resistimos em aplicar algumas verdades bíblicas em nossa vida, porque achamos que o vinho velho é melhor. Teimamos em velhas práticas e isso certamente nos traz prejuízos. Passamos períodos vivendo bem longe daquela vida feliz (vinho novo) que o Senhor garante para quem o ouve. Mas não é que o Senhor tem paciência conosco?!
E o que isso nos ensina?
1) Tenha paciência com as falhas dos outros! Deus é misericordioso com você, por que você seria diferente com os outros? Veja, paciência, não é omissão com relação ao pecado, mas compaixão pelo pecador. Jesus conduz seu irmão de glória em glória.
2) Acredite no amor de Deus por você! Ao invés de desanimar por suas falhas, arrependa-se, peça perdão, olhe para tudo o que Cristo já tem feito em sua vida e siga em frente! Jesus conduz você de glória em glória.

Conclusão

x.
[1] https://www.bing.com/search?q=defini%C3%A7%C3%A3o+de+alegoria&qs=n&form=QBRE&sp=-1&pq=defini%C3%A7%C3%A3o+de+alegori&sc=4-20&sk=&cvid=DE0C440B35B64C40A5B25E478FA4A287 [2]https://www.bing.com/search?q=defini%c3%a7%c3%a3o+de+par%c3%a1bola+b%c3%adblica&qs=SC&pq=defini%c3%a7%c3%a3o+de+par%c3%a1bola+b%c3%adblia&sc=1-28&cvid=AA4E099EAAD04252BFC864B0F0E686E2&FORM=QBRE&sp=1&ghc=1 [3] Lv 16.29; 23.27, cf. At 27.9 [4] Mt 4.2; 6.16; 17.21; Lc 2.36-37; At 13.3; 14.23
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